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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Gabarito definitivo da UFPel: Questão 2 anulada!
Diante do que já havíamos explicado, a questão 2 de Literatura (2º dia de prova) não tinha resposta possível. Meu requerimento junto ao CES foi atendido e a questão foi ANULADA. Isso significa que todos os vestibulandos devem considerar essa questão como acerto, automaticamente.
CONFIRA AQUI OS GABARITOS:
1º Dia (17/1)
2º Dia (18/1)
É isso aí.
Ficamos no aguardo do listão...
Um abraço.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Comentários sobre a Prova da UFPel
RETROCESSO. Não há palavra mais definidora daquilo que ocorre com o processo seletivo da UFPel, ao menos no que diz respeito à disciplina Literatura.
Há algum tempo, o espaço conferido à matéria nas provas é bastante diminuto, contrariando o que se observa em provas tidas como referencial de excelência, como as da UFRGS, da UFSM e da FURG. Neste ano, o processo de inverno trouxe 3 questões (o que não chega a ser digno de ser comemorado), sinalizando um pequeno avanço, mas a prova de verão superou quase todos os prognósticos negativos: apenas duas questões versando sobre leituras obrigatórias (são dezenas de obras exigidas) e uma delas PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. Senão, vejamos:
2- Em nossa lista de leituras obrigatórias para esta prova, aparecem várias personagens femininas fortes. Assinala a alternativa que corretamente justifica a força da personagem a que faz alusão.
(a) Em O Cortiço, Rita Baiana, personagem plana, conota a sensualidade da mulher comum. Suas estratégias de sedução encantam o até então
pouco ambicioso João Romão, impulsionando-o
ao progresso e à riqueza material.
(b) Em Navio Negreiro, a força da escrava que
protege do opressor o filho recém-nascido nos
porões do navio simboliza a resistência do eu-lírico
negro à violência do sistema.
(c) No conto Natal na barca, a fé da mãe que carrega
o filho doente no colo provoca uma mudança de
perspectiva na narradora, que é onisciente.
(d) Na obra árcade, Marília de Dirceu é um
pseudônimo da princesa por quem o eu-lírico se
apaixonou. Sua força está na ousadia em
enfrentar os ditames da vida social na colônia.
(e) No poema de João Cabral de Melo Neto,
Severino logra êxito em sua empreitada tão somente
por contar com o alento da mulher, em
cuja anuência encontra forças para vencer no “sul
maravilha” e derrotar a seca, sua antagonista.
(f) I.R.
A questão exigiu, em cada alternativa, conhecimentos sobre uma obra diferente. A resposta que consta no gabarito é a letra "c", enfocando o conto Natal na Barca. De fato, o texto dessa afirmativa aponta para o elemento essencial do conto: a "mudança de perspectiva" sofrida pela narradora. Confirmando isso, coloco as minhas palavras usadas aqui no blog, na véspera da prova: O conto é narrado em 1ª pessoa e a narradora sofre uma profunda transformação durante o diálogo com uma mulher que trazia consigo uma criança: a passagem da descrença à fé.
O Problema é que a resposta tida como correta se refere a uma narradora "onisciente", o que não condiz com o que se observa no conto de Lygia Fagundes Telles. A narradora dialoga com sua interlocutora sem muito bem compreender a força daquela mulher diante de problemas como a pobreza, a perda de um filho e a separação do marido. Fica perplexa diante da suposta ressurreição do bebê, sem nunca demonstrar capacidade de "ler" os pensamentos ou sentimentos recônditos de outras personagens. Não pode, portanto, a narradora-protagonista ser considerada "onisciente".
Além disso, não há outra resposta possível para a questão entre as alternativas elencadas na prova.
A letra "a" versa sobre O Cortiço e sugere um envolvimento inexistente entre Rita Baiana e João Romão, além de concebê-lo como "pouco ambicioso" em um dado momento, o que também é um disparate.
A alternativa "b", por seu turno, versa sobre O Navio Negreiro, referindo-se a uma suposta cena em que uma mãe negra protegeria o filho recém nascido no porão da embarcação. A parte IV do poema, que ilustra os acontecimentos no porão do navio não contém nada nesse sentido. Ademais, há uma refeência a um eu-lírico negro, o que não se configura nesse texto em que a voz do poeta indignado com a brutalidade da escravidão é que constitui o sujeito lírico.
