QUINHENTISMOO Quinhentismo foi vivido no Brasil em meio ao “descobrimento” e aos interesses da exploração de riquezas materiais. Não se pode falar, propriamente, em Literatura Brasileira, uma vez que os textos da época somente atendem ao ponto de vista do colonizador, pois todos os autores (e potenciais leitores) são europeus. Além disso, predominam na época os relatos de viagem, textos informativos, de caráter documental e, portanto, com maior valor histórico do que literário. Mesmo assim, esses textos são chamados de Literatura de Informação.
Carta a El-Rei Dom Manuel
sobre o achamento do Brasil
A famosa Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita entre 26 de abril de e 1º de maio de 1500, é tida como uma espécie de “certidão de nascimento” do Brasil. Tinha como objetivo informar ao rei de Portugal o descobrimento e relatar-lhe as peculiaridades do novo território.
Aspectos importantes:
*Descritivismo
A feição deles é parda, algo avermelhada; de bons rostos e bons narizes. Em geral, são bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas, e nisso são tão inocentes como quando mostram o rosto. Ambos traziam os beiço de baixo furado e metido nele um osso branco, do comprimento de uma mão travessa e da grossura de um fuso de algodão.
*Choque cultural: Tabus religiosos x nudez
*Origens do estigma da sensualidade brasileira
Ali andavam entre eles três ou quatro moças, muito novas e muito gentis, com cabelos muito pretos e compridos, caídos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.
*Visão paradisíaca
*Concepção mercantilista e colonizadora
*Ideal salvacionista
A terra por cima é toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é tudo praia redonda, muito chã e muito formosa. [...]
Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem o vimos. Porém, a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
As águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por causa das águas que tem.
Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deverá ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar.
A literatura informativa emprestou muitos de seus temas e formas para períodos literários posteriores, em especial para o Romantismo (indianismo, fundação da nacionalidade) e para o Modernismo (revisão crítica da identidade nacional).
O poeta modernista Oswald de Andrade realizou apropriações parodísticas da carta, subvertendo seu sentido ao recortar as frases do texto original, dispondo-as de outra maneira.
AS MENINAS DA GARE
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
(OSWALD DE ANDRADE, em Pau-Brasil)
Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha. (CAMINHA)
PRIMEIRO CHÁ
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
(OSWALD DE ANDRADE, em Pau-Brasil)
Passou-se, então, além do rio, Diogo Dias, almoxarife, que é homem muito bem-disposto e levou consigo um gaiteiro nosso com a sua gaita. Depois de dançarem todos, Diogo Dias fez-lhes ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e salto real, de que eles e elas se espantavam, riam e folgavam. (CAMINHA)
Testes de vestibular
(PAVE) Considerada a certidão de nascimento do país, a Carta de Pero Vaz de Caminha apresenta, dentre outras características,
(a) um relatório das riquezas do novo continente há poucos anos descoberto para o rei lusitano.
(b) uma visão que legitima a possessão portuguesa sobre o Brasil em detrimento das invasões francesa e holandesa.
(c) uma narração pormenorizada da vida dos índios a fim de compreender-lhes a cultura.
(d) uma análise com perspectiva européia sobre os tipos humanos que compunham a paisagem
social da nova terra.
(e) um curto, mas intenso tom de ‘mea culpa’ do colonizador português frente aos nativos.
(f) I.R.
(UFPEL 2006) Dentre os muitos textos conhecidos do poeta modernista Oswald de Andrade, selecionamos os que seguem.
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha teia
Para telhado teiado
E vão fazendo telhados.
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos muito pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
ANDRADE, Oswald de. Poesias reunidas. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1978.
Com relação a eles, é correto afirmar.
(a) Em ambos, é estabelecida uma intertextualidade com a carta de Pero Vaz de Caminha, com o propósito de descontruí-la, a partir da
confrontação de duas realidades brasileiras que, embora distantes no tempo, permanecem similares em sua quintessência.
(b) Nos dois poemas, percebemos referência do
autor a uma realidade que até então (Semana de
Arte Moderna) não era retratada pela literatura
brasileira, o que o colocou em rota de colisão com
o movimento literário do qual participava.
