As provas do vestibular 2010 da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) serão realizadas sábado (19), domingo (20) e segunda-feira (21), das 14h às 18h. Estão inscritos no concurso 32.554 vestibulandos, que concorrem a 6.021 vagas em 82 cursos e habilitações, para os campi de Florianópolis, Joinville, Curitibanos e Araranguá.
A organização do processo seletivo recomenda que os candidatos cheguem com pelo menos meia hora de antecedência aos locais de prova, os portões serão fechados às 13h45. Será necessária a apresentação do documento de identidade original, e a confirmação de inscrição com uma foto 5x7 datada do ano de 2009.
O cartão de confirmação de inscrição pode ser consultado no site da UFSC.
Neste sábado (19) serão realizadas as provas de língua portuguesa e literatura brasileira (12 questões); língua estrangeira (oito questões); matemática e biologia (10 questões de cada). No domingo (20) os candidatos respondem as questões de história; geografia; física e química, serão 10 perguntas de cada disciplina. Na segunda-feira (21) serão aplicadas as provas de redação e seis questões discursivas.
A publicação dos gabaritos está prevista para o dia 22 de dezembro, a partir das 9h. A divulgação da lista dos aprovados deverá acontecer nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2010.
* do UOL vestibular
sábado, 19 de dezembro de 2009
UFSC inicia aplicação de provas neste sábado
De fato e ficção (por Daniel Piza)

De fato e ficção
No mundo inteiro, inclusive no Brasil, hoje são lidos mais livros de não-ficção do que de ficção. Ou seja, há mais exemplares e títulos de biografias, ensaios, reportagens, história, autoajuda, didáticos, científicos e outros do que de romances e contos. Mesmo com sucessos como os da série Crepúsculo, histórias românticas de vampiros adolescentes escritas por Stephenie Meyer, o predomínio já não é da novelística. Houve um tempo, como se sabe, em que a narrativa ficcional ocupava o centro da cultura, era a espinha e medula da troca de valores e costumes. No século 19, por exemplo, o grande romance, que mesclava panorama histórico e análise psicológica, como em Tolstoi, Balzac ou George Eliot, dava a medida de uma civilização. Hoje, não mais. Curiosamente, tal mudança não se restringe ao mundo literário. É claro que há mais filmes de ficção, por exemplo, mas o número de documentários no cinema e na TV só tem aumentado (e influenciado até mesmo filmes não documentais). Nas salas brasileiras, um quarto dos filmes em cartaz pertence ao gênero.
O que explica isso? Num arco de tempo mais curto, pode-se pensar que há relação com um mundo cada vez mais globalizado, de notícias que correm na velocidade da luz (ou das trevas), e fatos como os atentados de 11 de setembro de 2001 provocam nas pessoas uma necessidade de entender melhor a realidade que as afeta de modos tão imprevisíveis. Indo um pouco mais atrás, pode-se atribuir a perda de importância da ficção à explosão de outros meios e linguagens, à concorrência de formatos audiovisuais, internet, novas tecnologias etc., que, além de consumir tempo e dividir atenção, têm uma eloquência mais direta; não exigem o grau de concentração que os clássicos exigem. E, num recuo ainda maior, até a virada para o século XX, a ficção tem enfrentado também a ascensão de uma série de disciplinas antes vagas, sem método nem consistência, e que hoje usam e abusam de ferramentas como a estatística – a exemplo da sociologia, da psicologia e da economia.
