quarta-feira, 24 de abril de 2013

Testes: Gregório de Matos (Leitura Obrigatória UFRGS 2014)

Gregório de Matos faz parte das leituras obrigatórias UFRGS 2014 e também figura na prova da UPF. Abaixo temos uma lista com 25 testes para avaliar seus conhecimentos sobre este autor fundamental da literatura brasileira.

Baixe aqui a lista completa!


Testes Gregório de Matos – Prof. Edir

1-     Leia os versos:

           "Nasce o Sol, e não dura mais que um dia.
          Depois da luz, se segue a noite escura,
          Em tristes sombras morre a formosura,
          Em contínuas tristezas a alegria."

          Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos Guerra, a principal característica Barroca é:

a) o culto a Natureza
b) a utilização de rimas alternadas
c) a forte presença de antíteses
d) o culto do amor cortês
e) o uso de aliterações

2-     Entre os nomes e características apresentados a seguir, destaque os que podem ser associados ao Barroco.

1. Cultismo e Conceptismo
2. Linguagem ornamentada e frases sinuosas
3. Padre Antônio Vieira e Manuel Botelho de Oliveira
4. Preocupação com a racionalidade
5. Gregório de Matos e Basílio da Gama
6. Tentativa de conciliar pólos opostos

          A resposta correta é

a) 1-2-3-6.       c) 1-3-4-5.         e) 2-4-5-6.
b) 1-2-3-5.       d) 2-3-4-6.

3-     Leia os versos de Gregório de Matos Guerra:

Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te,
Te lembra hoje Deus por sua Igreja;
De pó te fez espelho, em que se veja
A vil matéria, de que quis formar-te.

Conforme sugere o excerto acima, o poeta barroco não raro expressa

a) o medo de ser infeliz, uma intensa angústia em face da vida, a que não consegue dar sentido; a desilusão diante da falência de valores terrenos e divinos.
b) a consciência de que o mundo terreno é efêmero e vão; o sentimento de nulidade diante de poder divino.
c) a percepção de que não há saídas para o homem; a certeza de que o aguardam o inferno e a desgraça espiritual.
d) a necessidade de ser piedoso e caritativo, paralela à vontade de fruir até as últimas conseqüências o lado material da vida.
e) a revolta corta os aspectos fatais que os deuses imprimem a seu destino e à vida na Terra.

4-     A respeito da poesia de Gregório de Matos, é INCORRETO afirmar:

a) Pode ser dividida em lírica (amorosa, sacra e filosófica) e satírica.
b) Popularizou-se pela irreverência com que criticou a sociedade da época.
c) É comum apresentar recursos estilísticos que permitem caracterizá-la como cultista.
d) Na vertente religiosa, o conflito se estabelece entre os pólos do pecado e do perdão.
e) O segmento lírico-amoroso trata com igual escárnio mulheres de diferentes posições sociais.

5-     Considere as afirmações abaixo

I - A obra de Gregório de Matos abordou liricamente a religião e a vida amorosa, que se concretizam, na sua poesia, no conflito entre o pecado e o prazer.
II - Para concretizar esses conflitos, Gregório de Matos fez uso frequente de figuras retóricas como antíteses e paradoxos.
III - A crítica social que se pode encontrar nos poemas de Gregório de Matos dirige-se principalmente aos homens públicos de Minas Gerais do século XVIII.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.    c) Apenas I e II.     d) Apenas I e III.

                  b) Apenas II.        e) I, II e III.

6-      Assinale a alternativa incorreta:

          O Barroco surgiu como reação aos ideais da Idade Média e à valorização demasiada da Antigüidade clássica, apresentando:

a) a fusão do teocentrismo com o antropocentrismo.
b) predomínio do equilíbrio em todas as formas artísticas.
c) estilo rebuscado como manifestação de angústia.
d) predomínio de forma, cor e riqueza, em detrimento do conteúdo.
e) a fusão do pecado com o perdão.

7-      (UFRGS) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo sobre os dois grandes nomes do barroco brasileiro.

(    ) A obra poética de Gregório de Matos oscila entre os valores transcendentais e os valores mundanos, exemplificando as tensões do seu tempo.
(    ) O sermões do Padre Vieira caracterizam-se por uma construção de imagens dobradas em numerosos exemplos que visam a enfatizar o conteúdo da pregação.
(    ) Gregório de Matos e o Padre Vieira, em seus poemas e sermões, mostram exacerbados sentimentos patrióticos expressos em linguagem barroca.
(    ) A produção satírica de Gregório de Matos e o tom dos sermões do Padre Vieira representam duas faces da alma barroca no Brasil.
(    ) O poeta e o pregador alertam os contemporâneos para o desvio operado pela retórica retumbante e vazia.

          A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

a) V-F-F-F-F        c) V-V-F-V-F       e) F-F-F-V-V

                  b) V-V-V-V-F        d) F-F-V-V-V

8-     (UFRGS) Leia o texto abaixo, À Cidade da Bahia, de Gregório de Matos.

Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mim abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante.
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh! se quisera Deus, que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!

Assinale a alternativa correta em relação a esse soneto.

a) pela forma de soneto e pelo tom satírico, o poema À Cidade da Bahia antecipa o parnasianismo na poesia brasileira.
b) Gregório optou, no seu poema, pelo tom satírico para melhor expressar sua crítica ao poder do clero.
c) A Bahia é representada através de sua tristeza e antiguidade, enquanto o estrangeiro colonizador é valorizado por suas negociatas e seu vestuário.
d) O poema não dá referências sobre os meios de produção da época, limitando-se a expressar a tristeza do poeta pelo seu empobrecimento.
e) O poema constrói, através de imagens elaboradas, uma crítica à exploração econômica que sofreu a Bahia no período colonial.

9-     (UFRGS 2003) Leia o soneto de Gregório de Matos Guerra.

"Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, porque nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim de fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância."

Considere as afirmações abaixo sobre esse soneto.

I. É um soneto barroco, característico do século XVII, que se compõe de um jogo de contrastes.
II. O primeiro quarteto reúne movimentos cíclicos da natureza, efeitos da passagem do tempo e sentimentos humanos.
III. O segundo quarteto expressa um inconformismo com a passagem do tempo, expresso nas indagações do poeta.

Está(ão) correta(s) apenas

a) I.       b) II.       c) III.      d) I e II.      e) I, II e III.

10-   (UFSM 2001) A respeito da poesia de Gregório de Matos, assinale a alternativa INCORRETA.

a) Tematiza motivos de Minas Gerais, onde o poeta viveu.
b) A lírica religiosa apresenta culpa pelo pecado cometido.
c) As composições satíricas atacam governantes da colônia.
d) O lirismo amoroso é marcado por sensível carga erótica.
e) Apresenta uma divisão entre prazeres terrenos e salvação eterna.

11-   (UFSM 2003) Leia o que Júlio César de Barros editou para o "Veja essa", da revista Veja:


Veja essa

"Seja o que
Deus quiser."
Manchete do jornal argentino
Página 12, no dia da reabertura
dos bancos com câmbio liberado,
após uma semana de feriado bancário.
Veja, ano 25, n°18, 08/05/2002, p. 34.

