domingo, 11 de outubro de 2009

Lula se aliou à "escória política", diz autor do "Rei do Cheiro"


Agraciado três vezes com o Prêmio Jabuti, autor de ensaios, como "Devassos no Paraíso", e romances, como "Ana em Veneza", o escritor paulista João Silvério Trevisan, 65, avalia que o presidente Lula se aliou à "escória política" do país e que políticos e intelectuais apoiadores do PT agora estão mudos, pois viraram "elite cultural". Ele revela ainda que o escândalo do mensalão, revelado pela Folha em 2005, o motivou a terminar o romance "Rei do Cheiro", lançado em agosto deste ano.


Políticos e intelectuais de esquerda viraram elite e se calaram, afirma autor de "Rei do Cheiro"

"O que me parece acontecer no Brasil atual, e eu inseri isso no meu romance, é que nós temos uma vivência de utopia às avessas. Os sinais foram trocados, e nada é o que parece. Aparentemente, a nossa democracia é maravilhosa, mas o que nós temos é o presidente que se dizia de esquerda se juntando com a escória política desse país. Quem manda no Brasil é a elite econômica que financia esses candidatos políticos, e enquanto isso, os intelectuais estão mudos. Parece que não têm mais contribuição a dar sobre um projeto de poder", disse Trevisan à nova edição da revista gratuita "A Capa", que começou a ser distribuída nesta semana, em pontos GLS.

No dia 6 de junho de 2005, a Folha publicou entrevista com o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciava o pagamento de mesada de R$ 30 mil a congressistas da base aliada em troca de apoio político, no escândalo que se tornou conhecido como "mensalão".


"Em 2005, com todas as denúncias do mensalão, interrompi outro romance que estava fazendo e disse: 'agora tenho que dar continuidade ao Rei do Cheiro. Eu estava vendo os personagens que projetava na ficção", afirmou Trevisan à publicação.

O livro mostra a formação dos novos-ricos de São Paulo a partir da história de um rapaz do interior que inicia fortuna ao começar a fabricar produtos cosméticos no fundo de sua loja na 25 de Março. Neste romance, o autor aproxima a ficção da realidade ao amarrar a trama do protagonista Ruan Carlos Coronado a personagens emblemáticos deste início de século, como os bandidos do PCC --que aqui vira Croc, Comando Revolucionário Organizado do Crime.

Nos últimos meses, o escritor viajou pelo país para lançar o "Rei do Cheiro". Agora ele quer retomar o livro "Quarto Escuro", interrompido na época do mensalão. A obra trará "histórias e vivências homossexuais", como descreve o autor, coletadas ao longo da vida. Por conta desse trabalho, ele diz estar lendo "Geração Beat", de Jack Kerouac (1922-1969).

Rei do Cheiro

Autor: João Silvério Trevisan
Editora: Record
Páginas: 320
Quanto: R$ 47,90

Há cinco anos Brasil perdia Fernando Sabino, um de seus maiores escritores


Em 80 anos de vida, o escritor publicou mais de 40 livros, editados no Brasil e no exterior

Considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira do século 20, Fernando Sabino morria há exatos cinco anos, em 11 de outubro de 2004, vítima de um câncer que surgiu em seu fígado e se propagou para outras áreas do corpo.

Autor de títulos de sucesso como "O Encontro Marcado", "O Homem Nu" e "O Grande Mentecapto", o escritor criou o seu próprio epitáfio, que diz: "Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino".

A morte do menino Sabino, nascido em Belo Horizonte no Dia das Crianças, ocorreu um dia antes do consagrado escritor completar 81 anos. Alfabetizado pela mãe aos sete anos, aos 12 ele já era locutor de um programa infantil de rádio. Aos 17, decidiu que seria gramático e escreveu uma crítica sobre o dicionário de Laudelino Freire, que foi publicada no jornal "Mensagem".