Eu arrisco outra hipótese adicional, que tem a ver com os rumos tomados pela própria ficção. Talvez porque pressionados por essa multiplicação das fontes de conhecimento e entretenimento, os romances abandonaram parcialmente aquilo que mais os distinguia até a geração modernista de Proust, Mann, Joyce e Kafka: a força dos personagens. Pense em qualquer grande obra literária e pensará num(a) protagonista, não raro citado(a) já no título: Hamlet, Anna Karenina, Bovary, Fausto, Dom Quixote, Pai Goriot, Dom Casmurro... Mas depois dos anos 30 parece que a ficção optou pela metalinguagem, pelo chororô do autor, ou então pelas crônicas policiais ou fantásticas que são lidas para diversão no verão, quando queremos escapar da chatice da rotina. E ainda não querem perder a “briga” para as biografias de figuras históricas e complexas? Mesmo assim, confesso minha nostalgia pelos grandes romances, com seus personagens fortes e suas ambições estéticas. Romances medianos podem facilmente ser substituídos por histórias reais. Obras-primas, não.
*Texto publicado em 17.12.09, no Estadão
Verissimo: erudição, mistério, humor em 'Os espiões' (por Marcelo Moutinho)

Os espiões, de Luis Fernando Verissimo. Alfaguara, 142 páginas. R$ 31,90
*Marcelo Moutinho, escritor e jornalista, no blog Prosa Online (O Globo)
A leitura de “Os espiões” mostra que, ao escrever o primeiro romance sem encomenda, Luis Fernando Verissimo manteve-se fiel a seu estilo e suas obsessões. A exemplo do que acontecia em incursões anteriores pela narrativa longa — como “O jardim do Diabo” e “Borges e os orangotangos eternos” — , na nova obra o autor parte de uma paródia sobre o gênero policial para tratar, com refinado humor, de questões afeitas ao universo da literatura.
Se em “O jardim do Diabo” o protagonista é um escritor de livros baratos, e em “Borges e os orangotangos eternos” o personagem principal trabalha como tradutor, a trama de “Os espiões” gira em torno de um terceiro vértice da geometria literária. Quem narra a história é um editor misantropo, fã de John le Carré e completamente frustrado com sua profissão.
“Nas segundas-feiras estou sempre de ressaca, e os originais que chegam vão direto das minhas mãos trêmulas para o lixo. E nas segundas-feiras minhas cartas de rejeição são ferozes. Recomendo ao autor que não apenas nunca mais nos mande originais como nunca mais escreva uma linha, uma palavra, um recibo”, confessa ele, que faz de sua rotina na editora uma longa espera pelo fim de semana, quando poderá encontrar os colegas de copo no bar do Espanhol e purgar, com um porre, o próprio desalento. “No bar, nossas conversas começavam com a vírgula e depois se expandiam, abrangendo a condição humana e o Universo”, relata.
Esse ramerrão será interrompido quando recebe um envelope que traz as primeiras páginas de um livro que estaria sendo escrito por uma certa Ariadne. Ela promete contar, em sucessivas correspondências, a aventura envolvendo crime e paixão que viveu numa pequena cidade do interior, e sugere um futuro suicídio. A alusão à mitologia grega se evidencia já no nome da personagem, mas Veríssimo inverte o jogo: se, no mito, Ariadne ajuda Teseu a sair do labirinto, em “Os espiões” ela serve de elemento de atração, arrasta todos para dentro dele.
“A literatura de Ariadne era um apelo a Dionísio, qualquer Dionísio, inclusive um de meia-idade com cirrose incipiente, para salvá-lo do seu passado ou mudar o seu destino”, observa o narrador. Inebriado pelas palavras da mulher, ele firmará com seus parceiros de bar uma espécie de “Exército de Brancaleone” para levar à frente o que chamam de Operação Teseu. O objetivo: resgatar a bela e triste Ariadne das mãos de seus malfeitores.
Os soldados desse exército são tipos excêntricos como o professor Fortuna, sujeito que passa os dias a exaltar a própria erudição e diz estar escrevendo “uma resposta à ‘Crítica da razão pura’”, com o título provisório de “Anti Kant”. Para Fortuna, a literatura terminou com Sófocles — “Tudo que veio depois é post scriptum” — e o único mérito de Proust “foi ter dado uma reputação literária à asma”. Entre os parceiros de empreitada, estão também Fulvio Edmar, autor de “Astrologia e amor”, o único best-seller da editora, e o revisor Joel Dubin, um oficialista da língua que se notabiliza pelo rigor na colocação das vírgulas e costuma se apresentar como “poeta menor”.
