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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Enem ou vestibular tradicional? "É melhor ler com autonomia o Garfield do que decorar clássicos", diz Prof. Edir.

Professor diz que Enem pode prejudicar ensino de literatura

Extraído do Portal Terra - 11 de outubro de 2011 • 14h08 • atualizado às 15h25
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Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com base nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 1998 a 2010 apontou que poesias e letras de canções aparecem em 42% das questões de literatura. Romances estão presentes em cerca de 12% das perguntas, e contos em apenas 3%. Enquanto isso, histórias em quadrinhos ocupam 19% do teste. Para o professor de literatura brasileira da universidade, Luís Augusto Fischer, os resultados são "assustadores e podem prejudicar o ensino nas escolas".

O pesquisador afirma que a prova foca na vertente da linguagem, e não da cultura. "O Enem prestigia mais a literatura enquanto leitura do que a literatura enquanto aprendizagem cultural", afirma. Fischer explica que a primeira vertente - que é a mais utilizada no teste - é mais simples, pois implica somente na leitura direta de um texto, seja ele letra de música, quadrinhos ou um conto. Um exemplo de questão é pedir para o candidato analisar um romance e afirmar se o discurso utilizado é direto ou indireto, por exemplo.

De acordo com Fischer, pensar a literatura como cultura exige mais complexidade, uma vez que um texto será analisado pelo conhecimento da sua história, enredo e características do autor. "As duas são imprescindíveis, mas a prova foca somente em uma. Com esse privilégio à leitura, se perde muita coisa do vasto patrimônio cultural letrado que já existe e ao qual todos devem ter acesso na escola", defende.
O estudo mostra que há, por ano, uma média de 13% de questões que mencionam textos literários e semiliterários. Além disso, a frequência de autores foi considerada baixa ao se avaliar todos os testes, de 1998 a 2010 (inclusive a prova de 2009 que vazou). Carlos Drummond de Andrade apareceu 19 vezes; em segundo lugar, vêm Machado de Assim e Manuel Bandeira, com sete citações. Nenhum outro autor aparece mais de cinco vezes. Graciliano Ramos e João Cabral aparecem três vezes cada, menos do que Jim Davis, do Garfield, e Bob Thaves, da tira Frank e Ernest, com quatro referências cada.

"Acredito no sistema do Enem de desprezar a decoreba de certos vestibulares, mas o caso é que a prova trata o texto literário como um texto qualquer. Um poema de Drummond, por exemplo, é colocado no mesmo nível de uma tira em quadrinhos", afirma o professor.

Na visão de Fischer, o fato pode prejudicar o ensino literário na escola, uma vez que o ensino médio se molda à demanda do processo seletivo de ingresso às universidades. "Na escola brasileira, a literatura tem sido porta de acesso não apenas a livros, mas também a outras artes. Sem isso, me parece que vamos perder esse acesso, além de perdermos parte importante, talvez fundamental, da formação cultural dos alunos nesses campos", completa.

'É melhor ler com autonomia o Garfield do que decorar clássicos', diz educador

Apesar de concordar que o Enem precisa evoluir, o professor de literatura do cursinho Universitário, de Porto Alegre (RS), Edir Alonso defende o uso que a prova faz de textos mais populares. "O modelo de avaliação tradicional, com base na leitura dos clássicos, acaba por enfrentar uma dura realidade: está distante da vida do jovem leitor médio", diz.
Alonso afirma que isso não significa que a academia deva se conformar apenas com a leitura de tirinhas e canções populares, mas ressalta que não se pode negar que elas são uma forma legítima de aproximar a prova do universo cultural da maioria dos candidatos. "A imposição de um rol de leituras obrigatórias que contemple Os Lusíadas ou O Uraguai mostra uma universidade incapaz de dialogar com o jovem leitor. Nesse sentido, presta um desserviço à formação cultural do vestibulando, o qual passa a associar o fenômeno literário a algo enfadonho, distante", completa, dizendo que é melhor ler com autonomia o Garfield do que apenas decorar clássicos para o teste.
"Acho que a prova do Enem precisa evoluir. Pode e deve ampliar o espaço dedicado à leitura e compreensão do texto literário na prova. Mas ainda assim, me parece ser uma proposta avaliativa mais interessante", fala.