Já a alternativa "d" faz alusão à Marília da Dirceu, referindo-se à musa de Gonzaga como uma "princesa" que teria "enfrentado os ditames da vida social na Colônia". Há uma tese, bastante corrente, que considera Maria Dorotéa Joaquina de Seixas Brandão como musa inspiradora das liras de "Dirceu". A "Marília", portanto seria a moça de quinze anos, de família tradicional, por quem o poeta se apaixonara, e a qual pedira em casamento algum tempo depois. Nesse sentido, não temos nenhuma "princesa" ousada, lutando contra os interesses da Coroa.
Por fim, a alternativa "e" traz à baila, mais uma vez, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Repete-se aqui a sugestão, já explorada em prova anterior, de que Severino teria migrado para o "Sul Maravilha", o que é inverídico, pois no "Auto de Natal Pernambucano"", o protagonista não sai do estado de Pernambuco. Tampouco pode-se dizer que Severino supera sua condição miserável ao longo do poema. Para encerrar, a mulher de Severino referida no texto da alternativa em análise não existe no texto de João Cabral.
Fica, portanto, demonstrada a impossibilidade de se constituir resposta correta para a questão em estudo, uma vez que todas as alternativas ensejam incoerências em relação às obras a que se referem.
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Já vi isso em algum lugar... UFPel parafraseia questão da UNIFESP
Resta-nos apenas a questão de nº1, sobre o conto Uns Braços, de Machado de Assis. Era previsível que os 100 anos da morte do Bruxo do Cosme Velho fossem lembrados e, como imaginávamos, com um de seus contos mais emblemáticos e mais complexos. Esse conto já havia sido explorado no Vestibular de Inverno de 2007, mas a sensação de reprise não para por aí. Vejam a questão abaixo:
(UNIFESP) Uma das características do Realismo é a introspecção psicológica. No conto, ela se manifesta, sobretudo,
A) no comportamento grosseiro de Borges, que impõe medo a D. Severina e desperta ódio em Inácio.
B) nas vivências interiores de Inácio e de D. Severina, que revelam seus sentimentos e conflitos.
C) na forma solitária como Inácio se submete no trabalho com Borges, sem que pudesse estar com sua mãe e irmãs.
D) nas reflexões de D. Severina, que vê Inácio como uma criança que merece carinho e não o silêncio e a reclusão.
E) na forma como o contato é estabelecido entre as personagens, já que a falta de diálogo é uma constante em suas vidas.
Questão essa que tive oportunidade de resolver com meus alunos no pré-vestibular, pois constava em nosso material didático.
Agora a questão "da UFPel":
Uma das características do Realismo é a introspecção psicológica. No conto Os Braços, de Machado de Assis, ela se manifesta, sobretudo,
(a) no comportamento grosseiro de Borges, que impõe medo a sua antagonista, D. Severina, e desperta ódio em Inácio.
(b) nas vivências interiores de Inácio e de D. Severina, que revelam seus sentimentos e conflitos.
(c) nas reflexões de D. Severina, que vê Inácio como uma criança que merece carinho e não o silêncio e a reclusão. Essa redenção de um personagem é uma das marcas desse movimento literário.
(d) na forma como o contato é estabelecido entre as personagens, ambas planas, já que a falta de diálogo é uma constante em suas vidas.
(e) na onisciência do narrador, que, a partir do dilema moral vivido por Inácio, simboliza as contradições do homem da época.
Qualquer semelhança não pode ser mera coincidência. Outro detalhe: o título do conto é UNS Braços, e não OS Braços, como consta no enunciado. Machado deve estar se revirando com essa "homenagem".
Depois disso... Sem comentários.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Bentinho e Capitu antes do Vestibular da UFPel
Pra descontrair um pouco.
Vídeo exibido no aulão do Michigan (14/01/2009)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Vestibular da UFPel: Chegou a hora!!!
