
Fonte: UOl Vestibular
O vazamento da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009 foi avaliado pelo coordenador do curso Etapa, Carlos Eduardo Bindi, como uma "tragédia anunciada" há meses.
Segundo o professor, "a tragédia só não foi mais brutal, porque ocorreu antes de o exame ser aplicado". "Houve um 'terremoto' e o tsunami só não foi tão grande, porque ninguém fez a prova", disse.
"Em abril, quando tomaram a decisão de usar o Enem como vestibular de universidades federais, não havia a licitação pronta para aplicar a prova. Órgãos mais experientes de vestibular se recusaram a organizar o exame", avaliou.
Apenas o Connasel (Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção) participou do processo licitatório. O consórcio é formado pela Consultec (Consultoria em Projetos Educacionais e Concursos Ltda), pela Funrio (Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Assistência) e pelo Instituto Cetro (Instituto Nacional de Educação Cetro), com matrizes em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente.
Experiência de processos de seleção
Na opinião de Bindi, é um risco muito grande as faculdades colocarem a seleção nas mãos de terceiros. Segundo ele, os responsáveis por grandes processos seletivos costumam ser professores com história acadêmica de pesquisa e trabalho nas universidades.
"Essa prova talvez não tenha sido cuidada com todo o carinho que devia ter sido. Isso não pode acontecer. É um absurdo", opina.
Mais longe o vestibular unificado
Para o professor Luís Ricardo Arruda de Andrade, coordenador da unidade Tamandaré do cursinho Anglo, em São Paulo, o cancelamento do Enem adia também a ideia de transformar o exame no vestibular unificado das universidades federais: "É uma demonstração de que essa decisão é muito mais difícil do que se imagina, é um alerta para que eles [o MEC] não se apressem", diz. Para ele, as mudanças do Enem foram anunciadas precipitadamente.
Andrade espera que a nova data do Enem não coincida com as datas dos grandes vestibulares, que estão previstos para serem aplicados em novembro, como a Unesp (Universidade Estadual Paulista) , em 8/11, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em 15/11 e a Fuvest, em 22/11. "O ideal é que a prova fosse marcada até o meio de outubro", afirma.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Vazamento do Enem era "uma tragédia anunciada" há meses, avalia coordenador de cursinho
MEC divulga na internet provas do Enem 2009 que vazaram: faça o download das questões
MEC divulga na internet provas do Enem 2009 que vazaram; confira as questões
Após o cancelamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009 devido a vazamento de informações, o MEC (Ministério da Educação) divulgou nesta quinta-feira (1º) o modelo da prova que seria aplicado neste fim de semana. Confira os exames:
Prova de ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias (1º dia)
Prova de linguagens, códigos e suas tecnologias e redação e matemática e suas tecnologias (2º dia)
Gabarito dos dois dias de Enem
Em pronunciamento, o ministro da Educação Fernando Haddad convidou os estudantes a "aproveitar o tempo e aprimorar seus estudos" e anunciou que os inscritos no exame serão comunicados "pelos meios habituais da nova data e do local das provas".
Segundo Haddad, o governo já tomou providências para apurar eventuais responsabilidades criminais relativas ao vazamento.
Vazamento da prova
O Ministério da Educação cancelou o Enem 2009 na madrugada de hoje. A decisão foi tomada pelo MEC após alerta dado por repórteres do jornal 'O Estado de S. Paulo'. Um homem, de acordo com a reportagem, tentou vender uma cópia da prova ao veículo de comunicação por R$ 500 mil.
O MEC estuda remarcar o exame nos próximos 45 dias - prazo necessário para a impressão do novo teste. Uma segunda versão da avaliação, que já estaria pronta, deve ser utilizada. Não será necessário fazer nova inscrição. A liberação dos resultados da prova devem acontecer no começo de fevereiro, um mês depois da data prevista.
Os custos de impressão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009 foram da ordem de R$ 30 milhões, segundo o ministro. A informação foi fornecida durante entrevista coletiva em Brasília, no início da tarde de hoje.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Candidato do Enem 2009 deve esperar nova data de exame; veja orientações do MEC

Os candidatos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009 devem aguardar as novas datas de prova, segundo as orientações do MEC (Ministério da Educação). De acordo com a pasta, a nova avaliação deverá ser aplicada nos próximos 45 dias.