À medida que o enredo se desenrola, Frondosa, a cidade de Ariadne, transforma-se no centro dos acontecimentos e surgem novos personagens, tão hilários quanto os do princípio do livro. É o caso de Diamantino Reis, chamado de “Uruguaio” mesmo sem ter nascido no país, porque ficou rico ao apostar contra a Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo de 1950. Diamantino virou um pária no lugar, onde convive com um padre surdo em cuja igreja as confissões são feitas aos berros, e um editor de jornal que, saudoso do stalinismo, faz experiências no intento de obter uma flor de “vermelho perfeito”, à qual pretende chamar de Rosa Luxemburgo.
Com ironia, Verissimo vale-se desses tipos para fazer argutas observações sobre as imposturas intelectuais, o provincianismo e a ambição que cada vez mais pessoas têm de se tornarem escritoras. Quase sempre os comentários são sutis, mas em algumas passagens o narrador se permite uma referência mais explícita, como no momento em que repete uma das teses do professor Fortuna. “O professor diz que em vez de endeusar escritores deveríamos louvar os milhões que resistem e não escrevem, e cuja grande contribuição à literatura universal são as folhas que deixam em branco”.
As peripécias da trupe que tenta resgatar Ariadne terminarão de forma surpreendente, num desfecho que, aliás, reforça o ponto essencial desse que constitui um metarromance. Toda a Operação Teseu se assentava sobre a esperança, quase certeza, de que seria possível manipular o destino de outros indivíduos, como o próprio narrador em dado instante reitera: “Na ficção, você pode se meter na vida dos seus personagens o quanto quiser. Pode até matá-los, se desejar. Sem culpa, sem remorso e nunca por acidente. Ou então salvá-los”. Entretanto, aqueles que se queriam agentes ativos de um novo enredo soçobram diante do irremediável dos fatos; quem ambicionava “escrever” a história acaba “sendo escrito” por ela. Indício, talvez, de que a onipotência do escritor é limitada, frágil. É lâmina que não corta fora dos livros.
Patativa, uma homenagem

Patativa, uma homenagem
Por Carla Freitas
Cem anos após o nascimento de Patativa do Assaré, a Universidade Federal do Ceará, nas edições de obras indicadas para o vestibular, homenageia o escritor, lançando uma edição especial da obra ``Cordéis e outros poemas``.
De cunho regionalista, o livro traz textos nos quais há a presença de temáticas sociais bastante recorrentes no dia-a-dia. Autor, também, de ``Inspiração nordestina``, obra principiante desse cearense, nessa ele traz, de maneira concisa, a vida do nordestino, principalmente, além das denúncias que faz à sociedade atual.
Graças à musicalidade, que aprendeu desde a infância, e mesmo com pouca educação, seus textos possuem uma singelidade e um telurismo ricos, que caracterizam seus escritos. Obedece às regras de metrificação e de rimas próprias de cantigas, tornando, assim, sua produção propícia à oralidade.
A universidade cearense já mencionada, graças a sua proposta de estudo e à análise de obras literárias, vem valorizando a literatura regional e, consequentemente, os seus respectivos autores. Vale ressaltar, ainda, que os escritores dos atuais livros indicados são naturais do Ceará.
``Cordéis e outros poemas``, que já, há algum tempo, faz parte das obras utilizadas pela UFC, esse ano, além de servir como exigência aos vestibulandos, tornar-se-á peça fundamental para o reconhecimento desse mestre da cultura popular cearense.
