sábado, 6 de junho de 2009

Liminar proíbe UFPel de utilizar novo ENEM como critério único de seleção

Medida poderia configurar em irreparável prejuízo aos estudantes

Atendendo a uma ação civil pública ajuizada pela Procuradoria da República, a Justiça Federal reconheceu ontem, 4 de junho, a ilegalidade da medida adotada pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), que havia decidido, em reunião de seu Conselho de Ensino, adotar o processo seletivo unificado do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como critério de seleção para acesso aos cursos superiores já no ano letivo de 2010. A ação civil pública foi ajuizada no fim do mês passado pelo procurador da República em Pelotas Max dos Passos Palombo.

De acordo com decisão do juiz federal substituto Everson Guimarães Silva, a medida poderia configurar irreparável prejuízo aos estudantes em vias de concluir o ensino médio ou que estavam preparando-se para o vestibular, dada a impossibilidade de haver uma preparação adequada.

Na inicial da ação, o procurador da República justificou que a alteração determinada pela Ufpel acarretou em mudança abrupta na preparação dos estudantes do ensino médio que pretendem ingressar na universidade.

Max dos Passos Palombo entende que a Lei de Diretrizes Básicas (LDB)da educação prevê a necessidade de as universidades, ao decidirem sobre seus critérios de seleção, levarem em conta o impacto que essas medidas acarretam na orientação do ensino médio (art. 51 da LDB). No seu entender, a mudança só poderia ser feita a partir da alteração do estatuto da instituição, o que não ocorreu.

O juiz federal de Pelotas determinou que a liminar seja cumprida com urgência. A Ufpel pode recorrer da decisão.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia Mundial do Meio Ambiente: A Internacionalização da Amazônia na opinião de Cristovão Buarque


Durante debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, CRISTOVÃO BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta do Sr. Cristovão Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar o diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as Reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano.

Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.

Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.

Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!".

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Contos do Mundo: Vicente (Miguel Torga)


Autor: Miguel Torga
País de Origem: Portugal
Publicação Original: 1940 ("Bichos")



Vicente

Naquela tarde, à hora em que o céu se mostrava mais duro e mais sinistro, Vicente abriu as asas negras e partiu. Quarenta dias eram já decorridos desde que, integrado na leva dos escolhidos, dera entrada na Arca. Mas desde o primeiro instante que todos viram que no seu espírito não havia paz. Calado e carrancudo, andava de cá para lá numa agitação contínua, como se aquele grande navio onde o Senhor guardara a vida fosse um ultraje à criação. Em semelhante balbúrdia - lobos e cordeiros irmanados no mesmo destino -, apenas a sua figura negra e seca se mantinha inconformada com o procedimento de Deus. Numa indignação silenciosa, perguntava:- a que propósito estavam os animais metidos na confusa questão da torre de Babel? Que tinham que ver os bichos com as fornicações dos homens, que o Criador queria punir? Justos ou injustos, os altos desígnios que determinavam aquele dilúvio batiam de encontro a um sentimento fundo, de irreprimível repulsa. E, quanto mais inexorável se mostrava a prepotência, mais crescia a revolta de Vicente.

Quarenta dias, porém, a carne fraca o prendeu ali. Nem mesmo ele poderia dizer como descera do Líbano para o cais de embarque e, depois, na Arca, por tanto tempo recebera das mãos servis de Noé a ração quotidiana. Mas pudera vencer-se. Conseguira, enfim, superar o instinto da própria conservação, e abrir as asas de encontro à imensidão terrível do mar.

A insólita partida foi presenciada por grandes e pequenos num respeito calado e contido. Pasmados e deslumbrados, viram-no, temerário, de peito aberto, atravessar o primeiro muro de fogo com que Deus lhe quis impedir a fuga, sumir-se ao longe nos confins do espaço. Mas ninguém disse nada. O seu gesto foi naquele momento o símbolo da universal libertação. A consciência em protesto activo contra o arbítrio que dividia os seres em eleitos e condenados.