Ao lado de Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, Sabino integrava o famoso e talentoso quarteto de escritores mineiros que publicava artigos literários em "O Diário".

Formado em direito, ele exerceu cargos públicos nas secretarias de Finanças e de Agricultura de Minas Gerais, no Registro de Interdições e Tutelas da Justiça, no Rio de Janeiro, na embaixada do Brasil em Londres e no Escritório Comercial do Brasil e no Consulado Brasileiro, em Nova York.

Em julho de 1999, Fernando Sabino ganhou da Academia Brasileira de Letras o prêmio "Machado de Assis" pelo conjunto de sua obra. Em 80 anos de vida, ele escreveu contos e crônicas para diversos jornais e revistas brasileiras, além de ter publicado mais de 40 livros, editados em diversos países.

Confira abaixo alguns dos títulos de Fernando Sabino
*


"O Encontro Marcado" - "Ele faria da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura, um encontro". Uma das obras mais conhecidas de Fernando Sabino, conta a trajetória de Eduardo Marciano, um jovem em desesperada procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida.

História de adolescência e juventude, de prazeres fugidios, desespero, cinismo, desencanto, melancolia e tédio, que se acumulam no espírito do jovem, amadurecendo em um mundo desorientado. Ele vê seu matrimônio quebrar-se quando já não pode abdicar.

Por sua própria experiência, o suicídio deixa de ser uma solução. Nessa paisagem atormentada, ele deve renunciar a si mesmo, para comparecer ao encontro com uma antiga verdade.

Editora: Record
Páginas: 288
Quanto: R$ 31,41


*

"Fernando Sabino" - Arnaldo Bloch faz de um encontro com o escritor numa livraria em Ipanema o ponto de partida para um mergulho nos mistérios que cercam a alma do autor. De uma narrativa que mistura memorialismo, reportagem, registro testemunhal, psicologia e drama, com um toque de linguagem ficcional, emerge um personagem ambivalente: metódico, atrapalhado, sereno, aflito, otimista, entrevado, menino, homem-feito, transparente, enigmático, generoso ciumento, místico, descrente, humano, anedótico. Ao leitor, o convite para desvendar a charada.

Editora: Relume Dumará
Páginas: 160
Quanto: R$ 24,21

*



"O Homem Nu" - Após sua viagem a Cuba, em 1960, o autor compôs esta coletânea de contos. O volume, lançado originalmente no mesmo ano, nasceu a partir de um episódio curioso. E de episódios inusitados, o livro está cheio.

A história que origina o título do livro refere-se ao drama de um homem sem roupa que ao buscar o pão no corredor do seu prédio fica preso do lado de fora de seu apartamento.

A ideia foi parar no cinema, em 1967, interpretado por Paulo José e Leila Diniz, com direção de Roberto Santos. Sabino roteirizou o filme a seu modo. Transformou depois o material em novela ("A Nudez da Verdade"). Em 1994, entrou na trilogia "Aqui Estamos Todos Nus".

Editora: Record
Páginas: 192
Quanto: R$ 26,91

*


"O Grande Mentecapto" - Dezoito dias de trabalho ininterrupto. Esse foi o período que Fernando Sabino levou para finalizar as aventuras e desventuras de Geraldo Viramundo, marcante personagem da ficção brasileira. A obra havia sido iniciada 33 anos antes, em 1946.

O volume elucida as peregrinações de uma figura que simboliza o povo brasileiro. Com uma linguagem que mescla loucura e razão, Sabino retrata um personagem, uma nação, uma sina que pode ser alterada.

A ação desenrola-se em Minas Gerais, porém assume uma universalidade que, por vezes, retoma as origens do romance picaresco medieval.

Editora: Record
Páginas: 240
Quanto: R$ 31,41


*

"A Faca de Dois Gumes" - O livro narra a história do advogado Aldo Tolentino que, se vendo traído pela mulher com seu amigo e colega de escritório, em sua própria casa, planeja o crime perfeito. Ele prepara uma viagem de negócios e embarca para São Paulo a pedido do seu chefe Marco Túlio.