*Carla Freitas - COLEGIO TIRADENTES, PRÉ-VESTIBULAR & MANHÃ
** Texto do Jornal O Povo
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Gabarito FURG 2010 - 1° Dia
1 B ........................31 A
2 E ........................32 A
3 A ........................33 C
4 A ........................34 B
5 C ........................35 B
6 D ........................36 C
7 E ........................37 E
8 B ........................38 D
9 C ........................39 E
10 A .......................40 A
11 C .......................41 E
12 C .......................42 D
13 E .......................43 D
14 D .......................44 C
15 B .......................45 B
16 D .......................46 E
17 A .......................47 B
18 E .......................48 E
19 E .......................49 E
20 A .......................50 A
21 C .......................51 C
22 B .......................52 B
23 B .......................53 D
24 C .......................54 A
25 B .......................55 D
26 D .......................56 B
27 A .......................57 C
28 D .......................58 A
29 E .......................59 A
30 D .......................60 E
Vestibular FURG

CONFIRA O GABARITO DO 1º DIA
Quase 11 mil iniciam vestibular da Furg neste domingo
Os 10.944 candidatos às vagas de graduação de 2010 da Universidade Federal de Rio Granfe (Furg) iniciam neste domingo o vestibular 2010, com as provas de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Matemática e Química.
Segunda-feira é o segundo e último dia do processo seletivo, quando são aplicadas questões de Literatura Brasileira, Física, Biologia, História e Geografia.
São 15 questões objetivas de cada disciplina. Em ambos os dias, as provas começam às 8h e os candidatos têm até as 13h para finalizar as provas. É recomendada a chegada aos locais de prova às 7h30min.
Os gabaritos serão divulgados sempre nos dias das provas, entre as 14h e 15h.
O resultado do vestibular 2010 será divulgado até o dia 19 de janeiro de 2010. A Furg oferece 2361 vagas de 50 cursos e habilitações, distribuídos em 14 unidades de ensino. Mais informações estão disponíveis no site www.coperve.furg.br e através do telefone (53) 3233.6666.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Editora Peirópolis lança versão em quadrinhos de “O Corvo”, um dos poemas mais conhecidos do poeta norte-americano Edgar Allan Poe

O célebre poema O Corvo (The Raven), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), ganha nova versão em HQ neste ano de 2009, em que se completam 200 anos de nascimento de seu autor. Nesta versão da coleção “Clássicos em quadrinhos”, da Editora Peirópolis, O Corvo renasce das mãos do quadrinista Luciano Irrthum, que expressa sua reverência pela obra imprimindo-lhe o lirismo, a força e a visceralidade de seu traço.
O interesse de Irrthum por Poe começou quando o quadrinista ganhou do avô um livro antigo do mestre do terror e do mistério. Ao abrir aquele exemplar ensebado encontrou, no meio das páginas amareladas, um recorte de jornal que narrava um fato curioso sobre o túmulo do escritor: todos os anos, uma garrafa de conhaque e três rosas são deixadas sobre sua lápide no dia de sua morte.
A notícia intrigou para sempre o jovem Irrthum. Depois de ler todos os contos de Poe, que inspirou a alma e a obra dos poetas mais elevados de todos os tempos, ele decidiu adaptar para os quadrinhos o poema mais conhecido do clássico escritor americano, O Corvo (The Raven).
Esta é a terceira versão do artista para essa adaptação. A primeira, Irrthum publicou em formato de fanzine. A segunda foi um exercício criativo, em que Irrthum transferiu o cenário do poema para uma favela carioca. Esta edição da Peirópolis, a primeira em que Irrthum pôde trabalhar com o poema na íntegra, esconde aqui e ali referências aos contos de Poe lidos pelo quadrinista, e é considerada por ele a versão definitiva.
A opção pela tradução para o português de Machado de Assis busca promover o encontro de Machado com um de seus escritores favoritos no ano do bicentenário de Poe, em que se comemora também o centenário de morte do brasileiro.
Edgar Allan Poe (1809-1849) é reconhecido mundialmente como um dos precursores da literatura de ficção científica e fantástica. Nasceu em Boston de pai e mãe atores, mas foi criado pela abastada família Allan depois do falecimento da mãe. Poe escreveu poemas, contos e novelas e influenciou autores como Baudelaire, Maupassant e Dostoiévski. Considerada uma obra prima, o poema O Corvo deu a Poe a fama que ele cultivava escrevendo e publicando prosa, e atravessou dois séculos inspirando a admiração de grandes nomes da literatura.