O Ministério da Educação cancelou na madrugada desta quinta-feira (1º) a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que seria aplicada neste final de semana em todo o país. Há suspeita de fraude e de que o conteúdo da prova tenha vazado.
Tire suas dúvidas com as informações oficiais fornecidas pelos organizadores do Enem:
Quando será a nova data de prova do Enem 2009
Não está definido. O MEC informa que o anúncio deverá ser feito "nos próximos dias, depois de reorganizar a logística."
É preciso fazer nova inscrição?
Não. Quem está inscrito só tem de esperar. Vale a pena continuar estudando.
É possível se inscrever ainda?
Não. Segundo a assessoria de imprensa do MEC, não será aberto novo prazo para candidatos se inscreverem.
Vai dar tempo de fazer outra prova do Enem?
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) informou que tem um banco de perguntas prontas. Assim, a nova prova só precisa ser impressa, mas já está elaborada.
Quanto tempo demora para imprimir as provas?
O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, afirmou nesta quarta-feira (30) que o processo de impressão do exame leva cerca de um mês. A gráfica tem de imprimir mais de 4 milhões de provas e com alguma antecedência do dia do exame, senão os cadernos não chegam a tempo para os candidatos da Região Norte do país.
Os locais de prova continuam os mesmos?
Não está definido. O MEC informa que os "inscritos serão comunicados oportunamente pelos meios habituais da confirmação da nova data e do local das provas". Normalmente, o local de prova é divulgado no site, por Correios e, neste ano, também por SMS.
Quando sairá o resultado final?
Em razão do adiamento, o resultado final das provas, inicialmente previsto para o dia 8 de janeiro, deve atrasar em cerca de um mês, afirma o ministério.
De quem é a culpa do vazamento do Enem 2009?
O MEC afirma que já acionou o "Ministério da Justiça e a Polícia Federal no sentido de apurar eventuais responsabilidades criminais relativas ao vazamento". Ou seja: os culpados ainda não têm nome.
Quem é responsável pela aplicação do Enem?
O Inep fez uma licitação para a aplicação do exame. Qum venceu foi o Connasel (Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção). O consórcio é formado pela Consultec (Consultoria em Projetos Educacionais e Concursos Ltda), Funrio (Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Assistência) e Instituto Cetro (Instituto Nacional de Educação Cetro), com matrizes em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Você está com problema para se inscrever no Enem?

Segundo Inep, quem errou na inscrição pode alterar cadastro no site.
Prazo para se inscrever termina às 23h59 desta sexta-feira.
Do G1
Muitos estudantes têm relatado dificuldade na hora de se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No entanto, o Inep nega problema no acesso ao sistema e informa que o candidato que tiver errado no preenchimento da inscrição deve entrar novamente no site http://enem.inep.gov.br/inscricao.
Ao acessar novamente o site, usando o CPF e a senha, o candidato deve clicar em "Acompanhe a sua inscrição". Nessa área, deverá aparecer um campo para mudar os dados e a possibilidade de gerar novamente o boleto ou solicitar isenção. Os candidatos ainda podem ligar para o telefone 0800-616161 ou mandar um e-mail para faleconosco@inep.gov.br, mas há relatos de estudantes que não obtiveram resposta pelo e-mail.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Estudantes relatam ter dificuldades para se inscrever no Enem
nPedido de isenção pode ser feito até o fim das incrições, em 17/7.
Aluno que ainda está no ensino médio público não precisa fazer pedido.
*Do G1
Na hora de se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estudantes que terminaram os estudos em escola pública relatam ter dificuldade para pedir isenção da taxa de R$ 35. Quem ainda está concluindo o ensino médio em escola pública não precisa pedir a isenção no formulário porque ela é gerada automaticamente.
Houve também uma confusão com as datas para o pedido de isenção. O primeiro prazo vencia em junho, mas depois mudou para 17 de julho, a mesma data final para fazer a inscrição.
A primeira portaria publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo exame, trazia uma data errada para pedir isenção. Por essa portaria, o prazo terminaria do dia 19 de junho. Com isso, muita gente correu para fazer a inscrição.