Outro defensor da avaliação do exame nacional é Manoel Neves, especialista em Letras de Belo Horizonte (MG) que desenvolve pesquisa para cursos pré-vestibulares em língua portuguesa e literatura. Contudo, Neves discorda do uso de tiras e quadrinhos no teste, mas considera a prova muito bem elaborada. "Ela contempla tanto elementos da teoria quanto da história. Para responder às questões, é preciso ter noções desses dois campos", diz.
Como exemplo, o professor analisa o Enem de 2009. "Naquele ano, apareceram questões que contemplavam conhecimentos específicos de Teoria Literária, como a noção de espaço narrativo na questão envolvendo os textos de Dalton Trevisan e Jorge Amado", explica.
Neves também cita uma pergunta sobre o soneto de Álvares de Azevedo que abordava especificamente os conhecimentos acerca do tratamento dado por esse poeta à desilusão amorosa. "Sem a leitura do poema e o conhecimento de como a decepção amorosa é tratada no Romantismo e nos textos do autor da Lira dos vinte anos, seria impossível resolver a questões", diz.
"O Enem cobra uma compreensão aprofundada dos aspectos técnicos, históricos e temáticos da literatura brasileira. O que a prova demanda dos alunos é a capacidade de perceber tais elementos¿, explica, completando que não se trata de ler um livro e decorar os elementos históricos, temáticos e formais, mas de conferir a capacidade que o aluno tem de perceber esses elementos em qualquer texto.

Posição do Inep

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou, por meio de sua assessoria, que "a prova do Enem não valoriza, em suas questões de literatura, a memorização de características ou periodização descontextualizada". De acordo com o órgão, o objetivo da prova é avaliar a habilidade do candidato em estabelecer relações entre o texto literário e os contextos histórico, social e político; em relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário; e em reconhecer a presença de valores sociais e humanos no patrimônio literário nacional.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Lista de Livros para o ENEM Parte 1: do Quinhentismo ao Pré-Modernismo


Calma! Não se trata de uma lista de leituras obrigatórias. Como já foi dito aqui no blog, vale a pena investir na leitura de textos literários como diferencial na preparação para o ENEM. Então segue aqui uma lista de SUGESTÕES para os vestibulandos em geral que pretendem fazer a prova do MEC. Escolha alguns deles (ao menos um livro por período); vai fazer a diferença!

Atenção: A lista abaixo é apenas uma seleção de livros sugeridos pelo prof. Edir. Não há leituras obrigatórias no ENEM!

Leituras Sugeridas para o ENEM:

1. Classicismo / Quinhentismo
● Sonetos de Camões
● A Carta de Caminha

2. Barroco
● Poemas de Gregório de Matos

3. Arcadismo
● Marília de Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga)

4. Romantismo

4.1 Primeira Geração
● Poemas de Gonçalves Dias
- Canção do Exílio
- I-Juca-Pirama
- Leito de folhas verdes
- Marabá

4.2 Segunda Geração
● Poemas de Álvares de Azevedo
- Soneto (Pálida à luz da lâmpada sombria)
- Se eu morresse amanhã
- Namoro a Cavalo
- É Ela, é Ela, é Ela, é Ela
● Poemas de Casimiro de Abreu
- Meus oito anos
- A Valsa

4.3 Terceira Geração
● Poemas de Castro Alves
- O Navio Negreiro
- O Adeus de Teresa

4.4 Romance Urbano
● A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo)
● Lucíola (José de Alencar)

4.5 Romance Indianista
● Iracema (José de Alencar)

4.6 Romance Regional
● Inocência (Visconde de Taunay)

4.6 Romance de Transição
● Memórias de um Sargento de Milícias (Manoel Antônio de Almeida)

5. Realismo
● O Primo Basílio (Eça de Queirós)
● Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
● Dom Casmurro (Machado de Assis)
● Contos de Machado de Assis
- Missa do Galo
- O Espelho
- A Cartomante