(c) A oposição “melhor/mió”, no primeiro poema,
conota a forte estratificação social vigente na
realidade brasileira epocal, reforçada pelo tom
depreciativo da poesia de Oswald ao falar popular
brasileiro.
(d) O último verso do primeiro poema pode referir-se
tanto às ocupações operárias da camada da
população que se vale da linguagem não-padrão
quanto ao distanciamento social entre os estratos
populacionais, agravado pela diferença no modo
de falar.
(e) A referência à ausência de vergonha, confessada
pelo eu-lírico, remete a uma conhecida passagem
da carta de Pero Vaz, com o firme propósito de
satirizar as mazelas sociais brasileiras, conforme
o preconizado pelo Manifesto Antropófago.
(f) I.R.
*O Gabarito virá na próxima postagem, acompanhado de comentários
quinta-feira, 4 de março de 2010
Períodos Literários: Quinhentismo
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Como fica a Literatura no Novo ENEM?
*Prof. Edir Alonso
Essa pergunta vem sendo feita por muitos dos meus alunos e também por meus leitores aqui no blog. Trata-se de uma questão fundamental para o nosso planejamento, ou seja, como iremos proceder nossos estudos para ingressar na universidade? Vamos à resposta:
O MEC acaba de divulgar a "matriz de habilidades" a serem exigidas no Novo ENEM. Veja, não se trata de uma lista de conteúdos, mas de uma série de capacidades que, de modo geral, se espera do estudante. Em termos práticos, não há, portanto, como nos vestibulares tradicionais, um rol de leituras obrigatórias ou mesmo uma indicação de que autores ou escolas literárias estudar.
Confira o que consta a respeito da Literatura no documento elaborado pelo MEC:
"Competência de área 5- Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 - Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 - Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 - Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional."
Essas habilidades estão inseridas na "Matriz de Referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias". Portanto, ainda há conexões entre o texto literário e conceitos de gêneros discursivos, recursos de estilo, figuras de linguagem e intertextualidade. Nesse sentido, também deve haver o diálogo entre a literatura e outras manifestações artísticas, como as artes plásticas (o que já vem ocorrendo no enem há alguns anos).
A melhor maneira de reconhecer um plano de estudos para essa nova prova é buscar o histórico do ENEM desde 98. O MEC alega que a prova exigirá conhecimentos mais específicos, mas divulga uma matriz de habilidades. Conclusão: a prova vai continuar com o espírito do velho ENEM.
Desde 98, quando da sua primeira aplicação, o exame se caracterizou pelo foco maior na interpretação e no raciocínio lógico, em detrimento de conceitos e fórmulas. Mas é importante assinalar que isso vem mudando, principalmente com a entrada do CESPE/UNB na elaboração das provas (desde 2006). Os últimos exames vem sendo um pouco mais pontuais em suas exigências.
Veja exemplos de questões do ENEM comentadas:
ENEM 98
Amor é fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
é solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
(Luís de Camões)
1- O poema tem, como característica, a figura de linguagem denominada antítese, relação de oposição de palavras ou idéias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente presente.
(A) “Amor é fogo que arde sem se ver.”
(B) “É um contentamento descontente.”
(C) “É servir a quem se vence, o vencedor.”
(D) “Mas como causar pode seu favor.”
(E) “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
O poema exigido é um dos mais conhecidos textos literários de língua portuguesa, e, assim, provavelmente já tenha sido estudado pelo aluno.
Observe ainda o enunciado: ele já fornece o conceito que será exigido, a figura de linguagem denominada "antítese". Cabe apenas ao examinado identificar esse recurso em uma das alternativas.
Constatando-se a oposição entre "contentamento" e "descontente", temos como resposta a alternativa B .
Veja que, nesse caso, para simplificar as coisas, a prova tratou antítese (oposição)e paradoxo (contradição) como sinônimos, evitando a confusão entre conceitos semelhantes.
Veja uma questão semelhante feita seis anos depois
ENEM 2004
Cidade grande
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.
(Carlos Drummond de Andrade)
Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a
a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
e) prosopopéia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.
Desta vez, cada alternativa fornece um conceito, cabendo ao aluno identificar qual conceito se aplica ao poema. O problema é que o leitor mais atento irá perceber duas figuras de linguagem ali colocadas: a ironia e a prosopopéia.
