Rússia proíbe livro de Hitler para combater extremismo
Reuters
Promotores russos proibiram nesta sexta-feira o livro semi-autobiográfico de Adolf Hitler "Mein Kampf" (Minha Luta), de 1925, em uma tentativa de combater a crescente fascinação por políticas de extrema direita.
Banido na Alemanha desde a 2a Guerra Mundial, o livro delineia a visão de Hitler de supremacia racial. Apesar de incluir trechos anti-semitas e anti-russos, o livro tem sido promovido por alguns grupos russos de extrema direita.
O livro tem uma "perspectiva militar que justifica a discriminação e a destruição de raças não-arianas e reflete ideias que, quando implementadas, deram início à 2a Guerra Mundial", disse em comunicado promotoria-geral russa.
"Até agora, o 'Mein Kampf' não era reconhecido como extremista", disse o comunicado, anunciando a proibição do livro e sua inclusão numa lista federal de materiais extremistas. O livro estava disponível nas lojas e online, segundo o comunicado.
Extremistas russos atacaram trabalhadores imigrantes de nações pobres da Ásia Central e do Cáucaso que vão à Rússia e frequentemente buscam empregos subalternos e vivem em condições precárias, assim como estudantes africanos e asiáticos e russos sem aparência eslava.
Ao menos 60 pessoas morreram e 306 ficaram feridas em ataques racistas na Rússia no ano passado, de acordo com a Sova, organização não-governamental em Moscou que rastreia violência racista.
A proibição foi instaurada depois que um departamento regional da promotoria buscou novas formas de combater o extremismo e descobriu que o livro estava sendo distribuído na região de Ufa.
Hitler ditou o livro para seu assistente Rudolf Hess enquanto estava em uma prisão na Baviera depois da frustrada tentativa de golpe conhecida como o "Putsch de Munique" em 1923. O livro explica sua doutrina de supremacia racial alemã e suas ambições de anexar áreas gigantescas da União Soviética.
Na Alemanha, é ilegal distribuir o livro exceto em circunstâncias especiais, como para pesquisa acadêmica. Mas o livro está disponível em outros lugares, com a livraria online amazon.co.uk.
Mas a proibição fará pouco para restringir material que promove o nazismo na Rússia, disse Galina Kozhevnikova, do Sova.
"Eu tenho a sensação de que pessoas precisavam divulgar que estavam combatendo o extremismo", disse ela sobre a proibição do livro. "Ainda estará disponível na Internet, é impossível impedir que seja distribuído", disse ela.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Rússia proíbe livro de Hitler para combater extremismo
quarta-feira, 24 de março de 2010
Enem 2010 pode ser no primeiro fim de semana de novembro
O Ministério da Educação (MEC) estuda a possibilidade de realizar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2010 nos dias 6 e 7 de novembro. Na terça (23), durante reunião com os reitores das universidades federais, o MEC apresentou um cronograma preliminar, com início das inscrições em junho e encerramento do processo em janeiro de 2011. As datas, entretanto, ainda estão sendo analisadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ).
Em uma ocasião anterior, o ministro da Educação, Fernando Haddad, já havia informado que as provas deveriam ocorrer apenas após o segundo turno das eleições. Mesmo sem duas edições do Enem ao ano previstas anteriormente, ontem o MEC confirmou que haverá uma nova rodada do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) em junho. Os alunos interessados em disputar vagas em instituições públicas de ensino por meio do sistema deverão utilizar a nota do Enem 2009.
Livros ganham tratamento tridimensional na Coreia do Sul
Livros com "pop-ups" que saltam das páginas são ultrapassados: cientistas sul-coreanos desenvolveram uma tecnologia tridimensional para livros que leva os personagens a literalmente saltarem das páginas.
A popularidade do entretenimento 3D vem sendo incentivada por uma leva de filmes recentes, incluindo o blockbuster de ficção científica "Avatar" e "Alice no País das Maravilhas".
