terça-feira, 30 de março de 2010

ITA define datas do vestibular 2011; confira

O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos (SP), definiu, nesta terça-feira (30), as datas para o processo seletivo 2011.

As inscrições serão realizadas entre 1º de agosto e 15 de setembro, pela internet . A aplicação das provas acontecerá no período de 14 a 17 de dezembro. E o resultado final será divulgado no dia 30 de dezembro.

Mais informações devem ser divulgadas em breve pela instituição.

MEC quer realização do Enem só após as eleições

Data proposta é nos dias 06 e 07 de novembro

O Ministério da Educação quer que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja realizado apenas após as eleições deste ano. A data proposta é nos dias 06 e 07 de novembro - o primeiro turno ocorrerá no dia 3 de outubro e o segundo, no dia 31. A data final da prova será confirmada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

- É pouco recomendável fazer o Enem entre o primeiro e o segundo turno das eleições - disse na semana passada o ministro da Educação, Fernando Haddad, após participar de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara.
No ano passado, o Governo Federal foi obrigado a cancelar o exame, previsto para o início de outubro, e remarcar uma nova data, em dezembro, porque a prova vazou. A data de realização da prova não agradará a todos. Conforme a "Tic Brasil", as universidades de São Paulo são favoráveis à aplicação do Enem o mais cedo possível, mas os demais Estados defendem que a prova seja feita depois das eleições.
Haddad voltou a afirmar que o MEC desistiu de fazer um Enem no primeiro semestre deste ano depois da descoberta de fraude no exame nacional da Ordem dos Advogados (OAB) do Brasil, em março. Em seu depoimento à comissão de Educação, Haddad garantiu ainda que a sobra de vagas nas universidades federais será de cerca de 2% do total de 48 mil vagas oferecidas - ou seja, em torno de mil vagas. Ele rebateu ainda as críticas de que São Paulo estaria "exportando" estudantes para universidades públicas de outros Estados.

- São Paulo tem poucas vagas em universidades públicas em relação a sua população e, por isso, é natural que os jovens procurem oportunidades em estados vizinhos, como Minas Gerais - disse Haddad.

Pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o candidato pode usar a nota do Enem para ingresso nas universidades que adotaram o exame como vestibular. Segundo dados do MEC, São Paulo foi o Estado que mais se beneficiou do sistema unificado de seleção. O Estado recebeu 169 estudantes de fora em suas universidades federais e enviou um total de 2.531 alunos para outras regiões. Minas Gerais foi o principal destino, com 730 matrículas, seguido do Rio Grande do Sul, Amazonas, Piauí e Mato Grosso.

Fonte: ClicRBS

Morre Armando Nogueira, um dos maiores poetas da crônica esportiva


Fonte: Jornal do Brasil

O Jornalismo perdeu, segunda-feira, um mestre, um criador. Um poeta. Por volta das 7h, em seu apartamento, na Lagoa, Zona Sul do Rio, faleceu, vítima de câncer no cérebro, Armando Nogueira, de 83 anos. O sepultamento será terça-feira, às 12h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Sobrevivente de uma era dourada, Mestre Armando Nogueira se junta agora a lendas como Sandro Moreira, Nélson Rodrigues e João Saldanha – nomes que contribuíram em larga escala para o esporte.

Armando Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre, no dia 14 de janeiro de 1927, e se mudou para o Rio aos 17 anos, onde se formou em Direito. Sua paixão, no entanto, era o jornalismo e, em 1950, foi trabalhar na editoria de esportes do Diário Carioca, colaborando com o Diário da Noite, Revista Manchete e Revista O Cruzeiro.

Em 1959, ingressou no Jornal do Brasil, onde trabalhou como redator e assinou a coluna diária Na grande área até 1973. Voltaria a escrever a coluna no início dos anos 2000.

– O Armando também foi pauteiro e as pautas dele mereciam ser publicadas de tão bem escritas. Era o Machado de Assis da crônica esportiva – disse o jornalista Sérgio Cabral, presente ao velório na Tribuna de Honra do Maracanã.

A convite de Walter Clark, foi para a Rede Globo, em 66, ficando até 90. Ao lado de Alice Maria, que esteve segunda-feira no velório, implantou o telejornalismo em rede nacional. Ele criou Jornal Nacional, o Globo Repórter e o Globo Esporte, passando a ocupar o cargo de diretor da central Globo de Jornalismo.

