Karina Yamamoto
Editora do UOL Educação
A Fuvest, que seleciona os futuros alunos da USP (Universidade de São Paulo), anunciou mudanças no seu vestibular em meados de abril, semanas depois da divulgação do novo Enem pelo MEC (Ministério da Educação). No entanto, nos próximos dois ou três anos, a USP deve manter a utilização do Enem na composição da nota e não como substituto para a primeira fase.
"Não há, a curto prazo, perspectiva de o [novo] Enem substituir a primeira fase da Fuvest" - é o que afirma a pró-reitora de graduação, Selma Garrido Pimenta, que está no quarto ano de seu mandato.
De fala mansa e sempre firme, a professora da Faculdade de Educação esmiuçou como serão as alterações na prova e explicou por que a Fuvest resolveu mudar. E ela esclarece: "O vestibular não ficou mais fácil. O nível de dificuldade é o mesmo. Ou seja, é alto".
Por enquanto, a evolução do exame está voltada para definir outro perfil de aluno para a USP - alguém menos especializado. Mas a pró-reitora já sinaliza uma modificação, daqui dois ou três anos, nos programas e conteúdos.
Acompanhe abaixo trechos da entrevista exclusiva ao UOL Educação:
UOL Educação: Há alguma possibilidade de o novo Enem ser usado como primeira fase da Fuvest?
Selma Garrido Pimenta: Não há, a curto prazo, perspectiva de o Enem substituir a primeira fase do exame da Fuvest. Quero deixar bem claro isso: que a USP não usará nem neste ano, nem no próximo. A USP estará observando o movimento do novo Enem e avaliando.
No Estado de São Paulo, as três universidades estão cogitando - não para este ano nem para o próximo - unificar eventualmente a primeira fase da USP, Unesp e Unicamp.
UOL Educação: Quanto tempo deve durar essa observação? Cinco? Dez anos?
Selma Garrido Pimenta: É uma pergunta para a qual eu não tenho resposta. Nunca tivemos um processo assim.
O que dá para dizer é que estamos na escuta, estamos observando esse movimento. Não é de um ou dois anos - é mais que isso certamente.
UOL Educação: De alguma forma, a nova prova da Fuvest [com mudanças para 2010] vai se aproximar do "velho" Enem?
Selma Garrido Pimenta: Não dá para dizer que estamos nos aproximando do "velho" Enem. Estamos reconfigurando o vestibular com base em alguns princípios.
Acho importante dizer que o Enem continuará sendo valorizado na prova da Fuvest como vinha sendo feito. Conforme o desempenho do aluno, ele [o exame] vai contar como 20% da primeira fase. Além disso, o Enem, no Inclusp [programa de inclusão da USP] continuará sendo utilizado [podendo compor até 6% da nota].
UOL Educação: As perguntas dessa nova Fuvest serão mais analíticas? Mais interdisciplinares? Cobrarão mais conteúdo?
Selma Garrido Pimenta: É um erro fazer essa separação no ensino de que uma coisa é a informação e que outra é o raciocínio.
O recado para os estudantes é: continuem estudando bastante o conjunto das disciplinas. Para as escolas: continuem se esforçando para cada vez mais desenvolver seus estudantes na direção de uma formação humana.
O que a USP valoriza cada vez mais é que este vestibular sinalize para o ensino médio fazer o que está nos parâmetros curriculares nacionais, que é trabalhar o conhecimento na formação da capacidade de pensar, de raciocinar.
O que é raciocinar? É ligar conceitos que aparentemente estão desconexos, é entender a lógica que estrutura um determinado conceito, estabelecer relações entre conceitos e conhecimentos. E conhecimento vinculado às demandas que estão postas na sociedade.
UOL Educação: Que mudanças na prova a senhora destacaria?
Selma Garrido Pimenta: A primeira fase [com 90 testes de múltipla escolha] estava muito valorizada no processo como um todo. Ela tinha um peso de 50%. Agora, ela terá peso zero na nota final.
Ela [ainda] será uma avaliação geral, sem nenhuma mudança na prova em si; ela terá as 90 questões e o mesmo tempo de duração. Ela será um grande filtro que classifica a partir de um nível de conhecimento bastante geral das disciplinas do ensino médio.