Várias empresas estão oferecendo televisores 3D, e um console de videogames em 3D será lançado em breve.
No Instituto Gwangju de Ciência e Tecnologia, na Coreia do Sul, pesquisadores usaram tecnologia 3D para animar dois livros infantis de contos folclóricos coreanos, com dragões que se contorcem e heróis que saltam sobre montanhas.
As imagens nos livros têm dispositivos que desencadeiam a animação em 3D para leitores que estiverem usando óculos especiais de tela de computador. Quando o leitor lê o livro e o movimenta, a animação 3D se movimenta de acordo.
"Levamos mais ou menos três anos para desenvolver o software para isto", disse Kim Sang-cheol, líder da equipe responsável pelo projeto.
Kim disse que a tecnologia poderá ser usada para qualquer tipo de livro. Ele prevê que, com o tempo, ela seja empregada com imagens exibidas por smartphones ou em museus para intensificar a visão dos objetos expostos.
Mas quem estiver esperando para ler livros tridimensionais talvez precise ter paciência.
"Vai levar algum tempo para esta tecnologia ser oferecida ao público em geral", disse Kim. Ele não soube avaliar o preço eventual, mas acha que será algo suficientemente acessível para poder ser oferecido ao mercado.
Fonte: Reuters
quarta-feira, 17 de março de 2010
UFRGS anuncia lista de leituras obrigatórias para o Vestibular 2011
Guimarães Rosa, Dias Gomes e Rubem Fonseca fazem parte da relação de obras
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulguo na tarde desta terça-feira as leituras obrigatórias para o concurso vestibular de 2011. A relação de leituras incorpora as obras "Manuelzão e Miguilim (Campo Geral e Uma estória de amor)", de Guimarães Rosa; "O pagador de promessas", de Dias Gomes; "Feliz ano novo", de Rubem Fonseca; e "O filho eterno", de Cristóvão Tezza.
A partir da resolução do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UFRGS, a partir do Concurso Vestibular 2007, a lista de leituras obrigatórias para a prova de Literatura de Língua Portuguesa tem se renovado ano a ano, sempre com a substituição de quatro obras.
Segue a lista completa dos livros exigidos para o próximo vestibular da UFRGS:
1. Basilio da Gama – O Uruguai
2. José de Alencar - Lucíola
3. Poemas de Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa (1. Mestre, Meu Mestre Querido!, 2. Ao Volante do Chevrolet pela Estrada de Sintra, 3. Grandes, São os Desertos, e Tudo é Deserto, 4. Lisboa com suas Casas, 5. Todas as Cartas de Amor São, 6. Ode Triunfal, 7. Lisbon Revisited (1923), 8. Tabacaria, 9. Aniversário, 10. Poema em linha reta)
4. Machado de Assis – Memórias póstumas de Brás Cubas
5. Contos de Machado de Assis – (O caso da vara, Pai contra mãe, Capítulo dos chapéus)
6. Eça de Queirós – O primo Basílio
7. Manuel Bandeira – Estrela da vida inteira
8. Cyro Martins – Porteira fechada
9. Guimarães Rosa – Manuelzão e Miguilim (Campo Geral e Uma estória de amor)
10. Dias Gomes – O pagador de promessas
11. Rubem Fonseca – Feliz ano novo
12. Cristóvão Tezza – O filho eterno
Fonte: ClicRBS
quinta-feira, 11 de março de 2010
CHAPEUZINHO VERMELHO NA IMPRENSA: Diferentes Maneiras de Contar a Mesma História

CHAPEUZINHO VERMELHO NA IMPRENSA.
JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... '.
(Fátima Bernardes): '... Mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.
PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): 'Nossa... Que gracinha gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'
BRASIL URGENTE
(Datena): '... Onde é que a gente vai parar cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público!
E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não. '
REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.
REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.
FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'.
Na matéria, Box com um zoólogo explicando os hábitos dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.
O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente..
ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.
AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó.
REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'
PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu.
REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.
G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado
SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! Mito ou Verdade?
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.
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O texto acima foi encontrado na web (mais precisamente no forum Filewarez.tv) e a autoria lamentavelmente foi omitida. Mas achei muito interessante a forma como se deu a brincadeira com a presença das marcas ideológicas no discurso. Vale a postagem!
quarta-feira, 10 de março de 2010
Entrevista: Ferreira Gullar (Revista Bravo)

"A Poesia Surge do Espanto"
De repente, quando se ergue da cadeira, o poeta percebe que o fêmur de uma perna resvala no osso da bacia. Aquilo o intriga. “É desse tipo de surpresa que nasce um poema”, diz Ferreira Gullar
Por Armando Antenore
Certa manhã, enquanto fazia recortes para novas colagens, notou que umas tiras miúdas de papel salpicavam o piso da sala. Mal se abaixou com a intenção de recolhê-las, viu que formavam um desenho abstrato. A figura inusitada e bela surgira de modo espontâneo, à revelia de qualquer pretensão estética. O escritor, hipnotizado, apanhou os pedacinhos de papel e os fixou em uma cartolina amarronzada exatamente da maneira como caíram no chão. Batizou o trabalho de Por Acaso, Puro Acaso. Quem percorre o apartamento carioca logo avista a composição pendurada numa nesga de parede e um tanto oprimida pelas dezenas de outros quadros e gravuras que decoram o imóvel — a maioria de artistas tão míticos quanto Iberê Camargo, Rubem Valentim, Oscar Niemeyer e Marcelo Grassmann. "Todos bons amigos", comenta o dono da casa, com um híbrido de displicência e orgulho.
O episódio dos papéis revela muito sobre o jeito de o poeta enxergar a vida e o ato criativo. Para o autor do célebre Poema Sujo, viver (ou criar) é o resultado de um diálogo contínuo entre o arbítrio e o inesperado, a ordem e a desordem, a necessidade e o acaso. O assunto veio à tona numa tarde abafada de fevereiro, ao longo da conversa de três horas que Gullar manteve com BRAVO!. O apartamento de Copacabana, silencioso àquela altura do dia, serviu de cenário.
Viúvo, o maranhense namora a poetisa gaúcha Cláudia Ahimsa. Ele a conheceu durante a Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 1994. Pouco tempo antes, amargara a morte da mulher, Thereza Aragão, e de um dos três filhos, o caçula Marcos. Inspirado pela atual companheira, escreveu os versos "Olho a árvore e já/ não pergunto 'para quê?'/ A estranheza do mundo/ se dissipa em você".
BRAVO!: O senso comum costuma apregoar que poetas nascem poetas. Poesia é destino?
Ferreira Gullar: Prefiro dizer que é vocação. O poeta traz do berço um modo próprio de lidar com a palavra. Não se trata, porém, de um presente dos deuses, de uma concessão divina, como se pregava em outras épocas. Trata-se de um fenômeno genético, biológico, sei lá. Há quem nasça com talento para pintar, jogar futebol ou roubar. E há quem nasça com talento para fazer poemas. Sem a vocação, o sujeito não vai longe. Pode virar um excelente leitor ou crítico de poesia, mas nunca se transformará num poeta respeitável. Quando um jovem me mostra originais, percebo de cara se é ou não do ramo. Leio dois ou três poemas e concluo de imediato. Por outro lado, caso o sujeito tenha a vocação e não trabalhe duro, dificilmente produzirá um verso que preste. Se não estudar, se não batalhar pelo domínio da linguagem, acabará desperdiçando o talento. "Nasci poeta, vou ser poeta." Não, não funciona assim. Converter a vocação em expressão demanda um esforço imenso. Tudo vai depender do equilíbrio entre o acaso e a necessidade. A vocação é acaso. A expressão é necessidade. Compreende a diferença? No fundo, a vida não passa de uma constante tensão entre acaso e necessidade.