"Só Deus pode me aposentar."
Romeu Tuma, senador (PFL-SP), afastando
a hipótese de desistir da candidatura
à prefeitura de São Paulo, depois que seu
nome apareceu na fita do juiz Lau-Lau.
Veja, ano 33, n°30, 26/07/2000, p. 36.

Agora, leia o soneto de Gregório de Matos:

Isto, que ouço chamar por todo o mundo
Fortuna, de uns cruel, d'outra ímpia,
É no rigor da boa teologia
Providência de Deus alto, e profundo.

Vai-se com o temporal a Nau ao fundo
Carregada de rica mercancia*,
Queixa-se da Fortuna, que a envia,
E eu sei, que a submergiu Deus iracundo.

Mas se faz tudo a alta Providência
De Deus, como reparte justamente
À culpa bens, e males à inocência?

Não sou tão perspicaz, nem tão ciente,
Que explique arcanos** d'alta inteligência,
Só vos lembro, que é Deus, o providente.

* mercancia = mercadoria
** arcanos = mistérios

          Tanto a manchete do jornal argentino quanto o comentário de Romeu Tuma declaram que só Deus tem o poder de determinar o futuro do homem. Já o poema se refere a critérios divinos em que pecadores são premiados e inocentes são castigados, o que pode ser melhor identificado no(s)

a) 1° quarteto.            d) 1° quarteto e 2° terceto.
b) 2° quarteto.                        e) 2° quarteto e 2° terceto.
c) 1° terceto.

(UNIFRA 2005) As questões 12 e 13 referem-se ao texto de Gregório de Matos Guerra.

“Ó tu do meu amor fiel traslado
Mariposa entre as chamas consumida,
Pois se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.

Tu de amante o teu fim hás encontrado,
Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo, que exalou, morro abrasado.

Ambos de firmes anelando chamas,
Tu a vida deixas, eu a morte imploro
Nas constâncias iguais, iguais nas famas.

Mas ai! Que a diferença entre nós choro,
Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.”

12-  Com relação ao poema, assinale a alternativa correta.

a) Trata-se de um soneto, forma lírica que tem início no Modernismo, quando se afirma o racionalismo em meio às dores sentimentais do sujeito fragmentado.
b) No texto poético, predomina uma linguagem simples, ligada ao cotidiano, assim como é simplificada a estruturação dos versos, em que não existe inversão na organização sintática.
c) O termo “chamas” é utilizado no sentido denotativo, pois as mariposas buscam a luz das velas; no entanto, quando o poeta fala em fogo, emprega o sentido conotativo, pois se refere à sua paixão.
d) Não existe a utilização de figuras de linguagem como a metonímia e a metáfora nos versos, tendo em vista tratar-se de uma expressão lírica típica das formulações objetivas do romantismo expressionista.
e) Na contraposição da luz com a morte, estabelece-se uma síntese que anula o sentido paradoxal das emoções do eu-lírico.

13-  Com relação ao período literário no qual se insere o texto, pode-se afirmar que:

a) Trata-se da estética modernista na qual imperavam as crises individuais do homem diante do progresso racionalista, representado pela idéia da luz do pensamento.
b) O movimento da Contrarreforma foi um dos principais motivos de seu desenvolvimento, quando ao racionalismo renascentista sobrepôs-se a força do sentimento religioso, gerando a tensão dos paradoxos pelos quais passou a se expressar o artista do século XVII.
c) Significou um momento de forte expressão da passividade individual diante da luta pela preservação da vida, sentimento típico do bucolismo árcade.
d) Revelou a maior contribuição do preciosismo vocabular, bem de acordo com as prerrogativas artístico literárias do parnasianismo setecentista.
e) Caracterizou-se pelo uso de símbolos numa época
de grande abstração do pensamento humano, como
exemplifica a marcante recorrência do termo “mariposa” (= metamorfose).

14-  (UPF 2008) Leia o seguinte soneto de Gregório de Matos.

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Considere as seguintes afirmações.

I. O poema está construído sob diversas antíteses, por meio dos quais é evidenciada a ideia da instabilidade das coisas do mundo.
II. O eu lírico do poema expressa angústia frente à efemeridade da vida, especialmente porque nunca saberá os mistérios que determinam as mudanças das coisas terrenas.
III. À semelhança de alguns poemas de Luís Vaz de Camões, o poema de Gregório de Matos é um exemplo de soneto metafísico, evidenciando a angústia do eu lírico devido à constatação de que nada se altera e que tudo retorna ao conhecimento do homem.

Quais estão corretas?

a) Apenas I           b) Apenas II       c) Apenas I e II

                 d) Apenas II e III           e) I, II e III

15-  (UPF 2009 Verão) Leia o soneto abaixo, composto por Gregório de Matos:

É a vaidade, Fábio, nesta vida
Rosa, que de manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.

É nau enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:

Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?

Considere as seguintes afirmações.

I. É um soneto no qual o poeta explica o que é a vaidade. Nele são desenvolvidos dois temas muito caros ao barroco: o caráter passageiro da vida e a inevitabilidade da morte.

II. Para esclarecer a sua idéia de vaidade, o poeta atribui significados para rosa, planta e nau e estabelece uma relação entre o significado de cada um desses termos e o vocábulo “vaidade”. Na primeira estrofe, o poeta diz que a vaidade é beleza aparente e, na segunda, que é esplendor e ornamentos. Na terceira, caracteriza o homem vaidoso, dizendo que este, embora tenha a presunção de ser eterno, atribui maior valor ao que é exterior e breve.

III. A última estrofe questiona se a vaidade vale a pena, uma vez que a morte é inexorável.

Quais estão corretas?

a) Apenas I          b) Apenas II         c) Apenas I e II

             d) Apenas II e III          e) I, II e III

16-  (UPF 2010 - Verão) Leia este poema de Gregório de Matos.

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia,
O Ar, que fresco Adonis te namora,
Te espalha a rica tranca brilhadora
Quando vem passear-te pela fria.

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata, a toda a ligeireza
E imprime em toda flor sua pisada.

Oh não aguardes que a madura idade
te converta essa flor, essa beleza,
em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Leia as afirmações relativas ao poema acima.

I. Trata-se de um exemplo de poema amoroso de Gregório de Matos.

II. O poema sugere que o tempo converte a beleza e a juventude em morte, em fim, em nada. Portanto, e preciso aproveitar todo o tempo em que e possível gozar a vida. Assim, por meio destes versos, Gregório de Matos desenvolve um dos temas caros ao barroco, a passagem do tempo.

III. O poema possibilita refletir sobre a angústia do homem barroco ao tomar consciência de que, embora lhe seja possível contar o tempo, não tem a capacidade de controlar a sua passagem.