6. Naturalismo
● O Cortiço (Aluísio Azevedo)

7. Parnasianismo
● Poemas de Olavo Bilac
- Soneto XIII de “A Via Láctea”
- Profissão de Fé
- Satânia
- Inania Verba

● Poema de Alberto Oliveira
- O Vaso Grego

8. Simbolismo
● Poema de Cruz e Souza
- Cárcere das Almas
●Poema de Alphonsus de Guimaraens
- Ismália

9. Pré-Modernismo
● Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)
● Contos de Monteiro Lobato
- Negrinha
- Velha Praga
● Poemas de Augusto dos Anjos
- Versos Íntimos
- Psicologia de um Vencido


Fique ligado na Parte 2: Literatura do Modernismo de 22 aos dias de hoje!

Postarei em breve.

Literatura no ENEM: o que estudar?

A progressiva adesão das universidades federais ao ENEM acarreta alterações na forma com que os vestibulandos conduzem sua preparação para o acesso ao Ensino Superior. No caso da disciplina de Literatura, a mudança é radical: saem de cena as listas de leituras obrigatórias deixando uma interrogação para muitos estudantes: QUE CONTEÚDO ESTUDAR PARA O ENEM?

A prova do MEC se caracteriza por valorizar a capacidade de leitura e compreensão de textos e seu processamento crítico por parte do aluno. Não se avalia nesse exame memorização de autores e obras e o conhecimento específico sobre uma dezena de livros com seus respectivos enredos e personagens, mas um conhecimento global da Literatura, o que significa uma valorização de conhecimentos como:

- Linguagem Literária: Diferenciar o texto literário do texto não-literário e conhecer os recursos estilísticos utilizados pela literatura (o universo da conotação e das figuras de linguagem). Saber identificar as peculiaridades dos gêneros literários (Narrativo, Lírico e Dramático), além de conceitos como Metalinguagem e Intertextualidade também é essencial.

- Períodos Literários: As famosas "Escolas Literárias" ganham mais importância. Conhecer as características essenciais de períodos literários do Quinhentismo ao Modernismo e saber relacioná-las ao seu contexto histórico (como as relações entre Arcadismo e Ciclo-do-ouro, por exemplo). Além disso, é importante o vestibulando saber identificar padrões estéticos em comum entre Literatura e outras artes (como reconhecer semelhanças entre um texto de Gregório de Matos e uma pintura de Caravaggio - ambas manifestações do barroco).

Mas atenção: o fato de não haver uma lista de obras literárias exigidas para leitura não deve nos enganar! Se para as provas tradicionais de Literatura os conhecimentos sobre determinados livros podiam ser obtidos, muitas vezes, em bons resumos, no ENEM o sucesso está diretamente associado à capacidade de leitura de textos complexos. Uma prova cansativa, com uma maratona de testes acaba por valorizar, naturalmente, o candidato habituado a ler. E esse hábito de leitura não pode estar restrito ao textos informativos (jornais e revistas em geral). Somente a leitura do texto literário se constitui como preparação completa para uma leitura mais densa e perspicaz.

A prova do ENEM pode parecer bem maior e mais difícil para quem lê apenas algumas dezenas de páginas de Veja e Superinteressante se compararmos esse candidato àquele que lê centenas de páginas de narrativas literárias. Por isso, em breve postarei uma lista de sugestões de leitura para os meus alunos e leitores aqui do blog. Aguarde.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Leituras obrigatórias FURG 2011: Sai ou não sai a lista?

Muitos alunos tem me perguntado a respeito da lista de livros para o vestibular da FURG. Realmente é preocupante o fato de estarmos em meados de abril e ainda não termos uma definição a respeito. Porém, sabemos que a chance de termos o ENEM como prova única é cada vez maior. Nesse sentido, afirmo aqui no blog o que tenho dito em aula: se não há lista, é sinal de que a universidade não se compromete em fazer uma prova ao final do ano, ou seja, a adesão integral ao ENEM é praticamente um fato consumado.