A ironia é, por si só, uma figura que exige um olhar mais aguçado do leitor. Ela só é perceptível analisando-se o contexto como um todo. As expressões "que beleza", "como cresceu", são normalmente interpretadas de forma positiva. Ocorre que, com o penúltimo verso do poema (que já tem cinco favelas), essa perspectiva se inverte, demonstrando que os "elogios" ao progresso, na verdade, constituem o oposto: uma crítica.
Por outro lado, a prosopopéia ou personificação fica evidente: a cidade "cresceu", ficou "notória" e tornou-se "prima-rica" de outra.
O maior desafio da questão está em perceber no enunciado: "Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a". Ou seja, qual a figura mais importante para a produção do efeito do poema? Ora, vimos que o texto promove um crítica ao crescimento desordenado das cidades e ao paradoxo entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento humano. Assim, a figura essencial do texto é a que constrói a crítica: a ironia.
Portanto, a resposta é a alternativa C.
O ENEM 2006 já traz uma questão mais tradicional, como as de vestibular, exigindo o conhecimento prévio de autor/obra/período literário.
ENEM 2006
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de Sol
O índio tinha despido
O português.
Oswald de Andrade. Poesias reunidas.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
O primitivismo observavel no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma marcante
A) o regionalismo do Nordeste.
B) o concretismo paulista.
C) a poesia Pau-Brasil.
D) o simbolismo pre-modernista.
E) o tropicalismo baiano.
O conhecimento a respeito da obra do modernista Oswald de Andrade encaminha a aluno à alternativa C.
Por fim, vamos analisar uma questão do último ENEM:
ENEM 2008
O canto do guerreiro
Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?
Gonçalves Dias.
Macunaíma
(Epílogo)
Acabou-se a história e morreu a vitória. Não havia mais ninguém lá. Dera
tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais
ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos,
aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?
Mário de Andrade.
A leitura comparativa dos dois textos acima indica que
A) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de forma realista e heróica, como símbolo máximo do nacionalismo romântico.
B) a abordagem da temática adotada no texto escrito em versos é discriminatória em relação aos povos indígenas do Brasil.
C) as perguntas “— Quem há, como eu sou?” (1.o texto) e “Quem podia saber do Herói?” (2.o texto) expressam diferentes visões da realidade indígena brasileira.
D) o texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos povos indígenas como resultado do processo de colonização no Brasil.
E) os versos em primeira pessoa revelam que os indígenas podiam expressar-se poeticamente, mas foram silenciados pela colonização, como demonstra a presença do narrador, no segundo texto.
Nessa questão, uma das de melhor nível apresentadas no processo ao longo desses dez anos, o aluno deve relacionar os textos aos períodos em que foram produzidos.
O texto 1 é um poema do Romantismo brasileiro, da geração indianista, em que o índio é concebido, de forma idealizada, como figura heróica, símbolo nacional, portador das virtudes da força, da bravura, da honra, extensivas a todos os brasileiros.
Já o texto 2, fragmento de "Macunaíma", insere-se na fase heróica do Modernismo, que se caracteriza pela reconstrução crítica da identidade nacional brasileira, via de regra, utilizando-se da ironia para desconstruir o idealismo herdado dos românticos.
Assim, podemos opor o Romantismo Idealista ("quem há como eu sou" - não há herói como o índio) ao Modernismo irônico ("Quem podia saber do herói?" - ausência da figura heróica). Resposta, portanto, letra C.
A conclusão disso tudo, é que o candiato deve ter um conhecimento amplo da literatura, desde a teoria básica (texto literário, conotação, figuras de linguagem, gêneros literários), passando pelas Escolas literárias (desde as primeiras manifestações, com a Carta de Caminha até o Pós-Modernismo), incluindo os principais autores e obras de nossa literatura (Machado, Lima Barreto, Oswald, Bandeira, Drummond, Graciliano, Guimarães Rosa, Clarice ...).
Mas não se assuste! Não é preciso ser um profundo conhecedor dos detalhes de cada obra, mas sim ter um conhecimento geral daquilo que é essencial dentro da disciplina.