Nada escapa desse binômio?
Nada. O que faz o homem sobre a Terra? Luta para neutralizar o acaso. Eis a principal necessidade humana: driblar o imprevisível, a bala perdida. Concebemos Deus justamente porque buscamos nos proteger da bala perdida. Deus é a providência que elimina o acaso. É o antiacaso.
Você não crê que Ele exista?
Gostaria de acreditar, mas não acredito. Uma pena... Poucas crenças podem ser mais reconfortantes do que a fé em Deus. Ele enche de sentido as nossas vidas sem sentido. "Eu não sou cachorro, não!", cantava o Waldick Soriano, lembra? Uma frase sugestiva, já que os homens realmente não se veem como cachorros. Os homens anseiam uma condição sublime. Não à toa, inventaram Deus: para que Deus os criasse. Se você pensar direito, todas as coisas abstratas ou concretas que a humanidade constrói têm a intenção de dar significado à vida — e, não raro, um significado especial. Nós, que frequentemente praticamos atos injustos, inventamos a justiça. Por quê? Porque desejamos ser melhores do que somos e tornar menos insolúvel o mistério de viver. A arte surge pelo mesmo motivo.
Conclui-se, então, que o poema também almeja dar significado à vida.
O poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível. Vou contar uma história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas bateu no osso da bacia. Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza. Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável de súbito ganhou contornos inexplicáveis. Quer dizer que sou osso?, refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema. Entende agora por que demoro 10, 12 anos para lançar um novo livro de poesia? Porque preciso do espanto. Não determino o instante de escrever: "Hoje vou sentar e redigir um poema". A poesia está além de minha vontade. Por isso, quando me indagam se sou Ferreira Gullar, respondo: "Às vezes".
A falta de controle sobre o ato de escrever o angustia?
Não, em absoluto. A experiência de criar um poema é maravilhosa. Mas, como não depende inteiramente de mim, sei que corro o risco de nunca mais vivenciá-la. Se parar de fazer poesia, vou lamentar — só que não a ponto de disparar um tiro na cabeça. Nenhum poema, de nenhum poeta, me parece imprescindível. Dante Alighieri poderia não ter escrito A Divina Comédia. Ou poderia tê-la escrito de outro jeito. Novamente: tudo se subordina à lei do acaso e da necessidade.
Um poema deve sempre emocionar?
Sim, deve emocionar primeiro o poeta e depois o leitor.
O pernambucano João Cabral de Melo Neto, com quem você conviveu, pensava diferente, não? Ele preconizava uma poesia menos emotiva.
João Cabral gostava de mentir! (risos) Pegue o poema O Ovo de Galinha e veja se aquilo não comove o leitor. Você acha que o João também não se comoveu ao escrevê-lo? Lógico que se comoveu! Na verdade, João recusava a ideia de o poeta transformar a poesia em confessionário, em objeto do sentimentalismo. Daí proclamar que o poema tinha de ser uma construção intelectual. A razão lhe serviu de bússola. No entanto, paradoxalmente, inúmeros de seus versos não resultaram tão frios. À medida que o tempo passa, o João se revela cada vez mais complexo, uma soma de contradições — o que, no fim das contas, só aumenta a grandeza dele.
Você concorda quando os críticos apontam o Poema Sujo, de 1975, como sua obra máxima?
Difícil responder. Não me debrucei profundamente sobre o assunto... O Poema Sujo é, de fato, o que reúne o maior número de interrogações e descobertas — em parte, pela extensão (os versos se espalham por quase 60 páginas); em parte, pela febre criativa que me assaltou enquanto o redigia. Entre maio e outubro de 1975, fiquei imerso no que classifico de "estado poético". Nada me tirava daquele clima. Eu comentava, brincando, que me tornara uma espécie de rei Midas. Tudo em que botava a mão virava ouro, tudo virava poesia. Foi uma fase excepcional. Para mim, porém, trabalhos mais recentes podem ter importância idêntica à do Poema Sujo, por exprimirem reflexões novas, algo que não me ocorrera dizer antes.