Na segunda fase, é que nós temos a mudança significativa. Primeiro: uma redução no número de dias para a realização das provas. Buscamos diminuir o estresse que o vestibular USP provoca. Passamos a ter três dias de provas - e não mais cinco como era antes.
Aqui temos a novidade maior: o candidato, que foi selecionado na primeira fase com uma visão geral dos conteúdos, tem de demonstrar, agora, um nível de conhecimento maior para o conjunto das disciplinas do ensino médio.
UOL Educação: Como será esta nova segunda fase da Fuvest?
Selma Garrido Pimenta: O primeiro dia vai ter uma prova de redação e língua portuguesa. No segundo dia de exame, serão 20 questões abordando as disciplinas - biologia, física, química, matemática, história, geografia e inglês- o que significa que cada questão poderá abranger conhecimentos de mais de uma dessas disciplinas.
E temos o terceiro dia: aí sim com disciplinas específicas conforme o curso a que o candidato concorre. Haverá uma ênfase em exatas ou humanas, por exemplo, dependendo da carreira escolhida.
UOL Educação: A escolha das disciplinas específicas é feita pelas unidades ou é pela reitoria?
Selma Garrido Pimenta: O número de disciplinas é escolhido pela pró-reitoria - são duas ou três. Quais disciplinas são [avaliadas] as unidades que escolhem de acordo com o perfil desse estudante que ela está buscando.
Importante também que todas as provas terão o mesmo peso. Diferente do que acontecia anteriormente em que o peso era, em geral maior, nas questões específicas da especialização.
Um acréscimo é sobre as disciplinas de habilidades específicas - em cursos como música, artes cênicas, artes plásticas e arquitetura - essas provas permanecem.[com calendário semelhante, mas pesos diferentes para o resultado final]. O peso era muito alto, quase que definindo o candidato antes de ele fazer até a primeira fase. Este [novo] vestibular conforma um perfil mais homogêneo [em termos de formação geral].
Quero destacar que quando falamos desta formaçao geral, nós não estamos reduzindo a seletividade. Isso é importante ficar claro. Um aprofundamento nas gerais vai continuar sendo necessário.
UOL Educação: Então nós não vamos conseguir dar a noticia que o vestibulando gostaria de receber: que o vestibular ficou mais fácil?
Selma Garrido Pimenta: Exatamente. O vestibular não ficou mais fácil. O nível de dificuldade é o mesmo. Ou seja, é alto. Até por esses números, a Fuvest tem de selecionar 10.500 alunos dentre um contingente de 120 mil.
UOL Educação: Professora, por que a Fuvest mudou? Ela está em busca de uma avaliação melhor ou de um perfil de aluno diferente?
Selma Garrido Pimenta: Nesta mudança em especial, é o perfil que está sendo alterado. Por quê? A própria universidade foi percebendo que os programas e as próprias provas apontavam muito fortemente para uma especialização precoce. Como se o estudante que entrasse na USP já devesse ter um nível de especialização. A especialização vai acontecendo na formação justamente durante o curso de graduação.
UOL Educação: Sendo a Fuvest tão importante, como é ter nas mãos este vestibular?
Selma Garrido Pimenta: É uma grande responsabilidade. Todo o processo é feito com muito cuidado, muito estudo e muita cautela. Essas mudanças que serão implantadas no próximo vestibular, por exemplo, estão sendo estudadas desde antes de eu chegar aqui [há quatro anos].
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Mudanças no vestibular: Não há perspectiva de substituir primeira fase da Fuvest por novo Enem, diz pró-reitora da USP
terça-feira, 5 de maio de 2009
Poesia Comentada: Meu Sonho (Álvares de Azevedo)

Meu Sonho
Eu
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
O Fantasma
Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…
...........................................................................................................