Mas ainda no íntimo de todos aquele sabor de resgate, e já do alto, larga como um trovão, penetrante como um raio, terrível, a voz de Deus:

- Noé, onde está o meu servo Vicente?

Bípedes e quadrúpedes ficaram petrificados. Sobre o tombadilho varrido de ilusões, desceu, pesada, uma mortalha de silêncio.

Novamente o Senhor paralisara as consciências e o instinto, e reduzia a uma pura passividade vegetativa o resíduo da matéria palpitante.

Noé, porém, era homem. E, como tal, aprestou as armas de defesa.

- Deve andar por aí...Vicente! Vicente! Que é do Vicente?!...

Nada.

- Vicente!...Ninguém o viu? Procurem-no!

Nem uma resposta. A criação inteira parecia muda.

- Vicente! Vicente! Em que sítio é que ele se meteu?

Até que alguém, compadecido da mísera pequenez daquela natureza, pôs fim à comédia.

- Vicente fugiu...

- Fugiu? Fugiu como?

- Fugiu...Voou...

Bagadas de suor frio alagaram as têmporas do desgraçado. De repente, bambearam-lhe as pernas e caiu redondo no chão.

Na luz pardacenta do céu houve um eclipse momentâneo. Pelas mãos invisíveis de quem comandava as fúrias, como que passou, rápido, um estremecimento de hesitação.

Mas a divina autoridade não podia continuar assim, indecisa, titubeante, à mercê da primeira subversão. O instante de perplexidade durou apenas um instante. Porque logo a voz de Deus ribombou de novo pelo céu imenso, numa severidade tonitruante.

- Noé, onde está o meu servo Vicente?

Acordado do desmaio poltrão, trémulo e confuso, Noé tentou justificar-se.

- Senhor, o teu servo Vicente evadiu-se. A mim não me pesa a consciência de o ter ofendido, ou de lhe haver negado a ração devida. Ninguém o maltratou aqui. Foi a sua pura insubmissão que o levou... Mas perdoa-lhe, e perdoa-me também a mim... E salva-o, que, como tu mandaste, só o guardei a ele...

- Noé!...Noé!...

E a palavra de Deus, medonha, toou de novo pelo deserto infinito do firmamento. Depois, seguiu-se um silêncio mais terrível ainda. E, no vácuo em que tudo parecia mergulhado, ouvia-se, infantil, o choro desesperado do Patriarca, que tinha então seiscentos anos de idade.

Entretanto, suavemente, a Arca ia virando de rumo. E a seguir, como que guiada por um piloto encoberto, como que movida por uma força misteriosa, apressada e firme - ela que até ali vogara indecisa e morosa ao sabor das ondas -, dirigiu-se para o sítio onde quarenta dias antes eram os montes da Arménia.

Na consciência de todos a mesma angústia e a mesma interrogação. A que represálias recorreria agora o Senhor? Qual seria o fim daquela rebelião?

Horas e horas a Arca navegou assim, carregada de incertezas e terror. Iria Deus obrigar o corvo a regressar à barca? Iria sacrificá-lo, pura e simplesmente, para exemplo? Ou que iria fazer? E teria Vicente resistido à fúria do vendaval, à escuridão da noite e ao dilúvio sem fim? E, se vencera tudo, a que paragens arribara? Em que sítio do universo havia ainda um retalho de esperança?

Ninguém dava resposta às próprias perguntas. Os olhos cravavam-se na distância, os corações apertavam-se num sentimento de revolta impotente, e o tempo passava.

Subitamente, um lince de visão mais penetrante viu terra. A palavra, gritada a medo, por parecer ou miragem ou blasfémia, correu a Arca de lés a lés como um perfume. E toda aquela fauna desiludida e humilhada subiu acima, ao convés, no alvoroço grato e alentador de haver ainda chão firme neste pobre universo.