– O telejornalismo deve tudo a ele porque tudo nasceu desse poeta, que deve estar feliz de se despedir de nós, aqui no Maracanã – disse Alice Maria, ex-estagiária do mestre.

Em 1992, integrou a equipe da Rede Bandeirantes nos Jogos Olímpicos de Barcelona. Em 1994, ingressou no SporTV à frente do programa Papo com Armando Nogueira, participando dos programas Esporte Real e Redação SporTV.

Desde a Copa do Mundo de 54, esteve na cobertura de todos os Mundiais. O “poeta do futebol “deixou uma vasta coleção de livros, como Drama e glória dos bicampeões, A Ginga e o Jogo e A Copa que Ninguém Viu e a que Não Queremos Lembrar, entre outros.

Armando era torcedor do Botafogo. Foi dele o apelido de Gênio das Pernas Tortas dado a Mané. Era prodigioso em criar grandes frases. Entre elas, “Pelé é tão perfeito que se não tivesse nascido gente, teria nascido bola”, “Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio” e “A bola é uma flor que nasce nos pés de Zico, com cheiro de gol”.

Em 2007, já com câncer no cérebro, afastou-se da profissão. Seu último trabalho foi como colunista do jornal Lance!. Ganhou homenagem da Suderj, inaugurando com seu nome um espaço com seu nome no hall da fama do Maracanã. Sua última aparição foi em 18 de maio de 2009, na inauguração da sala de imprensa de General Severiano, que leva seu nome.

Amigos se emocionam no adeus ao Mestre

O corpo do mestre da crônica esportiva brasileira não poderia ser velado em outro local senão na tribuna de honra do templo do futebol: o Maracanã, onde ele está imortalizado com o 'Espaço Armando Nogueira', inaugurado há exatos dois anos: no dia 30 de março de 2008.

Desde às 14h30, os dois telões do estádio exibiam fotos e célebres frases criadas pelo Mestre, sensibilizando amigos e parentes que foram ao estádio lhe dar o último adeus.

– Começamos juntos no Jornal do Brasil, em 59, e viramos amigos. Além de talentoso, o Armando era prestativo. Em 62, fui demitido por fazer greve e ele pediu um empréstimo bancário em seu nome para ajudar um desempregado – lembrou o jornalista Sérgio Cabral, que considerava Armando um gênio. – Tentei imitá-lo, mas não consegui – admitiu ele.

O velório se estenderá até 11h, com o enterro marcado para 12h, no Cemitério São João Batista. O Maracanã passou a noite com seus refletores acessos, como última homenagem ao mestre dos jornalistas.

– No meu primeiro dia como comentarista, o Armando me orientou: "Você pode elogiar sem bajular e criticar sem ofender. Faça isso" – lembrou o ex-jogador Júnior. – Ele respeitava a todos, tomei isso como norte e não me arrependo.

Entre as dezenas de coroas de flores, duas chamavam à atenção no velório: uma de Pelé, outra do Botafogo. Dois temas que Armando não se cansou de enaltecer em suas crônicas.

Além das coroas, as bandeiras do Brasil, Rio de Janeiro, Botafogo e do Acre (onde ele nasceu) ornamentavam o hall da tribuna de honra. À beira do caixão, um banner com uma poesia do Mestre sobre o Maracanã, que ele escreveu no livro O Vôo das Gazelas, de sua autoria e que está exposta no Espaço Armando Nogueira.

O Maracanã completa 60 anos dia 21 de junho e a secretária estadual de Esporte, Turismo e Lazer, Márcia Lins, disse que qualquer homenagem seria pouco para enaltecer quem foi Armando Nogueira.

– Ele ajudou a escrever a história do Maracanã, onde torceu muito pelo Botafogo. Por isso, o adeus dele tinha que ser aqui. Mas nem dois Maracanãs lotados seriam suficientes para retribuir tudo o que ele sempre representará – disse Márcia.

Filho único do mestre, Armando Augusto Nogueira Filho, o Manduca, afirmou.

– O câncer que ele teve foi de nível quatro numa escala de cinco. Ou seja, foi grave. Das pessoas que operam, 30% ficam na mesa de operação. Os outros 70% sobrevivem só mais um ano e ele viveu mais três – lembrou Manduca. – Meu pai era muito forte. Fazia esteira, caminhada em volta da Lagoa. Por isso, resistiu tanto tempo e morreu com todos os sinais vitais funcionando.