“Fiz esses dias porque teve aquela confusão de datas. Para me antecipar, não ficar perdida, fiz logo a inscrição”, justifica Daiane Cristine Silva.
Para acabar com a confusão, o Inep publicou uma segunda portaria com o novo prazo para fazer a inscrição e pedir a isenção da taxa.
Sem conexão
Alguns candidatos também reclamam que não conseguem entrar na página da internet onde devem ser feitas as inscrições para o exame.
Horas no computador e Bárbara França não conseguia fazer a inscrição para o Enem. A maior preocupação era perder o prazo para pedir a isenção da taxa.
“Não tenho dinheiro para pagar, por isso estou tentando fazer a inscrição com a isenção. Estou desempregada, não tenho condições de pagar”, diz a estudante.
O instituto que organiza o exame admitiu que a publicação da primeira portaria foi um erro. A data que vale é a do dia 17 de julho. A orientação é para os alunos continuarem tentando via internet. O problema é que com tanta procura o site do Inep ficou congestionado.
O diretor do instituto diz que o site está passando por modificações. “A demanda está sendo muito grande. A infraestrutura que foi montada foi para suportar até 1,6 milhão de inscrições ao mesmo tempo. Alguns problemas de rede já aconteceram e estão sendo revistos para que esses eventuais problemas possam ser sanados nas próximas horas”, garante o diretor de avaliação de educação básica do Inep, Heliton Tavares.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Caos na UFPel: Reitor tenta a qualquer custo implementar o novo Enem em substituição ao vestibular.

Veja a notícia publicada no site oficial da UFPel:
Consun modifica artigo do Estatuto que legitima ingresso pelo Enem
16 de Junho de 2009
O Conselho Universitário da UFPel, reunido nesta segunda-feira(15), na sede dos Conselhos Superiores (prédio do Lyceu), decidiu, por 44 votos favoráveis, três contrários e duas abstenções, pela aprovação da proposta da Reitoria, de modificação do artigo 71 do Estatuto da Instituição. A alteração legitima o novo sistema de ingresso pela prova do Enem.
Também ficou estabelecido que a aprovação de qualquer outra modalidade de ingresso na Universidade ficará a critério do Cocepe.
A reitoria considera legítima uma decisão arbitrária. Se o estatuto da universodade não permitia a decisão sem consulta ao Conselho Universitário, então o reitor decidiu modificar o estatuto da UFPel.
A legitimidade dos atos da administração de uma universidade pública, diretamente relacionada com a economia e com o desenvolvimento da região depende de um amplo debate com a comunidade. A UFPel não pode estar sujeita ao arbítrio de particulares em flagrante desacordo com o interesse da coletividade.
Quanto à ilegitimidade da mudança repentina no vestibular, ainda persiste o impedimento legal, pois está em questão não apenas o aspecto regimental (estatuto da universidade), mas também a legalidade da medida. Confira um trecho da sentença proferida pelo Juiz Everson Silva:
"(...) a adequação dos calendários, para compatibilização entre a realização do processo seletivo (Enem) (...) e a conclusão da formação intermediária, deve ser reconhecida como direito do estudante de nível médio, por força da diretriz constitucional que visa garantir o acesso igualitário aos níveis mais elevados de ensino. Portanto, a adesão ao Processo Seletivo Unificado (Enem), nos moldes em que foi realizado pela demandada (UFPel), viola, dada a imediatidade da medida, a regra do artigo 51 da LDB, por não permitir a mínima adequação dos potenciais candidatos às novas diretrizes de avaliação e às novas datas de realização do certame".
Não permitir à comunidade estudantil uma adequação ao novo processo em tempo adequado contraria a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Mais do que isso, contraria a própria Constituição Federal, no que tange ao princípio da Segurança Jurídica.*
Ademais, esse não é o primeiro episódio revelador do caráter desastroso da gestão do Sr. Cesar Borges na reitoria da UFPel. Problemas com a justiça já surgiram pela contratação irregular de pessoal e isso já prejudicou todo o calendário letivo de 2009 (as aulas começaram em abril!). Agora, surgem novas denúncias do sucateamento da universidade: a Vigilância Sanitária encontrou fezes de ratos em laboratórios da UFPel. Alunos dos cursos de Química e Odontologia reclamam da falta de condições adequadas para o desenvolvimento de suas atividades. (Leia mais sobre o assunto no blog Amigos de Pelotas)
É temerária a gestão do Sr. Cesar Borges.