Diante dessa nova realidade que está se desenhando, sugiro ao aluno que procure privilegiar em seus estudos aquilo que o ENEM costuma enfatizar em sua prova: linguagem literária (essencialmente as figuras de linguagem), gêneros literários, e características gerais dos períodos literários (sem se preocupar muito especificamente com autores e obras).

O que deve ler, então, o nosso vestibulando? Tudo o que puder! Jornais e revistas ajudam a reconhecer os diversos gêneros textuais, ampliam o conhecimento geral e a visão de mundo, e contribuem para aprimorar a linguagem.

Mas se o ENEM não tem uma lista de livros obrigatórios, isso não significa que devemos deixar de lado os textos literários! Pelo contrário, quem lê literatura, seja Crepúsculo ou Dom Casmurro (sempre dando preferência aos clássicos), constrói uma bagagem cultural muito maior, e ainda se torna um leitor muito mais competente para a compreensão de textos mais complexos. Isso certamente será decisivo na hora de resolver dezenas de testes em um tempo tão curto como acontece na prova do MEC.

Nas próximas postagens recomendarei algumas leituras para começar!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

MEC garante que questões do Enem tratarão apenas de assuntos nacionais


Professores têm de rever previsão de conteúdos para atender programa do exame

Com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a caminho de consolidar-se como única porta de acesso às instituições federais de Ensino Superior no país, professores, alunos e escolas gaúchas terão uma difícil questão pela frente, sem muitas opções de resposta. Por que estudar os regionalismos se o Ministério da Educação garante que a prova tratará somente de assuntos nacionais?

Para professores de história, geografia e literatura, disciplinas onde o Rio Grande do Sul sempre teve espaço, a situação é delicada.

A incidência de questões sobre o Estado nessas provas, historicamente, sempre obrigou escolas a tratarem de escritores gaúchos, de episódios da história local, até mesmo da formação de Porto Alegre, e de peculiaridades do clima. Mas, se o Enem não cobrar mais isso, o temor é de que não haja mais motivo para os estudantes quererem aprender esses conteúdos.

– O MEC resolveu de forma muito simples dizendo apenas que o Enem não abordará regionalismos. Mas o que é regionalismo? Isso eles não esclareceram, é um conceito implícito e não debatido. Nesse contexto, por exemplo, Simões Lopes Neto é um autor que deve desaparecer do cenário – afirma o professor de literatura Luís Augusto Fischer.

Apesar de considerar positiva a ideia da mobilidade de estudantes provocada pelo Enem e ser contra qualquer tipo de xenofobia, o professor teme que formas de cultura não hegemônicas como a gaúcha percam espaço. Acostumado com a ansiedade de vestibulandos, o professor de história do Unificado José Carlos Tamanquevis considera difícil convencer os alunos a estudarem temas que não serão cobrados no concurso.

– O Rio Grande do Sul tem uma das produções historiográficas mais ricas do Brasil graças ao número e à qualidade dos mestrados e doutorados que temos aqui. Com essa forma do Enem, o Ensino Médio deve deixar tudo isso de lado. Tirando esses conteúdos das provas, ninguém vai querer estudá-los. Um povo que não conhece seu passado pode repeti-lo – adverte Tamanquevis.

Na geografia, a preocupação se repete. Saul Chervenski, também professor do pré-vestibular, prevê uma perda de interesse de ensinar e de aprender os fenômenos a partir da visão local. Segundo ele, isso culminará em uma legião de jovens esquecendo de sua relação com a comunidade.

– A geografia do Rio Grande do Sul se tornará tema apenas para quem já está na faculdade. As diferenças da metade norte e sul do Estado, a nossa hidrografia, as diferenças do nosso clima, por exemplo, ficarão de fora. Será como assistir a um noticiário de TV que não traz notícias da sua região – afirma.