Na capital paulista, ele hospeda-se num hotel, o qual deixa discretamente e volta para Rio de Janeiro, de avião, com passaporte falso. Ao retornar, de surpresa para casa, promove um flagrante nos adúlteros e os mata.

No entanto, Paulo Sérgio, seu filho, chega em casa na madrugada do crime e encontra os cadáveres, tornando-se assim o principal suspeito do crime.

Editora: Record
Páginas: 240
Quanto: R$ 29,61

*


"O Menino no Espelho" - Nesta obra, o menino Fernando, que vem a ser o próprio autor, vive todas as fantasias de sua infância, através de aventuras mirabolantes. Ensina uma galinha a conversar, aprende a voar com os pássaros, fica invisível, encontra-se com Tarzan e Mandrake, visita o sítio do Pica Pau Amarelo, torna-se agente secreto e campeão de futebol, vive aventuras na selva, enfrenta o valentão da sua escola.

E, no menino que vê refletido no espelho, descobre o melhor de si mesmo, a projeção do ideal de pureza que só uma criança pode alcançar - simbolizada na libertação dos passarinhos.

Editora: Record
Páginas: 176
Quanto: R$ 34,90

*

"As Melhores Crônicas de Fernando Sabino" - reúne uma seleção primorosa do autor mineiro, trazendo crônicas publicadas em jornais e revistas durante sua carreira.

São relatos curtos de fatos colhidos ou inspirados na vida real, com tratamento de ficção, em linguagem nítida, sem os ornamentos da retórica tradicional, mas de apurada técnica literária.

As histórias, como a famosa "O Homem Nu", trazem semrpe episódios, incidentes, reflexões, encontros e desencontros vividos por Fernando Sabino, na realidade ou na imaginação.

Sob a aparente singeleza transparecem a sensibilidade, o humor, a ironia e, às vezes, o espírito satírico, mas sobretudo a simpatia do autor pela natureza humana.

Editora: Record
Páginas: 224
Quanto: R$ 29,61

*

"De Cabeça para Baixo" - Com reportagens literárias e jornalísticas, apresenta histórias vividas pelo consagrado cronista brasileiro, que passou por muitos países (para morar ou apenas conhecer) da Europa e até no extremo Oriente, onde se viu de cabeça para baixo.

Usando sua linguagem ágil, viva e predominantemente hilária, Sabino relata o melhor de suas andanças, tropelias e trapalhadas em quase 30 anos de viagens pelo mundo, além do constante "desejo de partir e a alegria de voltar".

Editora: Record
Páginas: 336
Quanto: R$ 29,61

Fonte: Folha Online

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Editora gaúcha publica conto de vencedora do Nobel; leia trecho


Um conto da escritora alemã Herta Müller foi publicado em português pela editora gaúcha L&PM na coletânea "Escombros e Caprichos: o melhor do conto alemão no século 20", de 2004.

"A canção de marchar" é o nome do conto. O livro foi organizado por Rolf G. Renner e Marcelo Backes e também traz um texto da austríaca Jelinek, agraciada com o Nobel de Literatura em 2004.

O único livro de Herta Müller publicado no Brasil é "O Compromisso" (leia trecho), traduzido pela escritora Lya Luft.


"O Compromisso" retrata a vida de jovem na Romênia comunista
Em Portugal, são duas obras da autora traduzidas em português: "O Homem É um Grande Faisão sobre a Terra" e "A Terra das Ameixas Verdes".

Leia trecho inicial do conto "A canção de marchar":

"Sempre que o domingo, conforme dizia papai, chegava ao céu, papai encontrava esses estilhaços na sopa. Papai, na condição de herói alemão da guerra, tinha três deles no pulmão. Eles se mudavam de um lugar a outro. Papai tinha medo de que um dia se mudassem para o coração. Aí será o fim, disse papai.

