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segunda-feira, 27 de julho de 2009

UFPel teve abstenção de 8,06% no vestibular de inverno


Listão com os aprovados deve ser divulgado entre os dias 14 e 15 de agosto

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) registrou um abstenção de 8,06% no vestibular de inverno 2009, realizado no final de semana passado. O concurso oferecia 924 vagas a 3.684 candidatos.

O curso com maior número de candidatos foi o de medicina veterinária, que teve 509 inscritos. O maior número de candidatos por vaga, porém, foi do curso de Administração, com 10 alunos disputando cada uma das 35 ofertas.

No sábado, os candidatos fizeram os testes de matemática, física, biologia e química, respondendo um total de 32 questões.

Língua portuguesa, literatura brasileira, história, geografia, língua estrangeira e redação foram as provas aplicadas no segundo dia de vestibular, o domingo, pela manhã.

Candidatos escreveram carta ao STF

A prova de redação solicitou aos candidatos uma carta argumentativa ao presidente do Superior Tribunal Federal (STF) com o tema: o diploma é necessário para o exercício profissional?

A intenção era discutir a decisão do Tribunal adotada neste ano sobre a não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. O candidato deveria ampliar o tema para outras profissões e argumentar sobre seu posicionamento.

O listão com os aprovados no vestibular de inverno 2009 da UFPel deve ser divulgado entre os dias 14 e 15 de agosto.

CLIQUE AQUI E CONFIRA A ANÁLISE DAS QUESTÕES DE LITERATURA

domingo, 26 de julho de 2009

Comentários sobre a prova de Literatura da UFPel (Inverno 2009)


As críticas que tenho a fazer são as mesmas já colocadas em relação a processos seletivos anteriores: o espaço dedicado à Literatura é muito reduzido e e não há coerência na elaboração do exame.

Um programa com 19 leituras obrigatórias nunca será contemplado por uma prova com duas questões. A Universidade deveria estimular a leitura do texto literário valorizando os livros solicitados em maiores proporções, enfocando aspectos de Língua Portuguesa e de Literatura concomitantemente em diversas questões. A prova é assim designada: "Língua Portuguesa e Literatura Brasileira", sugerindo que ambas estão entrelaçadas, no entanto, a prova de Português é conduzida por um tema que a perpassa integralmente (no caso, a atividade jornalística e o exercício da liberdade de expressão), enquanto a Literatura aparece totalmente desconectada, sem qualquer relação com o tema da prova (que é aproveitado inclusive para a Redação), e sem nenhuma unidade temática entre as abordagens das duas questões que enfocam textos literários. Falta obedecer os critérios de coesão e coerência na elaboração desse exame.

Ademais, não posso deixar de reiterar minha preocupação quanto ao baixíssimo nível de leitura e a escassa bagagem cultural que se exige do candidato em uma prova em que a Literatura tem quase o mesmo peso que a leitura de charges ou tirinhas. Que tipo de acadêmico se está selecionando? Que tipo de Universidade se quer construir? Ou essas perguntas não estão norteando a concepção do processo seletivo ou estão sendo conscientemente desprezadas, o que seria mais grave.

Quanto às questões de Literatura em si, não há problemas graves, nenhum aspecto que possa prejudicar sua validade, ocorreu com um dos testes do último vestibular de verão. Vamos à análise.

1- Analisa as afirmações abaixo, tomando como base a obra Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto.

I. A obra Lendas do Sul apresenta, entre outras, três importantes lendas da nossa cultura: “O Negrinho do Pastoreio”, “A Mboitatá” e “A Salamanca do Jarau”. Nas duas primeiras, temos Blau Nunes como narrador, já na terceira, o temos como protagonista da história.

II. É procedimento habitual em João Simões Lopes Neto a universalização de um tema regional, dando-lhe caráter filosófico. As lendas “A Mboitatá” e “A Salamanca do Jarau” são bons exemplos disso. A primeira discute a essência do ser e sua impossibilidade de transferência e apropriação, já a segunda alegoriza a busca do
sentido da existência humana, triunfando, no final, o materialismo.

III. “A Mboitatá” é uma lenda que tem origem nas fantasias criadas pelas aparições de fogos no campo produzidos pela fosforescência de restos de ossadas.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
(a) I apenas.
(b) I, II e III.
(c) I e III apenas.
(d) I e II apenas.
(e) II apenas.
(f) I.R.


Um aspecto elogiável da prova é a colocação da literatura regional, diferenciando nosso vestibular das tendências de um processo seletivo nacional como o ENEM.

A afirmativa I está correta. As três lendas citadas são patrimônio cultural gaúcho, reelaboradas pelo estilo simoneano. O único aspecto problemático ñesse item é o que se refere a Blau Nunes. Em nenhum momento está explícito na obra que o narrador de a M'Boitatá e o Negrinho do Pastoreio seria Blau. Pode-se inferir essa informação pelo conhecimento da totalidade da obra do autor, considerando-se a linguagem empregada pelo narrador de Contos Gauchescos. Quanto à sua colocação em A Salamanca do Jarau, de fato, ela se dá na forma de protagonista, sendo o foco narrativo em 3ª pessoa.