Qual(s) esta(ao) correta(s)?

a) I, II e III           b) Apenas I e II        c) Apenas I e III

            d) Apenas II e III             e) Apenas I

17-  (UPF 2010 - Inverno) Analise este poema de Gregório de Matos:

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

Assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas, referentes ao poema acima:

(__) Integra o conjunto de poesias religiosas e demonstra que o temperamento combativo característico de tantos outros textos seus perde a rudeza, ganhando espaço uma ternura que sugere confiança e sinceridade.
(__) O eu lírico procura criar uma identificação com Cristo, assumindo uma posição humilde diante da grandeza divina, reconhecendo-se como pecador.
(__) Embora não fique evidente no poema o senso do pecado, o eu lírico expressa com veemência o seu desejo de ser perdoado.
(__) A contradição própria do homem barroco, que vivia com o espírito dilacerado devido ao significado da religião em sua existência e à vivência dos apelos mundanos, que o faziam pecar, fica clara pelo jogo de antíteses presente na estrutura do soneto. A presença dessa figura revela o refinamento da ideia predominante no poema.
(__) O eu lírico sente-se merecedor de estar intimamente unido a Cristo. Esse sentimento faz com que ele não expresse angústia e outros conflitos interiores ao se dirigir à divindade.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

a) V-V-F-V-F           b) V-F-F-F-V          c) F-V-V-F-V

                    d) V-F-F-V-V                e) F-F-V-F-F

18-  (UNIFRA 2010 – Inverno adaptada) Leia, com atenção, o poema que segue:


Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade,
É verdade, Meu Deus, que hei delinquido,
Delinquido vos tenho, e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.

Maldade, que encaminha à vaidade,
Vaidade, que todo me há vencido;
Vencido quero ver-me, e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.

Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços, que me rendem vossa luz.

Luz que claro me mostra a salvação,
A salvação pretendo em tais abraços,
Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus.

Analise as afirmativas:

I - Trata-se de ______ , de Gregório de Matos, que revela traços da escola barroca.
II - Os dois primeiros quartetos apresentam a ideia de pecado e as duas últimas estrofes, a ideia de ______ .

Assinale a alternativa cujos termos completam corretamente as afirmativas I e II.

a) I – um soneto II – arrependimento
b) I – uma elegia II – sarcasmo
c) I – uma elegia II – revelação
d) I – uma ode II – iluminação
e) I – um soneto II – ironia

19-  (UFOP 2010) Leia o poema abaixo:

Aos principais da Bahia, chamados Caramurus

Há coisa como ver um Paiaiá
Mui prezado de ser Caramuru,
Descendente do sangue de tatu
Cujo torpe idioma é Cobepá?

A linha feminina é Carimá
Muqueca, pititinga, caruru,
Mingau de puba, vinho de caju
Pisado num pilão de Pirajá.

A masculina é uma Aricobé
Cuja filha Cobé, c´um branco Paí
Dormiu no promontório de Passé.

O branco é um Marau que veio aqui:
Ela é uma índia de Maré;
Cobepá, Aricobé, Cobé, Paí.

(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos.
São Paulo: Cultrix, 1976. p.100)

Vocabulário:
paiaiá: pajé cobé: tupi cobepá: dialeto da tribo cobé
pititinga: peixe pequeno aricobé: tribo de índios
carimá: bolo de mandioca caramuru: europeu

Leia os comentários abaixo sobre o poema e assinale a alternativa que enumera as afirmativas CORRETAS.

1. No poema de Gregório, a mescla de português com vocabulário indígena é utilizada para produzir efeito cômico.
2. O poema é uma sátira aos descendentes de índios que ocupam posições de prestígio na administração da colônia.
3. O poema apresenta uma crítica aos desmandos e à corrupção do Brasil colônia, adotando o ponto de vista das minorias oprimidas.
4. O uso rigoroso da forma do soneto revela a familiaridade de Gregório de Matos com a tradição letrada de sua época.

a) 1, 2 e 4.               b) 2, 3 e 4.             c) 1, 2 e 3.

                    d) 2, 3 e 4.                       e) 3 e 4

20-  (UFSM 2011) O estilo cultista também exige exercício mental para a compreensão do texto, como neste soneto de Gregório de Matos dedicado a sua futura esposa, Maria dos Povos:

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo claramente
Na vossa ardente vista o sol ardente,
E na rosada face a aurora fria:

Enquanto pois produz, enquanto cria
Essa esfera gentil, mina excelente
No cabelo o metal mais reluzente,
E na boca a mais fina pedraria:

Gozai, gozai da flor da formosura,
Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido o que é verdura.

Que passado o zênite* da mocidade,
Sem a noite encontrar da sepultura
É cada dia ocaso da beldade.
* zênite: o ponto mais alto a que chega o sol; auge,
apogeu.

Esse estilo retorcido manifesta-se no uso abusivo de _________ em todas as estrofes; no desequilíbrio e na tensão das antíteses presentes nas estrofes ________ e no preciosismo das metáforas como ocorre em "esfera gentil, mina excelente", referindo-se ___________, e em "a mais fina pedraria", significando __________ .

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
a) hipérboles - 1 e 2 - ao sol ardente - a fala de Maria
b) hipérbatos - 2 e 4 - ao rosto de Maria - o sorriso de Maria
c) hipérboles - 1 e 3 - ao olhar de Maria - os diamantes da região
d) hipérbatos - 1 e 4 - ao astro solar - os dentes de Maria
e) hipérboles - 3 e 4 - às minas da região - as joias de Maria

(UEL 2012) Leia o poema a seguir e responda às questões 21 e 22.

QUEIXA-SE O POETA EM QUE O MUNDO VAY ERRADO, E QUERENDO EMENDÂLO O TEM POR EMPREZA DIFFICULTOSA.

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há-de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco cos demais que ser sisudo.

21-  A partir da leitura do poema, assinale a alternativa correta.

a) De temática satírica, o soneto aborda o tema da insanidade, buscando criticar a sociedade da época que não sabia lidar com a loucura, o que antecipa um tema que será abordado pelos poetas românticos.
b) O eu-lírico expressa um sentimento de culpa diante da sua impossibilidade de compreender o mundo, o que está em total consonância com o veio religioso da obra de Gregório de Matos.
c) De inspiração filosófica, o poema trata dos desenganos do eu-lírico frente a um mundo que não o entende e que o torna um indivíduo solitário, muitas vezes obrigado a acompanhar a loucura “dos demais”.
d) A temática religiosa aparece neste poema por meio da referência a Jesus Cristo, dada já na primeira estrofe, em que a metáfora da via-crucis é apresentada pelo eu-lírico como retrato de seu próprio sofrimento.
e) De temática amorosa, o poema traz os lamentos do eu-lírico, que, incapaz de conquistar o amor da mulher amada, usa o poema como fuga da realidade, procurando na loucura, assim, uma redenção para a sua dor.

22-  A respeito do poema, considere as afirmativas a seguir.

I. O eu-lírico se identifica com os intelectuais parnasianos, cujo engenho lhe inspira admiração, em oposição aos insanos de quem se distancia, associados a “bestas”, numa referência indireta à liberdade artística do movimento romântico.
II. O caminho a que se refere o eu-lírico ao longo do poema é uma metáfora da vida do próprio poeta, que se vale de dados concretos e fatos autobiográficos a fim de conferir maior verossimilhança à comparação entre vida e caminho.
III. O soneto de Gregório de Matos demonstra nítida inspiração petrarquiana, de modo que o equilíbrio formal do poema é alcançado pelo uso de versos decassílabos e de rimas interpoladas nos quartetos e intercaladas nos tercetos.
IV. Característica da lírica de Camões, o desconcerto do mundo aparece no soneto de Gregório de Matos na voz do eu-lírico que reconhece a insuficiência do intelecto diante da complexidade do universo.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Instrução O texto abaixo refere-se à questão número 01.
01 Triste Bahia! ó quão dessemelhante
02 Estás e estou do nosso antigo estado!
03 Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
04 Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

05 A ti trocou-te a máquina mercante,
06 que em tua larga barra tem entrado,
07 A mi foi-me trocando e tem trocado
08 Tanto negócio e tanto negociante.