Um dia os estilhaços chegaram ao rosto de papai, e papai não fez a barba durante vários dias.

Quando eu olhava, papai punha a colher sobre os estilhaços, ou enterrava-os debaixo de um bolinho de batata ou de um pedaço de legume. Na hora de lavar a louça, os estilhaços tiniam em seu prato.

Um dia nós estávamos visitando a irmã de papai e ela serviu uma sopa rala. Papai mais uma vez encontrou os estilhaços em seu prato. E como não pôde enterrá-los debaixo de um bolinho de batata ou de um pedaço de legume, papai engoliu os estilhaços. Todos haviam acabado com a sopa de seus pratos e elogiado os dotes culinários de minha tia.

Depois da refeição as mulheres dançaram umas com as outras. Minha mãe, pequena e seca, dançava, suando, com minha tia gorda. A irmã de meu pai ria, e suas bochechas tremiam o tempo todo."

Crianças passam tempo demais na escola - Questão é levantada por livro lançado em Portugal


A sociedade tem de devolver às crianças o tempo que elas precisam para brincar, defendeu hoje a investigadora Maria José Araújo, que lança sábado o livro Crianças Ocupadas. Como algumas opções erradas estão a prejudicar os nossos filhos


Segundo a investigadora, as crianças entre os seis e os 12 anos «trabalham hoje para e na escola, no seu ofício de alunas, cerca de oito a nove horas diárias, ou seja, cerca de 40 a 45 horas semanais».

«A intenção deste livro é criar um debate público sobre a questão da ocupação das crianças e, de alguma maneira, alertar para o direito das crianças», disse à agência Lusa a investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto.

A desenvolver um trabalho de investigação sobre questões levantadas pelo conceito de Escola a Tempo Inteiro e as Actividades de Enriquecimento Curricular, a autora considera que «as crianças estão muito ocupadas, têm muitos trabalhos e actividades para fazer todos os dias» ficando sem tempo para brincar.

«Essas actividades podiam ser brincar, mas são sempre em função da escola», sublinha, acrescentando que «os pais têm uma preocupação muito excessiva em relação ao tempo escolar».

A investigadora ressalva que escola a tempo inteiro é uma medida óptima, mas as crianças deviam fazer as actividades que elas pudessem escolher.

«A grande questão não é só a quantidade de actividades que fazem, mas o facto da metodologia prevalecente nessas actividades ser sempre orientadas pelos adultos e elas nunca poderem escolher. São aulas atrás das aulas», sustenta.

Para Maria José Araújo, é preciso «repensar o modelo da escola». «Este modelo não pode continuar porque as crianças não aguentam», realçou.

No livro, a autora, que trabalha há 19 anos com crianças, tenta responder às seguintes perguntas: «Fará sentido que, na sociedade contemporânea, as crianças trabalhem mais do que as 40 horas que achamos razoáveis para os adultos? Fará sentido prolongar de tal modo as suas ocupações que não lhes deixamos tempo para brincar e descansar? Será que temos o direito de ocupar e condicionar o tempo livre das crianças depois de um dia de Escola?».

«A angústia dos pais para que as crianças trabalhem muito para ser alguém, como se as crianças não fossem já hoje alguém, pode comprometer tanto o seu presente como o seu futuro», sublinha.

Maria José Araújo explica que este livro é, sobretudo, o «resultado de muitos anos de trabalho com crianças e adultos, de muita brincadeira com ambos e de muita preocupação colectiva sobre as consequências negativas que resultam do excesso de trabalho e de actividade organizada para os mais pequenos».

É, fundamentalmente, um alerta para a questão dos direitos das crianças. «Sobre as crianças aprendi mais com elas do que com os adultos ou com os livros», remata.

O livro Crianças Ocupadas, de Maria José Araújo e editado pela Prime Books, será lançado sábado, pelas 18h00, na Livraria Salta Folhinhas, no Porto.