A afirmativa II está errada. Embora faça justa alusão ao Regionalismo Universal e ao caráter filosófico da obra, não se afigura verdadeira quando diz sobre A Salamanca do Jarau: alegoriza a busca do sentido da existência humana, triunfando, no final, o materialismo"(grifo meu). Ao final da narrativa, Blau devolve a moeda mágica ao Sacristão, pois prefere a amizade de sua gente ao dinheiro infindável que lhe trouxera solidão.

A Afirmativa III está certa, pois alude ao fato de A M'Boitatá ser um relato mítico que explica, de forma imaginativa, o fenômeno natural dos fogos-fátuos.

Portanto, RESPOSTA CORRETA: C


2- Lê este poema, de Manuel Bandeira

Consoada*

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou coroável)
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

(*ceia da noite de Natal)

O eu-lírico

(a) mantém uma postura altiva e de enfrentamento com a “Indesejada das gentes”, traduzida pelo escárnio com que a recebe.
(b) alude à morte como um ente não estimado, que não se pode subjugar nem ludibriar com subterfúgios.
(c) apresenta-se preparado para a morte, com todos os deveres cumpridos. O “campo lavrado” alude à infância de trabalhos pesados de Bandeira.
(d) satiriza o natal, assim como em outras obras o fez com as datas cristãs, imaginando-o como a época de morte simbólica para todos.
(e) traduz, com o tema “morte”, o sentimento do mundo, que enfrentava à época a possibilidade real de uma nova guerra, ainda mais mortífera que a Segunda.
(f) I.R.


Alternativa a:incorreta
Não há postura de enfrentamento, pois o eu-lírico reconhece que "talvez tenha medo" e refere-se à morte como "iniludível" (que não se pode enganar), colocando-se de maneira relativamente conformista em relação ao fim da vida.

Alternativa b: correta
Alude à morte como um ente não estimado - "Indesejada das Gentes" é um eufemismo para referir-se à morte.
(...)que não se pode subjugar nem ludibriar com subterfúgios - Isso está expresso em "Iniludível" e implícito na postura conformista do eu-lírico em "pode a noite chegar", sendo a "noite" uma referência metafórica à morte.

Alternativa c: incorreta
O problema está na referida "infância de trabalhos pesados" de Bandeira. Sabe-se que o poeta, desde cedo teve sua vida limitada pela tuberculose, não podendo submeter-se a grandes esforços físicos.

Alternativa d: incorreta
Não há sátira ao Natal, nem no poema, nem no restante da obra do autor, mas sim o que se pode interpretar como uma auto-ironia, pois sua a morte viria numa noite de Natal, momento em que a vida é celebrada.

Alternativa e: incorreta
O tema da morte é tratado numa perspectiva individual, e não social como em Drummond (autor de Sentimento do Mundo). Além disso, o poema em análise figura na obra Libertinagem, de 1930, anterior, portanto, à Segunda Guerra Mundial.

RESPOSTA: B

É isso. Esta foi mais uma prova da UFPel, com mais problemas do que acertos. Minha intenção aqui é sempre a de contribuir para que tenhamos um processo seletivo de maior qualidade, digno dos esforços que fazemos nós, professores e estudantes.

Agora é aguardar com otimismo o resultado. Sucesso a todos!

BAIXAR A PROVA E O GABARITO

Deixe também sua opinião sobre a prova. Comente esse post!

sábado, 25 de julho de 2009

Vestibular de Inverno UFPel: Chegou a hora!

Hoje começaram as provas deste que deve ser o último vestibular da UFPel e amanhã teremos a prova de Literatura e Língua Portuguesa. O que esperar desse vestibular, que, sabemos, após sucessivas mudanças (já tivemos provas discursivas, interdisciplinares, depois o retorno ao modelo tradicional, com questões objetivas e ainda uma gradual diminuição do número de questões) tem sido tão controvertido?

Conforme o edital, teremos 10 questões distribuídas entre Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Normalmente, na prática, são duas questões de Literatura e oito de Português. Aqui já surge um aspecto problemático: o programa exige dezenove textos como leituras obrigatórias (incluindo os 3 contos de Machado de Assis), mas a prova se constitui apenas de duas ou três questões. Como contemplar o programa com uma prova tão reduzida?

O último vestibular (verão/2009) deixou evidente a confusão em que se processa a elaboração do exame: para amenizar essa contradição entre o volume do programa e e o número de questões da prova de Literatura, tentou-se fazer uma questão envolvendo cinco leituras obrigatórias, uma em cada alternativa de múltipla escolha. O experimentalismo esbarrou, no entanto, na falta de planejamento. A questão foi anulada por não haver resposta correta, inviabilizando-se o gabarito.

LEIA AQUI A ANÁLISE DA ÚLTIMA PROVA DE LITERATURA

Nesse sentido, não parece haver direção certa para essa prova, que muda ao sabor dos ventos. Pior: é certo que a maior parte das leituras exigidas do candidato não estará colocada nas questões de Literatura.

Seguem aqui, portanto, algumas dicas baseadas na experiência que tenho com as provas recentes e, em alguma intuição, que nessas circunstâncias é sempre válida.