09 Deste em dar tanto açúcar excelente
10 Pelas drogas inúteis, que abelhuda
11 Simples aceitas do sagaz Brichote.

12 Oh se quisera Deus que de repente
13 Um dia amanheceras tão sisuda
14 Que fora de algodão o teu capote!

23-  (UFRGS 2012) - Com relação ao soneto de Gregório de Matos acima transcrito, assinale a afirmação incorreta.

(A) A expressão quão dessemelhante (verso 1) aponta um contraste entre o passado e o presente, entre um antigo estado (verso 2) e um estado atual.
(B) À lamentação expressa no primeiro quarteto, segue-se, no segundo, a menção às forcas motivadoras da transformação do estado anterior.
(C) As transformações sofridas pela Bahia e pelo poeta aconteceram no passado e já se encerraram, conforme se pode constatar no segundo quarteto.
(D) No primeiro Terceto, o caráter lesivo das trocas mencionadas torna-se evidente pelo contraste entre a excelência do açúcar e a inutilidade das drogas.
(E) As duas últimas estrofes expressam o desejo do poeta de ver a Bahia modificar-se: passar de abelhuda a sisuda.

24-  (UFRGS-2013) Leia o poema abaixo, de Gregório de Matos Guerra.

Retrato / Dona Ângela

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor e anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, senão em vós, se uniformara?

Quem veria uma flor, que não a cortara
Do verde pé, da rama florescente?
E quem um anjo vira tão luzente,
Que por seu deus não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares
Fôreis o meu custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares,

Mas vejo que tão bela e tão galharda,
Posto que os anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo que me tenta, e não me guarda.

Considere as seguintes afirmações sobre o poema.

I . O poeta explora o paralelo entre Anjo e Angélica e revela a condição perecível e doméstica da flor, permitindo que se perceba a uniformização pretendida pelo barroco, a qual estabelece regras poéticas rígidas.
II . A mulher Anjo Luzente, no poema, encarna tanto o anjo protetor que livra “de diabólicos azares”, quanto a criatura feminina tentadora que provoca a imaginação e a sensualidade.
III . A associação e o contraste da flor, que seria cortada do verde pé, com o Anjo luzente a ser idolatrado, indica o diálogo do poeta (vós) com o anjo enviado pelos céus para proteger os altares de sua esposa.

Quais estão corretas?

(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas I e II.
(D) Apenas I e III.
(E) I, II e III.

25-   (UFRGS-2013) As duas colunas, abaixo, apresentam versos de lguns poemas de Gregório de Matos Guerra. Associe adequadamente a coluna da direita à da esquerda, indicando os tercetos que pertencem a cada soneto, cujo quarteto inicial se encontra na coluna da esquerda.

1 - Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

2 - Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

3 - Triste Bahia! Oh quão dessemelhante
Estás, e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vejo eu já, tu a mi abundante.

4 - Um soneto começo em vosso gabo:
Contemos esta regra por primeira;
Já lá vão duas, e esta é a terceira,-
Já este quartetinho está no cabo

(   ) eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha a vossa glória.

(   ) Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
A firmeza somente na incostância.

(   ) Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

(   ) N’esta vida um soneto já ditei;
Se d’esta agora escapo, nunca mais:
Louvado seja Deus, que o acabei.

A sequência correta de preenchimento dos parentêses, de cima para baixo, é:

(A) 4 – 2 – 1 – 3.
(B) 3 – 2 – 1 – 4.
(C) 1 – 2 – 3 – 4.
(D) 1 – 4 – 2 – 3.
(E) 2 – 3 – 4 – 1.

GABARITO:



1-      C
2-      A
3-      B
4-      E
5-      C
6-      B
7-      C
8-      E
9-      E
10-   A
11-   C
12-   C
13-   B
14-   C
15-   E
16-   D
17-   E
18-   A
19-   A
20-   D
21-   C
22-   C
23-   C
24-   B
25-   C


domingo, 21 de abril de 2013

Vestibular de Inverno UPF 2013 já tem data!

Vestibular de Inverno 2013 será no dia 29 de junho


A Reitoria da Universidade de Passo Fundo (UPF) definiu nesta segunda-feira (15/04) a data do processo seletivo de Vestibular de Inverno 2013. A prova acontecerá no dia 29 de junho,  sábado, com início às 14h.
As referências bibliográficas e conteúdos programáticos que embasarão a construção da prova já estão disponíveis para consulta e estudo. O material pode ser acessado no site vestibular.upf.br, no item Bibliografia e conteúdos.

Lista de Exercícios Humanismo - Gil Vicente

Clique aqui e baixe a lista


LISTA 1 - HUMANISMO / GIL VICENTE

1-      O teatro de Gil Vicente caracteriza-se por ser fundamentalmente popular. E essa característica manifesta-se, particularmente, em sua linguagem poética, como ocorre no trecho a seguir, de O Auto da Barca do Inferno.

Ó Cavaleiros de Deus,
A vós estou esperando,
Que morrestes pelejando
Por Cristo, Senhor dos Céus!
Sois livres de todo o mal,
Mártires da Madre Igreja,
Que quem morre em tal peleja
Merece paz eternal.

No texto, fala final do Anjo, temos no conjunto dos versos

(A)     variação de ritmo e quebra de rimas.
(B)igualdade de métrica e de esquemas das palavras que rimam.
(C)ausência de ritmo e igualdade de rimas.
(D)     alternância de redondilha maior e menor e simetria de rimas.
(E)redondilha menor e rimas opostas e emparelhadas.

2-      Considere as seguintes afirmações sobre o teatro vicentino.

I.                    Suas peças são escritas em versos, na medida velha, e revelam boa poesia dramática, ao lado da densidade da crítica social, fundada em uma visão medieval, religiosa e cristã de um mundo em transformação.
II.                  Põe em cena todos os segmentos da sociedade portuguesa de seu tempo, da elite palaciana aos excluídos socialmente, e até mesmo a corte, na qual representava suas peças, é alvo da crítica indireta do dramaturgo.
III.                Não obedece à Lei das Três Unidades (tempo, lugar e ação). Suas peças compõem-se de cenas ou quadros encadeados sem rigidez na sequência temporal e espacial.

Quais estão corretas?

(A)                   Apenas I.
(B)                   Apenas III.
(C)                   Apenas I e II.
(D)                   Apenas II e III.
(E)                   I, II e III.

3-      Gil Vicente escreveu o Auto da Barca do Inferno em 1517, no momento em que eclodia na Alemanha a Reforma Protestante com a crítica veemente de Lutero ao mau clero dominante na Igreja. Nessa obra, há a figura do frade, severamente censurado como um sacerdote negligente. Indique a alternativa cujo conteúdo não se presta a caracterizar, na referida peça, os erros cometidos pelo religioso.

a) Não cumprir os votos de celibato, mantendo a concubina Florença.
b) Entregar-se a práticas mundanas, como a dança.
c) Praticar esgrima e usar armamentos de guerra, proibidos aos clérigos.
d) Transformar a religião em manifestação formal, ao automatizar os ritos litúrgicos.
e) Praticar a avareza como cúmplice do Fidalgo, e a exploração da prostituição em parceria com a alcoviteira.