Armando Nogueira vai dar nome ao Parque Olímpico, que será construído para as Olimpíadas de 2016, no Autódromo Nélson Piquet, em Jacarepaguá. Segunda-feira, o vereador Eider Dantas (DEM) enviou projeto de lei que passará por votação na Câmara de Vereadores.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho

O Armando Nogueira tinha vários amores: o esporte, a palavra, a música e os amigos. Era mestre na prática de todos eles. Um polivalente, como se diz de alguém que é “craque” em todas as posições. Conheci-o na TV Rio inovando não só no jornalismo esportivo, mas no telejornalismo em geral. Na TV Globo, trabalhamos juntos por 23 anos.

Uma amizade sólida e sincera ficará para sempre, ultrapassando as barreiras da morte. Os finais de ano o Armando passava comigo, em Angra. Encantava a todos.

Com o Armando, começamos a implantar as bases do telejornalismo na televisão brasileira. O Armando não admitia que a televisão não cultivasse o preciosismo do texto, apesar de a imagem ser a base principal. Participamos juntos da criação do Jornal Nacional, do Globo Repórter e do Fantástico. O Armando é a mais importante personalidade do telejornalismo. A Globo deve muito a ele.

Os amigos que o Armando fez na vida conseguiram dar a ele um final digno. Eu ficarei para sempre com as palavras carinhosas e a expressão de felicidade do Armando, voando, tocando sua gaita, bebendo um bom vinho, escrevendo e distribuindo amor entre os amigos.

Hoje, sou testemunha do carinho com que a Globo, através do Octávio Florisbal, vinha dando ao Armando com apoio irrestrito que deu ao seu tratamento de saúde.

Leia a seguir uma das mais memoráveis crônicas de Armando Nogueira, celebrando a conquista do tri, em 70.


Na grande área

Armando Nogueira

México, 1970

E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa, levam-lhe os calções. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do estádio, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as chuteiras de Tostão. Só falta, agora, alguém tomar-lhe a sunga azul, derradeira peça sobre o corpo de um semi-deus.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Tostão completamente nu aos olhos de cem mil espectadores e de setecentos milhões de telespectadores do mundo inteiro.

E lá se vai Tostão, correndo pelo campo afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está ali por amor, vai acabar sufocando Tostão. Se a polícia não entra em campo para protegê-lo, coitado dele. Coitado, também, de Pelé, pendurado em mil pescoços e com um sombrero imenso, nu da cintura para cima, carregado por todos os lados ao sabor da paixão coletiva.

O campo do Azteca, nesse momento, é um manicômio: mexicanos e brasileiros, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria.

Agora, quase não posso ver o campo lá embaixo: chove papel colorido em todo o estádio. Esse estádio que foi feito para uma festa de final: sua arquitetura põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, aqui, no Azteca, toma emprestado à corrida de touros.

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito Mundial que meus olhos jamais sonharam ver. Pela correção dos atletas, que jogaram trinta e duas partidas, sem uma só expulsão. Pelo respeito com que cerca de trezentos profissionais de futebol se enfrentaram, músculo a músculo, coração a coração, trocando camisas, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em Munique 74.

Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.

Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo fascinante. Trinta e duas batalhas, nenhuma baixa. Dezesseis países em luta ardente, durante vinte e um dias — ninguém morreu. Não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, amanhã, os heróis do Mundial de 70 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria do jogo. Mas final é assim mesmo: as táticas cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de finais e, em nenhuma delas, falou-se de estratégias. Final é sublimação, final é pirâmide humana atrás do gol a delirar com a cabeçada de Pelé, com o chute de Gérson e com o gesto bravo de Jairzinho, levando nas pernas a bola do terceiro gol. Final é antes do jogo, depois do jogo — nunca durante o jogo.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um gol, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais em volta olímpica, a beijar a tacinha, filha adotiva de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dela no seu rosto fatigado: conquistou-a para sempre, conquistou-a por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. A tacinha, agora, é tua, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nela, amiguinho, a glória de Pelé, que tem a fragrância da nossa infância.

A taça de ouro é eternamente tua, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outra.

Fuvest divulga datas do vestibular 2011



A Fuvest, que seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo), para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco e para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, divulgou nesta terça-feira (30) as datas do vestibular 2011.

O manual do vestibular 2010 estará disponível na web para consulta a partir do dia 2 de agosto. As inscrições vão de 27 de agosto a 10 de setembro, também pela internet.

As provas específicas serão realizadas de 10 a 15 de outubro. A primeira fase será no dia 28 de novembro e a 2ª fase ocorre nos dias 9, 10 e 11 de janeiro.