Terra! Nem planaltos, nem veigas, nem desertos. Nem mesmo a macicez tranquilizadora dum monte... Mas bastava. Para quantos o viam, o pequeno penhasco resumia a grandeza do mundo. Encarnava a própria realidade deles, até ali transfigurados em meros fantasmas flutuantes. Terra! Uma minúscula ilha de solidez no meio dum abismo movediço, e nada mais importava e tinha sentido.

Terra! Desgraçadamente, a doçura do nome trazia em si um travor. Terra...Sim, existia ainda o ventre quente da mãe. Mas o filho? Mas Vicente, o legítimo fruto daquele seio?

Vicente, porém, vivia. À medida que a barca se aproximava, foi-se clarificando na lonjura a sua presença esguia, recortada no horizonte, linha severa que limitava um corpo, e era ao mesmo tempo um perfil de vontade.

Chegara! Conseguira vencer! E todos sentiram na alma a paz da humilhação vingada.

Simplesmente, as águas cresciam sempre, e o pequeno outeiro, de segundo a segundo, ia diminuindo.

Terra! Mas uma porção de tal modo exígua, que até os mais confiados a fixavam ansiosamente, como a defendê-la da voragem. A defendê-la e a defender Vicente, cuja sorte se ligara inteiramente ao telúrico destino.

Ah, mas estavam "rotas as fontes do grande abismo e abertas as cataratas do céu!" E homens e animais começaram a desesperar diante daquele submergir irremediável do último reduto da existência activa. Não, ninguém podia lutar contra a determinação de Deus. Era impossível resistir ao ímpeto dos elementos, comandados pela sua implacável tirania.

Transida, a turba sem fé fitava o reduzido cume e o corvo pousado em cima. Palmo a palmo, o cabeço fora devorado. Restava dele apenas o topo, sobre o qual, negro, sereno, único representante do que era raiz plantada no seu justo meio, impávido, permanecia Vicente. Como um espectador impessoal, seguia a Arca que vinha subindo com a maré. Escolhera a liberdade, e aceitara desde esse momento todas as consequências da opção. Olhava a barca, sim, mas para encarar de frente a degradação que recusara.

Noé e o resto dos animais assistiam mudos àquele duelo entre Vicente e Deus. E no espírito claro ou brumoso de cada um, este dilema, apenas: ou se salvava o pedestal que sustinha Vicente, e o Senhor preservava a grandeza do instante genesíaco - a total autonomia da criatura em relação ao criador -, ou, submerso o ponto de apoio, morria Vicente, e o seu aniquilamento invalidava essa hora suprema. A significação da vida ligara-se indissoluvelmente ao acto de insubordinação. Porque ninguém mais dentro da Arca se sentia vivo. Sangue, respiração, seiva de seiva, era aquele corvo negro, molhado da cabeça aos pés, que, calma e obstinadamente, pousado na derradeira possibilidade de sobrevivência natural, desafiava a omnipotência.

Três vezes uma onda alta, num arranco de fim, lambeu as garras do corvo, mas três vezes recuou. A cada vaga, o coração frágil da Arca, dependente do coração resoluto de Vicente, estremeceu de terror. A morte temia a morte.

Mas em breve se tornou evidente que o Senhor ia ceder. Que nada podia contra àquela vontade inabalável de ser livre.

Que, para salvar a sua própria obra, fechava, melancolicamente, as comportas do céu.

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O AUTOR:


Escritor português natural, de São Martinho de Anta, Vila Real. Proveniente de uma família humilde, teve uma infância rural dura, que lhe deu a conhecer a realidade do campo, sem bucolismos, feita de árduo trabalho contínuo. Após uma breve passagem pelo seminário de Lamego, emigrou com 13 anos para o Brasil, onde durante cinco anos trabalhou na fazenda de um tio, em Minas Gerais, como capinador, apanhador de café, vaqueiro e caçador de cobras. De regresso a Portugal, em 1925, concluiu o ensino liceal e frequentou em Coimbra o curso de Medicina, que terminou em 1933. Exerceu a profissão de médico em São Martinho de Anta e em outras localidades do país, fixando-se definitivamente em Coimbra, como otorrinolaringologista, em 1941.