FIQUE LIGADO: NAS PRÓXIMAS POSTAGENS COLOCAREI AQUI UM ROTEIRO DE ESTUDOS PARA O NOVO ENEM, COM ESCOLAS LITERÁRIAS, AUTORES E OBRAS FUNDAMENTAIS.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Novo ENEM: Como fica a nova prova?
Nas últimas semanas a discussão sobre as mudanças no vestibular e a possível substituição do vestibular tradicional pelo novo ENEM monopolizaram as atenções de toda a comunidade estudantil. Além disso, criou-se uma atmosfera de incerteza no que diz respeito aos programas de estudos e quanto ao planejamento de professores e alunos para os processos seletivos.
As universidades estão definindo suas posições no sentido da adoção imediata do novo modelo ou da adoção gradual do vestibular unificado, havendo ainda a hipótese de processos mistos, com o ENEM colocado como uma primeira etapa, sendo a segunda fase uma prova elaborada pelas própria universidade.
Mas de qualquer forma, o Exame Nacional passará a ter importância decisiva no ingresso para o ensino superior e essa não é uma realidade distante. Nesse sentido, vamos procurar esclarecer aqui no blog tudo sobre o ENEM.
Aqui temos alguns modelos de questões elaboradas pelo INEP (órgão do MEC responsável pela prova) para o processo de 2009 (a se realizar nos dias 3 e 4 de outubro).
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR
domingo, 23 de novembro de 2008
Questões de Revisão: UFPel e FURG
CLIQUE AQUI PARA BAIXAR
*O gabarito estrá disponível até o final da semana.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
VESTIBULAR SIMULADO
1- (UFRGS) Assinale a alternativa correta em relação a Marília de Dirceu, de Tomás Antonio Gonzaga.
(A) No livro, é estabelecido um contraste entre a paisagem, bucólica e amena, e o cenário da masmorra, opressivo e triste.
(B) Trata-se de um conjunto de cartas de amor, enviadas por Marília, de Minas Gerais, a Dirceu, que se encontra em Moçambique.
(C) Na obra, o pensamento racional é anulado em favor do sentimentalismo romântico.
(D) Nas liras de Gonzaga, Marília é uma mulher irreal, incorpórea, imaginada pelo pastor Dirceu.
(E) Trata-se de um livro satírico, carregado de termos pejorativos em relação às convenções da época.
2- “Sabeis-lo. Roma é a cidade do fanatismo e da perdição: na alcova do sacerdote dorme a gosto a amásia, no leito da vendida se pendura o Crucifico lívido. É um requintar de gozo blasfemo que mescla o sacrilégio à convulsão do amor, o beijo lascivo à embriaguez da crença!” (início da narrativa II – Solfieri de Noite na taverna).
A partir do trecho citado, é possível afirmar:
I. Há uma espécie de paradoxo nas relações enunciadas: sacerdote/amante, prostituta/crente, sacrilégio/amor, beijo lascivo/fé. Esse paradoxo conduz o leitor a uma visão “amarga” de valores e
práticas sociais postos em vigor, mas não requeridos pela sociedade dos que os vivem.
II. As relações enunciadas não são paradoxais, uma vez que remetem o leitor às experiências comportamentais dos que habitam o mundo de Noite na taverna, que se pode interpretar como uma obra que representa a sociedade burguesa de 1900, em cujas estruturas morais se percebia um retorno à Roma pagã, conhecida pela “falta de moral”.
III. Configura-se apenas como brincadeira de um adolescente, Álvares de Azevedo, jovem poeta morto aos 21 anos de idade em conseqüência de seu “estilo de vida” bem representado nas narrativas de Noite na taverna: boêmio, descrente do mundo, próximo de rituais satânicos, experimentador da prostituição, do assassínio, da pedofilia e de outros comportamentos que contou em seus textos.
Marque a alternativa correta:
a) As proposições I e II estão corretas
b) Apenas a proposição II está correta
c) Apenas a proposição III está correta
d) Apenas a proposição I está correta
e) As proposições I e III estão corretas
3- Assinale a afirmativa incorreta quanto a traços do Romantismo presentes no poema Navio Negreiro, de Castro Alves.
a) Contraste entre o real e o ideal.
b) Tendência ao passional.
c) Evasão em relação à realidade social.
d) Referência à natureza.
e) Propensão à melancolia.