Uma parcela da crítica sustenta que você é o maior poeta brasileiro vivo. É mesmo?
Imagine! E como se mede o tamanho de um poeta?, já perguntava Carlos Drummond de Andrade. Que régua consegue dimensionar um negócio desses? Claro que, quando escuto uma avaliação do gênero, me envaideço. Mas não me iludo. Cada poeta, vivo ou morto, é inigualável. O João Cabral, o próprio Drummond, o Vinicius de Moraes, o Mário Quintana nos transmitiram um legado riquíssimo. São inventores de um universo muito pessoal e insubstituível. Sem mencionar o Murilo Mendes, autor de pérolas tão lindas quanto "A mulher do fim do mundo/ Chama a luz com um assobio".
Poeticamente, você jamais permaneceu num único lugar e sempre procurou a renovação. Em contrapartida, como crítico, acabou recebendo a pecha de conservador, por rejeitar diversas manifestações da arte contemporânea. O rótulo o incomoda?
Não, não me incomoda. Nesta altura do campeonato, quando o vale-tudo se apoderou das artes plásticas, a qualificação de "conservador" perdeu sentido. Conservador por quê? Por diferenciar expressão e arte? No meu entender, toda arte é expressão, mas nem toda expressão é arte. Se me machuco e grito de dor, estou me expressando; não estou produzindo arte. Da mesma maneira, se alguém começa a bater numa lata, emite sons; não cria música. O filósofo francês Jacques Maritain, católico, afirmava que a arte é "o Céu da razão operativa". Ou melhor: é o ápice do trabalho humano. Arte, portanto, pressupõe o "saber fazer". Saber pintar, saber dançar, saber esculpir, saber fotografar, saber tocar, saber compor. Tal critério prevaleceu durante milhares de anos, desde as cavernas até o advento das vanguardas, no final do século 19, período em que se questionou o "saber fazer". Pois bem: sob a minha ótica, a preocupação vanguardista é um fenômeno que se esgotou. Por milhares de anos, a arte seguiu adiante sem ligar para o conceito de vanguarda. Ninguém me convencerá de que, em pleno século 21, crucificar-se na traseira de um Fusca, deixar-se filmar cortando a vagina ou masturbar-se numa galeria equivale a um gesto artístico. Segundo o norte-americano John Canaday, historiador da arte, os críticos de hoje temem repetir o erro cometido pelos críticos do século 19, que não compreenderam os impressionistas. Em consequência, assinam embaixo de qualquer bobagem que levante a bandeira do "novo". Percebe a armadilha? Caso três ou quatro artistas resolvam espremer uma bisnaga de tinta no nariz de um crítico, ouvirão dele que praticaram um ato inovador. Definitivamente, não penso desse modo.
Nos tempos de militância comunista, você usou a poesia com fins políticos. O engajamento dos poetas ainda se justifica?
Não, de jeito nenhum. Os poetas, agora, irão se engajar em quê? No socialismo ridículo do Hugo Chávez? Foi um engano imaginar que versos contribuiriam para a revolução social. Admito que um poema consiga iluminar o leitor, consiga lhe abrir a cabeça. Mas daí a mudar a sociedade... Muito complicado! Abandonei todos os mitos daquela época. Não creio mais em luta de classes. Já aprendi que o capitalismo é como a natureza: invencível.
E a crise econômica que o mundo enfrenta atualmente? Não põe o capitalismo em xeque?