4-      Leia o texto abaixo pautado para responder ao que se pede:
Frade
Corpo de Deus consagrado!
Pela fé de Jesus Cristo
que não posso entender isto!
Hei de ser eu condenado?
Um padre tão namorado,
tão dedicado à virtude!
Dê-me Deus tanta saúde
quanto estou maravilhado.

Diabo
Deixemos de mais demora.
Embarcai e partiremos.
Tomareis um par de remos.

Frade
No ajuste isto não vigora.

Diabo
Pois vai na sentença, agora.

Frade
Não esperava por ela.
Não vai em tal caravela
minha senhora Florença.
Como, por ser namorado
e folgar com uma mulher
há de um frade se perder
com tanto salmo rezado?

Diabo
Ora, estás bem preparado.

Frade
E tu, bem mais prevenido.

Diabo
Devoto, padre e marido,
aqui serás castigado.

( Gil Vicente - Auto da Barca do Inferno )
 A última fala do diabo, revela-nos que o teatro de Gil Vicente, especificamente este Auto da barca do Inferno, pode ser visto também como uma  espécie de tribunal, onde os homens são julgados segundo o que fizeram em suas vidas. Sendo assim, é possível afirmar que:
a) o teatro vicentino apresenta preocupação político-social, pois seu autor defende as classes menos favorecidas, excitando uma considerável revolta social.
b) Gil Vicente contemplou a sociedade de sua época através de um olhar crítico, que lhe permitiu condenar livremente as pessoas que deveriam ir para o Inferno pagar os pecados cometidos em vida.
c) o diabo é uma figura decisiva nesta peça, pois é ele quem julga as pessoas. Com isso, Gil Vicente queria transmitir ao público a idéia de que só o mal pode julgar o mal, enquanto o papel do bem consistia em apenas contemplar a condenação irreversível de todos os homens.
d) o fato de o diabo atuar como um juiz caracteriza uma crítica à classe dos juízes, dos advogados, dos procuradores e dos corregedores. Gil Vicente defendia a idéia de que só Deus pode determinar o destino dos homens, independentemente das decisões humanas.Pandora Vestibulares, com você em todas as fases.
e) o teatro de Gil Vicente está sustentado pela ética católica medieval. Daí o julgamento dos homens segundo uma perspectiva maniqueísta (anjo e diabo = céu e inferno, respectivamente). Essa interpretação aparece no Auto da barca do Inferno através da crítica ao comportamento e às práticas morais da época.

5-      Sobre o Auto da barca do Inferno, de Gil Vicente, é incorreto afirmar:

a) O autor apresenta severa crítica à prepotência e tirania dos nobres, e à desonestidade e corrupção dos homens da lei.
b) Na luta entre o Bem e o Mal são favorecidos aqueles que em vida pertenceram à classe social privilegiada.
c) O diabo atua como agente crítico, que revela as mentiras e falsidades das personagens.
d) Pelo julgamento do Anjo, o Parvo embarca para o paraíso, uma vez que o céu pertence aos simples.
e) O autor vale-se do tema do Juízo Final para estabelecer uma crítica à sociedade, fazendo desfilar em cena os tipos sociais identificados através de suas qualidades e defeitos.

6-      Sobre o teatro de Gil Vicente e em especial o Auto da Barca do Inferno, são feitas as seguintes afirmações:
I. Uma das características do auto é a rica elaboração de cenários e a retomada dos padrões clássicos do teatro grego.
II. O texto é de fundamental importância, uma vez que toda a carga teatral está no que é dito e não no que é visto.
III. O talento e a intuição lírica trouxeram ao teatro de Gil Vicente uma universalidade nunca antes alcançada na Literatura Portuguesa. Pandora Vestibulares, com você em todas as fases.
Assinale:
a) se todas as afirmações forem corretas.
b) se todas as afirmações forem incorretas.
c) se as afirmações I e II forem corretas.
d) se as afirmações II e III forem corretas.
e) se as afirmações I e III forem corretas.

7-      Leia as proposições abaixo e assinale a alternativa correta sobre o Auto da barca do Inferno.
I. O Frade é condenado ao Inferno somente porque é brincalhão e excelente dançarino.
II. O Judeu aceitou pagar propina aos membros do judiciário e do clero e por isso terá sua alma condenada.
III. Os quatro cavaleiros são salvos, pois representam os verdadeiros valores da fé cristã.

a) Estão corretas a I e a III.
b) Estão corretas a II e a III.
c) Apenas a III está correta.
d) Apenas a II está correta.
e) Estão corretas a I e a II

8-      Indique a afirmação correta sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente:
a) É intrincada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com o inesperado de cada situação.
b) O moralismo vicentino localiza os vícios não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas.
c) É complexa a crítica aos costumes da época, já que o autor é o primeiro a relativizar a distinção entre o Bem e o Mal.
d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares, as mais ridicularizadas e as mais severamente punidas.
e) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo.

9-      Considere as seguintes afirmações sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente:

I.             O auto atinge seu clímax na cena do Fidalgo, personagem que reúne em si os vícios das diferentes categorias sociais anteriormente representadas.
II.            A descontinuidade das cenas é coerente com o caráter didático do auto, pois facilita o distanciamento do espectador.
III.          A caricatura dos tipos sociais presentes no auto não é gratuita nem artificial, mas resulta da acentuação de traços típicos.

Está correto apenas o que se afirma em:
                    (A)       I.
                    (B)        II.
                    (C)        II e III.
                    (D)       I e II.
                    (E)        I e III.

10-   Na seguinte cena do Auto da Barca do Inferno, o Corregedor e o Procurador dirigem-se à Barca da Glória, depois de se recusarem a entrar na Barca do Inferno:

Corregedor
Ó arrais dos gloriosos,
passai-nos neste batel!

Anjo
Ó pragas pera papel, pera as almas odiosos!
Como vindes preciosos,
sendo filhos da ciência!

Corregedor
Ó! habeatis clemência
e passai-nos como vossos!

Joane (Parvo)
Hou, homens dos breviairos,
rapinastis coelhorum
et perniz perdiguitorum
e mijais nos campanairos!

Corregedor
Ó! Não nos sejais contrairos,
Pois nom temos outra ponte!

Joane (Parvo) Beleguinis ubi sunt?
Ego latinus macairos.

Vocabulário:
pera: para
habeatis: tende
homens dos breviairos: homens de leis Rapinastis coelhorum/Et perniz perdiguitorum: Recebem coelhos e pernas de perdiz como suborno
Beleguinis ubi sunt?: Onde estão os oficiais de justiça?
Ego latinus macairos: Eu falo latim macarrônico

(Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno. São Paulo: Ateliê Editorial, 1996, p. 107-109.)

I.                    O Corregedor é acusado de corrupção na passagem em que o Parvo se refere ao fato de ele receber subornos, “presentes”, “propinas”, “agrados”, pequenos mimos tais como coelhos e pernas de perdizes.
II.                  O Corregedor é acusado, na peça, de ser desrespeitoso (mijar nos campanários), injusto com relação aos desfavorecidos, preguiçoso e adúltero, pecados pelos quais é condenado a seguir com o Diabo na Barca do Inferno.
III.                O Parvo se expressa em latim para ridicularizar e ironizar a postura dos magistrados. Chega a admitir essa intenção, ao afirmar que seu latim é macarrônico.