NAVIO NEGREIRO
Poema de Castro Alves (3ª Geração Romântica), caracterizado pela linguagem condoreira (repleta de hipérboles, apóstrofes, exclamações, interrogações e reticências), denuncia a prática do tráfico negreiro memo após sua proibição legal, com a lei Eusébio de Queirós (1850). Pela crítica social mesclada à linguagem emotiva, o poema pode ser entendido como parte de um movimento de transição entre o Romantismo e o Realismo.

TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA
Romance de Lima Barreto, caracteriza bem o Pré-Modernismo ao utilizar-se de linguagem e temas populares, além de propor uma reflexão crítica sobre a brasilidade. Atenção para a divisão da obra em três partes: a fase cultural; a fase agrícola; e a fase política, sendo esta última relacionada ao episódio da Revolta da Armada, durante o governo do Mal. Floriano Peixoto.

OSWALD DE ANDRADE E MANUEL BANDEIRA
Representantes da Geração de 1922, a fase heróica do Modernismo, os dois poetas buscam romper com os padrões da poesia tradicional, caracterizando seus poemas pela liberdade formal (versos brancos e livres quase sempre), pela linguagem coloquial e pela abordagem de temas do cotidiano.

A ROSA DO POVO
Obra poética de Carlos Drummond de Andrade, está inserida na fase social do poeta (eu < MUNDO), marcada pela preocupação com o contexto da 2ª Guerra Mundial e da Era Vargas. O poeta adota uma postura ideológica identificada com o socialismo e trata do cotidiano, da opressão da mulher (o Caso do Vestido) e do trabalhador (a Morte do Leiteiro). A metapoesia (Procura da Poesia e Consideração do Poema) também aparece de forma destacada no livro.

A TERCEIRA MARGEM DO RIO
Conto de Guimarães Rosa, marcado pela temática da travessia: um homem decide romper com a realidade comum e se isola em um rio, dentro de uma canoa. O conto é narrado pelo filho desse sujeito, e o conflito se estabelece em torno de assumir ou não o lugar do pai. O filho não consegue fazê-lo e, ao contar a história revela-se culpado por não ter seguido o destino paterno.

NATAL NA BARCA
Lygia Fagundes Telles constrói uma narrativa intimista, centrada no universo interior da narradora (não nomeada ao longo do conto). Para ela, tudo era solidão, trevas, escuridão. É quando encontra uma mulher que trazia consigo uma criança nos braços. Essa mulher relata à narradora a doença do bebê, a morte de seu primeiro filho e o abandono do marido. Diante disso ainda se mostra serena, o que desperta uma certa irritação na Narradora. Nesse momento, a mulher revela que sua força vem da Fé. Isso desencadeia uma profunda mudança na Narradora, que chega a acreditar que a criança, que estava no colo da mulher, teria morrido e, em seguida, milagrosamente, ressucitado. O desfecho fica em aberto: houve de fato a ressurreição? Ou foi só um delírio da Narradora?

É isso! Boa prova a todos!

Ah! Hoje, às 18h haverá um chat ao vivo aqui no blog, para tirar as dúvidas e última hora.

Um abraço!

domingo, 12 de julho de 2009

Resumo: O Que é Isso, Companheiro? (Fernando Gabeira)

Mais uma leitura obrigatória da UFPel. Trata-se de uma obra de caráter memorialístico em que o autor, Fernando Gabeira, relata episódios da luta contra a ditadura militar no Brasil desde 1964 (golpe), passando por 1968 (AI-5), até meados da década de 1970. Como relato, o texto se articula de maneira informal e não se constitui como uma obra literária convencional. São dezesseis capítulos, sendo que os quatorze primeiros ocupam praticamente a metade da narrativa, sendo o restante, o ápice do livro destinado aos capítulos 15 e 16, em que temos, respectivamente, o seqüestro do embaixador norte-americano e os momentos vividos por Gabeira durante sua prisão.

Vale lembrar que 2009 marca os 30 anos da Lei da Anistia e também da publicação do livro.

Além desses fatos, a leitura é interessante por mostrar um momento tão marcante de nossa história sob um ponto de vista diferente do discurso oficial: o ponto de vista de quem participou dos fatos.

Ao estudo!

12 O que é isso



Além desse resumo, indico a vocês um artigo interessante:

"O Astro da Anistia"

Boas leituras, pessoal!

O Astro da Anistia - Análise do livro "O Que é isso, companheiro?"

o Astro Da Anistia

sábado, 11 de julho de 2009

Guia de Leitura: O que é isso, companheiro? (Fernando Gabeira)

O livro de Fernando Gabeira (1979) completa em 2009 trinta anos de publicação, assim como a Lei da Anistia. O Relato de Gabeira constitui-se como um olhar mais humano para episódios históricos como o Golpe, os movimentos sociais, a luta contra o Regime, o assassinato do estudante Édson Luís, o AI-5, as prisões políticas e o exílio.