Localizado na terceira parte de Lira dos vint’anos, o poema constitui uma espécie de diálogo entre o Eu e o Fantasma. O eu-lírico descreve um sonho em que um cavaleiro perambula pelo reino da morte. Bem de acordo com a estética ultra-romântica, a cena se dá em um ambiente onírico, noturno, e misterioso. Em verdade, esta situação constitui uma metáfora para a angústia sexual do Eu. Isso se evidencia na colocação do símbolo fálico (Com a espada sangüenta na mão), no ritmo de galope conferido pelos versos eneasílabos (acentuando a tensão e a sugestão de movimentos repetidos numa alusão implícita à masturbação), e, por fim, na atmosfera de trevas, que metaforiza o sentimento de culpa do Eu-lírico.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Educação: MEC propõe que aluno do ensino médio escolha 20% da grade curricular

Proposta deve se analisada pelo Conselho Nacional de Educação até julho.
Documento ainda sugere ampliação da leitura e aulas práticas nas escolas.
Silvia Ribeiro
Do G1, em São Paulo
O Ministério da Educação propõe em documento, a ser analisado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que o estudante do ensino médio tenha a possibilidade de escolher 20% de sua grade curricular. A proposta abarca ainda outros pontos, como ampliação da carga horária do ensino médio, de 2,4 mil para 3 mil horas, e do volume de aulas práticas, valorização da leitura em todas as áreas do conhecimento e maior oferta de atividades culturais ao aluno.
A previsão é que as propostas, reunidas em documento intitulado Programa Ensino Médio Inovador, sejam votadas pelo CNE até julho. Se aprovadas, as propostas podem ser adotadas pelas redes estaduais, que têm autonomia para aderir ou não.
O MEC pretende assinar com os estados acordos de cooperação técnica e financeira (ainda sem valor estimado), após a avaliação de projetos dos estados com base nas propostas. O ministério estima que seria possível a assinatura de acordos entre agosto e setembro, que beneficiariam 100 escolas já em 2010. Essas instituições de ensino serão aquelas com as menores médias do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Pedagogia da autonomia
Após reunião do CNE, o Carlos Artexes, diretor de Concepções e Orientações Curriculares para Educação Básica da Secretaria de Educação do MEC, defendeu que o estudante seja cada vez mais autônomo em seu processo de aprendizagem. “Nada melhor do que na sua própria organização curricular ele possa fazer suas escolhas.”
As escolhas se dariam em, pelo menos, 20% da carga horária, informou Carlos Artexes. De acordo com o MEC, as atividades, projetos e disciplinas optativas seriam determinados pela escola. “O currículo não é uma decisão de cima para baixo, mas um processo relacional, um processo de avanço de um regime de colaboração entre os entes com objetivo final de fazer com a escola cumpra sua tarefa.”
O diretor do MEC também defendeu que as escolas devem associar de modo mais amplo ensino e prática. “Nada melhor do que uma escola que seja um laboratório. A nossa perspectiva é que os projetos estaduais tragam essa componente de articulação teoria-prática, que é previsto na lei. Estamos tentando materializar isso através dessa orientação e que os estados possam formular nas suas propostas a partir desse referencial.”
O MEC também incentiva as escolas do ensino médio a eliminarem a divisão por disciplinas em seu currículo. As 12 matérias atuais seriam distribuídas em quatro grandes áreas: línguas; matemática; exatas e biológicas; e humanas.
De acordo com Carlos Artexes, o objetivo das propostas é manter o interesse do jovem no processo de aprendizagem. Ele ainda citou que, apesar de aquém da média internacional, o MEC trabalha com a hipótese de o estudante ter um custo de R$ 2 mil por ano.
UNE aprova proposta
A proposta de reforma curricular e pedagógica do ensino médio deverá promover uma aproximação dessa etapa do ensino com a educação superior e facilitar a entrada dos alunos nas universidades, na avaliação da União Nacional dos Estudantes (UNE). De acordo com reportagem da Agência Brasil, a presidente da entidade, Lúcia Stumpf, afirmou que o projeto está de acordo com as diretrizes que a UNE defende para o sistema educacional brasileiro.
"As alterações são boas. São uma visão menos focada na profissionalização e mais na formação humanística do estudante. Estão de acordo com as mudanças curriculares defendidas pela UNE para as universidades brasileiras.”
Texto extraído do portal G1
LEIA MAIS: MEC quer acabar com a divisão por disciplinas no ensino médio
Baixe todas as provas do enem!