Quais estão corretas?

        (A)       Apenas I.
        (B)        Apenas II.
        (C)        Apenas I e III.
        (D)       Apenas II e III
        (E)        I, II e III.

11-   (UFRGS – 2009) Considere as afirmações abaixo sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil de Vicente.
I – O Fidalgo e o Sapateiro levam consigo objetos característicos de seu status social em vida.
II – Apenas o Parvo e os quatro Cavaleiros cruzados serão conduzidos pela Barca da Glória.
III – Ao contrário do Anjo vicentino, que é persuasivo e alegre, o Diabo vicentino é um personagem sisudo, de poucas e irônicas falas.
Quais estão corretas?
a)      Apenas I.
b)      Apenas III.
c)       Apenas I e II.
d)      Apenas II e III.
e)      Todas as alternativas.

12-   (UFRGS – 2006) A cena do embarque do frade Babriel é uma das mais importantes do Auto da Barca do Inferno, de Gil de Vicente.
Numere as seguintes ações de Babriel de acordo com a ordem em que elas ocorrem na referida cena.
(  ) O frade utiliza-se do hábito na tentativa de alcançar a salvação.
(  ) O frade, ao se encontrar com o Diabo, está acompanhado de Florença.
(  ) O frade dirige-se à Barca da Glória.
(  ) O frade é recebido pelo parvo Joane.
(  ) O frade, acompanhado da mulher, acolhe a sentença.
A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a)      2 – 1 – 4 – 3 – 5.
b)      3 – 4 – 2 – 5 – 1.
c)       2 – 1 – 3 – 4 – 5.
d)      5 – 3 – 2 – 1 – 4.
e)      5 – 2 – 3 – 4 – 1.

13-   (UFRGS – 2004) Considere as seguintes afirmações, relacionadas ao episódio do embarque do fidalgo, da obra Auto da Barca do inferno, de Gil de Vicente.
I – A acusação de tirania e presunção dirigida ao fidalgo configura uma critica não ao indivísuo, mas à classe a que pertence.
II – Gil Vicente critica as desigualdades sociais ao apontar o desprezo do fidalgo aos pequenos, aos desfavorecidos.
III – No momento em que o fidalgo pensa ser alvo por haver deixado, em terra, alguém orando por ele, evidencia-se a crítica vicentina à fé religiosa.
Quais estão corretas?
a)      Apenas I.
b)      Apenas I e II.
c)       Apenas I e III.
d)      Apenas II e III.
e)      I, II e III.


14-   (UFRGS – 2002) Assinale a alternativa alternativa incorreta sobre a obra de Gil Vicente.

a)      Gil Vicente tem suas raízes na Idade Média, mas volta-se para o Renascimento, aliando o humanismo religioso à atitude critica diante dos problemas sociais.
b)      Variada na forma, a obra vicentina desvenda os costumes do século XVI, satirizando a sociedade feudal sem perder o caráter moralista e resguardando o sentido de intervenção social.
c)       Embora critique o clero, a nobreza e seu séquito ocioso, o teatro vicentino faz a exaltação heróica dos reis, atitude comum na Idade Média.
d)      Ao mesmo tempo que desenvolve a sátira social, a produção vicentina aponta para a necessidade de reforma da Igreja, devido aos abusos do clero.
e)      Trabalhando com uma verdadeira galeria de tipos, Gil Vicente adapta o uso da linguagem coloquial ao estilo e à condição social de cada um deles.

15-   (UFRGS – 2000) Em relação ao Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, considere as seguintes afirmações.

I. Trata-se de um grande painel que satiriza a sociedade portuguesa do seu tempo.
II. Representa a transição da Idade Média para o Renascimento, guardando traços dos dois períodos.
III.  Sugere que o diabo, ao julgar justos e pecadores, tem poderes maiores que Deus.
Quais estão corretas?
a)      Apenas I.
b)      Apenas I e II.
c)       Apenas I e III.
d)      Apenas II e III.
e)      I, II e III.


GABARITO:
1-      B
2-      E
3-      E
4-      E
5-      B
6-      D
7-      C
8-      B
9-      C
10-   E
11-   C
12-   C
13-   B
14-   C
15-   B




terça-feira, 2 de abril de 2013

Confira as leituras obrigatórias UFSM 2013 / 2014

A partir de dezembro de 2013 entra em vigor um novo programa de conteúdos no vestibular da UFSM.Confira as leituras obrigatórias:

PS1


1- IGLESIA, Francisco (org.). Melhores poemas de Cláudio Manuel da Costa. São Paulo:
Global, 2012.

2- CASTRO, Sílvio (org.). A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 2004.

3- GAMA, Basílio da. O Uraguai. Porto Alegre: L&PM, 2009.

4- VIEIRA, Padre Antônio. Sermão de Santo Antônio aos Peixes. In: VERDASCA, José (org.).
Sermões escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2003, 43-76.

PS2


1- ALENCAR, José de. Iracema. Porto Alegre: L&PM, 1997.

2- ASSIS, Machado de. Várias histórias. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009.

3- ÁLVARES DE AZEVEDO, Manuel Antônio. Noite na taverna. Porto Alegre: L&PM, 1997.

4- BUENO, Alexei (Org.). Grandes poemas do romantismo brasileiro. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1995. [poemas de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Castro Alves]

5- CAMINHA, Adolfo. O bom crioulo. São Paulo: Martin Claret, 2002

PS3


1- BUARQUE, Chico; GUERRA, Ruy.  Calabar, o elogio da traição. 34. ed. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2009.

2- CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

3- GUIMARÃES ROSA, João. A hora e a vez de Augusto Matraga. São Paulo: Saraiva, 2011.

4- MORICONI, Italo (org.).  Os cem melhores contos brasileiros do século. São Paulo:
Objetiva, 2001. [contos de Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Lygia
Fagundes Telles e Rubem Fonseca]

5- MORICONI, Italo (org.).  Os cem melhores poemas brasileiros do século. São Paulo:
Objetiva, 2001.

6- VERÍSSIMO, Érico. Noite. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Confira o programa completo do vestibular UFSM 2013 a 2015


segunda-feira, 25 de março de 2013

Saiu a lista de leituras obrigatórias UFRGS 2014

A nova lista de livros da UFRGS incluiu Jorge Amado, Murilo Rubião, Lya Luft e Nelson Rodrigues. Foram retirados do programa os livros Feliz Ano Novo (Rubem Fonseca), O Filho Eterno (Cristóvão Tezza), O Pagador de Promessas (Dias Gomes) e Manuelzão e Miguilim (Guimarães Rosa).