Leituras obrigatórias FUVEST 2011

A Fuvest também confirmou a lista de livros obrigatórios para o exame de 2011. Será mantida a mesma seleção de 2010. Veja quais são os títulos:

Auto da barca do inferno - Gil Vicente;
Memórias de um sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida;
Iracema - José de Alencar;
Dom Casmurro - Machado de Assis;
O Cortiço - Aluísio Azevedo;
A cidade e as serras - Eça de Queirós;
Vidas secas - Graciliano Ramos;
Capitães da areia - Jorge Amado;
Antologia poética (com base na 2ª ed. aumentada) - Vinícius de Moraes.

Fonte: UOL

sexta-feira, 26 de março de 2010

Rússia proíbe livro de Hitler para combater extremismo

Rússia proíbe livro de Hitler para combater extremismo

Reuters

Promotores russos proibiram nesta sexta-feira o livro semi-autobiográfico de Adolf Hitler "Mein Kampf" (Minha Luta), de 1925, em uma tentativa de combater a crescente fascinação por políticas de extrema direita.

Banido na Alemanha desde a 2a Guerra Mundial, o livro delineia a visão de Hitler de supremacia racial. Apesar de incluir trechos anti-semitas e anti-russos, o livro tem sido promovido por alguns grupos russos de extrema direita.

O livro tem uma "perspectiva militar que justifica a discriminação e a destruição de raças não-arianas e reflete ideias que, quando implementadas, deram início à 2a Guerra Mundial", disse em comunicado promotoria-geral russa.

"Até agora, o 'Mein Kampf' não era reconhecido como extremista", disse o comunicado, anunciando a proibição do livro e sua inclusão numa lista federal de materiais extremistas. O livro estava disponível nas lojas e online, segundo o comunicado.

Extremistas russos atacaram trabalhadores imigrantes de nações pobres da Ásia Central e do Cáucaso que vão à Rússia e frequentemente buscam empregos subalternos e vivem em condições precárias, assim como estudantes africanos e asiáticos e russos sem aparência eslava.

Ao menos 60 pessoas morreram e 306 ficaram feridas em ataques racistas na Rússia no ano passado, de acordo com a Sova, organização não-governamental em Moscou que rastreia violência racista.

A proibição foi instaurada depois que um departamento regional da promotoria buscou novas formas de combater o extremismo e descobriu que o livro estava sendo distribuído na região de Ufa.

Hitler ditou o livro para seu assistente Rudolf Hess enquanto estava em uma prisão na Baviera depois da frustrada tentativa de golpe conhecida como o "Putsch de Munique" em 1923. O livro explica sua doutrina de supremacia racial alemã e suas ambições de anexar áreas gigantescas da União Soviética.

Na Alemanha, é ilegal distribuir o livro exceto em circunstâncias especiais, como para pesquisa acadêmica. Mas o livro está disponível em outros lugares, com a livraria online amazon.co.uk.

Mas a proibição fará pouco para restringir material que promove o nazismo na Rússia, disse Galina Kozhevnikova, do Sova.

"Eu tenho a sensação de que pessoas precisavam divulgar que estavam combatendo o extremismo", disse ela sobre a proibição do livro. "Ainda estará disponível na Internet, é impossível impedir que seja distribuído", disse ela.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Enem 2010 pode ser no primeiro fim de semana de novembro

O Ministério da Educação (MEC) estuda a possibilidade de realizar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2010 nos dias 6 e 7 de novembro. Na terça (23), durante reunião com os reitores das universidades federais, o MEC apresentou um cronograma preliminar, com início das inscrições em junho e encerramento do processo em janeiro de 2011. As datas, entretanto, ainda estão sendo analisadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ).

Em uma ocasião anterior, o ministro da Educação, Fernando Haddad, já havia informado que as provas deveriam ocorrer apenas após o segundo turno das eleições. Mesmo sem duas edições do Enem ao ano previstas anteriormente, ontem o MEC confirmou que haverá uma nova rodada do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) em junho. Os alunos interessados em disputar vagas em instituições públicas de ensino por meio do sistema deverão utilizar a nota do Enem 2009.

Livros ganham tratamento tridimensional na Coreia do Sul

Livros com "pop-ups" que saltam das páginas são ultrapassados: cientistas sul-coreanos desenvolveram uma tecnologia tridimensional para livros que leva os personagens a literalmente saltarem das páginas.

A popularidade do entretenimento 3D vem sendo incentivada por uma leva de filmes recentes, incluindo o blockbuster de ficção científica "Avatar" e "Alice no País das Maravilhas".


