da Folha Ilustrada
A cena toda dura 20 segundos, dos quais apenas sete mostram a menina na janela do número 37 da rua Merwedeplein, em Amsterdã, em 1941, espiando os vizinhos que estavam prestes a se casar. São as únicas imagens em movimento de Anne Frank, um ano antes de ela passar a viver escondida dos nazistas, na Segunda Guerra.
O vídeo está disponível há alguns dias no canal www.youtube.com/annefrank, criado para celebrar os 80 anos que Anne teria hoje se não houvesse morrido em um campo de concentração, em 1945, aos 15.
A efeméride coincidiu com o lançamento do livro "Anne Frank: The Book, the Life, the Afterlife", da escritora americana Francine Prose. A obra lança um novo olhar sobre "O Diário de Anne Frank", texto que a garota escreveu e reescreveu dos 12 aos 15 anos, enquanto viveu com a família e outros judeus nos fundos do prédio em que o pai trabalhava.
O estudo de Prose busca mostrar que as anotações, publicadas pela primeira vez em 1947, após serem consideradas "entediantes" e rejeitadas por editoras, vão além do papel de registro histórico que lhes é concedido. Elas são, diz Prose, de Nova York, por telefone, à Folha, "uma obra de literatura bem trabalhada, com um controle para parecer natural".
A ideia de Prose, crítica literária e presidente da associação de escritores PEN American Center, é que os anos de confinamento fizeram Anne amadurecer como leitora e escritora e, com isso, ganhar "competência técnica, qualidade de romancista e habilidade de transformar pessoas vivas em personagens".
"Foram três anos em que ela não fez quase nada a não ser ler e escrever. Ela devorava romances para garotas, mas também lia Goethe, Shakespeare, [Friedrich] Schiller. Ganhou com isso uma técnica que não podia ter aos 12 anos, quando começou suas anotações."
Sabe-se que Anne reescreveu parte considerável de suas memórias a partir de 1944, após ter ouvido no rádio um membro do governo holandês dizer que diários feitos no período teriam interesse histórico.
De maio até agosto daquele ano, quando oficiais da SS descobriram o esconderijo da família Frank, ela refez uma média de quatro páginas por dia. O livro nunca chegou a sair como Anne imaginou --foi editado, depois que ela morreu, pelo pai, que usou tanto trechos originais quanto os reescritos.
Em 1989, foi publicada a chamada "The Critical Edition", de mais de 700 páginas, com todos os trechos do diário original (destacados no volume como "versão a"), todos os trechos reescritos em páginas soltas (a "versão b") e a edição feita pelo pai, Otto Frank, em 1947 (a chamada "versão c", que é "O Diário de Anne Frank" como ele ficou conhecido).
Sexualidade
A edição de 1989 inclui trechos que Anne havia decidido omitir, como os que tratavam de sua sexualidade. E outros que Otto preferiu deixar de fora, com passagens pouco elogiosas sobre sua mulher e outros moradores do esconderijo.
Em 1995, a chamada "Edição Definitiva" (publicada pela Record em 2003), pegou algo das duas versões e trouxe os diários com 30% mais páginas do que eles tinham em 1947.
Foi a edição de 1989 que Prose usou como base de seu estudo. "Ao comparar os textos originais e os refeitos, vê-se com clareza como ela adicionou informações, rearranjou frases, esclareceu situações."
Prose cita como exemplo o dia em que, em julho de 1942, uma notificação dos nazistas chegou à casa de Otto Frank, pouco antes de eles irem para o esconderijo. "Se você lê a versão original, é pouco clara, porque a própria Anne estava confusa. Ela não entendia direito o que estava acontecendo, era uma menina pequena."
Na segunda versão sobre aquele momento, que é a conhecida, Anne descreve:
"-Papai recebeu uma notificação da SS -sussurrou ela [Margot].- Mamãe foi ver o sr. Van Daan.
Fiquei pasma. Uma notificação: todos sabem o que isso significa. Visões de campos de concentração e celas solitárias passaram por minha mente. Como poderíamos deixar papai ir para um destino assim?
-Claro que ele não vai- declarou Margot."