Sem chance de abordar temas do RS

Questionada pelo caderno Vestibular, a assessoria especial no ministro da Educação, Fernando Haddad, foi enfática: não há hipótese de o Enem contemplar assuntos locais. A exceção ocorrerá quando o tema tiver repercussões nacionais. Nesse critério, afirma o MEC, a Revolução Farroupilha estaria garantida, assim como o escritor Erico Verissimo. O ministério reafirma que a prova será a mesma do Oiapoque ao Chuí.

Há mais de 10 anos, a professora Roselane Zordan Costella analisa o Enem. Ela lamenta que temas caros aos gaúchos fiquem de fora. Professora de geografia de escolas particulares da Capital e do Grupo Unificado, ela vê temas ricos que poderiam ser abordados. Entretanto, observa que uma discussão é necessária entre professores, escolas e estudantes.

– Para que serve o Ensino Médio? Apenas preparar candidatos para uma prova classificatória? Se a nossa resposta for sim, estaremos caindo no vazio – alerta Roselane.

Ela afirma que o Ensino Médio deve formar jovens que compreendam o mundo a partir das identidades locais. E se os temas não hegemônicos ficam fora do Enem, outro estímulo terá de ser buscado. O que não pode, defende a educadora, é deixar o Estado fora da aula.

– Precisamos nos perguntar se temos professores preparados para esse Ensino Médio. Se o profissional não sabe para que serve o ensino, não conseguirá incentivar o estudo dos assuntos do Rio Grande do Sul – afirma.

Estaria aí uma resposta para a melhor classificação dos estudantes paulistas. Segundo ela, as escolas daquele Estado já adotam o conceito de que o Ensino Médio serve para desenvolver competências e habilidades a serem usadas em qualquer situação da vida.

– Fiz trabalhos e pesquisas em escolas paulistas, sei como estão trabalhando. Eles não se pautam mais apenas por uma prova de vestibular. Não sou a favor dessa logística do Enem, mas não podemos abortá-lo por isso. Temos de mudar o nosso ensino.

Fonte: Zero Hora

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PF divulga vídeo que mostra furto da prova em gráfica

A Polícia Federal (PF) divulgou, nesta terça-feira (6), um vídeo que mostra o momento em que uma prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009 foi furtada da gráfica.

A PF concluiu hoje o inquérito que investigou o vazamento da prova Enem. Segundo as investigações, o mentor da operação foi Felipe Pradella, que contou inicialmente com a ajuda de dois colegas que trabalhavam com ele na empresa Cetro, uma das três que compunham o consórcio vencedor da licitação do Enem: Marcelo Sena, 20 anos, e Felipe Ribeiro, 21 anos.




Eles tinham livre acesso à gráfica Plural, onde as provas foram impressas. Ambos foram indiciados por quebra de sigilo funcional e peculato, crime atribuído a servidor público ou a quem exerce função equiparada.

Pradella, da mesma forma que o empresário Luciano Rodrigues - dono de uma pizzaria nos Jardins - e o DJ Gregory Camillo Craid, foi indiciado por extorsão por tentar vender as provas para a imprensa. "O caso está totalmente esclarecido", disse o chefe da Delegacia de Repreensão a Crimes Fazendários, Marcelo Sabadin Baltazar.

Segundo ele, o primeiro caderno de provas foi furtado no dia 21 de setembro por Felipe Ribeiro, a pedido de Pradella, que escondeu a prova na cueca. No dia seguinte, foi Pradella quem furtou o segundo caderno de provas e escondeu debaixo da blusa de Marcelo Sena. Há imagens do circuito interno da empresa que mostram Sena levando a blusa para dentro de um veículo. "Com os dois cadernos de provas na mão, Pradella tentou obter dinheiro fácil", afirmou Baltazar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Literatura no Novo ENEM: o que estudar

Como já dissemos, o programa do ENEM se baseia na idéia de competências e habilidades, não fornecendo, portanto, um programa pontual sobre conteúdos a serem exigidos. Mas não se preocupe! Analisando-se as provas anteriores e a nova matriz de habilidades divulgada pelo MEC, é possível fazermos um plano de estudo para você se organizar.