Várias empresas estão oferecendo televisores 3D, e um console de videogames em 3D será lançado em breve.


No Instituto Gwangju de Ciência e Tecnologia, na Coreia do Sul, pesquisadores usaram tecnologia 3D para animar dois livros infantis de contos folclóricos coreanos, com dragões que se contorcem e heróis que saltam sobre montanhas.


As imagens nos livros têm dispositivos que desencadeiam a animação em 3D para leitores que estiverem usando óculos especiais de tela de computador. Quando o leitor lê o livro e o movimenta, a animação 3D se movimenta de acordo.


"Levamos mais ou menos três anos para desenvolver o software para isto", disse Kim Sang-cheol, líder da equipe responsável pelo projeto.


Kim disse que a tecnologia poderá ser usada para qualquer tipo de livro. Ele prevê que, com o tempo, ela seja empregada com imagens exibidas por smartphones ou em museus para intensificar a visão dos objetos expostos.


Mas quem estiver esperando para ler livros tridimensionais talvez precise ter paciência.


"Vai levar algum tempo para esta tecnologia ser oferecida ao público em geral", disse Kim. Ele não soube avaliar o preço eventual, mas acha que será algo suficientemente acessível para poder ser oferecido ao mercado.

Fonte: Reuters

quarta-feira, 17 de março de 2010

UFRGS anuncia lista de leituras obrigatórias para o Vestibular 2011

Guimarães Rosa, Dias Gomes e Rubem Fonseca fazem parte da relação de obras

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulguo na tarde desta terça-feira as leituras obrigatórias para o concurso vestibular de 2011. A relação de leituras incorpora as obras "Manuelzão e Miguilim (Campo Geral e Uma estória de amor)", de Guimarães Rosa; "O pagador de promessas", de Dias Gomes; "Feliz ano novo", de Rubem Fonseca; e "O filho eterno", de Cristóvão Tezza.
A partir da resolução do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UFRGS, a partir do Concurso Vestibular 2007, a lista de leituras obrigatórias para a prova de Literatura de Língua Portuguesa tem se renovado ano a ano, sempre com a substituição de quatro obras.

Segue a lista completa dos livros exigidos para o próximo vestibular da UFRGS:
1. Basilio da Gama – O Uruguai
2. José de Alencar - Lucíola
3. Poemas de Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa (1. Mestre, Meu Mestre Querido!, 2. Ao Volante do Chevrolet pela Estrada de Sintra, 3. Grandes, São os Desertos, e Tudo é Deserto, 4. Lisboa com suas Casas, 5. Todas as Cartas de Amor São, 6. Ode Triunfal, 7. Lisbon Revisited (1923), 8. Tabacaria, 9. Aniversário, 10. Poema em linha reta)
4. Machado de Assis – Memórias póstumas de Brás Cubas
5. Contos de Machado de Assis – (O caso da vara, Pai contra mãe, Capítulo dos chapéus)
6. Eça de Queirós – O primo Basílio
7. Manuel Bandeira – Estrela da vida inteira
8. Cyro Martins – Porteira fechada
9. Guimarães Rosa – Manuelzão e Miguilim (Campo Geral e Uma estória de amor)
10. Dias Gomes – O pagador de promessas
11. Rubem Fonseca – Feliz ano novo
12. Cristóvão Tezza – O filho eterno

Fonte: ClicRBS

quinta-feira, 11 de março de 2010

CHAPEUZINHO VERMELHO NA IMPRENSA: Diferentes Maneiras de Contar a Mesma História


CHAPEUZINHO VERMELHO NA IMPRENSA.

JORNAL NACIONAL
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... '.
(Fátima Bernardes): '... Mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia'.

PROGRAMA DA HEBE
(Hebe Camargo): 'Nossa... Que gracinha gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?'

BRASIL URGENTE
(Datena): '... Onde é que a gente vai parar cadê as autoridades? Cadê as autoridades? ! A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público!
E foi devorada viva... Um lobo, um lobo safado. Põe na tela!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não. '

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo.

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.


FOLHA DE S. PAULO
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'.
Na matéria, Box com um zoólogo explicando os hábitos dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

O GLOBO
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente..

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó.

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa'

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu.

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado

SUPER INTERESSANTE
Lobo mau! Mito ou Verdade?
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.