Ligado inicialmente ao grupo da revista Presença, dele se desligou em 1930, fundando nesse mesmo ano, com Branquinho da Fonseca (outro dissidente), a Sinal, de que sairia apenas um número. Em 1936, lançou outra revista, Manifesto, também de duração breve.

A sua saída da Presença reflecte uma característica fundamental da sua personalidade literária, uma individualidade veemente e intransigente, que o manteve afastado, por toda a vida, de escolas literárias e mesmo do contacto com os círculos culturais do meio português. A esta intensa consciência individual aliou-se, no entanto, uma profunda afirmação da sua pertença à natureza humana, com que se solidariza na oposição a todas as forças que oprimam a energia viva e a dignidade do homem, sejam elas as tiranias políticas ou o próprio Deus. Miguel Torga, tendo como homem a experiência dos sofrimentos da emigração e da vida rural, do contacto com as misérias e com a morte, tornou-se o poeta do mundo rural, das forças telúricas, ancestrais, que animam o instinto humano na sua luta dramática contra as leis que o aprisionam. Nessa revolta consiste a missão do poeta, que se afirma tanto na violência com que acusa a tirania divina e terrestre, como na ternura franciscana que estende, de forma vibrante, a todas as criaturas no seu sofrimento. Mas essa revolta, por outro lado, não corresponde a uma arreligiosidade ou recusa da transcendência.
A sua obra, recheada de simbologia bíblica, encontra-se, antes, imersa num sentido divino que transfigura a natureza e dignifica o homem no seu desafio ou no seu desprezo face ao divino. A ligação à terra, à região natal, a Portugal, à própria Península Ibérica e às suas gentes, é outra constante dos textos do autor. Ela justifica o profundo conhecimento que Torga procurou ter de Portugal e de Espanha, unidos no conceito de uma Ibéria comum, pela rudeza e pobreza dos seus meios naturais, pelo movimento de expansão e opressões da história, e por certas características humanas definidoras da sua personalidade. A intervenção cívica de Miguel Torga, na oposição ao Estado Novo e na denúncia dos crimes da guerra civil espanhola e de Franco, valeu-lhe a apreensão de algumas das suas obras pela censura e, mesmo, a prisão pela polícia política portuguesa.

Contista exímio, romancista, ensaísta, dramaturgo, autor de mais de 50 obras publicadas desde os 21 anos, estreou-se em 1928 com o volume de poesia Ansiedade. Também em poesia, publicou, entre outras obras, Rampa (1930), O Outro Livro de Job (1936), Lamentação (1943), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem (1950), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (1954) e Orfeu Rebelde (1958). Na ficção em prosa, escreveu Pão Ázimo (1931), Criação do Mundo. Os Dois Primeiros Dias (1937, obra de fundo autobiográfico, continuada em O Terceiro Dia da Criação do Mundo, 1938, O Quarto Dia da Criação do Mundo, 1939, O Quinto Dia da Criação do Mundo, 1974, e O Sexto Dia da Criação do Mundo, 1981), Bichos (1940), Contos da Montanha (1941), O Senhor Ventura (1943, romance), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (1945) e Fogo Preso (1976).

É ainda autor de peças de teatro (Terra Firme e Mar, 1941; O Paraíso, 1949; e Sinfonia, poema dramático, 1947) de volumes de impressões de viagens (Portugal, 1950; Traço de União, 1955) e de um Diário em dezasseis volumes, publicado entre 1941 e 1994. Notável pela sua técnica narrativa no conto, pela expressividade da sua linguagem, frequentemente de cunho popular, mas de uma força clássica, fruto de um trabalho intenso da palavra, conseguiu conferir aos seus textos um ritmo vigoroso e original, a que associa uma imagística extremamente sugestiva e viva.