Ali, diz Prose, Anne "já tinha a técnica, a habilidade de intercalar momentos de reflexão com cenas dramatizadas. É algo incomum para um diário de uma menina de 15 anos".
A autora destaca também, entre as qualidades de Anne Frank, "um poder de observação, um olho para o detalhe, um ouvido para o diálogo, a capacidade de falar sobre um momento específico e sobre pessoas específicas e parecer universal".
Prose diz que, com poucas exceções, "o diário de Anne nunca foi levado a sério como literatura". Lembra a explicação dada por Harold Bloom: "O diário de uma criança, mesmo que ela tenha sido uma escritora tão natural, dificilmente poderia sustentar uma crítica literária. Não se pode escrever sobre "O Diário de Anne Frank" como se Shakespeare, ou Philip Roth, fosse o objeto".
É curioso que o próprio Roth esteja entre os admiradores declarados de Anne Frank. "Ela era algo para alguém de 13. É como assistir a um filme acelerado de um feto ganhando um rosto", ele escreve em "O Diário de uma Ilusão" (1979).
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Diário de Anne Frank foi reescrito para "parecer natural", diz estudo
Há 40 anos morria Jack Kerouac, ícone da geração beat e da contracultura

Existem artistas que parecem ser a representação viva das angústias, ideias e sonhos de sua era. E em poucos casos isso é tão verdadeiro quanto com Jack Kerouac, o escritor que definiu a geração beat --o fenômeno cultural que foi o embrião do movimento hippie--, e trouxe as primeiras amostras do que seria a contracultura. O autor faleceu aos 47 anos, em 21 de outubro de 1969, na Flórida, devido a uma hemorragia interna causada por cirrose, resultado do abuso de bebidas alcoólicas durante boa parte de sua vida.
As obras de Kerouac foram fortemente influenciadas pelo jazz e mais adiante pelo budismo. Elas inovaram pela franqueza com a qual lidavam com personagens marginais, desmistificando o sonho norte-americano. O escritor escancarou para um meio literário, ainda careta, um universo de mendigos, artistas, vagabundos, prostitutas, drogados, hippies, alcoólatras e andarilhos. Em sua imensa maioria, seus livros são fortemente autobiográficos e abriram caminho para outros autores polêmicos, como Hunter S. Thompson e Charles Bukowski, além de músicos como Bob Dylan e Jim Morrison.
Kerouac também se tornou conhecido por seu método de redigir, que permitia um fluxo contínuo de ideias em suas jornadas escrevendo às vezes mais de oito horas ininterruptas por dia. O autor chegava ao extremo de usar uma grande série papel colado com fita para não ter de trocar de folha da máquina de escrever, mantendo o fluxo de pensamento.
Surpreendentemente, o autor era tímido, contemplativo e conservador, fortemente influenciado pelo catolicismo dos pais no final da vida. Mais uma prova do caráter contraditório de Kerouac, que fugia de qualquer definição simplista e se dividia entre o conservadorismo e a psicodelia da década de 1960.
A Livraria da Folha selecionou alguns dos principais livros deste que foi um dos escritores que mais profundamente investigou suas angústias pessoais. Um dos grandes marcos da revolução cultural do século 20.
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"On the Road: O Manuscrito Original"
Grande clássico de Kerouac que o lançou à fama, "On the Road: O Manuscrito Original" é o relato autobiográfico das peregrinações do escritor pelo interior dos Estados Unidos na década de 1950. Kerouac matinha diversas anotações em suas viagens, mas escreveu o livro em apenas três semanas de trabalho frenético em 1951, datilografando a obra inteira em um único parágrafo, com entrelinha simples, em folhas de papel vegetal mais tarde coladas umas às outras, formando um rolo de quase 37 metros de comprimento. Após seis anos e diversas revisões, o livro foi lançado e se tornou um dos mais celebrados e provocativos documentos da história literária contemporânea.
Nesta edição, é apresentada aos leitores brasileiros a versão original, sem revisões, mais crua e sexualmente explícita e com os nomes reais de Kerouac e seus colegas de viagem. "On the Road: O Manuscrito Original" também traz ensaios críticos de estudiosos da obra do autor abordando o universo do livro, a biografia do escritor e a trajetória até a publicação.