2008, o ano que não terminou, está, finalmente, chegando ao seu termo. O vestibular da UFPel encerra o calendário de provas das Federais neste final de semana. O que esperar da prova?
Bueno... sabemos que o espaço da Literatura na prova é reduzido: dentro da prova de Língua Portuguesa teremos três ou quatro questões. Nesse sentido, é difícil prever o que pode aparecer, já que o programa elenca 17 leituras e, na história recente das provas não se exigiu mais do que duas leituras (fazendo-se duas questões sobre uma só obra literária).
Então, nosso execício de futurologia deve se basear em fatores como leituras que costumam aparecer, leituras que nunca aparecem, efemérides (como o centenário da morte de Machado ou de nascimento de Guimarães Rosa), e, é claro, na intuição deste que vos posta.
Vamos aos fatos:
- 100 anos da morte de Machado: Acredito que os contos possam aparecer (Uns Braços, A Carteira, Um Esqueleto). Lembrar que esses contos todos são da fase dita Realista, marcados pelo pessimismo e pela ironia tipicamente machadianos.
- Geração de 1922: Um assunto sempre privilegiado nas provas elaboradas pelo CES (UFPel e PAVE são indicativos). Então dar uma conferida em Manuel Bandeira e Oswald de Andrade. Atenção para a liberdade na forma (versos brancos e livres, linguagem coloquial, ausência de pontuação) e no conteúdo (cotidiano, tipos populares, revisão crítica do passado histórico e literário)
- Drummond: também é cobrado com freqüência. Atenção para o contexto histórico de A Rosa do Povo (2ª Guerra e Era Vargas).
- Triste Fim de Policarpo Quaresma: Pré-Modernista, Lima Barreto antecipa características da Geração de 22. É uma obra bastante tradicional em listas de leituras obrigatórias. Atenção para as 3 fases do livro - Cultural; Agrícola; Político-militar.
- Natal na Barca: Conto de Lygia Fagundes Telles. Entrou no novo programa, junto com A Terceira Margem do Rio, de Guimarães. Este último já apareceu no inverno de 2008. É possível que o conto de Lygia venha agora. O conto é narrado em 1ª pessoa e a narradora sofre uma profunda transformação durante o diálogo com uma mulher que trazia consigo uma criança: a passagem da descrença à fé. É possível interpretar que tenha acontecido a morte e a ressurreição do bebê, ou que a narradora tenha se iludido, o que leva o leitor à dúvida e à perplexidade.
Era isso...
Então tá, então. Boa prova a todos, porque está tudo friamente calculado!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Preparação na Reta Final
Por Maria Fernanda Alonso Vieira
Vestibular é prova de maturidade. Vale ingresso para a Universidade e para o desempenho de um papel adulto e produtivo na sociedade. É o sentido da vida que a gente está construindo.
A principal dica é que você não se perca deste sentido, do que significa para você o vestibular.
No período anterior às provas:
- Procura lembrar da caminhada que fizeste, de tudo o que aprendeste (e não daquilo que não sabes ou não fizeste).
- Revisar e rever resumos é mais interessante do que tentar aprender conteúdos novos.
- A ansiedade se faz presente em momentos importantes, decisivos para nós. Portanto, em vez de negá-la ou tentar eliminá-la, procure reconhecê-la e administrá-la.
Maria Fernanda Alonso Vieira é psicóloga clínica e há 17 anos acompanha vestibulandos em orientação vocacional e preparação emocional para o vestibular.
Contato: mfalonsovieira@hotmail.com
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Lendas do Sul - Resumo e Análise
O pelotense João Simões Lopes Neto é um dos grandes nomes do Pré-Modernismo brasileiro. Em contos gauchescos, através do narrador-personagem Blau-Nunes, conseguiu habilmente dar uma voz espontânea e verdadeira para o regionalismo na Literatura, que até então sofria com a artificialidade gerada pelo paradoxo entre o universo pitoresco rural ou interiorano e a voz formal e culta do discurso dos narradores de obras românticas, realistas ou naturalistas.
É importante destacar que o regionalismo em Simões Lopes ganha contornos de universalidade (Regionalismo Universal), focalizando a alma humana, os conflitos oriundos de questões como amor, paixão, honra. Tudo isso ambientado na paisagem pampeana e vivido pelo homem do Rio Grande, que também é o contador de suas próprias histórias.