Várias vezes premiado, nacional e internacionalmente, foram-lhe atribuídos, entre outros, o prémio Diário de Notícias (1969), o Prémio Internacional de Poesia (1977), o prémio Montaigne (1981), o prémio Camões (1989), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1992) e o Prémio da Crítica, consagrando a sua obra (1993).
Em 2000, é publicado Poesia Completa

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Enem reduz número de questões mas não diminui protestos


Exame cujas inscrições começam no dia 15 pela internet terá 180 testes e uma redação

Cinco questões a menos em cada uma das quatro provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não reduziram o nível de ansiedade dos estudantes gaúchos. As provas estão confirmadas para os dias 3 e 4 de outubro em todo o país, dois meses antes do fim do ano letivo no Rio Grande do Sul.

– As aulas vão até dezembro e isso provoca muita insegurança nos alunos dos terceiros anos. As novas regras do vestibular a essa altura podem prejudicar o desempenho, não tanto pelo conhecimento, mas pela ansiedade – reclama a professora Luisa Canella, do grupo Unificado.

No calendário escolar do Estado, as aulas na rede estadual vão até o dia 23 de dezembro. Nas escolas municipais, o prazo pode variar em um período de uma semana. Na rede privada, o protocolo de intenções marca para 20 de dezembro o encerramento do ano letivo.

O uso do Enem como única forma de acesso em quatro das seis universidades federais gaúchas em 2010 também gera revolta no Estado. O Ministério Público foi acionado contra a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e um grupo de vestibulandos pretende mover ação pública para mudar a decisão da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Uma sessão extraordinária na Câmara dos Vereadores está marcada para sexta-feira, às 10h30min, onde estudantes, professores e parlamentares estudarão medidas para tentar impedir a adesão integral da instituição ao Enem. O encontro será no plenário Ana Terra (2º andar da Câmara, na Avenida Loureiro da Silva, 255).

Na semana passada, o presidente da Câmara, Sebastião Melo, garantiu apoio à causa dos estudantes. E convocou a Comissão de Educação, Cultura e Esporte e Juventude para mediar o assunto. Conforme os manifestantes, a luta é para que a universidade aplique uma segunda fase no concurso, o que valorizaria alunos mais preparados para o ingresso em alguns dos cursos mais concorridos e qualificados do país.

As regras do novo Enem já estão definidas. Conforme o edital, os estudantes terão 10 horas, em dois dias, para resolver 180 testes. O número de questões foi reduzido a pedido de reitores, preocupados que a prova fosse muito longa. Estavam previstos inicialmente 200 perguntas. Além das questões de múltipla escolha, o aluno terá de fazer uma redação.

Adventistas farão o Enem em horário diferenciado no sábado

Solução de candidatos sabáticos deixa pendente problema de judeus ortodoxos

Líderes adventistas já concordaram com a proposta do MEC. No sábado, dia 3 de outubro, os candidatos sabáticos, que não podem escrever antes do pôr do sol neste dia, poderão ingressar em pelo menos um local por cidade em que será aplicado o Enem e aguardar até o entardecer para iniciar a prova.

A garantia aliviou a turma do Colégio Adventista de Porto Alegre, uma das 29 escolas da rede no Estado. Todos deverão informar na hora da inscrição a opção religiosa, avisa a assessora da Igreja, Licene Renck.

Se para os adventistas a questão está resolvida, para judeus ortodoxos não houve acordo. No judaísmo, o sábado é sagrado (shabat), e a prova ainda cairá em um feriado (o Sucot).

Conforme Ilse Wofchuk, do Colégio Israelita, a comunidade ortodoxa da Capital é pequena. A Confederação Nacional Israelita pediu a mudança da prova, mas o Inep não vê saída, pois há três feriados judeus em sequência e um adiamento inviabilizaria o Enem.