Cofira aqui a lista na íntegra:

1.JORGE AMADO - Terras do Sem Fim;
2.NELSON RODRIGUES - Boca de Ouro;
3.MURILO RUBIÃO – Contos: 1 - O pirotécnico Zacarias;  2 - O ex-mágico da Taberna Minhota; 3 -  Bárbara;  4 - A cidade;  5 - Ofélia, meu cachimbo e o mar; 6 - A flor de vidro; 7 - Os dragões; 8 - Teleco, o coelhinho; 9 - O edifício; 10 - O lodo; 11 - O homem do boné cinzento; 12 - O convidado;
4.LYA LUFT - As Parceiras;
5.GREGÓRIO DE MATOS GUERRA - Seleta: 1 - A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de arrependimento e suspiros de amor (Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade); 2 - A Jesus Cristo Nosso Senhor (Pequei, Senhor, mas não por que hei pecado); 3 - Inconstância dos bens do mundo (Nasce o sol, e não dura mais que um dia); 4 - À cidade da Bahia (2) (soneto) / (Triste Bahia! ó quão dessemelhante); 5 - A Maria dos povos, sua futura esposa (Discreta e formosíssima Maria); 6 - Epílogos (Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da república...) / (Que falta nesta cidade? ...................Verdade); 7- A uma dama (Vês esse Sol de luzes coroado?); 8 - A instabilidade das cousas no mundo (Nasce o Sol, e não dura mais que um dia); 9 - A certa personagem desvanecida (Um soneto começo em vosso gabo); 10 - Aos principais da  Bahia chamados caramurus (Um canção de pindoba, a meia zorra); 11 - À procissão de cinzaem Pernambuco (Um negro magro em sufulié justo); 12 - Milagres do Brasil São (Um branco muito encolhido); 13  - Retrato/Dona Ângela (Anjo no nome, Angélica na cara!); 14 - Contemplando nas cousas do mundo (Neste mundo é mais rico o que mais rapa); 15 - E pois coronista sou / Se souberas falar também falaras; 16 - Ao padre Lourenço Ribeiro, homem pardo que foi vigário da freguesia do Passé (Um branco muito encolhido); 17 - Define a sua cidade (De dous ff se compõe); 18 - Descreve a vida escolástica (Mancebo sem dinheiro, bom barrete); 19 - À cidade da Bahia (2) / (A cada canto um grande conselheiro); 20 - Aos vícios (Eu sou aquele que os passados anos); 21 -Descreve a confusão do festejo do Entrudo(Filhós, fatias, sonhos, mal-assadas); 22 - Solitário em seu mesmo quarto à vista da luz...( Ó tu do meu amor fiel traslado); 23 - Aos afetos e lágrimas derramadas (Ardor em firme coração nascido); 24 - Admirável expressão que faz o poeta de seu atencioso silêncio (Largo em sentir, em respirar sucinto); 25 - Definição do amor – romance (Mandai-me, Senhores, hoje);
6.ALBERTO CAEIRO (heterônimo de Fernando Pessoa) - O Guardador de Rebanhos;
7.MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA - Memórias de um Sargento de Milícias;
8.MACHADO DE ASSIS - Esaú e Jacó;
9.JOÃO CABRAL DE MELO NETO - A Educação pela Pedra;
10.JOSÉ SARAMAGO - História do Cerco de Lisboa;
11.MOACYR SCLIAR - O Centauro no Jardim;
12.JOÃO SIMÕES LOPES NETO - Contos Gauchescos;

Fique ligado aqui no blog. Nos próximos dias teremos postagens sobre as novas leituras obrigatórias!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Saiu a lista de leituras obrigatórias UFRGS 2013



1. GREGÓRIO DE MATOS GUERRA - Seleta*:
2. ALBERTO CAEIRO (heterônimo de Fernando Pessoa) - O Guardador de Rebanhos;
3. MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA - Memórias de um Sargento de Milícias;
4. MACHADO DE ASSIS - Esaú e Jacó;
5. JOÃO CABRAL DE MELO NETO - A Educação pela Pedra;
6. JOSÉ SARAMAGO - História do Cerco de Lisboa;
7. MOACYR SCLIAR - O Centauro no Jardim;
8. JOÃO SIMÕES LOPES NETO - Contos Gauchescos;
9. GUIMARÃES ROSA - Manuelzão e Miguilim (Campo Geral e Uma estória de amor);
10. DIAS GOMES - O Pagador de Promessas;
11. RUBEM FONSECA - Feliz Ano Novo;
12. CRISTÓVÃO TEZZA - O Filho Eterno.


*Os poemas selecionados de Gregório de Matos são:
1 - A Nosso Senhor Jesus Christo com actos de arrependimento e suspiros de amor (Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade);
2 - A Jesus Cristo Nosso Senhor (Pequei, Senhor, mas não por que hei pecado);
3 - Inconstância dos bens do mundo (Nasce o sol, e não dura mais que um dia);
4 - À cidade da Bahia (2) (soneto) / (Triste Bahia! ó quão dessemelhante);
5 - A Maria dos povos, sua futura esposa (Discreta e formosíssima Maria);
6 - Epílogos (Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da república...) / (Que falta nesta cidade? ...................Verdade);
7- A uma dama (Vês esse Sol de luzes coroado?);
8 - A instabilidade das cousas no mundo (Nasce o Sol, e não dura mais que um dia);
9 - A certa personagem desvanecida (Um soneto começo em vosso gabo);
10 - Aos principais da Bahia chamados caramurus (Um canção de pindoba, a meia zorra);
11 - À procissão de cinza em Pernambuco (Um negro magro em sufulié justo);
12 - Milagres do Brasil São (Um branco muito encolhido);
13 - Retrato/Dona Ângela (Anjo no nome, Angélica na cara!);
14 - Contemplando nas cousas do mundo (Neste mundo é mais rico o que mais rapa);
15 - E pois coronista sou / Se souberas falar também falaras;
16 - Ao padre Lourenço Ribeiro, homem pardo que foi vigário da freguesia do Passé (Um branco muito encolhido);
17 - Define a sua cidade (De dous ff se compõe);
18 - Descreve a vida escolástica (Mancebo sem dinheiro, bom barrete);
19 - À cidade da Bahia (2) / (A cada canto um grande conselheiro);
20 - Aos vícios (Eu sou aquele que os passados anos);
21 -Descreve a confusão do festejo do Entrudo (Filhós, fatias, sonhos, mal-assadas);
22 - Solitário em seu mesmo quarto à vista da luz...( Ó tu do meu amor fiel traslado);
23 - Aos afetos e lágrimas derramadas (Ardor em firme coração nascido);
24 - Admirável expressão que faz o poeta de seu atencioso silêncio (Largo em sentir, em respirar sucinto);
25 - Definição do amor – romance (Mandai-me, Senhores, hoje);

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Enem ou vestibular tradicional? "É melhor ler com autonomia o Garfield do que decorar clássicos", diz Prof. Edir.

Professor diz que Enem pode prejudicar ensino de literatura

Extraído do Portal Terra - 11 de outubro de 2011 • 14h08 • atualizado às 15h25
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Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com base nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 1998 a 2010 apontou que poesias e letras de canções aparecem em 42% das questões de literatura. Romances estão presentes em cerca de 12% das perguntas, e contos em apenas 3%. Enquanto isso, histórias em quadrinhos ocupam 19% do teste. Para o professor de literatura brasileira da universidade, Luís Augusto Fischer, os resultados são "assustadores e podem prejudicar o ensino nas escolas".

O pesquisador afirma que a prova foca na vertente da linguagem, e não da cultura. "O Enem prestigia mais a literatura enquanto leitura do que a literatura enquanto aprendizagem cultural", afirma. Fischer explica que a primeira vertente - que é a mais utilizada no teste - é mais simples, pois implica somente na leitura direta de um texto, seja ele letra de música, quadrinhos ou um conto. Um exemplo de questão é pedir para o candidato analisar um romance e afirmar se o discurso utilizado é direto ou indireto, por exemplo.