PLANO DE ESTUDOS – LITERATURA PARA O ENEM

1. Texto Literário
- Diferenças entre texto literário e texto não-literário
- Linguagem Literária (conotação x denotação)
- Figuras de Linguagem
- Intertextualidade: Paráfrase e Paródia

2. Gêneros Literários

2.1. Gênero Narrativo
- Narrador
- Personagens
- Enredo
- Tempo
- Espaço

2.2. Gênero Lírico
- Eu-lírico
- Versos / Estrofes
- Métrica
- Rima
- O Concretismo e a abolição do verso tradicional

2.3 Gênero Dramático
- Estrutura dialógica

2.4 A Crônica como gênero contemporâneo
- Caractérísticas
- Temas
- Autores

3. Escolas Literárias

3.1 Quinhentismo

3.1.1 Literatura de Informação
- Carta de Caminha


3.1.2 Literatura de Catequese
- Padre Anchieta

3.2 Barroco- Gregório de Matos (Poesias)
- Padre Antonio Vieira (Sermões)

3.3 Arcadismo (Neoclássico)

3.3.1 Arcadismo Lírico
- Tomás Antônio Gonzaga
- Cláudio Manoel da Costa

3.3.2 Arcadismo Épico
- Basílio da Gama (O Uraguai)
- Santa Rita Durão (Caramuru)

3.4 Romantismo

3.4.1 Poesia

3.4.1.1 Primeira Geração
- Gonçalves Dias

3.4.1.2 Segunda Geração
- Álvares de Azevedo
- Casemiro de Abreu

3.4.1.3 Terceira Geração
- Castro Alves

3.4.2 Romance Romântico
- José de Alencar (Iracema, O Guarani, Lucíola, Senhora)
- Manoel Antônio de Almeida (Memórias de um Sargento de Milícias)

3.4 Realismo
- Machado de Assis (Memórias Póstumas, Quincas Borba, Dom Casmurro e Contos)

3.5 Naturalismo
- Aluísio Azevedo (O Cortiço)

3.6 Parnasianismo
- Olavo Bilac
- Raimundo Correia

3.7 Simbolismo
- Cruz e Souza
- Alphonsus de Guimaraens

3.8 Pré-Modernismo
- Euclides da Cunha (Os Sertões)
- Monteiro Lobato
- Lima Barreto (Triste Fim de Policarpo Quaresma)
- Augusto dos Anjos

3.9 Modernismo

3.9.1 Antecedentes da Semana de Arte Moderna (Vanguardas Européias)

3.9.2 Geração de 22
- Oswald de Andrade (Pau Brasil / Antropofagia)
- Mário de Andrade (Macunaíma)
- Manuel Bandeira

3.9.3 Geração de 30

3.9.3.1 Poetas
- Carlos Drummond de Andrade
- Vinícius de Moraes
- Cecília Meireles
- Mário Quintana

3.9.3.2 Romance de 30
- Jorge Amado (Capitães de Areia, Mar Morto)
- Erico Verissimo (O Tempo e o Vento, Incidente em Antares)
- Graciliano Ramos (Vidas Secas, São Bernardo)
- José Lins do Rego (Menino de Engenho, Fogo Morto)
- Rachel de Queiroz (O Quinze)

3.9.4. Geração de 45 (Pós Modernismo)
- João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina)
- Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas, Primeiras Estórias)
- Clarice Lispector (Laços de Família, A Hora da Estrela)

Observações:
- As manifestações da literatura contemporânea não devem exigir conhecimento prévio por parte do candidato. Os textos serão colocados como referência para testar a leitura e a compreensão (interpretação) do candidato.

- As obras colocadas entre parênteses são apendas indicações de leitura. Não há uma lista de leituras obrigatórias no ENEM. Só se exige conhecimento prévio de grandes clássicos, como Vidas Secas e Dom Casmurro, por exemplo. Ou de poemas antológicos como Canção do Exílio, Vou-me embora pra Pasárgada.

