
A literatura do Barroco deve aparecer na prova com os Sermões de Padre Antônio Vieira. Sobre esse autor é importante observar:
- Contexto Histórico: Contrarreforma, Invasões Holandesas no Brasil
- Sermões que tratam de temas religiosos e também de questões mundanas.
- Estilo conceptista (quevedismo)= jogo de idéias, argumentos
- Crítica ao Cultismo (gongorismo) = jogo de palavras, privilégio da forma em detrimento do conteúdo.
- Uso de alegorias bíblicas para argumentar sobre a realidade da época.
- "Sermão da Sexagésima": Sermão metalinguístico em que Vieira critica o cultismo e atribui aos maus pregadores a culpa pelo fato de a palavra de Deus fazer tão pouco fruto entre os homens.
- "Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda": Vieira se dirige a Deus de forma incisiva e questiona o fato de se estar permitindo a invasão dos hereges (holandeses=protestantes).
Quanto ao Arcadismo, ou Neoclássico, vale destacar que o épico "O Uraguai", de Basílio da Gama, já figura como leitura obrigatória. Não está descartada a hipótese de termos uma questão sobre a poesia lírica árcade, provavelmente sobre Tomás Antônio Gonzaga.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Dicas de Literatura UFRGS 2010 (3): Barroco e Arcadismo
sábado, 2 de janeiro de 2010
Dicas de Literatura UFRGS 2010 (2): Renascimento e Literatura no Período Colonial

A literatura da época do Renascimento e das Grandes Navegações pode aparecer na prova com Gil Vicente (Humanismo), Camões (Classicismo), ou ainda com as primeiras manifestações literárias no Brasil (Literatura de Catequese e de Informação).
Nesse ponto, cabe destacar o fato de que "Os Lusíadas", de Camões saiu do programa de leituras obrigatórias, mas isso não impede que o maior poeta português apareça na prova. Em 2009 a prova começou por Gil Vicente, e em 2008 tivemos uma questão sobre Literatura de Informação. Sendo assim, imagino que a questão inicial da prova seja realmente sobre Camões e, mais especificamente sobre sua poesia lírica.
Então a dica de hoje é a seguinte: vale a pena priorizar nos estudos a lírica camoniana.
O que observar
Lírica Amorosa:
- questionamento do amor e de sua existência;
- busca por um sentido de universalidade;
- tensão amor físico x amor platônico (antecipação do Conceptismo barroco)
TEXTOS PARA ESTUDO
TEXTO 1
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
TEXTO 2
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.
Lírica Filosófica:
- reflexão sobre o sentido da existência
- temas como a passagem do tempo e a fugacidade das coisas
- o desconcerto do mundo
TEXTO PARA ESTUDO
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía*.
*soía= costumava ser
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Dicas para história e química no Enem 2009; veja os temas mais prováveis
Tanto história quanto química no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009, deverão ter um ponto comum: a exigência de paciência do candidato. Isso porque a prova promete trazer enunciados longos, cobrando capacidade de leitura e de interpretação. É isso o que avaliam os especialistas ouvidos pelo UOL Vestibular.
Faça o simulado online divulgado pelo Inep
Veja as orientações dos professores para cada uma das disciplinas.
História
Para o professor de história do ensino médio do colégio Sion, Marcello Sarraino Fonseca, a aposta principal no Enem são grandes temas, como direitos humanos, escravidão e liberdade, igualdade e desigualdade. Dentro desses assuntos, será possível abordar conteúdos da história e suas relações com o presente. Daí a necessidade de estar bem informado.
"O Enem poderá fazer questões que comparem a situação do passado com o presente. Uma possível questão seria sobre a crise atual e suas relações com a crise de 1929", afirma Fonseca.
O conhecimento do mundo contemporâneo, para o professor, é fundamental. Confira alguns temas que o professor avalia importantes na hora de revisar o conteúdo:
História do Brasil - ênfase no Brasil independente, principalmente no Brasil República, no . Conceitos como oligarquias, ditadura e democracia fazem parte deste período.
História geral - mundo moderno e contemporâneo, a partir da Revolução Francesa. Questões sobre a política, a economia, o modelo liberal, os fascismos, as guerras podem ser estudados neste período.
Temas que podem ser listados como candidatos a questões são:
- guerras;
- crise econômica;
- gripe suína e os paralelos com a peste negra e com a gripe espanhola;
- a questão nuclear e a Guerra Fria;
- a questão do negro na sociedade brasileira;
- o trabalho escravo;
- desigualdades sociais e a constituição da realidade contemporânea brasileira.
"Temos de pensar o que o elaborador das questões quer. E o Enem quer um estudante crítico. Para isso, uma forma é a comparação com a atualidade", avalia. Por isso, o professor julga que temáticas como a Idade Média ou da monarquia brasileira devam aparecer com menor frequência na prova do MEC (Ministério da Educação).