Amanhã seguem mais postagens sobre o livro.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vestibular de Inverno UFPel: Dicas e Resumos


Fique ligado! Nos próximos dias faremos postagens especiais sobre o vestibular de inverno da UFPel. Confira os resumos das obras literárias e dicas sobre todos os livros exigidos para a prova. Clique aqui e confira o que já foi publicado

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Resumos e Análises: Marília de Dirceu (Tomás Antonio Gonzaga)

‘MARÍLIA DE DIRCEU’

Obra representativa do Setecentismo brasileiro, a obra Marília de Dirceu deve ser analisada em sua complexidade, levando-se em conta a sua inserção no Arcadismo (estética racional e permeada por convencionalismos) e, ao mesmo tempo, sua relação com as experiências amorosas e políticas do autor que conferem caráter subjetivo (Pré-Romântico) ao texto.

Aspectos biográficos – reflexos da vida do poeta em sua obra

Quando concebeu as primeiras liras de Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu é seu pseudônimo), então com aproximadamente 40 anos, vivia no Brasil e gozava de estabilidade econômica, pois ocupava um alto cargo judiciário. Nesse contexto, apaixona-se por Maria Dorotéia (a quem cabe o pseudônimo Marília), adolescente com pouco mais de 17 anos. Porém, o envolvimento com a Inconfidência Mineira, somado à relação tumultuada que tinha com as autoridades locais (Luís da Cunha Meneses, o governador satirizado em Cartas Chilenas) leva Gonzaga à prisão e, posteriormente ao exílio em Moçambique.
A interferência desses fatos no poema em estudo fica evidente. Como vamos ver em seguida, há uma grande diferença entre o equilíbrio objetivo da primeira parte e o sentimentalismo melancólico do segundo momento da obra.
Estrutura - A obra se divide em 3 partes:

 Primeira parte (1792) – Composta por 33 liras, mostra o poeta apaixonado, otimista, fazendo planos para uma vida conjugal harmoniosa. Aqui se revelam com mais intensidade as tradições árcades.
 Segunda parte (1799) – Composta por 38 liras, revela um homem angustiado, envelhecendo e, sobretudo, sentindo-se injustiçado na prisão, longe de sua amada. Com a vazão aos sentimentos do poeta, podemos afirmar o caráter Pré-Romântico da obra.
 Terceira parte (1812) – É uma coletânea de textos. Envolve 8 liras que não figuraram nas partes anteriores da obra, e textos que teriam sido escritos antes do envolvimento amoroso com Maria Dorotéia (1 canção, 15 sonetos e 1 ode).

RESUMO E ANÁLISE DE MARÍLIA DE DIRCEU

Primeira parte – Convencionalismo amoroso

Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores, que habitam este monte,
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra, que não seja minha,
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!


O poeta, dirigindo-se à Marília, se apresenta exaltando qualidades que o fariam digno do amor da donzela: sua condição social, seu aspecto físico e suas habilidades. Isso é feito em um cenário típico do Arcadismo: a atmosfera bucólica, o ideal de vida simples, pastoril.

Lira 2


Pintam, Marília, os Poetas
A um menino vendado,
Com uma aljava de setas,
Arco empunhado na mão;
Ligeiras asas nos ombros,
O tenro corpo despido,
E de Amor, ou de Cupido
São os nomes, que lhe dão.

Porém eu, Marília, nego,
Que assim seja Amor; pois ele
Nem é moço, nem é cego,
Nem setas, nem asas tem.
Ora pois, eu vou formar-lhe
Um retrato mais perfeito,
Que ele já feriu meu peito;
Por isso o conheço bem.[...]


Uma característica árcade é o uso de alusões mitológicas, que retomam a Antiguidade Clássica. Aqui, o poeta personifica o amor na figura do cupido. A seguir o poeta faz uma detalhada descrição física de Marília e arremata:

Tu, Marília, agora vendo
De Amor o lindo retrato,
Contigo estarás dizendo,
Que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
Que Cupido é Deus suposto:
Se há Cupido, é só teu rosto,
Que ele foi quem me venceu.



Quanto à descrição física de Marília, observe:

Os teus cabelos são uns fios d'ouro;
(Lira 1)


Os seus compridos cabelos,
Que sobre as costas ondeiam,
São que os de Apolo mais belos;
Mas de loura cor não são.
Têm a cor da negra noite;

(Lira 2)

Surpreso? Nesse trecho evidencia-se o convencionalismo amoroso. Contrasta a Marília ‘real’, menina brasileira de olhos e cabelos escuros com a beleza européia que se costumava cantar, imitando os precursores do estilo Neoclássico.

Lira 14
Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
[...]
Ornemos nossas testas com as flores.
E façamos de feno um brando leito,
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos Amores.
Sobre as nossas cabeças,
Sem que o possam deter, o tempo corre;
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre.


O poeta reflete sobre a passagem do tempo e propõe à Marília que aproveitem o momento presente. Trata-se da versão neoclássica do Carpe diem, tema já explorado pelo barroco.

Lira 22
Tu não habitarás palácios grande,
Nem andarás no coches voadores;
Porém terás um Vate, que te preze,
Que cante os teus louvores.
O tempo não respeita a formosura;
E da pálida morte a mão tirana
Arrasa os edifícios dos Augustos,
E arrasa a vil choupana.
Que belezas, Marília, floresceram,
De quem nem sequer temos a memória!
Só podem conservar um nome eterno
Os versos, ou a história.


