Contexto: (séc. XVII)
Europa: Contra-Reforma
Brasil: Ciclo da cana-de-açúcar (BA)
Marco inicial: Prosopopéia, de Bento Teixeira (1601)
A origem da palavra barroco tem causado muitas discussões. Dentre as várias posições, a mais aceita é a de que a palavra se teria originado do vocábulo espanhol barrueco, vindo do português arcaico e usado pelos joalheiros desde o século XVI, para designar um tipo de pérola irregular e de formação defeituosa, aliás, até hoje conhecida por essa mesma denominação. Assim, como termo técnico, estabeleceria, desde seu início, uma comparação fundamental para a arte: em oposição à disciplina das obras do Renascimento, caracterizaria as produções de uma época na qual os trabalhos artísticos mais diversos se apresentariam de maneira livre e até mesmo sob formas anárquicas, de grande imperfeição e mau gosto. (Suzy Mello, Barroco. São Paulo, Brasiliense, 1983. p.7-8)
O Brasil do século XVII ainda não possuía condições para uma verdadeira atividade literária. A vida social era organizada em torno de pequenos núcleos econômicos, em especial Salvador e Recife (ciclo da cana-de-açúcar). Os poucos escritores que surgiam (portugueses ou de origem portuguesa, pois ainda estamos no período colonial) estavam isolados, separados por milhares de quilômetros e sem um público leitor para suas obras. Por isso tudo, ainda não se pode falar propriamente de literatura brasileira.
O Barroco está situado no período da Contra-Reforma. Trata-se, portanto de um momento de conflito entre as conquistas do antropocentrismo renascentista x retomada do teocentrismo.
CARACTERÍSTICAS E TEMAS DO BARROCO
* Contraste: Carne x Espírito / pecado x perdão / juventude x velhice. Na literatura é freqüente o uso de imagens que simbolizam o contraste, como o crepúsculo (dia/noite) e a aurora (noite/dia).
* Pessimismo: A visão teocêntrica tende a caracterizar a vida terrena como sofrimento. São comuns concepções como a brevidade da vida; o caráter ilusório da vida; “viver é ir morrendo aos poucos”.
* Estilo Ornamental: É comum observarmos na arquitetura barroca um excesso de detalhes, a imponência e o luxo das construções. A Igreja se impõe diante dos fiéis com suas catedrais suntuosas. Para as artes plásticas (pintura/escultura) e para a Literatura esses recursos não são simplesmente decorativos, mas uma necessidade de expressão do período.
Assim, o Barroco Literário se utiliza de uma linguagem complexa, rebuscada. Antíteses parado¬xos, metáforas, hipérboles.
* Jogos verbais
“O todo sem a parte não é todo;
a parte sem o todo não é parte;
mas se a parte o faz todo, sendo parte,
não se diga que é parte sendo todo.”
(Gregório de Matos)
* Uso de frases interrogativas
* Emprego freqüente da ordem inversa
“Se tão apartada do corpo a doce vida,
Domina em seu lugar a dura morte,
De que nasce tardar-me tanto a morte
Se ausente da alma estou, que me dá a vida?”
Traduzindo:
“Se a doce vida tão apartada do corpo
Domina em seu lugar a dura morte,
De que nasce tardar-me tanto a morte (por que demora tanto a morte)
Se estou ausente da alma, que me dá vida?”
A complexidade dos textos barrocos se desdobra em dois estilos fundamentais:
- Cultismo (Gongorismo): Caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, confere maior ênfase à forma do que ao conteúdo. Preocupa-se em causar impacto pelos jogos de palavras e pelas inversões sintáticas.
- Conceptismo (Quevedismo): Valoriza o conteúdo do discurso em um jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada.
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sábado, 7 de março de 2009
Escolas Literárias: Barroco (Seiscentismo)
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