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O texto acima foi encontrado na web (mais precisamente no forum Filewarez.tv) e a autoria lamentavelmente foi omitida. Mas achei muito interessante a forma como se deu a brincadeira com a presença das marcas ideológicas no discurso. Vale a postagem!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Entrevista: Ferreira Gullar (Revista Bravo)


"A Poesia Surge do Espanto"
De repente, quando se ergue da cadeira, o poeta percebe que o fêmur de uma perna resvala no osso da bacia. Aquilo o intriga. “É desse tipo de surpresa que nasce um poema”, diz Ferreira Gullar


Por Armando Antenore

Certa manhã, enquanto fazia recortes para novas colagens, notou que umas tiras miúdas de papel salpicavam o piso da sala. Mal se abaixou com a intenção de recolhê-las, viu que formavam um desenho abstrato. A figura inusitada e bela surgira de modo espontâneo, à revelia de qualquer pretensão estética. O escritor, hipnotizado, apanhou os pedacinhos de papel e os fixou em uma cartolina amarronzada exatamente da maneira como caíram no chão. Batizou o trabalho de Por Acaso, Puro Acaso. Quem percorre o apartamento carioca logo avista a composição pendurada numa nesga de parede e um tanto oprimida pelas dezenas de outros quadros e gravuras que decoram o imóvel — a maioria de artistas tão míticos quanto Iberê Camargo, Rubem Valentim, Oscar Niemeyer e Marcelo Grassmann. "Todos bons amigos", comenta o dono da casa, com um híbrido de displicência e orgulho.

O episódio dos papéis revela muito sobre o jeito de o poeta enxergar a vida e o ato criativo. Para o autor do célebre Poema Sujo, viver (ou criar) é o resultado de um diálogo contínuo entre o arbítrio e o inesperado, a ordem e a desordem, a necessidade e o acaso. O assunto veio à tona numa tarde abafada de fevereiro, ao longo da conversa de três horas que Gullar manteve com BRAVO!. O apartamento de Copacabana, silencioso àquela altura do dia, serviu de cenário.

Viúvo, o maranhense namora a poetisa gaúcha Cláudia Ahimsa. Ele a conheceu durante a Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 1994. Pouco tempo antes, amargara a morte da mulher, Thereza Aragão, e de um dos três filhos, o caçula Marcos. Inspirado pela atual companheira, escreveu os versos "Olho a árvore e já/ não pergunto 'para quê?'/ A estranheza do mundo/ se dissipa em você".

BRAVO!: O senso comum costuma apregoar que poetas nascem poetas. Poesia é destino?

Ferreira Gullar: Prefiro dizer que é vocação. O poeta traz do berço um modo próprio de lidar com a palavra. Não se trata, porém, de um presente dos deuses, de uma concessão divina, como se pregava em outras épocas. Trata-se de um fenômeno genético, biológico, sei lá. Há quem nasça com talento para pintar, jogar futebol ou roubar. E há quem nasça com talento para fazer poemas. Sem a vocação, o sujeito não vai longe. Pode virar um excelente leitor ou crítico de poesia, mas nunca se transformará num poeta respeitável. Quando um jovem me mostra originais, percebo de cara se é ou não do ramo. Leio dois ou três poemas e concluo de imediato. Por outro lado, caso o sujeito tenha a vocação e não trabalhe duro, dificilmente produzirá um verso que preste. Se não estudar, se não batalhar pelo domínio da linguagem, acabará desperdiçando o talento. "Nasci poeta, vou ser poeta." Não, não funciona assim. Converter a vocação em expressão demanda um esforço imenso. Tudo vai depender do equilíbrio entre o acaso e a necessidade. A vocação é acaso. A expressão é necessidade. Compreende a diferença? No fundo, a vida não passa de uma constante tensão entre acaso e necessidade.

Nada escapa desse binômio?

Nada. O que faz o homem sobre a Terra? Luta para neutralizar o acaso. Eis a principal necessidade humana: driblar o imprevisível, a bala perdida. Concebemos Deus justamente porque buscamos nos proteger da bala perdida. Deus é a providência que elimina o acaso. É o antiacaso.

Você não crê que Ele exista?

Gostaria de acreditar, mas não acredito. Uma pena... Poucas crenças podem ser mais reconfortantes do que a fé em Deus. Ele enche de sentido as nossas vidas sem sentido. "Eu não sou cachorro, não!", cantava o Waldick Soriano, lembra? Uma frase sugestiva, já que os homens realmente não se veem como cachorros. Os homens anseiam uma condição sublime. Não à toa, inventaram Deus: para que Deus os criasse. Se você pensar direito, todas as coisas abstratas ou concretas que a humanidade constrói têm a intenção de dar significado à vida — e, não raro, um significado especial. Nós, que frequentemente praticamos atos injustos, inventamos a justiça. Por quê? Porque desejamos ser melhores do que somos e tornar menos insolúvel o mistério de viver. A arte surge pelo mesmo motivo.