*Texto do ClicRbs

terça-feira, 2 de junho de 2009

Poesia Comentada: Merda e Ouro (Paulo Leminski)

Merda e ouro


Merda é veneno.
No entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.

(Paulo Leminski)

*do livro Distraídos Venceremos
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De fato, não há nada mais democrático do que uma bela cagada. Mas o que se entende aqui por "cagada"? Eis a pedra de toque na construção do poema: a Plurissignificação, o caráter polissêmico da palavra.
Assim, a palavra cagada e outras correspondentes (merda, bosta...) podem remeter ao sentido denotativo ou à conotação. No primeiro caso, como excremento, produto do processo digestivo, o próprio 'cocô'; no sentido conotativo, 'cagada' pode remeter a 'erro' ou 'imperfeição'.

De qualquer forma, a 'cagada' coloca todos na mesma posição, seja no sentido literal, seja no sentido de que somos imperfeitos, independentemente de nossa condição social, econômica, política, religiosa... ('Cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas'). Dessa forma, tome a questão no sentido que quiser: Quem nunca fez uma cagada?

Mas, conforme os dois últimos versos: Não há merda que se compare à bosta da pessoa amada... Isso soa um pouco ambíguo, não é? Estaria o eu-poético referindo-se à própria pessoa amada ou àquilo que ela fez? Ou ambas as coisas...

Na primeira hipótese, pode-se concluir que, ao refereir-se desta forma à pessoa amada, o eu-lírico revela uma dualidade no amor, algo que condensa, de certa forma, o ódio e o próprio amor. No segundo caso, dir-se-ia não haver nenhum erro ou imperfeição comparável àquele da pessoa que se ama. Se essas idéias não forem mutuamente excludentes, poderemos dizer que, com toda a irritação que isso nos possa causar, mesmo assim, persistimos amando alguém, mesmo com todos os seus defeitos.

E AÍ? QUE LEITURA VOCÊ FAZ DESSE POEMA? DEIXE O SEU COMENTÁRIO!

43 federais decidiram adotar o novo Enem no vestibular 2010


Em todo o país, 43 universidades federais já decidiram que vão adotar o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no vestibular 2010. O MEC (Ministério da Educação) deu prazo até o dia 31 de maio para que as federais manifestassem o interesse de utilizar a avaliação na seleção de alunos.

Entre essas instituições, quatro ainda não tiveram sua criação aprovada pelo Congresso Nacional. Assim, 39 das 55 federais já em funcionamento utilizarão o novo Enem de algum modo no processo seletivo para ingresso em 2010.

CONFIRA O MAPA COM A SITUAÇÃO DE CADA UNIVERSIDADE
*gráfico do portal UOL


O comitê que define as regras da avaliação estipulou quatro maneiras para que as federais pudessem participar da prova:

- com a substituição completa do vestibular - cujo prazo de adesão termina nessa quarta;
- com a troca da primeira fase do vestibular pelo novo Enem;
- utilizando a prova do MEC como um percentual da nota final dos candidatos;
- na seleção para vagas remanescentes.


Adesão integral
Até o momento, 21 instituições de ensino superior federais (dentre as 55 em funcionamento) informaram que vão integrar o sistema único de vestibular do MEC, seja com parte ou com todas as vagas de graduação disponíveis.

As universidades têm liberdade para escolher quais vagas vão fazer parte do sistema unificado do MEC. A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), por exemplo, vai adotar o novo Enem como critério único de seleção apenas para alguns cursos. Medicina, que é o mais concorrido, não fará parte do sistema do MEC, mas vai usar a nota do Enem como primeira fase do processo seletivo.


Indecisos
Embora o prazo para manifestar interesse já tenha esgotado, há seis federais que ainda não definiram sua posição. Outras dez instituições já determinaram que a prova do MEC será descartada para o processo seletivo de 2010.


Como é o novo Enem?
De acordo com a proposta do MEC, a prova do novo Enem será realizada em dois dias. Com 180 testes de múltipla escolha, serão avaliadas as áreas de linguagens; códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias.