Nesse trecho o poeta evidencia sua concepção de indivíduo ilustrado. Reafirma o ideal de vida simples e prefere ao poder e à riqueza, a glória de eternizar em versos a beleza de Marília.
Essa idéia é ratificada na lira 27, em que o poeta se considera verdadeiro herói por ter conquistado sua musa.

O ser herói, Marília, não consiste
Em queimar os Impérios: move a guerra,
Espalha o sangue humano,
E despovoa a terra
Também o mau tirano.
Consiste o ser herói em viver justo:
E tanto pode ser herói pobre,
Como o maior Augusto.
Eu é que sou herói, Marília bela,
Segundo da virtude a honrosa estrada:
Ganhei, ganhei um trono,
Ah! não manchei a espada,
Não roubei ao dono.
Ergui-o no teu peito, e nos teus braços:
E valem muito mais que o mundo inteiro
Uns tão ditosos laços.


Para finalizar, na lira 33 o poeta pede a seu amigo Glauceste (Cláudio Manuel da Costa) que cante e pinte a figura de Marília.

Pega na lira sonora,
Pega, meu caro Glauceste;
E ferindo as cordas de ouro,
Mostra aos rústicos Pastores
A formosura celeste
De Marília, meus amores.
Ah! pinta, pinta
A minha Bela!
E em nada a cópia
Se afaste dela.



Segunda parte – Vazão aos sentimentos
(Tendências Pré-Romanticas)


Lira 1

Já não cinjo de louro a minha testa;
Nem sonoras canções o Deus me inspira:
Ah! que nem me resta
Uma já quebrada,
Mal sonora Lira!
[...]
Mal meus olhos te riam, ah! nessa hora
Teu retrato fizeram, e tão forte,
Que entendo, que agora
Só pode apagá-lo
O pulso da Morte.


Aqui encontramos Dirceu enclausurado, deprimido, sem inspiração. Permanece, porém a lembrança de Marília, que só se apagará com a morte.
Na lira 2, o poeta reclama das injustiças às quais foi submetido e arremata com a célebre passagem:

Eu tenho um coração maior que o mundo!
Tu, formosa Marília, bem o sabes:
Um coração..., e basta,
Onde tu mesma cabes.


Na lira 3 o poeta angustiado reflete sobre as constantes mudanças da vida e pergunta a Marília por que a sua sorte não muda. Na lira seguinte passa a admitir a mudança do envelhecimento.

Lira 3
Sucede, Marília bela,
À medonha noite o dia;
A estação chuvosa e fria
À quente seca estação.
Muda-se a sorte dos tempos;
Só a minha sorte não?


Lira 4
Já, já me vai, Marília, branquejando
Louro cabelo, que circula a testa;
Este mesmo, que alveja, vai caindo
E pouco já me resta.
As faces vão perdendo as vivas cores,
E vão-se sobre os ossos enrugando,
Vai fugindo a viveza dos meus olhos;
Tudo se vai mudando.


Na lira 12 o poeta não admite a idéia de que sua amada sofra.

Lira 12
Ah! Marília, que tormento
Não tens de sentir saudosa!
[...]
Quando levares, Marília,
Teu ledo rebanho ao prado,
Tu dirás: “Aqui trazia
“Dirceu também o seu gado.”
Verás os sítios ditosos
Onde, Marília, te dava
Doces beijos amorosos
Nos dedos da branca mão.
Mandarás aos surdos Deuses
Novos suspiros em vão.
[...]


Aqui observamos também uma característica constante dessa segunda parte: o contraste entre o passado feliz e a tristeza do presente. A lira 15 é ainda mais elucidativa nesse sentido, pois resgata os versos de abertura da primeira parte:

Lira 15

Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,
Fui honrado Pastor da tua aldeia;
Vestia finas lãs, e tinha sempre
A minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal, e o manso gado,
Nem tenho, a que me encoste, um só cajado.
Para ter que te dar, é que eu queria
De mor rebanho ainda ser o dono;
Prezava o teu semblante, os teus cabelos
Ainda muito mais que um grande Trono.
Agora que te oferte já não vejo
Além de um puro amor, de um são desejo.


A seguir, Dirceu ainda se revela esperançoso:

Ah! minha Bela, se a Fortuna volta,
Se o bem, que já perdi, alcanço, e provo;
Por essas brancas mãos, por essas faces
Te juro renascer um homem novo;
Romper a nuvem, que os meus olhos cerra,
Amar no Céu a Jove, e a ti na terra.
Fiadas comprarei as ovelhinhas,
Que pagarei dos poucos do meu ganho;
E dentro em pouco tempo nos veremos
Senhores outra vez de um bom rebanho


Entretanto, na lira 20 transparece a insegurança:

Se me viras com teus olhos
Nesta masmorra metido,
De mil idéias funestas,
E cuidados combatido,
Qual seria, ó minha Bela,
Qual seria o teu pesar?


Na lira 33 revelam-se a indignação, o estado físico e a preocupação com a defesa da honra.