Conclui-se, então, que o poema também almeja dar significado à vida.

O poema nasce do espanto, e o espanto decorre do incompreensível. Vou contar uma história: um dia, estava vendo televisão e o telefone tocou. Mal me ergui para atendê-lo, o fêmur de uma das minhas pernas bateu no osso da bacia. Algo do tipo já acontecera antes? Com certeza. Entretanto, naquela ocasião, o atrito dos ossos me espantou. Uma ocorrência explicável de súbito ganhou contornos inexplicáveis. Quer dizer que sou osso?, refleti, surpreso. Eu sou osso? Osso pergunta? A parte que em mim pergunta é igualmente osso? Na tentativa de elucidar os questionamentos despertados pelo espanto, eclode um poema. Entende agora por que demoro 10, 12 anos para lançar um novo livro de poesia? Porque preciso do espanto. Não determino o instante de escrever: "Hoje vou sentar e redigir um poema". A poesia está além de minha vontade. Por isso, quando me indagam se sou Ferreira Gullar, respondo: "Às vezes".

A falta de controle sobre o ato de escrever o angustia?

Não, em absoluto. A experiência de criar um poema é maravilhosa. Mas, como não depende inteiramente de mim, sei que corro o risco de nunca mais vivenciá-la. Se parar de fazer poesia, vou lamentar — só que não a ponto de disparar um tiro na cabeça. Nenhum poema, de nenhum poeta, me parece imprescindível. Dante Alighieri poderia não ter escrito A Divina Comédia. Ou poderia tê-la escrito de outro jeito. Novamente: tudo se subordina à lei do acaso e da necessidade.

Um poema deve sempre emocionar?

Sim, deve emocionar primeiro o poeta e depois o leitor.

O pernambucano João Cabral de Melo Neto, com quem você conviveu, pensava diferente, não? Ele preconizava uma poesia menos emotiva.

João Cabral gostava de mentir! (risos) Pegue o poema O Ovo de Galinha e veja se aquilo não comove o leitor. Você acha que o João também não se comoveu ao escrevê-lo? Lógico que se comoveu! Na verdade, João recusava a ideia de o poeta transformar a poesia em confessionário, em objeto do sentimentalismo. Daí proclamar que o poema tinha de ser uma construção intelectual. A razão lhe serviu de bússola. No entanto, paradoxalmente, inúmeros de seus versos não resultaram tão frios. À medida que o tempo passa, o João se revela cada vez mais complexo, uma soma de contradições — o que, no fim das contas, só aumenta a grandeza dele.

Você concorda quando os críticos apontam o Poema Sujo, de 1975, como sua obra máxima?

Difícil responder. Não me debrucei profundamente sobre o assunto... O Poema Sujo é, de fato, o que reúne o maior número de interrogações e descobertas — em parte, pela extensão (os versos se espalham por quase 60 páginas); em parte, pela febre criativa que me assaltou enquanto o redigia. Entre maio e outubro de 1975, fiquei imerso no que classifico de "estado poético". Nada me tirava daquele clima. Eu comentava, brincando, que me tornara uma espécie de rei Midas. Tudo em que botava a mão virava ouro, tudo virava poesia. Foi uma fase excepcional. Para mim, porém, trabalhos mais recentes podem ter importância idêntica à do Poema Sujo, por exprimirem reflexões novas, algo que não me ocorrera dizer antes.

Uma parcela da crítica sustenta que você é o maior poeta brasileiro vivo. É mesmo?

Imagine! E como se mede o tamanho de um poeta?, já perguntava Carlos Drummond de Andrade. Que régua consegue dimensionar um negócio desses? Claro que, quando escuto uma avaliação do gênero, me envaideço. Mas não me iludo. Cada poeta, vivo ou morto, é inigualável. O João Cabral, o próprio Drummond, o Vinicius de Moraes, o Mário Quintana nos transmitiram um legado riquíssimo. São inventores de um universo muito pessoal e insubstituível. Sem mencionar o Murilo Mendes, autor de pérolas tão lindas quanto "A mulher do fim do mundo/ Chama a luz com um assobio".