Sem dúvida atravessamos um momento delicadíssimo. Mesmo assim, estou convicto de que o capitalismo resistirá. Trata-se apenas de mais uma crise num sistema que vive de crises. Repito: o capitalismo vai imperar porque segue a lógica da natureza. É brutal, é feroz, é amoral. Não demonstra piedade por nada nem por ninguém. Em compensação, nos oferece uma série de benefícios. O capitalismo, à semelhança da natureza, se desenvolve espontaneamente. Não precisa que meia dúzia de burocratas dite o rumo das coisas, como acontecia nos regimes socialistas. Em qualquer canto, há um cara inventando uma empresinha. De repente, no meio deles, aparece um Bill Gates. São multidões em busca de dinheiro! Impossível deter uma engrenagem tão eficiente. Podemos, no máximo, brigar para que as desigualdades geradas pelo capitalismo diminuam. Aliás, convém que briguemos. Não devemos abdicar de um mundo mais justo, ainda que capitalista.
Como você avalia o governo Lula?
Avalio mal. O Lula é um grande pelego. Sabe aquele indivíduo que se infiltra nos sindicatos para amortecer os conflitos entre trabalhadores e patrões? O Lula age exatamente assim. Por um lado, agrada os banqueiros e os empresários. Por outro, corrompe o povão com programas assistencialistas. Posa de líder popular, e a massa o aplaude. Viva o pai dos pobres! Resultado: todo mundo confia no Lula, o rico e o miserável. Em decorrência, as tensões sociais se diluem. Que maravilha, não? Um país de carneirinhos...
Em setembro de 2010, você completa 80 anos. Sente-se realizado?
Olha, a vida é uma cesta em que, quanto mais se põe, mais se deseja colocar. Estamos sempre partindo do zero. Hoje pinto um quadro ou termino de ler um livro. Fico satisfeito. Mas, amanhã, me pergunto: e agora?
Por causa das eleições, Enem 2010 deve ser no final do mês de outubro

Fonte: UOL
A data provável do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010 é o final do mês de outubro, por conta do pleito eleitoral que se realiza no começo do mesmo mês.
A data ainda está sendo discutida entre os reitores dos institutos e das universidades federais com a direção do Inep, autarquia responsável pelo exame. A informação é do MEC (Ministério da Educação).
Só uma edição para Enem 2010
O ministro Fernando Haddad (Educação) atribuiu a decisão de realizar apenas uma edição do Enem em 2010 ao "atraso nas negociações com os órgãos de controle federais CGU (Controladoria-Geral da União) e TCU (Tribunal de Contas da União)".
Segundo nota do MEC (Ministério da Educação), ele está "convencido de que não tem condições de realizar um novo exame nas dimensões do Enem [Exame Nacional do ensino Médio], com mais de quatro milhões de inscritos, em todo o território nacional, se tiver que enfrentar uma licitação nos moldes da que ocorreu no ano passado". A intenção do MEC era realizar duas edições do Enem neste ano.
O Sisu (Sistema de Seleção Unificada) poderá ter nova edição no meio do ano, utilizando as notas do Enem 2009 - tudo depende do interesse dos institutos e universidades federais em utilizar a nota do Enem como critério de ingresso. Assim, os estudantes que não conseguiram vagas no atual processo de seleção, ainda em curso, poderão ter outra chance em maio ou junho.
Enem 2010 terá prova de língua estrangeira
MEC não sabe informar ainda o número de questões das provas
O Ministério da Educação (MEC) divulgou a primeira novidade para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) edição 2010. Trata-se da prova de língua estrangeira, que não houve em 2009. A partir de agora, os candidatos poderão escolher entre três opções no momento da inscrição: inglês, espanhol e francês. O MEC não sabe informar ainda o número de questões das provas.
Além dessa novidade, está assegurado o método de Teoria de Resposta ao Item (TRI), um sistema no qual se sabe o perfil de quem acerta com maior probabilidade as mais fáceis, as intermediárias e as difíceis.
Fonte: Zero Hora
terça-feira, 9 de março de 2010
Mais de 80 anos depois de morrer, Kafka ganha primeira biografia tcheca
Fonte: Agência EFE
Mais de oito décadas após sua morte, foi lançada em Praga a primeira biografia do escritor tcheco Franz Kafka escrita em sua terra natal.