Luciano Irrthum nasceu em 3 de junho de 1972 em João Monlevade (MG), e vive em Belo Horizonte. Formado em design gráfico pela Fuma, é ilustrador, quadrinista e artista plástico. Publica seus quadrinhos e desenhos em revistas independentes, como Graffiti 76% Quadrinhos, Legenda e Front. Participou de várias exposições coletivas no Brasil e no exterior. É autor de A comadre do Zé, da Graffiti.
Editora Peirópolis: Criada em 1994, a Editora Peirópolis tem como missão contribuir para a construção de um mundo mais solidário, justo e harmônico, publicando literatura que ofereça novas perspectivas para a compreensão do ser humano e do seu papel no planeta. Suas linhas editoriais oferecem formas renovadas de trabalhar temas como ética, cidadania, pluralidade cultural, desenvolvimento social, ecologia e meio ambiente – por meio de uma visão transdisciplinar e integrada. Além disso, é pioneira em coleções dedicadas à literatura indígena, à mitologia africana e ao folclore brasileiro. A editora está afinada com os propósitos do terceiro setor, participando ativamente do crescente movimento de sua profissionalização. [ www.editorapeiropolis.com.br]
Lançamento do livro O Corvo em quadrinhos, de Luciano Irrthum, dia 05/12/09, das 11h às 13h30, no Café com Letras – www.cafecomletras.com.br | Rua Antônio de Albuquerque, 781 – Savassi – Belo Horizonte, Telefone: (31) 3225-9973.
O Corvo em quadrinhos, autor Edgar Allan Poe, com adaptação: Luciano Irrthum, 48 páginas | ISBN: 978-85–7596-168–1 | Capa: Brochura | Formato: 20,5 X 27 | Preço: R$ 35,00.
Camões e Pessoa vítimas de «confiscação patriótica»

Apesar de Fernando Pessoa ter procurado em Mensagem, publicado há 75 anos, ir além da História de Portugal, o seu poema épico acabou alvo de «confiscação patriótica», tal como a obra que ambicionava superar - Os Lusíadas, de Camões
Lusa / SOL
Para Eduardo Lourenço, ensaísta convidado para a sessão comemorativa do 75º aniversário da publicação de Mensagem, o poema épico de pessoa foi «tomado de imediato como uma espécie de bíblia no nacionalismo poético, apesar do seu misticismo obscuro», de tal forma que chegou a ser «um livro quase popular».
«Em parte devido a essa confiscação patriótica do poema, muitos dos que admiravam Pessoa como um mago que alterara a nossa paisagem lírica e a nossa visão do mundo prestaram pouca atenção» a Mensagem, afirmou o ensaísta, na sessão que decorreu num repleto auditório da Biblioteca Nacional, em Lisboa.
«É um livro de um outro futuro, 'Mensagem' teria que esperar uma leitura mais adequada ao seu mistério e à sua intrínseca estranheza, tanto no fundo como na forma, num outro tempo mais propício e aberto, igualmente mais complexo e estranho», acrescentou.
Apesar do desejo expresso de Pessoa para superar Camões, indo além da epopeia histórica para os territórios do misticismo, ambas as obras acabaram reféns do nacionalismo.
«Coitado do nosso Camões. Tão aproveitado foi e tão aproveitado será. É o poeta do nosso Império», resumiu Lourenço.
O poeta e ensaísta Vasco Graça Moura lembrou a forma depreciativa como Pessoa se referiu a Os Lusíadas: «uma reportagem transcendente que o assunto obrigou a tornar épica».
Mais do que uma «vontade de superar» o poema épico dos Descobrimentos, houve «despeito em relação a Camões», que é esquecido na galeria de figuras da História de Portugal evocadas em Mensagem.