Mas vivo neste mundo, ó sorte impia,
E dele só me mostra a estreita fresta
O quando é noite, ou dia.
Olhos baços, e sumidos,
Macilento, e descarnado,
Barba crescida, e hirsuta,
Cabelo desgrenhado;
Ah! que imagem tão digna de piedade!
Mas é, minha Marília, como vive
Um réu de Majestade.
[...]
Tu, Marília, se ouvires,
Que ante o teu rosto aflito
O meu nome se ultraja
C’o suposto delito,
Dize severa assim em meu abono:
“Não toma as armas contra um Cetro justo
“Alma digna de um trono.”


Terceira parte
Como já constatamos, trata-se de uma publicação confusa, irregular e, portanto, de menor valor. Ressalvamos, porém, a antológica lira 3, onde o poeta rompe com a condição ideal de pastor, assumindo sua verdadeira condição social e imaginando a vida conjugal com Marília.

Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho, e a rica, terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
Não verás derrubar os virgens matos;
Queimar as capoeiras ainda novas;
Servir de adubo à terra a fértil cinza;
Lançar os grãos nas covas.
Não verás enrolar negros pacotes
Das secas folhas do cheiroso fumo;
Nem espremer entre as dentadas rodas
Da doce cana o sumo.
Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grande livros,
E decidir os pleitos.
Enquanto revolver os meus consultos.
Tu me farás gostosa companhia,
Lendo os fatos da sábia mestra história,
E os cantos da poesia.
Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
O cansado processo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Gabarito definitivo da UFPel: Questão 2 anulada!

Diante do que já havíamos explicado, a questão 2 de Literatura (2º dia de prova) não tinha resposta possível. Meu requerimento junto ao CES foi atendido e a questão foi ANULADA. Isso significa que todos os vestibulandos devem considerar essa questão como acerto, automaticamente.

CONFIRA AQUI OS GABARITOS:

1º Dia (17/1)
2º Dia (18/1)

É isso aí.
Ficamos no aguardo do listão...

Um abraço.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Comentários sobre a Prova da UFPel

RETROCESSO. Não há palavra mais definidora daquilo que ocorre com o processo seletivo da UFPel, ao menos no que diz respeito à disciplina Literatura.
Há algum tempo, o espaço conferido à matéria nas provas é bastante diminuto, contrariando o que se observa em provas tidas como referencial de excelência, como as da UFRGS, da UFSM e da FURG. Neste ano, o processo de inverno trouxe 3 questões (o que não chega a ser digno de ser comemorado), sinalizando um pequeno avanço, mas a prova de verão superou quase todos os prognósticos negativos: apenas duas questões versando sobre leituras obrigatórias (são dezenas de obras exigidas) e uma delas PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. Senão, vejamos:

2- Em nossa lista de leituras obrigatórias para esta prova, aparecem várias personagens femininas fortes. Assinala a alternativa que corretamente justifica a força da personagem a que faz alusão.

(a) Em O Cortiço, Rita Baiana, personagem plana, conota a sensualidade da mulher comum. Suas estratégias de sedução encantam o até então
pouco ambicioso João Romão, impulsionando-o
ao progresso e à riqueza material.
(b) Em Navio Negreiro, a força da escrava que
protege do opressor o filho recém-nascido nos
porões do navio simboliza a resistência do eu-lírico
negro à violência do sistema.
(c) No conto Natal na barca, a fé da mãe que carrega
o filho doente no colo provoca uma mudança de
perspectiva na narradora, que é onisciente.
(d) Na obra árcade, Marília de Dirceu é um
pseudônimo da princesa por quem o eu-lírico se
apaixonou. Sua força está na ousadia em
enfrentar os ditames da vida social na colônia.
(e) No poema de João Cabral de Melo Neto,
Severino logra êxito em sua empreitada tão somente
por contar com o alento da mulher, em
cuja anuência encontra forças para vencer no “sul
maravilha” e derrotar a seca, sua antagonista.
(f) I.R.


A questão exigiu, em cada alternativa, conhecimentos sobre uma obra diferente. A resposta que consta no gabarito é a letra "c", enfocando o conto Natal na Barca. De fato, o texto dessa afirmativa aponta para o elemento essencial do conto: a "mudança de perspectiva" sofrida pela narradora. Confirmando isso, coloco as minhas palavras usadas aqui no blog, na véspera da prova: O conto é narrado em 1ª pessoa e a narradora sofre uma profunda transformação durante o diálogo com uma mulher que trazia consigo uma criança: a passagem da descrença à fé.
O Problema é que a resposta tida como correta se refere a uma narradora "onisciente", o que não condiz com o que se observa no conto de Lygia Fagundes Telles. A narradora dialoga com sua interlocutora sem muito bem compreender a força daquela mulher diante de problemas como a pobreza, a perda de um filho e a separação do marido. Fica perplexa diante da suposta ressurreição do bebê, sem nunca demonstrar capacidade de "ler" os pensamentos ou sentimentos recônditos de outras personagens. Não pode, portanto, a narradora-protagonista ser considerada "onisciente".