* Após recurso da UFPel, a decisão final da Justiça acerca do vestibular ainda não foi tomada.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Reitor tenta reverter decisão judicial que proíbe a realização do Enem em 2010 como substituto ao vestibular tradicional
O Conselho Universitário da UFPel (Consun) trata nesta segunda (15) de alterações no estatuto da universidade, com vistas a garantir a adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de ingresso na instituição a partir de 2010.
No encontro, o reitor Cesar Borges vai propor a mudança do artigo 71, que hoje obriga a participação direta da UFPel na elaboração do vestibular - o que se choca com a proposta do Enem. O Enem que substitui o vestibular prevê a elaboração das provas pelo Ministério da Educação, sem participação das universidades.
Se a alteração do artigo 71 passar no Consun, mesmo assim, a UFPel ainda continua impedida pela Justiça de realizar o Enem em 2010. Até porque a mudança no estatuto não é o único impeditivo apontado pelo juiz federal Everson Silva na sentença que proíbe a adesão da UFPel ao Enem já a partir do próximo exame de acesso de estudantes.
A decisão do juiz veio em resposta a questionamento feito pela Procuradoria da República em Pelotas.
Além da mudança no estatuto, o reitor promete entrar nesta semana com recurso judicial contra a decisão do juiz Everson, buscando garantir a realização do Enem imediatamente.
Contra a adoção do Enem, o MP argumentou:
1) que a decisão da reitoria (pela adoção do Enem) foi aprovada apenas no âmbito do seu Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cocepe), quando deveria ter sido aprovada pelo Conselho Universitário (Consun);
2) que a decisão, tomada de forma repentina, impediria a adequada preparação dos estudantes ao novo critério de ingresso;
3) que vários aspectos das provas do Enem, a serem realizadas em 3 e 4 de outubro próximo, continuam indefinidos;
4) que a reitoria infringiu o Estatuto e o Regimento da UFPel, bem como o princípio da segurança jurídica e da previsibilidade da atividade administrativa, nos termos do artigo 51 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Trechos da decisão do juiz Everson
"Saliento que não há que se falar em possibilidade de deliberação direta pelo reitor (como ocorreu), nos termos do artigo 30 do Estatuto da UFPel. Primeiramente porque aquela regra é estabelecida para situações de emergência, o que (...) não é o caso dos autos. Em segundo lugar, porque a deliberação direta do reitor requereria, nos termos daquele dispositivo estatutário, a ratificação da decisão pelo Conselho Universitário (Consun), no prazo de dez dias, o que não ocorreu na hipótese em exame".
"(...) a adequação dos calendários, para compatibilização entre a realização do processo seletivo (Enem) (...) e a conclusão da formação intermediária, deve ser reconhecida como direito do estudante de nível médio, por força da diretriz constitucional que visa garantir o acesso igualitário aos níveis mais elevados de ensino. Portanto, a adesão ao Processo Seletivo Unificado (Enem), nos moldes em que foi realizado pela demandada (UFPel), viola, dada a imediatidade da medida, a regra do artigo 51 da LDB, por não permitir a mínima adequação dos potenciais candidatos às novas diretrizes de avaliação e às novas datas de realização do certame".
O juiz acrescentou que a mudança do procedimento de seleção é viável e não ofende a Constituição ou a LDB. "No entanto" - diz ele - "a implementação do novo sistema deve resguardar certo interregno de transitoriedade, a fim de evitar que o objetivo louvável (democratização do acesso ao ensino superior público) se estabeleça com lesão a interesse também legítimo dos estudantes em vias de conclusão da preparação para a realização do vestibular".
"A possibilidade de prejuízo aos estudantes em vias de concluir o ensino médio e/ou preparação para o vestibular afigura-se irreparável, dada a impossibilidade de reposição da situação ao status quo, caso realizado o Processo Seletivo Unificado (Enem) em substituição ao concurso vestibular".