A apresentação da obra será feita por Agostinho Ribeiro, professor jubilado da Universidade do Porto, e por Dulce Guimarães, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do Porto Oriente e da Associação de Ludotecas do Porto.

Lusa/SOL

Gonçalo M. Tavares elogia escolha de Nobel para Herta Mueller


O escritor Gonçalo M. Tavares elogiou hoje a Academia Sueca por ter atribuído à autora romeno-alemã Herta Mueller o Prémio Nobel da Literatura 2009, porque a sua escrita «não é nada doce», comparando-a a Elfriede Jelinek e Rosa Liksom

«É uma escritora muito, muito forte. Acho que tem um estilo muito radical, com frases curtas, muito forte. O que eu acho que é importante dizer é que ela pertence a um grupo de escritoras de uma violência de escrita muito grande», disse à Lusa Gonçalo M. Tavares.

Nesse grupo, o autor de Jerusalém colocaria, além de Herta Mueller, também Elfriede Jelinek, que também foi Prémio Nobel, e uma escritora finlandesa que é pouco conhecida, Rosa Liksom.

«A Herta Mueller pertence um bocado a esta família de escritoras cuja escrita não é nada doce. E eu acho que é muito significativo o facto de o Prémio Nobel premiar escritoras com este grau de risco na escrita», sublinhou.

Gonçalo M. Tavares escreveu há cerca de um ano uma coluna no Jornal de Letras sobre Herta Mueller, depois de ler as duas obras da autora publicadas em Portugal: A Terra das Ameixas Verdes (Cotovia) e O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra (Difel).

«O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra é um livro fortíssimo e é, dos dois livros dela que eu li, aquele que mais me marcou, porque é muito fragmentado, tem um tipo de escrita que me agrada, porque tenta dizer rapidamente o que quer dizer», frisou o escritor de 39 anos, que publicou a sua primeira obra em 2001, venceu o Prémio José Saramago e é um dos mais prolíficos autores portugueses, com 25 títulos publicados em oito anos.

A escritora romeno-alemã Herta Mueller, de 56 anos, foi quinta-feira distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel da Literatura 2009, por uma obra que, «com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, pinta as paisagens dos desfavorecidos».

Lusa / SOL

Enem: MEC poderá mudar de 5 para 3 número de opções de curso

Além da mudança da data do Enem, o vazamento da prova na semana passada, que foi cancelada e remarcada para 5 e 6 de dezembro, também vai causar outro prejuízo aos estudantes. Segundo informações da assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC), se for necessário, os candidatos a vagas em instituições públicas que passarão pelo processo de seleção unificada - ou seja, apenas pelo Enem - poderão ter apenas três opções de curso, e não mais cinco.

Esta seria uma alternativa proposta pelo ministério para acelerar o processo de seleção dos alunos e prejudicar o mínimo possível as agendas das universidades. Segundo o MEC, a mudança na regra irá depender do calendário do exame, no entanto, a proposta ainda está em processo de análise.

MEC divulga como candidato pode pedir devolução de taxa de inscrição no Enem

O MEC (Ministério da Educação) divulgou, no início da noite desta quinta-feira (8), qual será o procedimento para pedir a devolução de taxa do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Os estudantes que desistirem de fazer a prova deverão entrar em contato com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Para recuperar os R$ 35 da inscrição, quem não vai mais participar da prova deve enviar uma carta fazendo a solicitação para o seguinte endereço:

Inep
SRTVS, Quadra 701, Bloco "M", Edifício Sede do Inep
CEP: 70340-909 Brasília - DF


"Quem não quiser ou não puder esperar, deve enviar uma carta para o Inep fazendo sua solicitação", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. Ele admitiu nesta quinta-feira (8) que o MEC ainda não tem um sistema preparado para fazer o reembolso aos estudantes que não forem fazer o Enem.