Ao se inscrever para a prova, o estudante terá o direito de optar por cinco cursos e instituições e, de acordo com a nota, simular a posição no curso pretendido, em comparação com as notas dos demais concorrentes. No sistema unificado, os pesos das provas podem ser diferentes, caso a instituição queira.

As inscrições devem começar no dia 15 de junho e, de acordo com o cronograma previsto, o prazo máximo para se inscrever é dia 17 de julho.

A proposta prevê a aplicação do novo Enem em 3 e 4 outubro e a divulgação das provas em 4 de dezembro. A divulgação do resultado final, com a correção das redações, foi sugerida para 8 de janeiro do próximo ano.

Federal da Paraíba divulga datas e obras literárias para o vestibular 2010


A UFPB (Universidade Federal da Paraíba) já divulgou as datas do vestibular 2010. As inscrições ocorrerão no período de 12 a 30 de agosto.

De hoje (1º) a 10 de junho, as escolas estaduais da Paraíba poderão se inscrever para que seus alunos obtenham isenção de taxa no vestibular. No período de inscrições, os alunos desas escolas poderão se inscrever pelo site da UFPB.

Veja a lista de leituras obrigatórias do vestibular:

Para os candidatos que, no PSS-2010, se inscreverem apenas para as provas do PSS1, as obras literárias serão:
Cartas chilenas, Tomás Antonio de Gonzaga. São Paulo: Companhia das Letras;
Coração roubado, de Marcos Rey. São Paulo: Global;
O noviço/O judas em sábado de aleluia, de Martins Pena. São Paulo: Ática.

Para os demais candidatos que se inscreverem no PSS-2010, as obras literárias serão:


PSS 1
Cartas chilenas, Tomás Antonio de Gonzaga. São Paulo: Companhia das Letras;
Coração roubado, de Marcos Rey. São Paulo: Global;
Sermões escolhidos, Padre Antônio Vieira. Organização e Coordenação de José Verdosa. São Paulo: Editora Martin Claret.


PSS 2
Casa de pensão, Aluísio Azevedo. São Paulo: Ática;
Os Melhores Poemas de Olavo Bilac, Olavo Bilac. Sel. Marisa Lajolo. São Paulo: Global;
Quincas Borba, Joaquim Maria Machado de Assis. São Paulo: Ática.


PSS 3
Capitães de Areia, Jorge Amado. São Paulo: Companhia das Letras.
O pagador de promessa, Dias Gomes. Rio de Janeiro: Ediouro.
Os melhores poemas de João Cabral de Melo Neto, João Cabral de Melo Neto. (seleção de Antônio Carlos Secchin). São Paulo: Global.


Provas
As provas para candidatos de 1ª ou 2ª séries do ensino médio farão provas nos dias 22 e 23 de novembro. Os da 3ª série farão nos dias 20 e 21 de dezembro.

Para os candidatos que se inscreverem no PSS-2010 apenas para as provas do PSS 1, as provas serão elaboradas de acordo com os novos programas constantes no site da COPERVE.

Para os demais candidatos que se inscreverem no PSS-2010, as provas serão elaboradas de acordo com os programas adotados no PSS-2009.

Outras informações podem ser obtidas no site da UFPB.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Hatoum e Saramago concorrem a prêmio SP de literatura

Agencia Estado

SÃO FRANCISCO XAVIER - Milton Hatoum e José Saramago estão entre os dez escritores finalistas do 2º Prêmio São Paulo de Literatura. O anúncio aconteceu durante o 2º Festival da Mantiqueira, que termina hoje, em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, interior de São Paulo.


O prêmio, concedido pelo governo estadual, tem duas categorias: para estreantes e veteranos. Cada vencedor vai receber R$ 200 mil, o maior concedido na literatura nacional. Os ganhadores serão anunciados no dia 3 de agosto, em cerimônia realizada no Museu da Língua Portuguesa. A edição deste ano teve 217 concorrentes.