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"Geração Beat"
Diálogos entre amigos que revelam o tom de desilusão de uma era
Esta peça escrita por Kerouac em 1957, ano do lançamento de "On the Road", traz um grupo de amigos e amigas --entre operários e desocupados--, que partilham uma garrafa de vinho e tecem diálogos que deixam transparecer o cotidiano das pessoas que vivem e morrem em uma busca vã pelo sonho norte-americano, à margem da cultura e da sociedade do seu tempo.
As falas de "Geração Beat" possuem um ritmo característico que mostra a influência do jazz. Entre uma discussão existencialista e uma corrida de cavalos, uma iluminação mística e uma bebedeira, surge na peça um microcosmo da contracultura.
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"Vagabundos Iluminados"
Após o sucesso explosivo e inesperado de "On the Road", Kerouac se aproximou do budismo e o resultado disso foi "Vagabundos Iluminados" ("Dharma Bums"). O livro conta a história do aspirante a escritor Ray Smith, alter ego de Kerouac, em um jornada em busca de verdade e iluminação ao lado de um jovem zen-budista adepto do montanhismo que vive com um mínimo de dinheiro, alheio à sociedade de consumo norte-americana.
Em meio a festas, bebedeiras, garotas, jam sessions, saraus poéticos, orgias zen-budistas e viagens, "Vagabundos Iluminados" traz o estilo turbinado, superadjetivado e livre de Kerouac e exala doses nunca vistas de humor, sabedoria e contagiante gosto pela vida. O livro mostra a ambiguidade dos ideais de Kerouac, examinando como atividades como escalar, andar de bicicleta e por trilhas teve espaço na sua vida urbana repleta de clubes de jazz, saraus de poesia e festas movidas a drogas e álcool. O autor apresenta aqui uma geração beat mais otimista, tranquila, iluminada.
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"Big Sur"
Muito longe do otimismo de "Vagabundos Iluminados", "Big Sur" mostra a deterioração física e psicológica do autor, incapaz de lidar com seu sucesso e completamente entregue à bebida. Lançada em 1962, a obra foi criada pelo escritor quando ele se retirou três vezes para uma cabana isolada na região de Big Sur, na costa da Califórnia, para se dedicar à escrita. E esta última visita culmina na loucura e paranoia tanto do autor quanto da personagem.
Como outros trabalhos de Kerouac, o livro também é profundamente autobiográfico, mas diferente de diversas obras anteriores, que retratavam viagens e buscas por experiências e conhecimento. "Big Sur" apresenta a estagnação e decadência de Jack Duluoz, alter ego de Kerouac, que se mostra incapaz de se integrar em relacionamentos, com o sucesso literário, com o mito beat criado em torno de si e com a vida suburbana. A publicação revela o que talvez seja a principal característica do escritor: a sua brutal honestidade em escancarar seus medos e suas deficiências e de mostrar como o homem nunca vive à altura do mito.
PRF encontra provas do Enade em caminhonete no Sul do Rio
Segundo a polícia, provas eram transportadas em caixas sem lacre.
MEC nega violação de segurança; Enade será aplicado em 8 de novembro.
Do G1
Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontraram nesta terça-feira (20) em Três Rios, no Sul Fluminense, 52 caixas com provas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). O exame, que vai avaliar 15 áreas de graduação e sete cursos tecnológicos, será aplicado no dia 8 de novembro.
As caixas estavam dentro de uma caminhonete modelo F250, e estavam sendo transportadas de São Paulo para Muriaé, em Minas Gerais, por dois homens.
De acordo com o posto da PRF de Três Rios, o material estava sendo transportado sem lacre de segurança. A nota fiscal não confere com o conteúdo das caixas - a nota diz que seriam folhas de respostas, mas, segundo a polícia, são cadernos de provas de diversas áreas como direito, comunicação e turismo.
A PRF ainda informou que, após contato com o Ministério Público de Petrópolis, a orientação foi fazer o registro em termo, fotografar e catalogar todo o material encontrado para ser averiguado pelo MP junto ao Ministério da Educação.
Ainda de acordo com a PRF, as provas encontradas não foram apreendidas, e serão transportadas para Muriaé assim que forem liberadas pelo MP.