Além disso, não há outra resposta possível para a questão entre as alternativas elencadas na prova.

A letra "a" versa sobre O Cortiço e sugere um envolvimento inexistente entre Rita Baiana e João Romão, além de concebê-lo como "pouco ambicioso" em um dado momento, o que também é um disparate.

A alternativa "b", por seu turno, versa sobre O Navio Negreiro, referindo-se a uma suposta cena em que uma mãe negra protegeria o filho recém nascido no porão da embarcação. A parte IV do poema, que ilustra os acontecimentos no porão do navio não contém nada nesse sentido. Ademais, há uma refeência a um eu-lírico negro, o que não se configura nesse texto em que a voz do poeta indignado com a brutalidade da escravidão é que constitui o sujeito lírico.

Já a alternativa "d" faz alusão à Marília da Dirceu, referindo-se à musa de Gonzaga como uma "princesa" que teria "enfrentado os ditames da vida social na Colônia". Há uma tese, bastante corrente, que considera Maria Dorotéa Joaquina de Seixas Brandão como musa inspiradora das liras de "Dirceu". A "Marília", portanto seria a moça de quinze anos, de família tradicional, por quem o poeta se apaixonara, e a qual pedira em casamento algum tempo depois. Nesse sentido, não temos nenhuma "princesa" ousada, lutando contra os interesses da Coroa.

Por fim, a alternativa "e" traz à baila, mais uma vez, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Repete-se aqui a sugestão, já explorada em prova anterior, de que Severino teria migrado para o "Sul Maravilha", o que é inverídico, pois no "Auto de Natal Pernambucano"", o protagonista não sai do estado de Pernambuco. Tampouco pode-se dizer que Severino supera sua condição miserável ao longo do poema. Para encerrar, a mulher de Severino referida no texto da alternativa em análise não existe no texto de João Cabral.

Fica, portanto, demonstrada a impossibilidade de se constituir resposta correta para a questão em estudo, uma vez que todas as alternativas ensejam incoerências em relação às obras a que se referem.


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Já vi isso em algum lugar... UFPel parafraseia questão da UNIFESP

Resta-nos apenas a questão de nº1, sobre o conto Uns Braços, de Machado de Assis. Era previsível que os 100 anos da morte do Bruxo do Cosme Velho fossem lembrados e, como imaginávamos, com um de seus contos mais emblemáticos e mais complexos. Esse conto já havia sido explorado no Vestibular de Inverno de 2007, mas a sensação de reprise não para por aí. Vejam a questão abaixo:

(UNIFESP) Uma das características do Realismo é a introspecção psicológica. No conto, ela se manifesta, sobretudo,

A) no comportamento grosseiro de Borges, que impõe medo a D. Severina e desperta ódio em Inácio.
B) nas vivências interiores de Inácio e de D. Severina, que revelam seus sentimentos e conflitos.
C) na forma solitária como Inácio se submete no trabalho com Borges, sem que pudesse estar com sua mãe e irmãs.
D) nas reflexões de D. Severina, que vê Inácio como uma criança que merece carinho e não o silêncio e a reclusão.
E) na forma como o contato é estabelecido entre as personagens, já que a falta de diálogo é uma constante em suas vidas.
Questão essa que tive oportunidade de resolver com meus alunos no pré-vestibular, pois constava em nosso material didático.


Agora a questão "da UFPel":

Uma das características do Realismo é a introspecção psicológica. No conto Os Braços, de Machado de Assis, ela se manifesta, sobretudo,

(a) no comportamento grosseiro de Borges, que impõe medo a sua antagonista, D. Severina, e desperta ódio em Inácio.
(b) nas vivências interiores de Inácio e de D. Severina, que revelam seus sentimentos e conflitos.
(c) nas reflexões de D. Severina, que vê Inácio como uma criança que merece carinho e não o silêncio e a reclusão. Essa redenção de um personagem é uma das marcas desse movimento literário.
(d) na forma como o contato é estabelecido entre as personagens, ambas planas, já que a falta de diálogo é uma constante em suas vidas.
(e) na onisciência do narrador, que, a partir do dilema moral vivido por Inácio, simboliza as contradições do homem da época.


Qualquer semelhança não pode ser mera coincidência. Outro detalhe: o título do conto é UNS Braços, e não OS Braços, como consta no enunciado. Machado deve estar se revirando com essa "homenagem".

Depois disso... Sem comentários.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Concerto Campestre - Resumo e Análise

Esta obra já foi comentada aqui no blog há alguns dias, dê uma olhada nos posts anteriores. Fizemos uma leitura comparativa entre o lvro e o filme e coloquei também um guia de leitura em Power Point.

Bueno, o Concerto Campestre, do gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil, é um romance obrigatório para os vestibulares da UFRGS e da UFPel, e outras obras do autor já foram exigidos nos vestibulares da FURG. Isso mostra a importância desse escritor no cenário das letras gauchas contemporâneas.

Ao estudo!