Nas últimas semanas tem ficado claro que o Enem, de uma forma ou de outra, vai passar a ser uma prova obrigatória (mesmo que alguns digam que não) para qualquer vestibulando. Mesmo que algumas universidades não adotem a prova do MEC em 2009, tendem a assimilá-la a partir de 2010. Nesse sentido, todos devem, ao menos por precaução, passar pelo processo, garantindo uma pontuação para o futuro.
É consenso que a prova irá mudar: o ENEM 2009 será mais específico nas suas exigências, se comparado aos anos anteriores. Mesmo assim, vale estudar pelas provas anteriores, pois é mais ou menos nesses moldes que serão elaborados os próximos exames.
Então, mãos à obra! Abaixo seguem os links para DOWNLOAD DE TODAS AS PROVAS DO ENEM, de 1998 a 2008.
1998 (Amarela).............................gabarito
1999 (Amarela).............................gabarito
2000 (Amarela).............................gabarito
2001 (Amarela).............................gabarito
2002 (Amarela).............................gabarito
2003 (Amarela).............................gabarito
2004 (Amarela).............................gabarito
2005 (Amarela).............................gabarito
2006 (Amarela).............................gabarito
2007 (Amarela).............................gabarito
2008 (Amarela).............................gabarito
Nas próximas postagens colocaremos ORIENTAÇÕES PARA O SEU ESTUDO e DICAS DE LITERATURA E REDAÇÃO. Aguarde!
Cinquenta Mil Acessos: Top 50
Para comemorar os 50.000 acessos do blog, elaborei um TOP 50
As 50 obras elementares para conhecer a literatura brasileira:
- A CARTA DE CAMINHA
- POEMAS DE GREGÓRIO DE MATTOS*
- SERMÃO DA SEXAGÉSIMA (PE. VIEIRA)
- O URAGUAI (BASÍLIO DA GAMA)
- SONETOS DE CLÁUDIO MANOEL DA COSTA
- PRIMEIROS CANTOS (GONÇALVES DIAS)
- I JUCA PIRAMA (GONÇALVES DIAS)
- LIRA DOS 20 ANOS (ÁLVARES DE AZEVEDO)
- OS ESCRAVOS (CASTRO ALVES)
- A MORENINHA (JOAQUIM MANOEL DE MACEDO)
- IRACEMA (JOSÉ DE ALENCAR)
- SENHORA (JOSÉ DE ALENCAR)
- MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS (MANOEL ANTONIO DE ALMEIDA)
- INOCÊNCIA (VISCONDE DE TAUNAY)
- A ESCRAVA ISAURA (BERNARDO GUIMARÃES)
- MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (MACHADO DE ASSIS)
- QUINCAS BORBA (MACHADO DE ASSIS)
- DOM CASMURRO (MACHADO DE ASSIS)
- O CORTIÇO (ALUÍSIO AZEVEDO)
- POESIAS, DE OLAVO BILAC
- ANTÍFONA (CRUZ E SOUZA)
- O ATENEU (RAUL POMPÉIA)
- OS SERTÕES (EUCLIDES DA CUNHA)
- TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA (LIMA BARRETO)
- URUPÊS (MONTEIRO LOBATO)
- REINAÇÕES DE NARIZINHO (MONTEIRO LOBATO)
- CONTOS GAUCHESCOS (SIMÕES LOPES NETO)
- MACUNAÍMA (MÁRIO DE ANDRADE)
- POESIA PAU-BRASIL (OSWALD DE ANDRADE)
- LIBERTINAGEM (MANUEL BANDEIRA)
- ANTOLOGIA POÉTICA(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
- VIAGEM (CECÍLIA MEIRELES)
- ANTOLOGIA POÉTICA (MÁRIO QUINTANA)
- ANTOLOGIA POÉTICA (VINÍCIUS DE MORAES)
- CAPITÃES DE AREIA (JORGE AMADO)
- MAR MORTO (JORGE AMADO)
- O TEMPO E O VENTO (ERICO VERISSIMO)
- INCIDENTE EM ANTARES (ERICO VERISSIMO)
- VIDAS SECAS (GRACILIANO RAMOS)
- SÃO BERNARDO (GRACILIANO RAMOS)
- MENINO DE ENGENHO (JOSÉ LINS DO REGO)
- GRANDE SERTÃO: VEREDAS (GUIMARÃES ROSA)
- PRIMEIRAS ESTÓRIAS (GUIMARÃES ROSA)
- A HORA DA ESTRELA (CLARICE LISPECTOR)
- LAÇOS DE FAMÍLIA (CLARICE LISPECTOR)
- MORTE E VIDA SEVERINA (JOÃO CABRAL DE MELO NETO)
- ANTES DO BAILE VERDE (LYGIA FAGUNDES TELLES)
- CRÔNICAS DE RUBEM BRAGA*
- VESTIDO DE NOIVA (NELSON RODRIGUES)
- CRÔNICAS DE NELSON RODRIGUES*
Todas as listas do gênero 'as melhores obras', 'as mais importantes', são questionáveis. A primeira coisa a fazer é delimitar um certo espaço de tempo. Optei por ir do 'Descobrimento' à chamada Geração de 45, seguindo uma sequência cronológica (sem hierarquia entre as obras). A lista que coloco aqui segue preferências pessoais, e noções de importância de acordo com minhs convicções. Por outro lado, há obras que, seguramente figurariam em qualquer antologia: alguém questiona Dom Casmurro, por exemplo?