Finalizando, o juiz anotou: "Defiro o pedido de antecipação de tutela formulado na inicial para, reconhecendo a ilegalidade da medida adotada pela demandada (UFPel), nos termos da fundamentação acima, afastar o Processo Seletivo Unificado do Novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como critério de seleção para acesso aos cursos superiores da demandada para o ano letivo de 2010".
*Reportagem de Rubens Filho, extraída do blog "Amigos de Pelotas"
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Enem reduz número de questões mas não diminui protestos

Exame cujas inscrições começam no dia 15 pela internet terá 180 testes e uma redação
Cinco questões a menos em cada uma das quatro provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não reduziram o nível de ansiedade dos estudantes gaúchos. As provas estão confirmadas para os dias 3 e 4 de outubro em todo o país, dois meses antes do fim do ano letivo no Rio Grande do Sul.
– As aulas vão até dezembro e isso provoca muita insegurança nos alunos dos terceiros anos. As novas regras do vestibular a essa altura podem prejudicar o desempenho, não tanto pelo conhecimento, mas pela ansiedade – reclama a professora Luisa Canella, do grupo Unificado.
No calendário escolar do Estado, as aulas na rede estadual vão até o dia 23 de dezembro. Nas escolas municipais, o prazo pode variar em um período de uma semana. Na rede privada, o protocolo de intenções marca para 20 de dezembro o encerramento do ano letivo.
O uso do Enem como única forma de acesso em quatro das seis universidades federais gaúchas em 2010 também gera revolta no Estado. O Ministério Público foi acionado contra a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e um grupo de vestibulandos pretende mover ação pública para mudar a decisão da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Uma sessão extraordinária na Câmara dos Vereadores está marcada para sexta-feira, às 10h30min, onde estudantes, professores e parlamentares estudarão medidas para tentar impedir a adesão integral da instituição ao Enem. O encontro será no plenário Ana Terra (2º andar da Câmara, na Avenida Loureiro da Silva, 255).
Na semana passada, o presidente da Câmara, Sebastião Melo, garantiu apoio à causa dos estudantes. E convocou a Comissão de Educação, Cultura e Esporte e Juventude para mediar o assunto. Conforme os manifestantes, a luta é para que a universidade aplique uma segunda fase no concurso, o que valorizaria alunos mais preparados para o ingresso em alguns dos cursos mais concorridos e qualificados do país.
As regras do novo Enem já estão definidas. Conforme o edital, os estudantes terão 10 horas, em dois dias, para resolver 180 testes. O número de questões foi reduzido a pedido de reitores, preocupados que a prova fosse muito longa. Estavam previstos inicialmente 200 perguntas. Além das questões de múltipla escolha, o aluno terá de fazer uma redação.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
MP entra com ação contra uso do Enem na UFPel
Para Procuradoria da República, alteração do vestibular foi feita de maneira rápida demais
A aplicação do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como único critério para o processo seletivo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) no vestibular de verão foi alvo de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF). A Procuradoria da República entende que a alteração do vestibular foi feita de maneira rápida demais e que prejudicará os estudantes que desejam ingressar na universidade.
De acordo com o procurador Max dos Passos Palombo, a aplicação do novo Enem como critério exclusivo de seleção já no vestibular deste ano causa impacto na orientação do Ensino Médio. Para Palombo, a mudança torna os candidatos despreparados para ingresso na UFPel, já que os estudantes necessitam se adaptar rapidamente aos novos padrões de seleção. A sugestão do procurador é de que a universidade aplique o novo Enem a partir de 2011, permitindo uma preparação mais adequada dos estudantes:
– Surpreende é o fato de ser o único critério. Outras instituições de ensino estão aplicando outras opções além do Enem. Na UFPel, tudo ocorreu de uma forma muito rápida.
Segundo a pró-reitora de Graduação da UFPel, Eliana Póvoas, a decisão de aplicar o novo Enem no vestibular de verão foi tomada para valorizar a nova proposta do governo federal e aprovada com unanimidade dentro do Conselho de Ensino da instituição. Caso a ação seja acatada pela Justiça, o vestibular não será cancelado. A seleção, no entanto, voltará a ser por meio de provas promovidas pela UFPel
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Ação na Justiça tenta adiar novo Enem
Partido Democratas entrou com ação na Justiça Federal.
Reitores da UFPE e da UFRPE foram intimados a prestar esclarecimentos.