Já a república romana e a democracia ateniense podem ser abordadas em itens que exijam a correlação com o mundo contemporâneo.
Se você está preocupado porque não consegue se lembrar de datas e nomes da história, relaxe. A "decoreba" não deverá ser cobrada. "O que importa na prova não é tanto o conhecimento desses dados, mas a interpretação do enunciado e das questões", diz Fonseca.
Química
Na avaliação do coordenador de química do Objetivo, Antonio Mario Salles, o programa da disciplina cobrado no Enem 2009 é o mesmo da Fuvest. "Mas isso não quer dizer nada. Os examinadores devem dar mais importância para competências e habilidades. Os enunciados deverão trazer muita informação", diz.
De acordo com o professor, o texto que apresenta a questão poderá até trazer substâncias "moderninhas", mas a pergunta deverá oferecer as informações básicas para que o candidato consiga responder. "Não vai ser necessário saber coisas de cabeça. É preciso ter um pouco de conceitos".
A abordagem da química deverá privilegiar conceitos relacionados ao cotidiano, em problemas ambientais ou de saúde, por exemplo. Assim, questões sobre poluição, chuva ácida, efeito estufa ou até mesmo radioatividade são fortes candidatas a aparecerem.
Veja os principais tópicos a revisar:
Cálculo estequiométrico - devm cair, mas não em questões rebuscadas.
Ácidos, bases, sais e óxidos - podem cair, por isso é importante ter o conceito fixado. A banca deverá fornecer informações sobre fórmulas, caso sejam necessárias.
Ligações químicas.
Química orgânica - questões ligadas ao cotidiano costumam tratar deste tópico da química.
Físico química - perguntas sobre pH são tradicionais, sempre com alguma historinha do dia a dia.
"Agora o estudante deve treinar leitura e se dedicar aos capítulos mais importantes da química", diz Salles.
sábado, 25 de julho de 2009
Vestibular de Inverno UFPel: Chegou a hora!
Hoje começaram as provas deste que deve ser o último vestibular da UFPel e amanhã teremos a prova de Literatura e Língua Portuguesa. O que esperar desse vestibular, que, sabemos, após sucessivas mudanças (já tivemos provas discursivas, interdisciplinares, depois o retorno ao modelo tradicional, com questões objetivas e ainda uma gradual diminuição do número de questões) tem sido tão controvertido?
Conforme o edital, teremos 10 questões distribuídas entre Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Normalmente, na prática, são duas questões de Literatura e oito de Português. Aqui já surge um aspecto problemático: o programa exige dezenove textos como leituras obrigatórias (incluindo os 3 contos de Machado de Assis), mas a prova se constitui apenas de duas ou três questões. Como contemplar o programa com uma prova tão reduzida?
O último vestibular (verão/2009) deixou evidente a confusão em que se processa a elaboração do exame: para amenizar essa contradição entre o volume do programa e e o número de questões da prova de Literatura, tentou-se fazer uma questão envolvendo cinco leituras obrigatórias, uma em cada alternativa de múltipla escolha. O experimentalismo esbarrou, no entanto, na falta de planejamento. A questão foi anulada por não haver resposta correta, inviabilizando-se o gabarito.
LEIA AQUI A ANÁLISE DA ÚLTIMA PROVA DE LITERATURA
Nesse sentido, não parece haver direção certa para essa prova, que muda ao sabor dos ventos. Pior: é certo que a maior parte das leituras exigidas do candidato não estará colocada nas questões de Literatura.
Seguem aqui, portanto, algumas dicas baseadas na experiência que tenho com as provas recentes e, em alguma intuição, que nessas circunstâncias é sempre válida.
NAVIO NEGREIRO
Poema de Castro Alves (3ª Geração Romântica), caracterizado pela linguagem condoreira (repleta de hipérboles, apóstrofes, exclamações, interrogações e reticências), denuncia a prática do tráfico negreiro memo após sua proibição legal, com a lei Eusébio de Queirós (1850). Pela crítica social mesclada à linguagem emotiva, o poema pode ser entendido como parte de um movimento de transição entre o Romantismo e o Realismo.
TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA
Romance de Lima Barreto, caracteriza bem o Pré-Modernismo ao utilizar-se de linguagem e temas populares, além de propor uma reflexão crítica sobre a brasilidade. Atenção para a divisão da obra em três partes: a fase cultural; a fase agrícola; e a fase política, sendo esta última relacionada ao episódio da Revolta da Armada, durante o governo do Mal. Floriano Peixoto.
OSWALD DE ANDRADE E MANUEL BANDEIRA
Representantes da Geração de 1922, a fase heróica do Modernismo, os dois poetas buscam romper com os padrões da poesia tradicional, caracterizando seus poemas pela liberdade formal (versos brancos e livres quase sempre), pela linguagem coloquial e pela abordagem de temas do cotidiano.