Apesar da relatividade, é um exercício interessante fazer essa lista. Faça a sua! Você discorda de alguma obra colocada aqui? 'Sugere outra que tenha sido injustiçada'? FAÇA SEU COMENTÁRIO!
UFF aprova utilização do novo Enem no vestibular

Proposta foi aceita por unanimidade pelos membros do conselho
04/05/2009 - 10:02
EPTV.com - Marcos Paulino
O Conselho de Ensino e Pesquisa da UFF (Universidade Federal Fluminense) aprovou por unanimidade um novo modelo de vestibular, a ser aplicado em 2010, incluindo as questões objetivas do novo Enem como forma de avaliação na primeira fase. Desta forma, a UFF acolhe a proposta do Comitê de Governança (Inep/MEC e reitores) de utilização do Enem nos concursos vestibulares das instituições federais de ensino superior (Ifes).
Segundo o pró-reitor de Assuntos Acadêmicos, Sidney Mello, o tema foi debatido no Fórum de Coordenadores de Graduação, reunindo 45 cursos de Niterói e do interior do Estado do Rio de Janeiro, realizado em 28 de abril.
Esta é a proposta, aprovada na íntegra:
1º) Adoção no próximo vestibular de um modelo que combine o novo Enem com as duas etapas de provas elaboradas pela UFF, ou seja, que conjugue a avaliação universal de aproveitamento do ensino médio (novo Enem) com a avaliação do desempenho dos candidatos proposta pela UFF;
2º) Utilização dos resultados obtidos pelos candidatos no novo Enem para compor, por média aritmética, a nota final da primeira etapa do vestibular, que continuará sendo eliminatória;
3º) Na primeira etapa da UFF, os candidatos farão provas com questões pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso escolhido, sendo que as questões de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa serão comuns a todas as áreas;
4º) A segunda etapa manterá as características atuais, com provas discursivas abordando questões específicas da área de escolha do candidato;
5º) O programa de vestibular da UFF deverá se aproximar o máximo possível do programa que servirá de base para o novo Enem;
6º) Manter o programa de reserva de 20% das vagas para professores da rede pública que concorrem a cursos de licenciatura.
O coordenador do vestibular da UFF, professor Néliton Ventura, explica que, nesta proposta, a primeira fase do concurso, que é eliminatória, será constituída por duas provas com pesos iguais, sendo uma composta de 200 questões objetivas do novo Enem e a outra pela prova objetiva da UFF, contemplando grandes áreas do conhecimento.
Para ser habilitado à segunda fase, o candidato deve obter um número de acertos igual ou superior à média aritmética das duas provas, com exceção, em ambas, das questões de língua estrangeira, respeitado o limite máximo de oito e o mínimo de três vezes o número de vagas oferecido pelos cursos. A segunda fase do concurso não sofrerá mudanças.