O partido Democratas (DEM) entrou com uma ação na Justiça Federal, na terça-feira (12), para que o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) só seja aplicado pelas universidades Federal (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) no vestibular de 2011. O partido também briga na Justiça para que Enem só seja aplicado como seleção pelas universidades a partir de 2010.
De acordo com o partido, a decisão de recorrer à Justiça foi tomada após reuniões com jovens integrantes da legenda e tem como objetivo evitar que a mudança repentina nas regras do vestibular prejudique alunos, professores e as instituições de ensino que já vinham se preparando para o processo de seleção tradicional.
Nesta quarta-feira (13), a juíza Polyana Falcão Brito, da 21ª Vara da Justiça Federal, mandou intimar os reitores da UFPE, Amaro Lins, e da UFRPE, Walmar Corrêa de Andrade, para que se pronunciem sobre as mudanças no vestibular, num prazo de 10 dias.
Na ação, o DEM argumenta que mudar a regra de acesso à universidade a poucos meses da realização do vestibular causaria prejuízo à igualdade de condições do acesso ao nível superior, previsto Constituição, e seria ainda contra a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, uma vez que o Enem será aplicado antes da conclusão do calendário do ensino médio.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Estudantes contra novo vestibular
Mudanças na estrutura do vestibular, propostas pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, mobilizou cerca de 1,5 mil alunos em protesto que começou na avenida Agamenon Magalhães
*Da Folha de Pernambuco - 30.04.2009
www.folhape.com.br
As recentes mudanças na estrutura do vestibular, propostas pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, mobilizou cerca de 1,5 mil alunos de escolas públicas e privadas e de cursos pré-vestibulares do Recife, ontem no final da manhã, em protesto que começou na avenida Agamenon Magalhães, culminando na Conde da Boa Vista, no Centro da Capital. A reivindicação estudantil bate de frente com o conjunto de medidas decretadas pelo Ministério da Educação (MEC), como a unificação de vagas das universidades federais do País, migração da prova tradicional para o novo Enem, que passa a ser a mesma prova para todo o Brasil com 200 questões de caráter interpretativo e redação, além da antecipação as avaliações para os dias 3 e 4 de outubro. Até o momento, nem a Universidade Federal nem a Universidade Federal Rural de Pernambuco adotaram o novo modelo.
Segundo o professor de História e diretor do curso de pré-vestibular Nicarágua, Arthur Gonçalves, essas medidas beneficiam alunos das regiões Sul e Sudeste que, segundo ele, têm qualidade de ensino superior aos estudantes do Norte e Nordeste. “Somos a favor de mudar o atual vestibular, desde que seja discutido com a sociedade. O que o ministro quer é voltar a época do coronelismo, empurrando uma medida de cima para baixo, atrasando a educação local. Ele (Haddad) e os reitores precisam conhecer a realidade das escolas antes de propor mudanças”, disparou. Resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008 apontam que, das 50 piores escolas do Brasil, 29 estão localizadas no Nordeste. Em seguida aparece o Centro-Oeste, com nove; Norte, com sete; Sudeste, com quatro; e Sul, com uma. Todas elas tiveram notas entre 25 a 33 pontos. Entre as 50 melhores, apenas seis instituições nordestinas se destacaram.
O professor Adelmo Vasconcelos disse que essa modificação no vestibular afeta diretamente a rotina das escolas e cursos preparatórios. “Isso porque nenhum estudante frequentaria as aulas depois das avaliações, em outubro. Assim, teríamos perda de receita o que pode acarretar em demissões de docentes e até mesmo fechamento de pequenas instituições. Tudo está sendo muito precipitado”, previu.
A presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uesp), Thays Santos, contou que essa mudança “passa uma falsa ideia de crescimento no número de estudantes ingressando no ensino superior”. “O que precisamos é ter mais vagas nas universidades”, disse. “Essa mudança favorece a elite, que tomará os nossos lugares, pois terão mais chances de ocupar as vagas de graduações locais que são referências em todo o País”, destacou a estudante do 3° do ano Ensino Médio Camila de Paula. De acordo com o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Gilberto Araújo, no dia 13 de maio estão programadas diversas manifestações nas principais capitais do Brasil, em protesto contra o novo vestibular.