A ROSA DO POVO
Obra poética de Carlos Drummond de Andrade, está inserida na fase social do poeta (eu < MUNDO), marcada pela preocupação com o contexto da 2ª Guerra Mundial e da Era Vargas. O poeta adota uma postura ideológica identificada com o socialismo e trata do cotidiano, da opressão da mulher (o Caso do Vestido) e do trabalhador (a Morte do Leiteiro). A metapoesia (Procura da Poesia e Consideração do Poema) também aparece de forma destacada no livro.
A TERCEIRA MARGEM DO RIO
Conto de Guimarães Rosa, marcado pela temática da travessia: um homem decide romper com a realidade comum e se isola em um rio, dentro de uma canoa. O conto é narrado pelo filho desse sujeito, e o conflito se estabelece em torno de assumir ou não o lugar do pai. O filho não consegue fazê-lo e, ao contar a história revela-se culpado por não ter seguido o destino paterno.
NATAL NA BARCA
Lygia Fagundes Telles constrói uma narrativa intimista, centrada no universo interior da narradora (não nomeada ao longo do conto). Para ela, tudo era solidão, trevas, escuridão. É quando encontra uma mulher que trazia consigo uma criança nos braços. Essa mulher relata à narradora a doença do bebê, a morte de seu primeiro filho e o abandono do marido. Diante disso ainda se mostra serena, o que desperta uma certa irritação na Narradora. Nesse momento, a mulher revela que sua força vem da Fé. Isso desencadeia uma profunda mudança na Narradora, que chega a acreditar que a criança, que estava no colo da mulher, teria morrido e, em seguida, milagrosamente, ressucitado. O desfecho fica em aberto: houve de fato a ressurreição? Ou foi só um delírio da Narradora?
É isso! Boa prova a todos!
Ah! Hoje, às 18h haverá um chat ao vivo aqui no blog, para tirar as dúvidas e última hora.
Um abraço!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Chat ao vivo: Tira-Dúvidas para o Vestibular de Inverno UFPel
Neste sábado, 25/7, às 18h, teremos um CHAT AO VIVO para tirar as últimas dúvidas sobre Literatura antes do 2º dia de vestibular de inverno da UFPel.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Vestibular da UFPel: Chegou a hora!!!
2008, o ano que não terminou, está, finalmente, chegando ao seu termo. O vestibular da UFPel encerra o calendário de provas das Federais neste final de semana. O que esperar da prova?
Bueno... sabemos que o espaço da Literatura na prova é reduzido: dentro da prova de Língua Portuguesa teremos três ou quatro questões. Nesse sentido, é difícil prever o que pode aparecer, já que o programa elenca 17 leituras e, na história recente das provas não se exigiu mais do que duas leituras (fazendo-se duas questões sobre uma só obra literária).
Então, nosso execício de futurologia deve se basear em fatores como leituras que costumam aparecer, leituras que nunca aparecem, efemérides (como o centenário da morte de Machado ou de nascimento de Guimarães Rosa), e, é claro, na intuição deste que vos posta.
Vamos aos fatos:
- 100 anos da morte de Machado: Acredito que os contos possam aparecer (Uns Braços, A Carteira, Um Esqueleto). Lembrar que esses contos todos são da fase dita Realista, marcados pelo pessimismo e pela ironia tipicamente machadianos.
- Geração de 1922: Um assunto sempre privilegiado nas provas elaboradas pelo CES (UFPel e PAVE são indicativos). Então dar uma conferida em Manuel Bandeira e Oswald de Andrade. Atenção para a liberdade na forma (versos brancos e livres, linguagem coloquial, ausência de pontuação) e no conteúdo (cotidiano, tipos populares, revisão crítica do passado histórico e literário)
- Drummond: também é cobrado com freqüência. Atenção para o contexto histórico de A Rosa do Povo (2ª Guerra e Era Vargas).
- Triste Fim de Policarpo Quaresma: Pré-Modernista, Lima Barreto antecipa características da Geração de 22. É uma obra bastante tradicional em listas de leituras obrigatórias. Atenção para as 3 fases do livro - Cultural; Agrícola; Político-militar.
- Natal na Barca: Conto de Lygia Fagundes Telles. Entrou no novo programa, junto com A Terceira Margem do Rio, de Guimarães. Este último já apareceu no inverno de 2008. É possível que o conto de Lygia venha agora. O conto é narrado em 1ª pessoa e a narradora sofre uma profunda transformação durante o diálogo com uma mulher que trazia consigo uma criança: a passagem da descrença à fé. É possível interpretar que tenha acontecido a morte e a ressurreição do bebê, ou que a narradora tenha se iludido, o que leva o leitor à dúvida e à perplexidade.
Era isso...
Então tá, então. Boa prova a todos, porque está tudo friamente calculado!
