Rússia proíbe livro de Hitler para combater extremismo
Reuters
Promotores russos proibiram nesta sexta-feira o livro semi-autobiográfico de Adolf Hitler "Mein Kampf" (Minha Luta), de 1925, em uma tentativa de combater a crescente fascinação por políticas de extrema direita.
Banido na Alemanha desde a 2a Guerra Mundial, o livro delineia a visão de Hitler de supremacia racial. Apesar de incluir trechos anti-semitas e anti-russos, o livro tem sido promovido por alguns grupos russos de extrema direita.
O livro tem uma "perspectiva militar que justifica a discriminação e a destruição de raças não-arianas e reflete ideias que, quando implementadas, deram início à 2a Guerra Mundial", disse em comunicado promotoria-geral russa.
"Até agora, o 'Mein Kampf' não era reconhecido como extremista", disse o comunicado, anunciando a proibição do livro e sua inclusão numa lista federal de materiais extremistas. O livro estava disponível nas lojas e online, segundo o comunicado.
Extremistas russos atacaram trabalhadores imigrantes de nações pobres da Ásia Central e do Cáucaso que vão à Rússia e frequentemente buscam empregos subalternos e vivem em condições precárias, assim como estudantes africanos e asiáticos e russos sem aparência eslava.
Ao menos 60 pessoas morreram e 306 ficaram feridas em ataques racistas na Rússia no ano passado, de acordo com a Sova, organização não-governamental em Moscou que rastreia violência racista.
A proibição foi instaurada depois que um departamento regional da promotoria buscou novas formas de combater o extremismo e descobriu que o livro estava sendo distribuído na região de Ufa.
Hitler ditou o livro para seu assistente Rudolf Hess enquanto estava em uma prisão na Baviera depois da frustrada tentativa de golpe conhecida como o "Putsch de Munique" em 1923. O livro explica sua doutrina de supremacia racial alemã e suas ambições de anexar áreas gigantescas da União Soviética.
Na Alemanha, é ilegal distribuir o livro exceto em circunstâncias especiais, como para pesquisa acadêmica. Mas o livro está disponível em outros lugares, com a livraria online amazon.co.uk.
Mas a proibição fará pouco para restringir material que promove o nazismo na Rússia, disse Galina Kozhevnikova, do Sova.
"Eu tenho a sensação de que pessoas precisavam divulgar que estavam combatendo o extremismo", disse ela sobre a proibição do livro. "Ainda estará disponível na Internet, é impossível impedir que seja distribuído", disse ela.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Rússia proíbe livro de Hitler para combater extremismo
segunda-feira, 27 de julho de 2009
"Persépolis" ganha nova versão na internet: Quadrinhos denunciam repressão no irã.
da Folha de S.Paulo
Depois de divulgar para o mundo os relatos de milhares de jovens sobre o sangrento processo de eleição no Irã, a internet continua sendo uma aliada para os críticos do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Agora, uma história em quadrinhos ganha destaque na rede.
"Persépolis 2.0", disponível no site www.spreadpersepolis.com, é uma colagem de trechos do livro "Persépolis", autobiografia em quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi, com novos diálogos. Nesta versão, os desenhos em preto e branco, com os traços da autora, recriam os dias de fúria no Irã após as eleições de 12 de junho.
Composta em três partes, a HQ foi criada por dois jovens, filhos de iranianos, que fotografaram trechos do livro, escreveram e colaram novos diálogos usando os programas Photoshop e Illustrator.
A dupla quis aproveitar o apelo pop da autora a fim de chamar a atenção para a situação do Irã. "Essa eleição deixou clara a militarização da política iraniana. Se foi 'roubada' ou não, não podemos dizer, mas a repressão violenta só serviu como combustível para a oposição", diz Sina, coautor da história (com Payman), em entrevista à Folha, por e-mail.
Os dois são gerentes de marketing de 20 e poucos anos, vivem na Ásia, mas não querem divulgar onde moram nem o sobrenome ou a idade exata, com medo de represálias.
Simpatizante do líder oposicionista derrotado Mir Hossein Mousavi, Sina conta que essa foi sua primeira incursão na política e que nunca havia se interessado por militância. Mas, com a repercussão de "Persépolis 2.0", a dupla já começa a planejar novas ações.
"Somos cínicos em relação a protestos em frente à embaixada, então resolvemos aproveitar a nossa experiência multicultural para ajudar nossos amigos a entender o que se passa no Irã", afirma Sina.
A história de "Persépolis 2.0" vai de 12 a 21 de junho e mostra a euforia popular em torno da possibilidade de vitória de Mousavi, a revolta da população com o resultado oficial --que proclamou Ahmadinejad vencedor--, os levantes sociais e o uso da internet para denunciar a repressão violenta.
O quadrinho termina com a jovem Neda Agha-Soltan --que foi morta nos embates com a polícia e virou símbolo dos levantes-- nos braços de Deus, com a mensagem: "Sua morte não foi em vão".
Ao lado, um aviso: "Espalhem a mensagem. Twitter, Facebook, e-mail". O apelo deu resultados. A HQ tem comunidade no Facebook, é comentada no Twitter e no Flickr e ganhou projeção em blogs e jornais internacionais. Sina diz que o site já foi visto por internautas de 170 países.
Revolução Islâmica
Sucesso internacional, o livro de Satrapi que inspirou a nova HQ foi adaptado para os cinemas em 2007 e indicado ao Oscar de animação. Narra a infância e a adolescência da autora no Irã pós-Revolução Islâmica, 30 anos atrás. "É impressionante que as imagens de 1979 retratem tão bem os eventos de 2009", compara Sina.
Os levantes no mês passado em Teerã são considerados os mais violentos desde a revolução que transformou o país em república islâmica, em 1979.
Avessa à mídia, Satrapi não respondeu o e-mail enviado pela Folha no começo da semana. Sina diz que "Persépolis 2.0" tem o consentimento da autora, mas não dá detalhes sobre o possível envolvimento da moça no projeto. "É um assunto delicado, mas pode dizer que nós temos permissão legal."
SITE OFICIAL
DOWNLIAD DA HQ
sábado, 4 de julho de 2009
Se têm o direito de votar, também podem ler, diz escritor sobre livro censurado
As escolas não estão preparadas para lidar com a literatura em sala de aula, avaliou nessa sábado (4) o professor e escritor Cristovão Tezza, que teve o livro Aventuras provisórias censurado em Santa Catarina, sua terra natal. Adotado no ensino médio, o romance foi recolhido pelo governo do estado por conter conteúdo considerado inadequado, como descrições de cenas de sexo e uso de palavrões.
Professor da Universidade Federal do Paraná, Cristovão Tezza foi o autor brasileiro mais premiado em 2008 com o livro O filho eterno, baseado na relação com seu filho, portador da síndrome de Down.
A escola tem muita dificuldade em lidar com literatura, com a vida real da linguagem. O Brasil é um país conservador, disse Terra.. A literatura não é material didático, e a escola tem dificuldade de colocar a literatura na sala de aula. Tem pai que reclama, tem professor que não sabe trabalhar com isso. Mas a escola tem que se aparelhar para pensar essa questão da literatura na sala de aula. Isso tem que ser enfrentado, afirmou Tezza em entrevista Agência Brasil.
O escritor participa da VII Festa Literária Internacional de Paraty (RJ), onde falou sobre o caráter autobiográfico na literatura na mesa O eu profundo e outros eus, que dividiu com o mexicano Mario Bellatin na sexta-feira (3).
Esta é a segunda obra de Cristovão Tezza proibida em escolas. Antes, o livro Juliano Pavollini também foi considerado impróprio em Curitiba, onde, hoje, o escritor leciona. Sempre que meus livros são adotados nas escolas, já espero o aconteceu com Juliano Pavollini, outro romance meu. O caso de Santa Catarina chamou a atenção porque foi uma reclamação pontual e o estado imediatamente mandou recolher todos os exemplares. Foi uma coisa exagerada. Até porque o livro era para o ensino médio, que tem estudantes acima dos 16 anos. Se podem dirigir ou votar, podem ler também."
Tezza procura minimizar a proibição, que não vê como censura no sentido explícito ou pesado do termo. São manifestações isoladas de conservadorismo, visões retrógradas da literatura, que pipocam aqui e ali. Não é sistêmico.