MEC
O Ministério da Educação (MEC) divulgou uma nota, por volta das 19h, na qual contesta parte das informações da Polícia Rodoviária Federal. Segundo a nota, os dois homens que faziam o transporte das provas são funcionários contratados pelo consórcio Consulplan, responsável pela aplicação do Enade. A nota também afirma que havia 32 caixas na caminhonete e não cinco, como havia sido dito anteriormente pela assessoria de imprensa do MEC.
Segundo o MEC, a Consulplan informou que os lacres das caixas foram rompidos pelos policiais, que queriam averiguar o que havia no seu interior. Em seguida, foram até o local outros funcionários do consórcio, que relacraram as caixas.
A assessoria negou que houvesse diferença entre o que consta na nota fiscal e o material transportado. "Nas notas ficais só devem aparecer material gráfico, sem especificar se é cartão de resposta ou prova", afirmou ao G1 Nunzio Briguglio Filho, assessor de imprensa do MEC. Por volta das 20h30, o MEC reforçou que todas as informações sobre esse episódio haviam sido fornecidas pelo consórcio.
"Não houve nenhuma violação de segurança. Os procedimentos todos foram respeitados e a data da prova está mantida", disse.
Leia a íntegra da nota do MEC (versão divulgada por volta das 20h30):
"Com relação à apreensão de material do ENADE realizado pela Polícia Rodoviária Federal na tarde de hoje, no Estado do Rio, o Ministério da Educação foi informado pelo consórcio Consulpan que tratava-se de transporte de provas especiais para pessoas com deficiência, que estavam sendo deslocadas para receberem o empacotamento final. As 32 caixas - quatro com a prova ampliada, todas lacradas e outras 28 caixas de folhas de respostas, também lacradas - foram abertas pelos policiais para confirmação do conteúdo. Tão logo esclarecida a ocorrência, as caixas foram novamente lacradas e dirigidas ao seu destino. O consórcio Consulplan, contratado pelo INEP, para a produção e aplicação da prova, informou ainda que os funcionários que estavam na caminhonete eram funcionários do consórcio, credenciados para este fim.
Assessoria de Comunicação Social
Ministério da Educação"
Leia a íntegra da nota do consórcio Consulplan:
"NOTA DE ESCLARECIMENTO
O fato ocorrido nessa tarde de 20 de outubro no posto da Polícia Rodoviária Federal de Três Rios (RJ) trata-se de um procedimento de rotina. Um veículo de propriedade da Consulplan (empresa organizadora do ENADE - Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), onde se encontravam dois funcionários dessa empresa, transportava de São Paulo para a sede da empresa, em Minas, folhas de respostas e duas caixas de provas ampliadas para os alunos com necessidades especiais, do processo seletivo do ENADE 2009. Os cadernos de provas ampliados estavam devidamente acondicionados em caixas, e seguiam junto com diversas outras caixas contendo folhas de respostas que não eram de cunho sigiloso. A Polícia Rodoviária Federal parou o veículo na rodovia BR-116 realizando as rotinas de praxes de fiscalização no interior do veículo. Questionou os funcionários da empresa que declararam o conteúdo e após a verificação de praxe, liberou o veículo para a seqüência da viagem até a sede da organizadora. Nesse procedimento não houve violação do sigilo."
MEC nega que prova do Enem terá duas versões
Da Agência Brasil
O MEC (Ministério da Educação) negou hoje (20) que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terá duas versões de prova. Em nota, o ministério afirma que não "há qualquer conjectura para tal procedimento" e que as provas já estão sendo impressas desde o último domingo (18).
O Enem será aplicado nos dias 5 e 6 de dezembro. Os estudantes responderão a 180 questões de múltipla escolha distribuídas entre ciências da natureza e ciências humanas, linguagens e códigos, e matemática, além de uma redação.