"É um direito do estudante fazer o requerimento (de reembolso) ao Inep", disse ao sair de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.


Informações desencontradas
Estudantes que pediram auxíliio sobre o reembolso da taxa do Enem ao Fala Brasil, telefone de atendimento do governo federal, receberam informações desencontradas.

O presidente do Inep, Reynaldo Ferandes, informou, por meio da assessoria de imprensa do MEC, que vai entrar em contato com os serviços para padronizar a resposta aos usuários.


Direitos do candidato
Os mais de 4,1 milhões de estudantes que fariam a prova do Enem antes do vazamento podem, no mínimo, pedir o dinheiro da taxa de inscrição de volta se desistirem de participar da avaliação.

"Taxa de inscrição não tem dúvida [de que é possível reaver]", afirma o advogado Braz Martins Neto, presidente da comissão que organiza o Exame da Ordem da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

O advogado Anis Kfouri Jr, presidente da comissão de serviços públicos da OAB-SP, complementa que "se [for possível] comprovar prejuízo físico ou material", o causador desses danos deve reembolsar os valores ao candidato prejudicado. Por exemplo, se algum estudante já havia viajado para o local da prova antes de ser surpreendido pelo cancelamento do Enem 2009, ele pode pedir que os custos de viagem (transporte e hospedagem) sejam ressarcidos.

Fonte: UOL

Nova data do Enem 2009 cria impasse para calendário da UEL

A UEL (Universidade Estadual de Londrina) foi a única das faculdades que teriam vestibular no mesmo dia do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009 que não mudou a prova de data. Eles se propõem a compatibilizar os horários com a aplicação do exame, desde que o início do Enem passe para às 15h e não 13h, como foi inicialmente proposto. Cerca de 18 universidades já concordaram em mudar seus processos seletivos de data para que não coincidam com o exame do governo.


A universidade, por meio de sua assessoria, diz que não poderia mudar a segunda fase, que ocorre nos dias 6, 7 e 8 de dezembro, para outras datas, pois coincidiria com as provas da UFPR (Universidade Federal do Paraná), da UEM (Universidade Estadual de Maringá) e da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Sobre a possibilidade de fazer o vestibular no meio da semana, a instituição entende que também não seria viável, pois os colégios que são usados nas provas estariam em aulas.

Para que fosse possível realizar o Enem e o vestibular no mesmo dia em Londrina (PR), a UEL afirma que o Enem teria que começar às 15h, para que os candidatos tivessem tempo de se locomover entre uma prova e outra. Por enquanto, o horário das provas da segunda fase do vestibular 2010 - 14h - está mantido.


Governo

De acordo com Reynaldo Fernandes, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão que realiza o Enem, as negociações com a UEL ainda estão abertas. No entanto, ele afirmou nesta quinta-feira (8) que não é mais possível mudar a data do Enem, dado o número de universidades que dependem dele.

A universidade enviou ofício ao MEC (Ministério da Educação) pedindo a alteração. O ministério ainda não se pronunciou sobre o documento. No Orkut, até esta sexta-feira (9), a comunidade da UEL tinha cerca de cem comentários de pessoas contrárias à manutenção da prova do vestibular no dia do exame.

Para essa fase, a UEL espera ter 10 mil candidatos. O curso mais concorrido do processo seletivo é o de medicina, com 54,06 candidatos por vaga. Ao todo, 22.300 estudantes se inscreveram para o vestibular.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Confira a lista dos premiados com o obel de Literatura desde 1960


O Nobel de Literatura é entregue desde 1901. Confira a seguir a lista de vencedores (e o país de origem) desde o ano de 1960:

- 2009: Herta Mueller, Romênia/Alemanha

- 2008: Jean-Marie Gustave Le Clezio, França.

- 2007: Doris Lessing, Grã Bretanha.

- 2006: Orhan Pamuk, Turquia.

- 2005: Harold Pinter, Grã Bretanha.