Segundo Ventura, em 2010, os estudantes da rede pública estadual e municipal que passarem para a segunda fase terão, além do bônus de 10%, concedidos desde 2008, mais 5% sobre a nota final, caso tenham alcançado rendimento acima de 70% no novo Enem.
sábado, 2 de maio de 2009
A Margarida Enlatada (Caio Fernando Abreu)

I
Foi de repente. Nesse de repente, ele ia indo pelo meio do aterro quando viu um canteiro de margaridas. Margarida era um negócio comum: ele via sempre margaridas quando ia para sua indústria, todas as manhãs. Margaridas não o comoviam, porque não o comoviam levezas. Mas exatamente de repente, ele mandou o chofer estacionar e ficou um pouco irritado com a confusão de carros às suas costas. O motorista precisou parar um pouco adiante, e ele teve que caminhar um bom pedaço de asfalto para chegar perto do canteiro. Estavam ali, independentes dele ou de qualquer outra pessoa que gostasse ou não delas: aquelas coisas vagamente redondas, de pétalas compridas e brancas agrupadas em torno dum centro amarelo, granuloso. Margaridas. Apanhou uma e colocou-a no bolso do paletó.
Diga-se em seu favor que, até esse momento, não premeditara absolutamente nada. Levou a margarida no bolso, esqueceu dela, subiu pelo elevador, cumprimentou as secretárias, trancou-se em sua sala. Como todos os dias, tentou fazer todas as coisas que todos os dias fazia. Não conseguiu. Tomou café, acendeu dois cigarros, esqueceu um no cinzeiro do lado direito, outro no cinzeiro do lado esquerdo, acendeu um terceiro, despediu três funcionários e passou uma descompostura na secretária. Foi só ao meio-dia que lembrou da margarida, no bolso do paletó. Estava meio informe e desfolhada, mas era ainda uma margarida. Sem saber exatamente por que, ficou pensando em algumas notícias que havia lido dias antes: o índice de suicídios nos países superdesenvolvidos, o asfalto invadindo as áreas verdes, a solidão, a dor, a poluição, a loucura e aquelas coisas sujas, perigosas e coloridas a que chamavam jovens. De repente, a luz. Brotou. Deu um grito:
—É isso!
Chamou imediatamente um dos redatores para bolar um slogan e esqueceu de almoçar e telefonou para suas plantações e mandou que preparassem a terra para novo plantio e ordenou a um de seus braços-direitos que comprasse todos os pacotes de sementes encontráveis no mercado depois achou melhor importá-las dos mais variados tamanhos cores e feitios depois voltou atrás e achou melhor especializar-se justamente na mais banal de todas aquela vagamente redonda de pétalas brancas e miolo granuloso e conseguiu organizar em poucos minutos toda uma equipe altamente especializada e contratou novos funcionários e demitiu outros e precisou tomar uma bolinha para suportar o tempo todo o tempo todo tinha consciência da importância do jogo exaustou afundou noite adentro sem atender aos telefonemas da mulher ao lado da equipe batalhando não podia perder tempo quase à meia-noite tudo estava resolvido e a campanha seria lançada no dia seguinte não podia perder tempo comprou duas ou três gráficas para imprimir os cartazes e mandou as fábricas de latas acelerar sua produção precisava de milhões de unidades dentro de quinze dias prazo máximo porque não podia perder tempo e tudo pronto voltou pelo meio do aterro as margaridas fantasmagóricas reluzindo em branco entre o verde do aterro a cabeça quase estourando de prazer e a sensação nítida clara definida de não ter perdido tempo. Dormiu.
II
No dia seguinte, acordou mais cedo do que de costume e mandou o chofer rodar pela cidade. Os cartazes. As ruas cheias de cartazes, as pessoas meio espantadas, desceu, misturou-se com o povo, ouviu os comentários, olhou, olhou. Os cartazes. O fundo negro com uma margarida branca, redonda e amarela, destacada, nítida. Na parte inferior, o slogan:
Ponha uma margarida na sua fossa.
Sorriu. Ninguém entendia direito. Dúvidas. Suposições: um filme underground, uma campanha antitóxicos, um livro de denúncia. Ninguém entendia direito. Mas ele e sua equipe sabiam. Os jornais e revistas das duas semanas seguintes traziam textos, fotos, chamadas:
O índice de poluição dos rios é alarmante.
Não entre nessa.
Ponha uma margarida na sua fossa.