Leia a nota do MEC na íntegra:
O Ministério da Educação esclarece que a informação veiculada no portal G1, às 15h58 de hoje, de que o MEC estuda aplicar duas versões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 5 e 6 de dezembro próximos, é totalmente improcedente. Não houve a reunião anunciada. Nem há qualquer conjectura para tal procedimento. As provas já estão sendo impressas na gráfica, acompanhadas por funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), desde domingo passado.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Kindle chega ao Brasil custando 34 best-sellers
Kindle chega ao Brasil custando 34 best-sellers
*Folha Online
O dinheiro para comprar um Kindle, o leitor de livros digitais da Amazon que começa a ser enviado ao Brasil nesta segunda-feira (19), poderia ser usado para adquirir 34 dos livros de papel mais vendidos no país.
O preço final do Kindle para o consumidor brasileiro é de R$ 963,32 --sem contabilizar a remessa do e-reader.
Para comprar todos os 20 livros da lista da Folha de dez mais vendidos de ficção, junto com os dez mais vendidos de não ficção, o leitor desembolsaria quase metade: R$ 569,00.
Assim, considerando uma média de R$ 28,45 por best-seller, com o dinheiro do Kindle daria para comprar todos os 20 mais vendidos e ainda mais quase 14 deles de novo.
A versão internacional do Kindle custa US$ 279. Mas atenção: há também a taxa de importação, de US$ 285,34. Maior que o próprio preço do aparelho, ela só é informada ao comprador no site da Amazon na última hora, antes do clique final para confirmar o pedido.
A taxa é um motivo importante para o leitor eletrônico ficar caro no Brasil, ainda mais em comparação com os livros. Afinal, o artigo 150 da Constituição Federal do país proíbe os impostos para livros.
Assim, o preço total do Kindle fica em US$ 564,34, o que equivale a R$ 963,32 --considerando o valor do dólar de sexta-feira (16), a R$ 1,707.
Repare que o custo em reais é até relativamente baixo, porque o valor atual do dólar, que cai cada vez mais, é o menor dos últimos 12 meses. No pico de valorização da moeda americana, em 8 de dezembro do ano passado, o brinquedinho sairia por R$ 1.410,80 (para dólar a R$ 2,50).
Não foram considerados na comparação os custos de remessa dos produtos. O custo para envio do Kindle pela Amazon fica em US$ 21 (R$ 35,85) para São Paulo, na modalidade Priority Courier, que promete a chegada do produto entre 2 e 6 dias após o envio. Para o Kindle, não há opções para as modalidades de envio mais baratas da Amazon, que chegam a demorar até 32 dias.
No Brasil, mesmo para os livros maiores, como "A Rainha do Castelo de Ar" (688 p.), do escritor Stieg Larsson, ou "Amanhecer" (576 p.), o envio pelo site Submarino costuma ficar em cerca de R$ 2,50 para a mesma cidade.
Livros digitais
Não basta comprar apenas o Kindle. É preciso encomendar os livros digitais para serem lidos no equipamento. O problema, no entanto, é que a maioria dos livros disponíveis na Amazon estão em inglês, pois são direcionados para o mercado internacional em geral, não especificamente para o Brasil.
Ao se pesquisar na loja da Amazon de títulos para o Kindle, não se encontra sequer traduções de "Crepúsculo", por exemplo, o primeiro da saga de Stephenie Meyer.
Há apenas a versão digital do livro em inglês, "Twilight", que fica em US$ 10,84 (R$ 18,50). O valor é pouco mais da metade do preço do impresso em português em lojas brasileiras: R$ 31,90. Mas se o objetivo era ler mesmo no original, aí pode valer a pena, pois no Brasil o preço do impresso importado chega a R$ 54,90.
Uma procura por "portuguese edition" encerra menos de 20 ocorrências.
Mercado Livre
No site brasileiro de leilões e comércio on-line Mercado Livre, há revendedores oferecendo o Kindle, por valores entre R$ 2.000 e R$ 2.590, mais que o dobro do preço da compra direta pela Amazon.
Mas não há indicações de que sejam a versão internacional do produto. Muitos deles, por exemplo, são identificados como Dx, um modelo com tela maior, mas que só tem cobertura para venda de livros digitais via wireless para os EUA, segundo o site da Amazon.
García Márquez foi vigiado durante 20 anos pelos serviços secretos do México
O escritor colombiano Gabriel García Márquez foi espiado pelos serviços secretos do México e qualificado de "agente de propaganda" de Cuba em 1982, revelou hoje o jornal El Universal.