Enquanto poema épico, criticou Graça Moura, é «totalmente insensível» à «afectividade», ao «lado lírico», bem como ao «papel da mulher», presente em todas as grandes epopeias desde a Odisseia.
Também para o poeta Manuel Alegre houve uma tentativa de «desvalorizar Camões», embora o autor de Os Lusíadas esteja «sempre presente».
«O grande pecado da 'Mensagem' é a ausência de Camões. Pessoa sempre teve uma questão, talvez uma questão com ele próprio», afirmou Alegre.
Já para Eduardo Lourenço, Camões está «presente na ausência» e a «comparação entre os dois poetas pode ser muito útil» no ensino literário, pois «permite aos professores reciclar a história».
O poema de Pessoa, único em língua portuguesa publicado ainda em vida, tinha como título inicial Gládio e o seu destinatário, em vez do Infante Santo, era «o próprio poeta», segundo Lourenço.
«Era o poeta investido no seu papel messiânico e escolhido por Deus para conduzir a Santa Guerra, a guerra de Deus contra o desmentido da realidade, o triunfo do sonho sobre a morte dos sonhos», afirmou o ensaísta.
«O Quinto Império não tem outra substância além desse desafio, loucura assumida de atravessar incólume a linha imaginária entre a vida que morre da vida sem fim», adiantou.
Na cerimónia, foi ainda lançada uma edição 'clonada' do dactiloscrito de Pessoa, que o editor Paulo Teixeira Pinto, da Guimarães, frisa ser mais do que um fac-simile.
«É uma verdadeira duplicação que pretendemos fazer, com o máximo cuidado, desde o tecido da capa do livro até à qualidade do papel (...). O [exemplar] autêntico é privilégio único da Biblioteca Nacional, mas é o mais possível próximo do original», descreveu.
No início, a ideia era fazer uma reedição aproximada, mas em contacto com o original na Biblioteca Nacional, e com «emoção nas mãos», Teixeira Pinto e a sua equipa decidiram «logo ali fazer exactamente igual».
«Pessoa dizia `não há factos, só interpretação de factos´. Nós não queremos interpretar nada, queremos só deixar este facto», afirmou o proprietário da Guimarães.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
UFRGS disponibiliza consulta aos locais de prova do vestibular 2010

A consulta aos locais de prova do processo seletivo 2010 da UFRGS(Universidade Federal do Rio Grande do Sul) já está disponível no site da instituição.
Os 32.706 vestibulandos inscritos disputarão 4.961 vagas em 82 graduações. Os cursos de administração pública e social (noturno), biotecnologia , engenharia de energia, engenharia física, história da arte (noturno), políticas públicas (noturno) e serviço social (noturno) são oferecidos pela primeira vez.
Concorrência
O curso de medicina, com 34,51 c/v, é o mais concorrido do processo seletivo. Depois vêm direito diurno, com 18,04 c/v; fisioterapia, com 17,07 c/v; psicologia noturno, com 16,3 c/v; e direito noturno, com 15,41 c/v. Veja a lista de todos os cursos:
Concorrência do vestibular 2010 da UFRGS:
Clique aqui e veja a relação candidato/vaga
Provas UFRGS 2010
As provas do vestibular 2010 vão ser aplicadas entre os dias 10 e 13 de janeiro de 2010, nas cidades de Porto Alegre, Bento Gonçalves e Imbé/Tramandaí, com início às 8h30, e duração de total de quatro horas e meia. Siga o calendário de provas, cada uma com 25 questões objetivas (exceção feita à redação):
10 de janeiro de 2010: física, literatura e língua estrangeira;
11 de janeiro de 2010: português e redação;
12 de janeiro de 2010: biologia, química e geografia;
13 de janeiro de 2010: história e matemática
Clique aqui para baixar o manual do candidato (arquivo em .pdf)
Outras informações podem ser obtidas site da UFRGS.
Fonte: UOL