Hatoum concorre com "Órfãos do Eldorado", enquanto Saramago participa com "A Viagem do Elefante", ambos editados pela Companhia das Letras. Além deles, classificaram-se: Carola Saavedra, com "Flores Azuis" (Companhia das Letras); João Gilberto Noll, "Acenos e Afagos" (Record); Lívia Garcia-Roza, "Milamor" (Record); Maria Esther Maciel, "O Livro dos Nomes" (Companhia das Letras); Moacyr Scliar, "Manual da Paixão Solitária" (Companhia das Letras); Ronaldo Correia de Brito, "Galileia" (Objetiva); Silviano Santiago, "Heranças" (Rocco); e Walther Moreira Santos, "O Ciclista" (Autêntica Editora).


Entre os estreantes, os finalistas são: Altair Martins, "A Parede no Escuro" (Record); Contardo Calligaris, "O Conto do Amor" (Companhia das Letras); Estevão Azevedo, "Nunca o Nome do Menino" (Terceiro Nome); Francisco Azevedo, "O Arroz De Palma" (Record); Javier Arancibia Contreras, "Imóbile" (7 Letras); Marcus Vinicius de Freitas, "Peixe Morto" (Autêntica Editora); Maria Cecília Gomes dos Reis, "O Mundo Segundo Laura Ni" (Editora 34); Rinaldo Fernandes, "Rita no Pomar" (7 Letras); Sérgio Guimarães, "Zé, Mizé, Camarada André" (Record); e Vanessa Barbara e Emilio Fraia, "O Verão do Chibo" (Objetiva).


Os livros finalistas foram escolhidos após avaliação de júri formado por professores (Ivan Marques e Marcos Moraes), escritores (Menalton Braff e Fernando Paixão), livreiros (Paula Fabrio e José Carlos Honório), críticos literários (Marcelo Pen e Josélia Aguiar) e leitores (Márcia de Grandi e Mario Vitor Santos). A avaliação final será feita por um segundo grupo de jurados.

UFPel Lança Edital para Vestibular de Inverno 2009


Na sexta-feira divulgamos aqui no blog as datas de inscrição e de realização do vestibular de Inverno da UFPel. Hoje (1º/6) saiu o edital, acompanhado do programa de conteúdos e das leituras obrigatórias. Vale lembrar que este será, provavelmente, o último vestibular dessa universidade, pois a prova será substituída pelo novo ENEM a partir do próximo processo seletivo.

Confira tudo sobre o Vestibular de Inverno UFPel 2009:

EDITAL

PROGRAMA DE CONTEÚDOS

LEITURAS OBRIGATÓRIAS

Na parte que nos toca, a Literatura, ESTÃO MANTIDAS AS LEITURAS OBRIGATÓRIAS DO ÚLTIMO VESTIBULAR:

Toámás Aántôánio Gonzaga - Marília de Dirceu

Aluísio Azevedo – O cortiço

Álvares de Azevedo – Noite na taverna

Poesias de Oswald de Andrade e Manuel Bandeira

Castro Alves - O navio negreiro

Machado de Assis – “Uns braços” (conto), "Um esqueleto" (conto) e "A carteira" (conto)

João Simões Lopes Neto – Lendas do sul

Mário de Andrade – Amar verbo intransitivo

João Cabral de Melo Neto - Morte e vida severina

Carlos Drummond de Andrade – A rosa do povo (coletânea de poesias)

Fernando Gabeira - O que é isso, companheiro?
Mário Quintana – Antologia Poética

Luís Antônio de Assis Brasil - Concerto Campestre

Guimarães Rosa - A terceira margem do rio (conto)

Lygia Fagundes Telles - Natal na barca (conto)

Lima Barreto - O triste fim de Policarpo Quaresma

Lya Luft - Perdas e Ganhos

Confira tudo o que já foi publicado aqui sobre a UFPel (Resumos, notícias e análises de provas) - Clique e Confira