- 2004: Elfriede Jelinek, Áustria.

- 2003: J.M. Coetzee, África do Sul.

- 2002: Imre Kertesz, Hungria.

- 2001: V.S. Naipaul, Trinidad Tobago/Grã Bretanha.

- 2000: Gao Xingjian, China/França.

- 1999: Guenter Grass, Alemanha.

- 1998: José Saramago, Portugal.

- 1997: Dario Fo, Itália.

- 1996: Wislawa Szymborska, Polônia.

- 1995: Seamus Heaney, Irlanda.

- 1994: Kenzaburo Oe, Japão.

- 1993: Toni Morrison, Estados Unidos.

- 1992: Derek Walcott, Sta. Lucia.

- 1991: Nadine Gordimer, África do Sul.

- 1990: Octavio Paz, México.

- 1989: Camilo Jose Cela, Espanha.

- 1988: Naguib Mahfouz, Egito.

- 1987: Joseph Brodsky, Rússia/EUA.

- 1986: Wole Soyinka, Nigéria.

- 1985: Claude Simon, França.

- 1984: Jaroslav Seifert, Tchecoslovaquia.

- 1983: William Golding, Grã Bretanha.

- 1982: Gabriel García Márquez, Colômbia.

- 1981: Elias Canetti, Bulgária/Grã Bretanha.

- 1980: Czeslaw Milosz, Polônia/EUA.

- 1979: Odysseus Elytis, Grécia.

- 1978: Isaac Bashevis Singer, Polônia/EUA.

- 1977: Vicente Aleixandre, Espanha.

- 1976: Saul Bellow, Canadá/EUA.

- 1975: Eugenio Montale, Itália.

- 1974: Eyvind Johnson e Harry Martinson, Suécia.

- 1973: Patrick White, Grã Bretanha/Austrália.

- 1972: Heinrich Boell, Alemanha Ocidental.

- 1971: Pablo Neruda, Chile.

- 1970: Alexander Solzhenitsyn, Rússia.

- 1969: Samuel Beckett, Irlanda.

- 1968: Yasunari Kawabata, Japão.

- 1967: Miguel A. Asturias, Guatemala.

- 1966: Shmuel Y. Agnon, Polônia/Israel, e Nelly Sachs, Alemanha/Suécia.

- 1965: Mikhail Sholokhov, Rússia.

- 1964: Jean-Paul Sartre, França (recusou o prêmio).

- 1963: Giorgos Seferis, Turquia/Grécia.

- 1962: John Steinbeck, EUA.

- 1961: Ivo Andric, Iugoslávia.

- 1960: Saint-John Perse, Guadalupe/França.

Escritora alemã ganha Nobel de Literatura


Fonte: BBC

A Academia Sueca em Estocolmo anunciou que concedeu o prêmio Nobel de Literatura de 2009 para a escritora romeno-alemã Herta Mueller, por sua habilidade em descrever "a paisagem dos despossuídos".

A escritora de 56 anos publicou seu primeiro livro em 1982 na Romênia, onde nasceu. A coleção de contos retrata a vida em um vilarejo na região de Banat, onde ainda vive uma minoria que fala alemão, língua em que Mueller sempre escreveu.

O livro foi censurado no então país comunista, mas foi lançado dois anos depois em versão original na Alemanha, para onde a escritora emigrou em 1987.

Sua obra é marcada por suas experiências de estranhamento e perseguição política, como no livro O Compromisso, lançado no Brasil pela editora Globo, em que narra as adversidades e humilhações sofridas na Romênia comunista.

Mueller é a 12ª mulher a receber o Nobel de Literatura e o 13º autor a escrever sua obras em alemão.

Tida como uma das favoritas ao prêmio, ao lado do escritor israelense Amos Oz, Herta receberá um prêmio de US$ 1,4 milhão.

Ela lançou pouco menos de 20 livros, entre romances e coleções de contos.