FAÇA AQUI O DOWNLOAD DAS PROVAS DO ENEM (TODAS AS PROVAS COM GABARITO, DESDE 1998)

FIQUE LIGADO! NAS PRÓXIMAS POSTAGENS, MAIS DICAS DE ESTUDO PARA O NOVO ENEM.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Como fica a Literatura no Novo ENEM?

*Prof. Edir Alonso

Essa pergunta vem sendo feita por muitos dos meus alunos e também por meus leitores aqui no blog. Trata-se de uma questão fundamental para o nosso planejamento, ou seja, como iremos proceder nossos estudos para ingressar na universidade? Vamos à resposta:

O MEC acaba de divulgar a "matriz de habilidades" a serem exigidas no Novo ENEM. Veja, não se trata de uma lista de conteúdos, mas de uma série de capacidades que, de modo geral, se espera do estudante. Em termos práticos, não há, portanto, como nos vestibulares tradicionais, um rol de leituras obrigatórias ou mesmo uma indicação de que autores ou escolas literárias estudar.

Confira o que consta a respeito da Literatura no documento elaborado pelo MEC:

"Competência de área 5- Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.

H15 - Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 - Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 - Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional."


Essas habilidades estão inseridas na "Matriz de Referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias". Portanto, ainda há conexões entre o texto literário e conceitos de gêneros discursivos, recursos de estilo, figuras de linguagem e intertextualidade. Nesse sentido, também deve haver o diálogo entre a literatura e outras manifestações artísticas, como as artes plásticas (o que já vem ocorrendo no enem há alguns anos).

A melhor maneira de reconhecer um plano de estudos para essa nova prova é buscar o histórico do ENEM desde 98. O MEC alega que a prova exigirá conhecimentos mais específicos, mas divulga uma matriz de habilidades. Conclusão: a prova vai continuar com o espírito do velho ENEM.

Desde 98, quando da sua primeira aplicação, o exame se caracterizou pelo foco maior na interpretação e no raciocínio lógico, em detrimento de conceitos e fórmulas. Mas é importante assinalar que isso vem mudando, principalmente com a entrada do CESPE/UNB na elaboração das provas (desde 2006). Os últimos exames vem sendo um pouco mais pontuais em suas exigências.

Veja exemplos de questões do ENEM comentadas:

ENEM 98

Amor é fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
é solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


(Luís de Camões)

1- O poema tem, como característica, a figura de linguagem denominada antítese, relação de oposição de palavras ou idéias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente presente.
(A) “Amor é fogo que arde sem se ver.”
(B) “É um contentamento descontente.”
(C) “É servir a quem se vence, o vencedor.”
(D) “Mas como causar pode seu favor.”
(E) “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

O poema exigido é um dos mais conhecidos textos literários de língua portuguesa, e, assim, provavelmente já tenha sido estudado pelo aluno.
Observe ainda o enunciado: ele já fornece o conceito que será exigido, a figura de linguagem denominada "antítese". Cabe apenas ao examinado identificar esse recurso em uma das alternativas.
Constatando-se a oposição entre "contentamento" e "descontente", temos como resposta a alternativa B .
Veja que, nesse caso, para simplificar as coisas, a prova tratou antítese (oposição)e paradoxo (contradição) como sinônimos, evitando a confusão entre conceitos semelhantes.

Veja uma questão semelhante feita seis anos depois

ENEM 2004

Cidade grande

Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.


(Carlos Drummond de Andrade)

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a
a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
e) prosopopéia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

Desta vez, cada alternativa fornece um conceito, cabendo ao aluno identificar qual conceito se aplica ao poema. O problema é que o leitor mais atento irá perceber duas figuras de linguagem ali colocadas: a ironia e a prosopopéia.
A ironia é, por si só, uma figura que exige um olhar mais aguçado do leitor. Ela só é perceptível analisando-se o contexto como um todo. As expressões "que beleza", "como cresceu", são normalmente interpretadas de forma positiva. Ocorre que, com o penúltimo verso do poema (que já tem cinco favelas), essa perspectiva se inverte, demonstrando que os "elogios" ao progresso, na verdade, constituem o oposto: uma crítica.
Por outro lado, a prosopopéia ou personificação fica evidente: a cidade "cresceu", ficou "notória" e tornou-se "prima-rica" de outra.