4- Sobre o conto "A Carteira" podemos afirmar:
a) Contrariando a estética romântica, aborda o triunfo da moral sobre os impulsos do indivíduo, o que se desdobra na aceitação dos valores da sociedade.
b) Tem como tema central o triângulo amoroso, ensejando um trágico desfecho com a morte de Gustavo.
c) Constitui uma análise crítica acerca da degradação moral da sociedade capitalista, ao identificar a honestidade com o fracasso.
d) É narrado em primeira pessoa por Honório, o que permite ao leitor reconstituir, à maneira realista, o seu drama de consciência.
e) Amélia é o estereótipo da mulher machadiana: incondicionalmente fiel, ainda que por força da hipocrisia das instituições, e submissa ao marido.
5- (UFPel 2007 Inverno) Lê o trecho a seguir de uma das obras indicadas para este vestibular.
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.
[...]
O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.
Assinala a alternativa que NÃO corresponda a uma coerente leitura da obra representada pelo fragmento acima.
(a) No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que, aos poucos, acorda tal qual uma colméia humana.
(b) O texto apresenta um dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais, olfativos e auditivos.
(c) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico.
(d) O discurso naturalista do autor enfatiza nos personagens o aspecto animalesco, “rasteiro” do ser humano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir.
(e) Observa-se, no discurso do narrador, a constante utilização de metáforas, dentre outros recursos, para enriquecer a apresentação de elementos descritivos que comprovem a sua tese determinista.
(f) I.R.
6- Considere as afirmações que seguem.
I - Triste Fim de Policarpo Quaresma relata a vida de um modesto funcionário público em três diferentes fases, que se relacionam, de certa forma, às três partes em que se dividem tal romance.
II - A primeira etapa da obra e da vida de Policarpo retrata o cotidiano simples e suburbano desse funcionário público ufanista e sonhador, que pretende instaurar no país uma reforma cultural.
III - A segunda parte, refere-se a Quaresma, que, ao sair do hospício, torna-se proprietário rural. Defrontando-se com a rotina e a política do campo, busca reformular o país tendo como a agricultura.
IV - O estágio final do romance, apresenta-nos o protagonista como soldado voluntário na Revolta da Armada, de 1893, revelando o clima político da República Velha. Aqui, o personagem principal prepara uma reforma política para a Pátria.
Sobre a obra Triste Fim de Policarpo Quaresma são corretas?
a) II, II e III.
b) I e II.
c) II, III e IV.
d) I, II, III e IV.
e) III e IV .
7- (FURG 2007) Com o conto Negrinho do Pastoreio, Simões Lopes Neto
a) leva o leitor a perceber que a literatura de massa, como manifestação cultural do povo, é superior à literatura erudita.
b) denuncia, através de uma manifestação de domínio popular, as formas bárbaras com que os negros rebeldes eram tratados, quando fugiam das fazendas.
c) elimina traços que tipificam a maldade da escravidão. Acentuando o perfil de bondade e de abnegação do Negrinho.
d) faz da perda de um animal uma metáfora da religiosidade, quando o Negrinho vê a aparição de Nossa Senhora trazendo-lhe de volta o cavalo perdido.
e) apropria-se de uma lenda e a estiliza na geografia sul-rio-grandense, como forma de adaptar uma manifestação folclórica, de domínio popular.
8- Assinale a alternativa correta para as características do Modernismo de 1922, também chamado de “fase heróica”.
a) espírito polêmico e destruidor, valorização poética do cotidiano, nacionalismo, busca da originalidade a qualquer preço.
b) Temática ampla com preocupação filosófica, predomínio do romance regionalista, valorização do cotidiano, nacionalismo.
c) Espírito polêmico, busca da originalidade, predomínio do romance psicológico, valorização da cidade e das máquinas.
d) Visão futurista, espírito polêmico e destruidor, predomínio da prosa poética, valorização da cidade e das máquinas.
e) Valorização poética do cotidiano, linguagem repleta de neologismos, nacionalismo e busca da poesia na natureza.
Gabarito:
1-A / 2-D / 3-C / 4-C / 5-C / 6-D / 7-E / 8-A