Ou
O asfalto ameaça o homem e as flores.
Cuidado.
Use uma margarida na sua fossa.
Ou
A alegria não é difícil.
Fique atento no seu canto.
Basta uma margarida na sua fossa.
Jingles. Programas de televisão. Horário nobre. Ibope. Procura desvairada de margaridas pelas praças e jardins. Não eram encontradas. Tinham desaparecido misteriosamente dos parques, lojas de flores, jardins particulares. Todos queriam margaridas. E não havia margaridas. As fossas aumentaram consideravelmente. O índice de alcoolismo subiu. A procura de drogas também. As chamadas continuavam.
O índice de suicídios no país aumentou em 50%.
Mantenha distância.
Há uma margarida na porta principal.
Contratos. Compositores. Cibernéticos. Informáticos. Escritores. Artistas plásticos. Comunicadores de massa. Cineastas. Rios de dinheiro corriam pelas folhas de pagamento. Ele sorria. Indo ou vindo pelo meio do aterro, mandava o motorista ligar o rádio e ficava ouvindo notícias sobre o surto de margaridite que assolava o país. Todos continuavam sem entender nada. Mas quinze dias depois: a explosão.
As prateleiras dos supermercados amanheceram repletas do novo produto. As pessoas faziam filas na caixa, nas portas, nas ruas. Compravam, compravam. As aulas foram suspensas. As repartições fecharam. O comércio fechou. Apenas os supermercados funcionavam sem parar. Consumiam. Consumavam. O novo produto:
margaridas cuidadosamente acondicionadas em latas, delicadas latas acrílicas. Margaridas gordas, saudáveis, coradas em sua profunda palidez. Mil utilidades: decoração, alimentação, vestuário, erotismo. Sucesso absoluto. Ele sorria. A barriga aumentava. Indo e vindo pelo aterro, mergulhado em verde, manhã e noite — ele sorria. Sociólogos do mundo inteiro vieram examinar de perto o fenômeno. Líderes feministas. Teóricos marxistas. Porcos chauvinistas. Artistas arrivistas. Milionários em férias. A margarida nacional foi aclamada como a melhor do mundo: mais uma vez a Europa se curvou ante o Brasil.
Em seguida começaram as negociações para exportação: a indústria expandiu-se de maneira incrível. Todos queriam trabalhar com margaridas enlatadas. Ele pontificava. Desquitou-se da mulher para ter casos rumorosos com atrizes em evidência. Conferências. Debates. Entrevistas. Tornou-se uma espécie de guru tropical. Comentava-se em rodinhas esotéricas que seus guias seriam remotos mercadores fenícios. Ele havia tornado feliz o seu país. Ele se sentia bom e útil e declarou uma vez na televisão que se julgava um homem realizado por poder dar amor aos outros. Declarou textualmente que o amor era o seu país. Comentou-se que estaria na sexta ou sétima grandeza. Místicos célebres escreviam ensaios onde o chamavam de mutante, iniciado, profeta da Era de Aquarius. Ele sorria. Indo e vindo. Até que um dia, abrindo uma revista, viu o anúncio:
Margarida já era, amizade.
Saca esta transa:
O barato é avenca.
III
Não demorou muito para que tudo desmoronasse. A margarida foi desmoralizada. Tripudiada. Desprestigiada. Não houve grandes problemas. Para ele, pelo menos. Mesmo os empregados, tiveram apenas o trabalho de mudar de firma, passando-se para a concorrente. O quente era a avenca. Ele já havia assegurado o seu futuro — comprara sítios, apartamentos, fazendas, tinha gordos depósitos bancários na Suíça. Arrasou com napalm as plantações deficitárias e precisou liquidar todo o estoque do produto a preços baixíssimos. Como ninguém comprasse, retirou-o de circulação e incinerou-o.
Só depois da incineração total é que lembrou que havia comprado todas as sementes de todas as margaridas. E que margarida era uma flor extinta. Foi no mesmo dia que pegou a mania de caminhar a pé pelo aterro, as mãos cruzadas atrás, rugas na testa. Uma manhã, bem de repente, uma manhã bem cedo, tão de repente quanto aquela outra, divisou um vulto em meio ao verde. O vulto veio se aproximando. Quando chegou bem perto, ele reconheceu sua ex-esposa.