13 Concerto Campestre



GOSTOU DO LIVRO? JÁ LEU OUTRAS OBRAS DO ASSIS BRASIL? DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO!

sábado, 27 de dezembro de 2008

O Que é Isso, Companheiro? - Resumo

Mais uma leitura obrigatória da UFPel. Trata-se de uma obra de caráter memorialístico em que o autor, Fernando Gabeira, relata episódios da luta contra a ditadura militar no Brasil desde 1964 (golpe), passando por 1968 (AI-5), até meados da década de 1970. Como relato, o texto se articula de maneira informal e não se constitui como uma obra literária convencional. São dezesseis capítulos, sendo que os quatorze primeiros ocupam praticamente a metade da narrativa, sendo o restante, o ápice do livro destinado aos capítulos 15 e 16, em que temos, respectivamente, o seqüestro do embaixador norte-americano e os momentos vividos por Gabeira durante sua prisão.

Vale lembrar que 2009 marca os 30 anos da Lei da Anistia e também da publicação do livro.

Além desses fatos, a leitura é interessante por mostrar um momento tão marcante de nossa história sob um ponto de vista diferente do discurso oficial: o ponto de vista de quem participou dos fatos.

Ao estudo!

12 O que é isso



Além desse resumo, indico a vocês um artigo interessante:

"O Astro da Anistia"

Boas leituras, pessoal!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Amar, Verbo Intransitivo - Resumo e Análise

Outra obra selecionada para o vestibular da UFPel. Romance de Mário de Andrade, está inserido na fase heróica do Modernismo brasileiro (Geração de 1922). Questiona, portanto, o romance tradicional, o que se evidencia nas constantes intromissões do narrador-autor, nas inovações no terreno da linguagem (como sugere o próprio título) e em estranhezas como a palavra "fim" antes do término da narrativa. Dentro desse espírito modernista nacional, também promove uma reflexão sobre a brasilidade, a partir da oposição entre os valores nativos e os valores eurpeus representados por "Fraülein".

Aos estudos!

9 Amar Verbo Intransitivo



E aí, o que achou do livro? Deixe aqui seu comentário!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Noite na Taverna - Resumo e Análise

Já comentamos aqui no blog a obra de Álvares de Azevedo (ver arquivo). Noite na Taverna é uma das leituras obrigatórias para o vestibular da UFPel. Segue o material para estudo.


2 noitenataverna



Clique aqui para baixar o livro completo.

O QUE VOCÊ ACHOU DE NOITE NA TAVERNA? DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO!!!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Concerto Campestre

Leitura obrigatória para os vestibulares da UFRGS e da UFPel, a obra do gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil é, além de uma bela história de amor, uma reflexão sobre a própria condição do gaúcho. A leitura propõe a relação dialética entre a natureza bruta e a violência de um lado, e de outro a sensibilidade, a cultura, a possibilidade de transformação.

Abaixo, temos um breve guia de leitura da obra.



Uma boa dica para os vestibulandos é o filme Concerto Campestre, de Henrique de Freitas Lima. Com locações nas charqueadas de Pelotas, o filme se destaca pela fotografia e pelo figurino, que levam o espectador à atmosfera das estâncias do século XIX. O elenco global, com Leonardo Vieira e Samara Felippo não compromete, e o veterano Antônio Abujamra se esforça para fazer um sotaque gaudério, protagonizando, intencionalmente ou não, algumas cenas cômicas.
Apesar de tudo, o filme é relativamente fiel ao texto de Assis Brasil, cabendo apenas destacar algumas diferenças entre a adaptação cinematográfica e o texto original:

1)No filme, Clara Vitória é filha única, enquanto no livro ela tem dois irmãos: Eugênio (mais velho, administra a charqueada do pai) e Ambrósio (mais moço e confidente de Clara)

2) No filme, o Maestro é representado pelo galã global Leonardo Vieira, que está longe de encarnar a figura do mulato de face marcada pela rubéola, como foiconcebido por Assis Brasil.

3) Como sempre, a Literatura permite uma riqueza maior de detalhes e de subenredos, o que podemos observar no caso do personagem Silvestre Pimentel. No livro, Silvestre, o noivo de Clara, tem um filho 'ilegítimo', que é tratado por ele como "afilhado". É graças à influência de Clara que Silvestre passa a reconhecê-lo como filho. No filme esse episódio não é colocado e o personagem assume o caráter de vilão (tipico de telenovelas) que irá ameaçar a felicidade dos mocinhos com sua sede de vingança. Assim, no final do filme, Silvestre morre tentando perseguir o Maestro, enquanto no livro, o noivo de Clara foge, após ser acusado injustamente de ter engravidado a mocinha.

Ah, não poderia deixar de mencionar os "defeitos especiais". Ao final do filme, a chuva de sangue idealizada pelo autor do livro se converte em um espetáculo digno de holywood (versão cine trash), com uma chuva de Ketchup e um ciclone de desenho animado.

Contudo, o filme não deixa de ser uma boa oportunidade de tomar contato com a obra.

Mas não há nada que substitua uma boa leitura.



DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO, SOBRE O FILME OU SOBRE AMBOS!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Baixe as Leituras Obrigatórias da UFPel!!!


Atualizamos os links para download dos livros exigidos no vestibular da UFPel. CONFIRA NA LATERAL DO BLOG.