O maior desafio da questão está em perceber no enunciado: "Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a". Ou seja, qual a figura mais importante para a produção do efeito do poema? Ora, vimos que o texto promove um crítica ao crescimento desordenado das cidades e ao paradoxo entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento humano. Assim, a figura essencial do texto é a que constrói a crítica: a ironia.
Portanto, a resposta é a alternativa C.

O ENEM 2006 já traz uma questão mais tradicional, como as de vestibular, exigindo o conhecimento prévio de autor/obra/período literário.

ENEM 2006

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de Sol
O índio tinha despido
O português.


Oswald de Andrade. Poesias reunidas.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

O primitivismo observavel no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma marcante

A) o regionalismo do Nordeste.
B) o concretismo paulista.
C) a poesia Pau-Brasil.
D) o simbolismo pre-modernista.
E) o tropicalismo baiano.

O conhecimento a respeito da obra do modernista Oswald de Andrade encaminha a aluno à alternativa C.

Por fim, vamos analisar uma questão do último ENEM:

ENEM 2008

O canto do guerreiro

Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?


Gonçalves Dias.


Macunaíma

(Epílogo)
Acabou-se a história e morreu a vitória. Não havia mais ninguém lá. Dera
tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais
ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos,
aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?

Mário de Andrade.


A leitura comparativa dos dois textos acima indica que

A) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de forma realista e heróica, como símbolo máximo do nacionalismo romântico.
B) a abordagem da temática adotada no texto escrito em versos é discriminatória em relação aos povos indígenas do Brasil.
C) as perguntas “— Quem há, como eu sou?” (1.o texto) e “Quem podia saber do Herói?” (2.o texto) expressam diferentes visões da realidade indígena brasileira.
D) o texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos povos indígenas como resultado do processo de colonização no Brasil.
E) os versos em primeira pessoa revelam que os indígenas podiam expressar-se poeticamente, mas foram silenciados pela colonização, como demonstra a presença do narrador, no segundo texto.

Nessa questão, uma das de melhor nível apresentadas no processo ao longo desses dez anos, o aluno deve relacionar os textos aos períodos em que foram produzidos.

O texto 1 é um poema do Romantismo brasileiro, da geração indianista, em que o índio é concebido, de forma idealizada, como figura heróica, símbolo nacional, portador das virtudes da força, da bravura, da honra, extensivas a todos os brasileiros.

Já o texto 2, fragmento de "Macunaíma", insere-se na fase heróica do Modernismo, que se caracteriza pela reconstrução crítica da identidade nacional brasileira, via de regra, utilizando-se da ironia para desconstruir o idealismo herdado dos românticos.

Assim, podemos opor o Romantismo Idealista ("quem há como eu sou" - não há herói como o índio) ao Modernismo irônico ("Quem podia saber do herói?" - ausência da figura heróica). Resposta, portanto, letra C.


A conclusão disso tudo, é que o candiato deve ter um conhecimento amplo da literatura, desde a teoria básica (texto literário, conotação, figuras de linguagem, gêneros literários), passando pelas Escolas literárias (desde as primeiras manifestações, com a Carta de Caminha até o Pós-Modernismo), incluindo os principais autores e obras de nossa literatura (Machado, Lima Barreto, Oswald, Bandeira, Drummond, Graciliano, Guimarães Rosa, Clarice ...).

Mas não se assuste! Não é preciso ser um profundo conhecedor dos detalhes de cada obra, mas sim ter um conhecimento geral daquilo que é essencial dentro da disciplina.

FIQUE LIGADO: NAS PRÓXIMAS POSTAGENS COLOCAREI AQUI UM ROTEIRO DE ESTUDOS PARA O NOVO ENEM, COM ESCOLAS LITERÁRIAS, AUTORES E OBRAS FUNDAMENTAIS.