Ele perguntou:
– Procura margaridas?
Ela respondeu:
– Já era.
Ele perguntou:
– Avencas?
Ela respondeu:
– Falou.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Redação On-Line: Proposta sobre o tema "Trabalho"
Inaugurando a sessão REDAÇÃO ON-LINE, selecionamos a proposta de redação da UNICAMP 2000, enfocando a questão do trabalho como temática. Analise as proposições e faça seu texto!
SAIBA COMO TER SUA REDAÇÃO CORRIGIDA E COMENTADA
Envie um e-mail para ediralonso@hotmail.com
Prova de Redação UNICAMP 2000
Literatube: Especial do Dia do Trabalho - Conto "O Arquivo" de Victor Giudice
Selecionamos como reflexão para o Dia do Trabalho o conto "O Arquivo", interpretado por Antonio Abujamra. Uma abordagem surpeendente sobre a coisificação do trabalhador em um texto que, na década de 50, antevê a espoliação do trabalhador no capitalismo pós-moderno.
*Vídeo da Série "Contos da Meia-Noite", da TV Cultura.
Estudantes contra novo vestibular
Mudanças na estrutura do vestibular, propostas pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, mobilizou cerca de 1,5 mil alunos em protesto que começou na avenida Agamenon Magalhães
*Da Folha de Pernambuco - 30.04.2009
www.folhape.com.br
As recentes mudanças na estrutura do vestibular, propostas pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, mobilizou cerca de 1,5 mil alunos de escolas públicas e privadas e de cursos pré-vestibulares do Recife, ontem no final da manhã, em protesto que começou na avenida Agamenon Magalhães, culminando na Conde da Boa Vista, no Centro da Capital. A reivindicação estudantil bate de frente com o conjunto de medidas decretadas pelo Ministério da Educação (MEC), como a unificação de vagas das universidades federais do País, migração da prova tradicional para o novo Enem, que passa a ser a mesma prova para todo o Brasil com 200 questões de caráter interpretativo e redação, além da antecipação as avaliações para os dias 3 e 4 de outubro. Até o momento, nem a Universidade Federal nem a Universidade Federal Rural de Pernambuco adotaram o novo modelo.
Segundo o professor de História e diretor do curso de pré-vestibular Nicarágua, Arthur Gonçalves, essas medidas beneficiam alunos das regiões Sul e Sudeste que, segundo ele, têm qualidade de ensino superior aos estudantes do Norte e Nordeste. “Somos a favor de mudar o atual vestibular, desde que seja discutido com a sociedade. O que o ministro quer é voltar a época do coronelismo, empurrando uma medida de cima para baixo, atrasando a educação local. Ele (Haddad) e os reitores precisam conhecer a realidade das escolas antes de propor mudanças”, disparou. Resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008 apontam que, das 50 piores escolas do Brasil, 29 estão localizadas no Nordeste. Em seguida aparece o Centro-Oeste, com nove; Norte, com sete; Sudeste, com quatro; e Sul, com uma. Todas elas tiveram notas entre 25 a 33 pontos. Entre as 50 melhores, apenas seis instituições nordestinas se destacaram.
O professor Adelmo Vasconcelos disse que essa modificação no vestibular afeta diretamente a rotina das escolas e cursos preparatórios. “Isso porque nenhum estudante frequentaria as aulas depois das avaliações, em outubro. Assim, teríamos perda de receita o que pode acarretar em demissões de docentes e até mesmo fechamento de pequenas instituições. Tudo está sendo muito precipitado”, previu.
A presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uesp), Thays Santos, contou que essa mudança “passa uma falsa ideia de crescimento no número de estudantes ingressando no ensino superior”. “O que precisamos é ter mais vagas nas universidades”, disse. “Essa mudança favorece a elite, que tomará os nossos lugares, pois terão mais chances de ocupar as vagas de graduações locais que são referências em todo o País”, destacou a estudante do 3° do ano Ensino Médio Camila de Paula. De acordo com o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Gilberto Araújo, no dia 13 de maio estão programadas diversas manifestações nas principais capitais do Brasil, em protesto contra o novo vestibular.