De acordo com Fischer, pensar a literatura como cultura exige mais complexidade, uma vez que um texto será analisado pelo conhecimento da sua história, enredo e características do autor. "As duas são imprescindíveis, mas a prova foca somente em uma. Com esse privilégio à leitura, se perde muita coisa do vasto patrimônio cultural letrado que já existe e ao qual todos devem ter acesso na escola", defende.
O estudo mostra que há, por ano, uma média de 13% de questões que mencionam textos literários e semiliterários. Além disso, a frequência de autores foi considerada baixa ao se avaliar todos os testes, de 1998 a 2010 (inclusive a prova de 2009 que vazou). Carlos Drummond de Andrade apareceu 19 vezes; em segundo lugar, vêm Machado de Assim e Manuel Bandeira, com sete citações. Nenhum outro autor aparece mais de cinco vezes. Graciliano Ramos e João Cabral aparecem três vezes cada, menos do que Jim Davis, do Garfield, e Bob Thaves, da tira Frank e Ernest, com quatro referências cada.

"Acredito no sistema do Enem de desprezar a decoreba de certos vestibulares, mas o caso é que a prova trata o texto literário como um texto qualquer. Um poema de Drummond, por exemplo, é colocado no mesmo nível de uma tira em quadrinhos", afirma o professor.

Na visão de Fischer, o fato pode prejudicar o ensino literário na escola, uma vez que o ensino médio se molda à demanda do processo seletivo de ingresso às universidades. "Na escola brasileira, a literatura tem sido porta de acesso não apenas a livros, mas também a outras artes. Sem isso, me parece que vamos perder esse acesso, além de perdermos parte importante, talvez fundamental, da formação cultural dos alunos nesses campos", completa.

'É melhor ler com autonomia o Garfield do que decorar clássicos', diz educador

Apesar de concordar que o Enem precisa evoluir, o professor de literatura do cursinho Universitário, de Porto Alegre (RS), Edir Alonso defende o uso que a prova faz de textos mais populares. "O modelo de avaliação tradicional, com base na leitura dos clássicos, acaba por enfrentar uma dura realidade: está distante da vida do jovem leitor médio", diz.
Alonso afirma que isso não significa que a academia deva se conformar apenas com a leitura de tirinhas e canções populares, mas ressalta que não se pode negar que elas são uma forma legítima de aproximar a prova do universo cultural da maioria dos candidatos. "A imposição de um rol de leituras obrigatórias que contemple Os Lusíadas ou O Uraguai mostra uma universidade incapaz de dialogar com o jovem leitor. Nesse sentido, presta um desserviço à formação cultural do vestibulando, o qual passa a associar o fenômeno literário a algo enfadonho, distante", completa, dizendo que é melhor ler com autonomia o Garfield do que apenas decorar clássicos para o teste.
"Acho que a prova do Enem precisa evoluir. Pode e deve ampliar o espaço dedicado à leitura e compreensão do texto literário na prova. Mas ainda assim, me parece ser uma proposta avaliativa mais interessante", fala.

Outro defensor da avaliação do exame nacional é Manoel Neves, especialista em Letras de Belo Horizonte (MG) que desenvolve pesquisa para cursos pré-vestibulares em língua portuguesa e literatura. Contudo, Neves discorda do uso de tiras e quadrinhos no teste, mas considera a prova muito bem elaborada. "Ela contempla tanto elementos da teoria quanto da história. Para responder às questões, é preciso ter noções desses dois campos", diz.
Como exemplo, o professor analisa o Enem de 2009. "Naquele ano, apareceram questões que contemplavam conhecimentos específicos de Teoria Literária, como a noção de espaço narrativo na questão envolvendo os textos de Dalton Trevisan e Jorge Amado", explica.
Neves também cita uma pergunta sobre o soneto de Álvares de Azevedo que abordava especificamente os conhecimentos acerca do tratamento dado por esse poeta à desilusão amorosa. "Sem a leitura do poema e o conhecimento de como a decepção amorosa é tratada no Romantismo e nos textos do autor da Lira dos vinte anos, seria impossível resolver a questões", diz.
"O Enem cobra uma compreensão aprofundada dos aspectos técnicos, históricos e temáticos da literatura brasileira. O que a prova demanda dos alunos é a capacidade de perceber tais elementos¿, explica, completando que não se trata de ler um livro e decorar os elementos históricos, temáticos e formais, mas de conferir a capacidade que o aluno tem de perceber esses elementos em qualquer texto.

Posição do Inep

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou, por meio de sua assessoria, que "a prova do Enem não valoriza, em suas questões de literatura, a memorização de características ou periodização descontextualizada". De acordo com o órgão, o objetivo da prova é avaliar a habilidade do candidato em estabelecer relações entre o texto literário e os contextos histórico, social e político; em relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário; e em reconhecer a presença de valores sociais e humanos no patrimônio literário nacional.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

MEC adia planos e vai aplicar duas provas do Enem por ano somente em 2012

Fonte: UOL Vestibular

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terá duas edições somente a partir de 2012, com provas em maio e outubro. Conforme o UOL Educação apurou, o MEC (Ministério de Educação) já descartou duas edições da prova neste ano.

A realização de duas provas por ano havia sido apontada pelo ministro Fernando Haddad como uma maneira de reduzir os seguidos problemas que o Enem vem enfrentando. O MEC cogitava a possibilidade de aplicar os dois exames já em 2011. A licitação com a gráfica que imprime o Enem permitia que isso acontecesse agora -já que o contrato foi assinado para a realização de duas provas.


A presidente do Inep, (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Malvina Tuttman, comunicou a novidade a instituições de ensino superior durante reunião no dia 22 de março. O exame deve continuar nacionalizado.

Na última edição, houve erros de impressão em cadernos de prova e as folhas de resposta vieram com os cabeçalhos trocados. Esses erros provocaram uma batalha judicial que só foi encerrada após uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Em 2009, a prova vazou e o exame precisou ser cancelado dois dias antes da realização.

Em janeiro, em entrevista ao UOL Educação, Malvina havia dito que uma ampliação do Enem “poderia incluir” os dois exames. Ela afirmou que, nos últimos dois anos, a prova foi utilizada como “projeto piloto”. "O Enem foi utilizado nos últimos dois anos como projeto piloto, ao avaliarmos o impacto, ao montarmos uma proposta de ampliação", disse.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Divulgada a lista de leituras obrigatórias ufrgs 2012

Foi dada a largada! A UFRGS divulgou hoje as quatro mudanças previstas na lista de leituras obrigatórias.

Os livros retirados do programa foram:

- Contos de Machado de Assis;
- O Primo Basílio;
- Estrela da Vida Inteira;
- Porteira Fechada.

A surpresa fica por conta da exclusão dos contos machadianos (normalmente eram colocados outros contos do mesmo autor). Destaque também para Scliar e Saramago que, definitivamente imortais, foram incorporados à lista, ampliando o espaço da literatura contemporânea na prova.

Veja a lista completa dos livros para o vestibular UFRGS 2012: