Voltou a Ilha
Delira o povo de alegria
Nessa folia sou fidalgo, sou leitor
Cavaleiro sonhador
Num mundo de fantasias
Vou cavalgar no rocinante
Meu escudeiro é Sancho Pança
Se Dulcinéia é meu amor
Quem eu sou?
Sou Dom Quixote de la Mancha
O gigante moinho quando viu deu no pé
O povo grita olé
Nesse feitiço tem castanhola
A bateria hoje deita e rola
Vesti a fantasia, fui à luta
Venci manadas, rebanhos
Fiz de uma bacia, meu elmo de glórias
Meus livros se perderam pela história
Enfim, fui vencido pelo Branca Lua
Voltei, pra casa esquecendo as aventuras
No tempo ficou, os meus ideais
Quimeras são imortais
A Ilha vem cantar
Mais um sonho impossível… sonhar
Quem é que não tem, uma louca ilusão
E um Quixote no seu coração
Texto do Estadão sobre o enredo da escola:
Fora do grupo especial do Carnaval do Rio desde os desfiles de 2001, a União da Ilha, escola da Ilha do Governador fundada em 1953, retorna à elite do samba fluminense apostando na literatura para conquistar uma classificação de destaque entre as grandes. "Vamos buscar um lugar no desfile das campeãs. Se ficarmos entre as primeiras, temos chances de brigar pelo título", aposta o diretor de Carnaval da escola, Márcio André.
O samba-enredo "Dom Quixote de La Mancha, o Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis", vai levar à Sapucaí a história do famoso personagem de Miguel de Cervantes. "Digo que nosso enredo está entre os dois ou três melhores do Rio de Janeiro nesse ano", gaba-se Márcio André. O desfile ficou a cargo da carnavalesca Rosa Magalhães. "Ela é talentosa, tem tudo encaixado", conta o dirigente. A escolha do tema foi definida pela popularidade do livro. "Não tem enredo maior", justifica Márcio André.
De acordo com o diretor de Carnaval, cada um dos carros da escola terá uma surpresa. No desfile, a União da Ilha vai mostrar a perda da lucidez do personagem, sua paixão e seu retorno da loucura. "Todos temos uma loucura, somos apaixonados. E vamos falar sobre isso, e também sobre a paixão pela escola", conta. Também serão lembrados no desfile artistas que fizeram referências ao herói de Cervantes, como o poeta Carlos Drummond de Andrade, o músico Raul Seixas e o pintor Cândido Portinari.
Em um dos carros, Dom Quixote será interpretado pelo ator Eriberto Leão, e a atriz Letícia Spiller interpreta sua amada Dulcineia. Também podem desfilar pela escola a atriz Déborah Secco e o técnico do Flamengo, Andrade.
Para levar a história de Dom Quixote à avenida, a agremiação estima os gastos em cerca de R$ 1,5 milhão, mais a verba destinada pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Empresas foram procuradas para ajudar a financiar o desfile, mas de acordo com o diretor, ficaram "só na promessa."
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Carnaval 2010: União da Ilha leva Dom Quixote para a Sapucaí
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Peter Handke lança livro que tem "Dom Quixote" como referência
*Texto da Folha de S.Paulo
O austríaco Peter Handke, 67, escolheu como personagem para seu romance "A Perda da Imagem ou Através da Sierra de Gredos", que é lançado agora no Brasil, uma banqueira que decide fazer uma completa revisão de sua vida.
O livro foi lançado em 2002 na Europa, bem antes do quase colapso econômico que deixou o sistema financeiro em xeque e arrasou a imagem de seus agentes. Pode, portanto, ser considerado uma espécie de curiosa antevisão de um mundo que precisava fazer um balanço de seus valores.
Mas, como se trata do "enfant terrible" da literatura de língua alemã, um escritor de vanguarda que forçou uma revisão nos valores da geração que criou um novo realismo no pós-guerra, a obra de quase 600 páginas é escrita como parábola. Não há referências de cidades, o livro é atemporal.
Trata-se de um dos trabalhos mais ousados de sua carreira. Eterno candidato ao Prêmio Nobel, o escritor, dramaturgo, poeta, roteirista e cineasta Peter Handke comenta em entrevista sua obra, porém não dá pistas sobre o espaço mítico e medieval que retrata nesse livro. Mas se disse um leitor da literatura medieval e, surpreendentemente, dos brasileiros Guimarães Rosa e Euclydes da Cunha.
Handke fala das consequências da polêmica em que se envolveu durante o conflito nos Bálcãs, quando compareceu ao funeral de Slobodan Milosevic, então acusado de crimes de guerra. Mas evita comentar as comemorações pelos 20 anos da queda do Muro de Berlim. "Sou austríaco", disse.