Em Lendas do Sul, porém, temos de tomar um cuidado: Blau Nunes não figura como narrador das Lendas. Aparece apenas em A Salamanca do Jarau como personagem, protagonizando a trama. Aqui reside a essência de Lendas do Sul: São as histórias de nossa tradição popular, transmitidas de geração em geração pela oralidade e modificadas por cada um que as passa adiante. Simões Lopes deu às lendas o seu jeito, o seu traço exagerado e bem-humorado, e emprestou à Salamanca o seu personagem mais marcante: Blau, o vaqueano.
Vamos aos fatos:
Lendas Do Sul
BAIXE O LIVRO: Lendas do Sul
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Triste fim de Policarpo Quaresma - Resumo e Análise
Triste Fim é o romance exemplar do Pré-Modernismo. Nele, Lima Barreto antecipa o enfoque popular - que seria proposta dos Modernistas de 22 - representando em sua galeria de personagens tipos como o funcionário público, o tocador de modinha, as famílias de classe média em geral. Assim, a linguagem empregada pelo autor é bastante informal, sendo a obra de fácil acesso a qualquer leitor. Outro aspecto antecipador da literatura modernista, e bem característico do período (estávamos nos primeiros tempos da República) é a proposta de reflexão crítica sobre o Brasil, e essa é a pedra de toque do livro. Em suas três partes, Triste Fim constitui-se como painel irônico (bem-humorado e, por vezes, tragicômico) da sociedade da época abrangendo cultura, economia e política.
Vamos ao nosso Policarpo Quaresma!
6 Triste Fim de Policarpo Quaresma
BAIXE O LIVRO COMPLETO: Triste Fim de Policarpo Quaresma
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O Cortiço - Resumo e Análise
Saudações!
Vamos a um novo resumo. Desta vez vamos analisar O Cortiço", de Aluísio Azevedo. Trata-se de uma obra exemplar do Naturalismo, marcada pelo cientificismo típico do final do século XIX. Nessa perspectiva, os personagens são determinados fisicamente, pelo meio e biologicamente, pelos instintos. A anulação do livre-arbítrio leva o indivíduo a uma condição desprezível, fazendo com que a narrativa privilegie uma coletividade, de preferência em circunstâncias patológicas (doentias). Daí, no romance de Azevedo, termos o Cortiço como protagonista, sobrepujando-se a seres como João Romão, Jerônimo e Rita Baiana.
Vamos ao estudo do livro.
5 O CORTIÇO
BAIXE AQUI O LIVRO COMPLETO - O CORTIÇO
domingo, 4 de janeiro de 2009
Prova de Literatura da UFRGS
De modo geral, uma prova acessível ao candidato que teve seu estudo guiado pelo programa deste vestibular. Logo de início, questões sobre os portugueses Gil Vicente e Camões (como de costume). A questão sobre Os Lusíadas foi relativamente fácil, ao se limitar ao episódio do Velho do Restelo. A respeito das leituras obrigatórias, a prova foi muito detalhista, mantendo a tradição de verificar se a leitura realmente foi feita (evitando-se privilegiar o leitor de resumos), como verificamos na questão sobre O Primo Basílio, em que era suscitado um trecho do livro. Outras leituras estreantes no programa, como o conto Pai contra mãe, e o romance Porteira Fechada foram pouco exigidas em questões de nível fácil. Quanto à poesia, surpreendeu o volume de questões evocando poemas pelo título, exigindo relação com o conteúdo do texto em testes sobre Manuel Bandeira e Castro Alves (também obrigatórios).
No mais, tudo certinho, positivo e operante!
ABAIXO O LINK PARA BAIXAR A PROVA:
UFRGS 2009 - LITERATURA
CONFIRA AQUI O GABARITO:
26.C 27.D 28.B 29.D 30.B 31.A 32.C 33.E 34.A 35.D
36.A 37.A 38.D 39.B 40.E 41.A 42.E 43.B 44.C 45.D
46.C 47.E 48.E 49.B 50.C