Poeticamente, você jamais permaneceu num único lugar e sempre procurou a renovação. Em contrapartida, como crítico, acabou recebendo a pecha de conservador, por rejeitar diversas manifestações da arte contemporânea. O rótulo o incomoda?

Não, não me incomoda. Nesta altura do campeonato, quando o vale-tudo se apoderou das artes plásticas, a qualificação de "conservador" perdeu sentido. Conservador por quê? Por diferenciar expressão e arte? No meu entender, toda arte é expressão, mas nem toda expressão é arte. Se me machuco e grito de dor, estou me expressando; não estou produzindo arte. Da mesma maneira, se alguém começa a bater numa lata, emite sons; não cria música. O filósofo francês Jacques Maritain, católico, afirmava que a arte é "o Céu da razão operativa". Ou melhor: é o ápice do trabalho humano. Arte, portanto, pressupõe o "saber fazer". Saber pintar, saber dançar, saber esculpir, saber fotografar, saber tocar, saber compor. Tal critério prevaleceu durante milhares de anos, desde as cavernas até o advento das vanguardas, no final do século 19, período em que se questionou o "saber fazer". Pois bem: sob a minha ótica, a preocupação vanguardista é um fenômeno que se esgotou. Por milhares de anos, a arte seguiu adiante sem ligar para o conceito de vanguarda. Ninguém me convencerá de que, em pleno século 21, crucificar-se na traseira de um Fusca, deixar-se filmar cortando a vagina ou masturbar-se numa galeria equivale a um gesto artístico. Segundo o norte-americano John Canaday, historiador da arte, os críticos de hoje temem repetir o erro cometido pelos críticos do século 19, que não compreenderam os impressionistas. Em consequência, assinam embaixo de qualquer bobagem que levante a bandeira do "novo". Percebe a armadilha? Caso três ou quatro artistas resolvam espremer uma bisnaga de tinta no nariz de um crítico, ouvirão dele que praticaram um ato inovador. Definitivamente, não penso desse modo.

Nos tempos de militância comunista, você usou a poesia com fins políticos. O engajamento dos poetas ainda se justifica?

Não, de jeito nenhum. Os poetas, agora, irão se engajar em quê? No socialismo ridículo do Hugo Chávez? Foi um engano imaginar que versos contribuiriam para a revolução social. Admito que um poema consiga iluminar o leitor, consiga lhe abrir a cabeça. Mas daí a mudar a sociedade... Muito complicado! Abandonei todos os mitos daquela época. Não creio mais em luta de classes. Já aprendi que o capitalismo é como a natureza: invencível.

E a crise econômica que o mundo enfrenta atualmente? Não põe o capitalismo em xeque?

Sem dúvida atravessamos um momento delicadíssimo. Mesmo assim, estou convicto de que o capitalismo resistirá. Trata-se apenas de mais uma crise num sistema que vive de crises. Repito: o capitalismo vai imperar porque segue a lógica da natureza. É brutal, é feroz, é amoral. Não demonstra piedade por nada nem por ninguém. Em compensação, nos oferece uma série de benefícios. O capitalismo, à semelhança da natureza, se desenvolve espontaneamente. Não precisa que meia dúzia de burocratas dite o rumo das coisas, como acontecia nos regimes socialistas. Em qualquer canto, há um cara inventando uma empresinha. De repente, no meio deles, aparece um Bill Gates. São multidões em busca de dinheiro! Impossível deter uma engrenagem tão eficiente. Podemos, no máximo, brigar para que as desigualdades geradas pelo capitalismo diminuam. Aliás, convém que briguemos. Não devemos abdicar de um mundo mais justo, ainda que capitalista.

Como você avalia o governo Lula?

Avalio mal. O Lula é um grande pelego. Sabe aquele indivíduo que se infiltra nos sindicatos para amortecer os conflitos entre trabalhadores e patrões? O Lula age exatamente assim. Por um lado, agrada os banqueiros e os empresários. Por outro, corrompe o povão com programas assistencialistas. Posa de líder popular, e a massa o aplaude. Viva o pai dos pobres! Resultado: todo mundo confia no Lula, o rico e o miserável. Em decorrência, as tensões sociais se diluem. Que maravilha, não? Um país de carneirinhos...

Em setembro de 2010, você completa 80 anos. Sente-se realizado?

Olha, a vida é uma cesta em que, quanto mais se põe, mais se deseja colocar. Estamos sempre partindo do zero. Hoje pinto um quadro ou termino de ler um livro. Fico satisfeito. Mas, amanhã, me pergunto: e agora?