José Saramago ironizou, esta quarta-feira, que “Caim” é o livro mais falado embora não tenha sido lido. O Prémio Nobel da Literatura acusou ainda a Igreja Católica de tentar impor uma leitura única da Bíblia.
António Pinto Rodrigues, da agência TSF resume as declarações de José Saramago:
A propósito do seu último livro, José Saramago afirmou, no fim-de-semana, que a Bíblia é um «manual de maus costumes» e um «catálogo de crueldades», o que suscitou inúmeras críticas.
Perante as reacções, José Saramago acusou, esta quarta-feira, numa conferência de imprensa em Lisboa, a Igreja Católica de tentar impedir leituras diversas sobre a Bíblia, tentando impor uma leitura única.
Para o autor de “Caim”, o Deus da Bíblia não é de fiar, é vingativo, rancoroso e má pessoa.
O escritor sublinhou ainda que o que disse da Bíblia no fim-de-semana é aquilo que toda a gente sabe, ou seja, que há «carnificina», incesto e violência de todo o género.
O Prémio Nobel da Literatura ironizou ainda que até parece que fez uma revelação insólita ou disse uma espécie de calúnia ao afirmar que a Bíblia é um «manual de maus costumes» e um «catálogo de crueldades».
Saramago ironizou também que “Caim” é o livro mais falado embora não tenha sido lido, tendo suscitado «incompreensões» e «ódios velhos».
«Desperto muitos anti-corpos», acrescentou.
O escritor frisou ainda que nunca andou atrás de polémica, mas que não pode rejeitar convicções próprias. Saramago disse também que até parece que «é feio» fazer publicidade de livros em Portugal.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
“Caim” é livro mais falado embora não tenha sido lido, ironiza Saramago
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Saramago chama Igreja de 'reacionária' e Bento XVI de 'cínico'
'As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas', conclamou o ganhador do Nobel de 98
EFE
O escritor português e Nobel de Literatura (1998) José Saramago chamou o papa Bento XVI de "cínico" e disse que a "insolência reacionária" da Igreja precisa ser combatida com a "insolência da inteligência viva".
"Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual" desta pessoa, disse Saramago em um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D'Arcais, que hoje lança Il Fatto Quotidiano.
Saramago, por sua vez, encontra-se na capital italiana para divulgar o livro O Caderno e se reunir com amigos italianos, como a vencedora do Nobel de Medicina Rita Levi Montalcini (1986).
No colóquio com Flores D'Arcais, Saramago afirmou que sempre foi um ateu "tranquilo", mas que agora está mudando de ideia.
"As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder", afirmou.
Segundo Saramago, a Igreja não se importa com o destino das almas e sempre buscou o controle de seus corpos.
Perguntado se o pouco compromisso dos escritores e intelectuais poderia ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim. Porém, disse que este não seria o único motivo, já que toda a sociedade encontra-se nesta condição, o que provoca uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral.
Saramago destacou que o fascismo está crescendo na Europa e mostrou-se convencido de que, nos próximos anos, ele "atacará com força". Por isso, ressaltou, "temos que nos preparar para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão alimentando".
A visita de Saramago a Roma acontece a um dia do lançamento do seu mais novo livro Caim, no qual volta a tratar da religião.
