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domingo, 1 de novembro de 2009

Vídeo-Aula: Noite na Taverna - Bertram (parte 2)

Veja antes a PARTE 1

terça-feira, 5 de maio de 2009

Poesia Comentada: Meu Sonho (Álvares de Azevedo)


Meu Sonho

Eu

Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?


O Fantasma

Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…



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Localizado na terceira parte de Lira dos vint’anos, o poema constitui uma espécie de diálogo entre o Eu e o Fantasma. O eu-lírico descreve um sonho em que um cavaleiro perambula pelo reino da morte. Bem de acordo com a estética ultra-romântica, a cena se dá em um ambiente onírico, noturno, e misterioso. Em verdade, esta situação constitui uma metáfora para a angústia sexual do Eu. Isso se evidencia na colocação do símbolo fálico (Com a espada sangüenta na mão), no ritmo de galope conferido pelos versos eneasílabos (acentuando a tensão e a sugestão de movimentos repetidos numa alusão implícita à masturbação), e, por fim, na atmosfera de trevas, que metaforiza o sentimento de culpa do Eu-lírico.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Noite na Taverna - Resumo e Análise

Já comentamos aqui no blog a obra de Álvares de Azevedo (ver arquivo). Noite na Taverna é uma das leituras obrigatórias para o vestibular da UFPel. Segue o material para estudo.


2 noitenataverna



Clique aqui para baixar o livro completo.

O QUE VOCÊ ACHOU DE NOITE NA TAVERNA? DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO!!!

quarta-feira, 5 de março de 2008

Álvares de Azevedo morre!

O estilo gótico como rejeição aos padrões sociais de comportamento vem conquistando a juventude ao longo dos séculos, desde Mary Shelley (Frankenstein) e Bram Stoker (Drácula). O decadentismo e o desajuste em relação aos valores vigentes assumiram formas contemporâneas com o punk, o dark e o metal, e até mesmo o romantismo mais ingênuo é vivido hoje pela tribo "emo". Não é espantoso, portanto, que nenhum autor do século XIX desperte tanto interesse na gurizada de hoje como Álvares de Azevedo. O Satanismo e a morbidez de Macário e, principalmente, de Noite na Taverna, são alimento para a imaginação mais delirante. Mas as poesias de amor, do desejo irrealizado, da dificuldade adolescente em aproximar-se do sexo oposto também atraem o jovem leitor. A própria biografia do poeta é repleta de mitos e curiosidades. Alguns afirmam que ele teria nascido no salão da Biblioteca da Faculdade de Direito em São Paulo. Conta-se também que ele, por sugestão dos amigos, tendo já uma aparência cadavérica, teria simulado o próprio velório no saguão da faculdade para que a turma arrecadasse dinheiro para a boemia. Muitos contestam essa fama de boêmio com o argumento de que, dada a esquisitice de Azevedo, ele teria morrido virgem. Mas o certo é que ele, como outros gênios da época, morreu cedo, aos 21 anos. Mas sua obra ficou imortalizada e fortemente identificada com a juventude. Tanto que eu poderia dizer: Álvares de Azevedo ainda vive! Mas, considerando-se a obsessão do poeta pela morte...

Duas boas pedidas então:

"A moça revivia a pouco e pouco. Ao acordar, desmaiara. Embucei-me na capa e tomei-a nos braços coberta com seu sudário, como uma criança. Ao aproximar-me da porta, topei num corpo. Abaixei-me e olhei: era algum coveiro do cemitério da igreja, que aí dormira de ébrio, esquecido de fechar a porta...
Saí. Ao passar a praça encontrei uma patrulha.


- Que levas aí?

A noite era muito alta: talvez me cressem um ladrão.

- É minha mulher, que vai desmaiada...

- Uma mulher? Mas, essa roupa branca e longa? Serás, acaso, roubador de cadáveres?

Um guarda aproximou-se. Tocou-lhe a fronte: era fria.

- É uma defunta

Cheguei meus lábios aos dela. Senti um bafejo morno. - Era a vida, ainda."
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“Nos mesmos lábios onde suspirava a monodia (canto uníssono) amorosa, vem a sátira que morde” . Assim o próprio Álvares de Azevedo define sua obra, dividindo-a em duas facetas uma de confessionalismo amoroso juvenil e outra de ironia e sarcasmo.
A obra se divide em três partes. A primeira e a terceira parte da obra são marcadas pelo sentimentalismo e pelo egocentrismo típicos de sua geração. Em textosa como Sonhando e O Poeta, o eu-lírico idolatra virgens pálidas em uma atmosfera de delírio e suavemente sensual. Ainda nessa primeira parte, poemas como Lembrança de morrer e Saudades, o poeta aborda com seriedade a temática da morte.
“Cuidado, leitor, ao virar esta página!”: a segunda parte revela um poeta mórbido e sarcástico, capaz de tratar de assuntos mais mundanos e explícitos. Aqui o poeta é capaz de ironizar inclusive a si próprio. Destaque para É ela! É ela! É ela! É ela!, em que o eu-lírico revela sua paixão pela lavadeira; Namoro a Cavalo, em que o poeta trata das dificuldades por que passa o namorado para encontrar sua namorada que mora longe; e a auto-piedade em Idéias Íntimas.
Soneto
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!