No livro "A luta por escrever: sobre o compromisso vital de Franz Kafka", o filólogo tcheco Josef Cermak tenta "abordar as relações de Kafka com o 'mundo tcheco', que são mais amplas do que muitos pensam", explica o autor à Agência Efe.
Nascido em 1883 em Praga na época do Império Austro-Húngaro e falecido em 1924 perto de Viena, Kafka só escrevia em alemão, o idioma falado por grande parte da comunidade judaica da atual capital da República Tcheca.
Esta formosa edição para colecionadores, com uma tiragem de 2.500 exemplares, tem muito material inédito, como fotos, cartões postais escritos em suas viagens ao exterior e manuscritos relacionados a assuntos familiares.
Tudo isso deveria ter sido publicado nos anos 60. Entretanto, à época, a diretoria da editora Odeon hesitou ao pensar que "se tratava de um pequeno cidadão de Praga sem importância", lembra Cermak, "e então entraram os tanques soviéticos" para combater a Primavera de Praga de 1968.
Então, foi publicada a biografia do estudioso alemão Klaus Wagenbach, com quem Cermak deveria ter colaborado, pois teve acesso ao rico legado mantido pela sobrinha de Kafka, Vera Saudkova.
Atualmente com 88 anos, Vera vive em Praga e é filha da irmã mais nova do escritor, a falecida Ottla. Junto com seus três filhos, são os únicos parentes vivos de Kafka.
Cermak defende a tese de que Kafka entendia muito bem o idioma tcheco, pois "foi capaz de apreciar a qualidade literária de um autor como Vladislav Vancura, que tem uma linguagem muito peculiar, muito bela, mas deformada".
A produção de Kafka ficou proibida na época da Tchecoslováquia socialista porque era considerado um autor "reacionário", diz Cermak. Por isso, os estudiosos de sua obra foram perseguidos pelo regime.
O próprio Cermak se viu obrigado a publicar sua primeira pesquisa na vizinha Alemanha sob um pseudônimo. Só após a queda do comunismo na então Tchecoslováquia, em 1989, foram traduzidas para o tcheco obras como a célebre "O Processo" (1997).
Mais de vinte anos depois da redemocratização, Kafka é uma das figuras recorrentes da paisagem urbano de Praga, mas "sua obra é mais conhecida fora do que dentro do país", reconhece Marketa Malisova, diretora da Sociedade Franz Kafka, em entrevista à Efe.
Apesar das muitas placas comemorativas, bustos e estátuas em sua homenagem, fora a praça que leva seu nome e de um centro que populariza sua obra, a inércia do passado impediu que Kafka tivesse o mesmo reconhecimento que tem no exterior e que faça parte da bagagem literária de seus compatriotas.
De qualquer forma, a capital tcheca foi a cidade onde Kafka se educou, pela qual passeou e da qual se nutriu, em meio a suas depressões, de seu autêntico horror ao barulho e seu senso de responsabilidade, algo que acabou se tornando quase insuportável, lembrou Cermak ao falar sobre Kafka, que trabalhava em uma seguradora de acidentes industriais.
Praga foi também o lugar que inspirou suas obras, onde sua genialidade aflorou e onde teve seus amores, nenhum dos quais acabou em casamento, apesar de ter se comprometido duas vezes com Felice Bauer.
"Não me canso de Kafka", afirma o autor da nova biografia.
O que chegou até os dias de hoje se deve principalmente ao também escritor Max Brod, que administrou o legado de Kafka até morrer, em 1968, em Israel, para onde emigrou em 1939 após a ocupação nazista da Tchecoslováquia.
Por este motivo, Malisova também quis conceder um prêmio em memória do autor da primeira biografia de Kafka, escrita em 1937.
"Foi Brod que se encarregou de publicar sua obra, e não queimá-la, mas propagá-la. Se não tivesse sido por ele, ninguém hoje conheceria Kafka", garante a tcheca, em cujo escritório se conserva a escrivaninha do autor de "A Metamorfose".
Kafka morreu em um hospital nos arredores de Viena vítima de tuberculose. Seu corpo foi levado para a Praga, onde agora repousa no novo cemitério judeu da capital tcheca.
segunda-feira, 8 de março de 2010
MEC deve reduzir o número de chamadas na próxima edição do SiSU
Fonte: Agência Brasil
Os 21.457 aprovados para uma instituição pública de ensino superior na terceira etapa do SiSU (Sistema de Seleção Unificada) deverão matricular-se nas universidades em que foram selecionados a partir de terça-feira (9). Nas duas primeiras etapas, boa parte daqueles que foram selecionados não fizeram suas matrículas, o que fez com que o percentual de vagas não preenchidas fosse de 43%.
O MEC (Ministério da Educação) estuda alterar o modelo para a próxima edição. As etapas seriam reduzidas a duas ou apenas uma. Aquelas vagas que não fossem preenchidas seriam ocupadas por estudantes inscritos em uma lista de espera. Esse mecanismo, não previsto anteriormente, teve que ser criado para que não sobrassem vagas, caso os aprovados na terceira etapa não confirmem suas matrículas como aconteceu nos períodos anteriores. Com isso, o ministério acredita que cerca de 98% da oferta será preenchida.
O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Alan Barbiero, acredita que essa possa ser uma boa solução para evitar atrasos nos calendários acadêmicos, já que muitas universidades ainda aguardam a conclusão do processo do Sisu para encerrar as matrículas.
"O cronograma de início das aulas teve que ser alterado, mas o melhor é que se comece no período correto. Se não tivesse ocorrido a terceira chamada, talvez esse problema pudesse ter sido minimizado", aponta Barbiero.
Para o MEC, a razão para a sobra de vagas nas primeiras etapas está no comportamento dos alunos que teriam tratado o Sisu como "brincadeira". Mesmo sem interesse em estudar em um curso, esses alunos teriam feito suas inscrições e, depois, não confirmado a matrícula. Candidatos, por exemplo, que já tinham passado em vestibulares de outras instituições mas testavam suas chances no sistema. O efeito é inesperado já que esse sistema era utilizado no processo de distribuição de bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) sem problemas semelhantes.
O ministério aposta que um dos efeitos do novo sistema será um aumento na mobilidade acadêmica. Percebeu-se que a migração por meio do Sisu é intrarregional (por exemplo um estudante de Minas Gerais que matriculou-se em um curso no Rio de Janeiro), mas a expectativa é que o percentual passe dos atuais 0,02% para 10%.
A distância também pode ser uma das explicações para a sobra de vagas nas primeiras etapas. O estudante se inscrevia para um curso em outro estado, mas depois não confirmava a matrícula na instituição porque era longe de casa. É o caso de Ana Clara Fonseca, 18 anos, que mora em Brasília e se inscreveu para uma vaga na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, pelo Sisu, mas nem chegou a conferir o resultado.
"Minha nota foi boa e era suficiente para passar em algumas universidades federais. Me inscrevi na UFPel, mas nem olhei se passei porque minha mãe não ia deixar eu morar fora mesmo", explica.
Quando foi lançado no ano passado, o projeto de substituição do antigo vestibular pelo novo Enem, com um processo de seleção unificada, pretendia atrair cerca de 6 milhões de alunos. Pouco mais de 4 milhões se inscreveram e, depois do vazamento do exame, apenas 2,6 milhões fizeram a prova.
Mesmo com os problemas, Barbiero afirma que o clima entre os reitores que aderiram ao novo modelo é de "colaboração" e avaliou que todo novo sistema está sujeito a imperfeições. Segundo ele, caberá às próprias universidades decidirem se permanecem ou não participando do sistema.
"O processo de participação foi voluntário e nós defendemos sempre essa autonomia. Acredito que agora cada universidade está iniciando um processo de discussão, mas sinto que a vontade é de permanecer e melhorar o sistema", afirmou.
