
*da Livraria da Folha
No início da década de 1970, o jovem poeta Alberto Ruiz-Tagle frequenta as oficinas literárias da Universidade de Concepción, no Chile. O romance "Estrela Distante", do chileno Roberto Bolaño é um retrato subjetivo de sua geração, que tinha em torno de 20 anos quando ocorreu a derrubada do governo Salvador Allende e a implantação da ditadura militar.
Bolaño cresceu no México e voltou ao Chile no começo dos anos 70. Derrubado o regime de Allende, em 1973, o escritor foi perseguido e passou alguns dias na prisão. Ruiz-Tagle possui várias facetas, as quais o autor tenta seguir o rastro e, reproduzir a censura que sua geração sofreu.
Leia abaixo a introdução do volume.
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A primeira vez que vi Carlos Wieder foi em 1971 ou talvez 1972, quando Salvador Allende era presidente do Chile.
Dizia chamar se Alberto Ruiz Tagle e às vezes aparecia na oficina de poesia de Juan Stein, em Concepción, a chamada capital do Sul. Não posso dizer que o conhecia bem. Via o uma vez por semana, ou duas, quando ia à oficina. Não falava muito. Eu sim. A maioria de nós que íamos ali falava muito: não só de poesia, mas de política, de viagens (naquela ocasião, ninguém imaginava que viriam a ser aquilo que foram depois), pintura, arquitetura, fotografia, revolução e luta armada; a luta armada que nos traria uma nova vida e uma nova época, mas que para a maioria de nós era como um sonho ou, mais propriamente, como a chave que nos abriria a porta dos sonhos, os únicos pelos quais valia a pena viver. E embora soubéssemos vagamente que os sonhos muitas vezes se transformam em pesadelos, isso não importava. Tínhamos entre dezessete e vinte e três anos (eu tinha dezoito), e quase todos nós estudávamos na Faculdade de Letras, menos as irmãs Garmendia, que cursavam sociologia e psicologia, e Alberto Ruiz Tagle, que, segundo ele mesmo afirmou certa vez, era autodidata. Muita coisa poderia ser dita sobre ser um autodidata no Chile daqueles dias que antecederam 1973. A verdade é que ele não parecia um autodidata. Quero dizer: exteriormente, não parecia um autodidata. Estes, no Chile, no começo dos anos 70, na cidade de Concepción, não se vestiam da maneira como Ruiz Tagle se vestia. Os autodidatas eram pobres. Falava como um autodidata, isso sim. Falava como eu suponho que todos nós falamos agora, aqueles que ainda estamos vivos (falava como se vivesse no meio de uma nuvem), mas se vestia bem demais para quem não tinha sequer pisado numa universidade. Não quero dizer que fosse elegante - embora o fosse, sim, à sua maneira - nem que se vestisse de uma forma determinada; seu gosto era eclético: às vezes aparecia de terno e gravata, outras vezes com roupas esportivas, e não desdenhava do jeans nem de camisetas. Mas, qualquer que fosse o traje, Ruiz Tagle sempre usava roupas caras, de grife. Em resumo, Ruiz Tagle era elegante, e eu, naquela época, não achava que os autodidatas chilenos, sempre entre os manicômios e o desespero, fossem elegantes. Certa vez disse que seu pai ou seu avô tinha sido dono de umas terras na região de Puerto Montt. Ele contava (ou o ouvimos contar a Verónica Garmendia) que decidiu largar os estudos aos quinze anos para se dedicar ao trabalho no campo e à leitura da biblioteca paterna. Nós, da oficina de Juan Stein, dávamos como certo que ele era um bom cavaleiro. Não sei por quê, já que nunca o vimos montando nenhum cavalo. Na realidade, todas as suposições que podíamos estabelecer a respeito de Ruiz Tagle eram predeterminadas pelo nosso ciúme, ou talvez por nossa inveja. Ruiz Tagle era alto e magro, forte e de belas feições. Segundo Bibiano O'Ryan, era um sujeito de feições excessivamente frias para serem belas, mas, claro, Bibiano disse isso bem mais tarde, e assim não vale. Por que tínhamos ciúme de Ruiz Tagle? O plural, aqui, é exagerado. Quem tinha ciúme era eu. Talvez Bibiano compartilhasse dele. O motivo, claro, eram as irmãs Garmendia, gêmeas univitelinas e estrelas incontestáveis da oficina de poesia. Tanto que às vezes tínhamos a sensação (Bibiano e eu) de que Stein dirigia toda a oficina em função apenas das duas. Eram, admito, as melhores. Verónica e Angélica Garmendia eram tão iguais em certos dias que ficava impossível distinguir uma da outra, e tão diferentes em outros dias (sobretudo em outras noites) que pareciam duas desconhecidas, quando não inimigas uma da outra. Stein as adorava. Além de Ruiz Tagle, era o único que sempre sabia quem era Verónica e quem era Angélica. Mal consigo falar sobre elas. Às vezes aparecem nos meus pesadelos. Têm a mesma idade que eu, talvez um ano a mais, e são altas, magras, de pele morena e cabelos pretos compridos, como acredito que fosse moda naquela época.
As irmãs Garmendia ficaram amigas de Ruiz Tagle quase de imediato. Ele ingressou na oficina de Stein em 71 ou 72. Ninguém o havia visto antes, nem na universidade nem em parte alguma. Stein não lhe perguntou de onde vinha. Pediu que lesse três poemas e disse que não eram ruins. (Stein só elogiava abertamente os poemas das irmãs Garmendia.) E ficou conosco. No começo, não lhe dávamos bola. Mas, quando vimos que as Garmendia começaram a ficar amigas dele, também ficamos amigos de Ruiz Tagle. Até então, seu comportamento era de uma cordialidade distante. Era abertamente simpático, cheio de delicadeza e atencioso apenas com as Garmendia (e nisso se parecia com Stein). Quanto aos outros, como já disse, tratava nos com uma "cordialidade distante", quer dizer, cumprimentava nos, sorria, era discreto e ponderado em sua avaliação crítica quando líamos nossos poemas, nunca defendia seus textos contra nossos ataques (costumávamos ser demolidores) e nos escutava, quando lhe falávamos alguma coisa, com algo que hoje eu jamais me atreveria a chamar de atenção, mas que na época assim nos parecia.
As diferenças entre Ruiz Tagle e os demais eram evidentes. Falávamos em gíria ou com um jargão marxista mandraqueiro (a maioria de nós era membro ou simpatizante do mir ou de partidos trotskistas, embora um ou outro, creio, militasse nas Juventudes Socialistas ou no Partido Comunista ou, ainda, em um dos partidos da esquerda católica). Ruiz Tagle falava em espanhol. Aquele espanhol de certos lugares do Chile (lugares mais mentais do que físicos) onde o tempo parece que não passa. Morávamos com nossos pais (os de Concepción) ou em pensões estudantis baratas. Ruiz Tagle morava sozinho, em um apartamento próximo do centro, com quatro quartos com as cortinas permanentemente fechadas, que nunca visitei mas sobre o qual Bibiano e a Gorda Posadas me contaram coisas, muitos anos depois (coisas contaminadas, já, pela lenda maldita de Wieder), que não sei se são verdadeiras ou se devem ser atribuídas à imaginação de meu ex colega. Quase nunca tínhamos grana (é engraçado escrever agora a palavra grana: brilha como um olho na escuridão);* quanto a Ruiz Tagle, dinheiro nunca lhe faltou.
O que Bibiano me contou sobre a casa de Ruiz Tagle? Falou principalmente de seu despojamento; teve a sensação de que a casa estava preparada. Esteve ali sozinho uma única vez. Passava por perto e decidiu (Bibiano é assim mesmo) convidar Ruiz Tagle para ir ao cinema. Passava um filme de Bergman, não me lembro qual. Bibiano já tinha estado na casa duas vezes, sempre acompanhando uma das Garmendia, e nas duas oportunidades a visita era, digamos, de alguma maneira aguardada. Então, naquelas visitas com as Garmendia, a casa lhe pareceu preparada, arrumada para o olhar de quem ali chegasse, vazia demais, com espaços onde nitidamente faltava alguma coisa. Na carta em que me contou essas coisas (escrita muitos anos depois), Bibiano dizia que tinha se sentido como Mia Farrow em O bebê de Rosemary, quando vai pela primeira vez, com John Cassavettes, à casa de seus vizinhos. Faltava alguma coisa. Na casa do filme de Polanski, o que faltava eram os quadros, preventivamente retirados para não assustar Mia e Cassavettes. Na casa de Ruiz Tagle, o que faltava era alguma coisa inominável (ou que Bibiano, anos depois e já ciente da história ou de boa parte da história, considerou inominável porém presente, tangível), como se o anfitrião tivesse amputado pedaços de sua moradia. Ou como se esta fosse um brinquedo de armar que se adaptava às expectativas e particularidades de cada visitante. Essa sensação se acentuou quando ele foi sozinho à casa. Ruiz Tagle, evidentemente, não o aguardava. Demorou a abrir a porta. Quando o fez, pareceu não reconhecer Bibiano, embora este me garanta que Ruiz Tagle abriu a porta com um sorriso e que em nenhum momento parou de sorrir. Não havia muita luz, como ele próprio admite, portanto não sei até que ponto meu amigo está próximo da verdade. De qualquer maneira, Ruiz Tagle abriu a porta e, depois de uma troca de palavras mais ou menos sem sentido (demorou a entender que Bibiano estava ali para convidá lo a ir ao cinema), fechou a novamente, não sem antes pedir que esperasse um pouco, e depois de alguns segundos abriu a de novo e convidou o a entrar. A casa estava na penumbra. O cheiro era denso, como se Ruiz Tagle tivesse preparado na noite anterior alguma comida muito forte, cheia de gordura e especiarias. Por um momento Bibiano acreditou ter ouvido um ruído vindo de um dos quartos e supôs que Ruiz Tagle estivesse com uma mulher. Quando ia se desculpar e dar o fora, Ruiz Tagle perguntou que filme estava pensando em ver. Bibiano disse que era um de Bergman, no Teatro Lautaro. Ruiz Tagle voltou a sorrir, com aquele mesmo sorriso que para Bibiano parecia enigmático e que eu achava arrogante, quando não explicitamente exagerado. Pediu desculpas, disse que já tinha um encontro marcado com Verónica Garmendia e que, além disso, segundo explicou, não gostava dos filmes de Bergman. Naquele momento, Bibiano estava convencido de que havia outra pessoa na casa, alguém imóvel e que ouvia atrás da porta sua conversa com Ruiz Tagle. Considerou que devia ser justamente Verónica, pois, do contrário, como explicar que Ruiz Tagle, normalmente tão discreto, a tinha mencionado? Contudo, por mais que se esforçasse, não conseguiu imaginar nossa poeta numa situação como aquela. Nem Verónica nem Angélica Garmendia eram de ficar ouvindo conversas atrás da porta. Quem seria, então? Bibiano não sabe. Naquela hora, provavelmente, a única coisa que ele sabia é que queria sair dali, despedir se de Ruiz Tagle e nunca mais voltar àquela casa vazia e sangrada. Palavras dele. Embora, de acordo com sua descrição, a casa não tivesse como exibir aspecto mais asséptico. Paredes limpas, livros ordenados numa estante de metal, as poltronas cobertas com ponchos sulinos. Sobre um pequeno banco de madeira, a Leika de Ruiz Tagle, a mesma que ele usou certa tarde para tirar fotos de todos os integrantes da oficina de poesia. A cozinha, que Bibiano enxergou através de uma porta semiaberta, de aparência normal, sem o acúmulo de panelas e pratos sujos típico da casa de um estudante que mora sozinho (mas Ruiz Tagle não era um estudante). Enfim, nada que fugisse do normal, a não ser aquele barulho, que bem podia ter vindo do apartamento vizinho. Segundo Bibiano, enquanto Ruiz Tagle falava ele teve a sensação de que este não queria que ele se fosse, de que falava justamente para retê lo ali. Essa sensação, sem nenhuma base concreta, contribuiu para elevar o nervosismo de meu amigo a níveis, segundo ele, intoleráveis. O mais curioso é que Ruiz Tagle parecia desfrutar a situação: percebia que Bibiano estava cada vez mais pálido ou mais suado e continuava falando (de Bergman, suponho) e sorrindo. A casa permanecia num silêncio que as palavras de Ruiz Tagle só faziam acentuar, sem chegar em nenhum momento a interrompê lo.
De que falava ele?, pergunta se Bibiano. Seria importante, escreve em sua carta, que se lembrasse, mas, por mais que me esforce, é impossível. O fato é que Bibiano aguentou o máximo que pôde, depois se despediu de uma forma mais ou menos atropelada e foi embora. Na escada, pouco antes de chegar à saída, cruzou com Verónica Garmendia, que lhe perguntou se estava acontecendo alguma coisa com ele. O que pode estar acontecendo?, disse Bibiano. Não sei, respondeu Verónica, mas você está branco que nem papel. Nunca esquecerei estas palavras, diz Bibiano em sua carta: branco que nem uma folha de papel. Nem o rosto de Verónica Garmendia. Rosto de uma mulher apaixonada.
É triste ter de admiti lo, mas é isso mesmo. Verónica estava apaixonada por Ruiz Tagle. E pode até ser que Angélica também estivesse apaixonada por ele. Certa vez Bibiano e eu conversamos sobre isso, faz muito tempo. Imagino que o que mais nos doía era que nenhuma das Garmendia estivesse apaixonada ou ao menos interessada por nós. Bibiano gostava de Verónica. Eu gostava de Angélica. Nunca nos atrevemos a lhes dizer nenhuma palavra a respeito, embora eu acredite que nosso interesse por elas fosse publicamente conhecido. Coisa em que não nos diferenciávamos do restante dos participantes masculinos da oficina, todos, uns mais, outros menos, apaixonados pelas irmãs Garmendia. Mas elas (ou pelo menos uma delas) tornaram se presas do charme incomum do poeta autodidata.
Autodidata, sim, mas preocupado em aprender, como constatamos Bibiano e eu quando o vimos aparecer na oficina de poesia de Diego Soto, a outra oficina de vanguarda da Universidade de Concepción, que rivalizava, digamos, na ética e na estética, com a oficina de Juan Stein, embora Stein e Soto fossem o que na época se chamava, e suponho que ainda se chama, amigos do peito. A oficina de Soto se realizava na Faculdade de Medicina, não sei por que motivo, em uma sala mal ventilada e mal mobiliada, separada apenas por um corredor do anfiteatro onde os estudantes dissecavam cadáveres nas aulas de anatomia. O anfiteatro, é claro, recendia a formol. O corredor, às vezes, também recendia a formol. E em algumas noites, pois a oficina de Soto se realizava todas as sextas feiras das oito às dez, embora geralmente costumasse acabar depois da meia noite, a sala se impregnava de um cheiro de formol que tentávamos em vão mitigar acendendo um cigarro atrás do outro. Os frequentadores da oficina de Stein não iam à de Soto e vice versa, com exceção de Bibiano O'Ryan e eu, que na verdade compensávamos nossa ausência crônica nas aulas comparecendo não só às oficinas, mas também a todos os recitais ou reuniões culturais ou políticas realizadas na cidade. Por isso, ver Ruiz Tagle aparecer por ali certa noite foi uma surpresa. Sua atitude foi mais ou menos a mesma que mantinha na oficina de Stein. Ouvia, fazia críticas ponderadas, breves e sempre num tom cordial e educado, lia seus próprios trabalhos com desprendimento e certa distância e aceitava sem replicar até mesmo os piores comentários, como se os poemas que submetia à nossa crítica não fossem dele. Isso foi percebido não só por nós, Bibiano e eu; uma noite, Diego Soto lhe disse que ele escrevia com distanciamento e frieza. Não parecem poemas seus, observou ele. Ruiz Tagle reconheceu isso sem se alterar. Estou tateando, respondeu.
* O autor faz um jogo com a palavra plata, que na gíria significa dinheiro mas que é também prata, daí a ideia de brilho na escuridão. (N. T.)
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"Estrela Distante"
Autor: Roberto Bolaño
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 144
Quanto: R$ 33
sábado, 26 de dezembro de 2009
Estrela Distante: Roberto Bolaño retrata sua geração em livro; leia trecho
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
García Márquez foi vigiado durante 20 anos pelos serviços secretos do México

O escritor colombiano Gabriel García Márquez foi espiado pelos serviços secretos do México e qualificado de "agente de propaganda" de Cuba em 1982, revelou hoje o jornal El Universal.
De acordo com o diário mexicano, o Prémio Nobel da Literatura em 1982 foi vigiado pela Direcção Federal de Segurança do México de 1967 até meados dos anos 1980.
Na documentação da polícia política dada a conhecer pelo actual governo mexicano refere-se o papel de García Márquez como mediador entre movimentos da esquerda latino-americana e o então presidente de França, François Miterrand, que visitaria o país em 1982.
Há ainda referência a uma conversa telefónica entre "Gabo" e o director da agência de notícias de Cuba, Jorge Timossi, na qual o escritor afirma ceder os direitos do livro "Crónica de uma Morte Anunciada" ao governo de Cuba.
Entre as décadas de 1960 e 1980, a polícia política mexicana, equivalente à CIA e ao KGB, levou a cabo várias operações de espionagem em busca de elementos subversivos e defensores das ideologias de esquerda entre as figuras das artes e da cultura.
Apesar destas revelações, o governo mexicano mantém em segredo as informações referentes ao escritor desde 1985 até à actualidade.
Gabriel García Márquez, actualmente com 82 anos, vive no México desde os anos 1960.
Em 1981, um ano antes de ser galardoado pela Academia Sueca, o escritor pediu oficialmente asilo ao México depois de ter sido acusado pelo governo colombiano de colaborar com a guerrilha do seu país.
Agência lusa
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Brasil ganha edição comemorativa de "Cem Anos de Solidão"

EFE
Romance teve seu texto revisado pelo próprio García Marquez
A versão em português da edição comemorativa dos 40 anos de "Cem Anos de Solidão", do escritor colombiano Gabriel García Márquez, começa a ser vendida nesta semana nas livrarias brasileiras, mais de dois anos depois de seu lançamento em espanhol.
O romance teve seu texto revisado pelo próprio García Marquez, vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1982, e foi editada no Brasil pela editora Record.
A obra foi traduzida para o português pelo escritor brasileiro Eric Nepomuceno, tradutor das obras dos principais autores ibero-americanos e amigo de García Márquez.
"Como a obra foi revisada pelo autor, fizemos uma tradução completamente nova", disse Nepomuceno à agência de notícias Efe.
Segundo um comunicado divulgado hoje pela Record, a versão brasileira da edição comemorativa de 40 anos de "Cem anos de solidão" tem prensagem inicial de 15 mil exemplares e inclui um prólogo escrito por Nepomuceno, o discurso que García Márquez fez quando recebeu o Nobel de Literatura e a árvore genealógica da família Buendía.
Na nota, a Record diz que Nepomuceno faz em seu prólogo "um passeio pela carreira literária de García Márquez desde seu começo" e relata a história da amizade entre os dois.
Foram retirados da edição em português os comentários escritos para o livro comemorativo em espanhol pelos escritores Álvaro Mutis (Colômbia), Mario Vargas Llosa (Peru), Carlos Fuentes (México) e Víctor García de la Concha (Espanha), além do escritor franco-espanhol Claudio Guillén.
A nova edição em português de "Cem Anos de Solidão" terá 448 páginas e será vendida por R$ 49,90.
A edição em espanhol foi considerada um sucesso de vendas e vendeu 25 mil exemplares na Espanha em apenas um dia.
domingo, 4 de outubro de 2009
Letra e Música: Volver A Los 17 (Homenagem a Mercedes Sosa)
Volver A Los 17
Composição: Violeta Parra
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
El arca de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.
Letra e Música: Gracias a la Vida (Homenagem a Mercedes Sosa)
Gracias a la Vida
Composição: Violeta Parra
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida, gracias a la vida
Mercedes Sosa morre aos 74 anos na Argentina

Cantora argentina estava internada com complicações por problemas renais desde o dia 18 de setembro
Morreu neste domingo, 4, a lendária cantora argentina Mercedes Sosa, intérprete de um dos grandes hits dos anos 70, Gracias a la Vida, que embalou os movimentos de esquerda na América Latina. No Brasil, a cantora teve grande sucesso e gravou com nomes como Cio da Terra, com Milton Nascimento, e Años, com Fagner, entre outros.
No sábado, os médicos afirmaram, em um boletim, que a situação da cantora havia se agravado. Fãs e familiares rezavam e diziam que apenas "um milagre" salvaria a cantora. Durante a tarde da quinta-feira, 1º, os médicos já informaram que a cantora se encontrava em "situação crítica" devido a um agravamento de seu estado e a necessidade de ajuda de aparelhos para respirar. Ela foi internada no Hospital da Trinidad, no bairro de Palermo, em Buenos Aires, na Argentina, no dia 18 de setembro.
Médicos e familiares da cantora agradeceram à mídia por sua "preocupação e discrição", em um comunicado. A cantora sofria de "uma disfunção renal progressiva". No entanto, pessoas próximas à artista afirmaram que ela foi internada há 12 dias por um problema hepático.
Considerada a "Voz da América Latina", Mercedes Sosa, que é chamada carinhosamente por seus amigos e admiradores por "La Negra", lançou recentemente o disco Cantora 1, que foi indicado a três Grammys latinos. Neste disco duplo, Mercedes canta clássicos do folclore latino-americano ao lado de Shakira, Fito Páez, Gustavo Cerati, Julieta Venegas, Joan Manuel Serrat, Joaquín Sabina, Lila Downs e Calle 13. O prêmio será entregue em 5 de novembro, em Las Vegas.
Em setembro, Mercedes cancelou um show em Buenos Aires pois estava com um forte resfriado. Em 2003, ela teve um problema cardíaco que a afastou dos palcos por um tempo. Entre os sucessos de Mercedes Sosa como intérprete estão ainda Si Se Calla el Cantor, Volver a los 17, Los Hermanos, La Carta, Sueños Con Serpientes. Grandes sucessos da cantora foram gravados ao lado do brasileiro Milton Nascimento.
A cantora nascida na província de Tucumán sofreu censura na Argentina por parte dos governos militares, por apoiar os movimentos de esquerda.
Em 1979, em plena ditadura militar, ela foi presa durante um show na cidade de la Plata. O público presente também foi preso. Dias depois, partiu para um exílio em Paris e Madri, até 1982, quando voltou para a Argentina no final da ditadura militar, à qual os organismos de direitos humanos atribuem a morte e desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas. Dados oficiais asseguram que o total foi de 13 mil desaparecidos.