De acordo com o diário mexicano, o Prémio Nobel da Literatura em 1982 foi vigiado pela Direcção Federal de Segurança do México de 1967 até meados dos anos 1980.
Na documentação da polícia política dada a conhecer pelo actual governo mexicano refere-se o papel de García Márquez como mediador entre movimentos da esquerda latino-americana e o então presidente de França, François Miterrand, que visitaria o país em 1982.
Há ainda referência a uma conversa telefónica entre "Gabo" e o director da agência de notícias de Cuba, Jorge Timossi, na qual o escritor afirma ceder os direitos do livro "Crónica de uma Morte Anunciada" ao governo de Cuba.
Entre as décadas de 1960 e 1980, a polícia política mexicana, equivalente à CIA e ao KGB, levou a cabo várias operações de espionagem em busca de elementos subversivos e defensores das ideologias de esquerda entre as figuras das artes e da cultura.
Apesar destas revelações, o governo mexicano mantém em segredo as informações referentes ao escritor desde 1985 até à actualidade.
Gabriel García Márquez, actualmente com 82 anos, vive no México desde os anos 1960.
Em 1981, um ano antes de ser galardoado pela Academia Sueca, o escritor pediu oficialmente asilo ao México depois de ter sido acusado pelo governo colombiano de colaborar com a guerrilha do seu país.
Agência lusa
sábado, 17 de outubro de 2009
Leia tracho de "Caim", novo romance de Saramago

Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de rugidos e mugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva.
Resenha de 'Caim', por Juan Arias

Juan Arias *
Não é tarefa fácil permitir-se ironizar, de forma irreverente e até mordaz, o único livro considerado Patrimônio da Humanidade, como é a Bíblia, cuja etimologia significa “O livro”, por antonomásia, a grande novela do mundo, a mais traduzida de todas as publicações da História. José Saramago se atreveu a fazê-lo em seu novo romance, “Caim” (Companhia das Letras), que “não deixará indiferentes os leitores”, como afirmou sua mulher, Pilar del Rio. E ele o fez com a força literária que caracteriza suas obras.
Se tudo é permitido à ficção, mais ainda ao Nobel português, que nos tem presenteado sempre com uma literatura enraizada na vida, comprometida com os ataques à injustiça, capaz de fazer sangrar as palavras como em “Ensaio sobre a cegueira” ou este “Caim”, onde o escritor pretende acertar contas com deus — assim mesmo, grafado em minúsculas durante todo o livro. Curiosamente, o faz com um deus que ele mesmo afirma existir apenas na fantasia dos homens, uma invenção literária de todos os tempos. Poderíamos perguntar-lhe então por que voltou, depois de 20 anos, desde seu polêmico “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, a confrontar-nos de novo com a não existência de deus, a quem ele mesmo disse que não invocaria nem no momento da própria morte, porque nada teria a pedir.
É que Saramago é assim: o rei da polêmica e da ironia. Ele gosta de provocar. Existe e quer que o notem. Escreve em relevo, sobre pedra dura. Como nesta novela em que acusa deus de ter desprezado os sacrifícios que Caim lhe oferecia para preferir os de seu irmão Abel. Seria o deus caprichoso e injusto da Bíblia, aquele que se diverte expulsando Adão e Eva do Paraíso por terem querido conhecer o bem e o mal.
Chamam a nova obra do Nobel português de uma “reivindicação de Caim”. É e não é. Em todo o texto, no qual Caim é protagonista e narrador das atrocidades do deus bíblico, o irmão de Abel não nega seu crime e aceita sua vida errante como uma espécie de castigo. Não aceita, contudo, ser mais criminoso e cruel que deus. Se ele matou seu irmão — segundo Saramago, na realidade ele queria matar deus — esse deus cometeu muitos mais crimes que ele: assassinou milhares de inocentes ao despejar fogo sobre Sodoma e Gomorra e chega à crueldade máxima de pedir a Abraão que mate seu próprio filho. A dialética de Caim com deus é impecável. Se eu pequei, tu pecaste mais. Se eu matei meu irmão, tu mataste, ou mandaste matar, a muitos mais.
Mais do que a história romanceada de Caim, o escritor aborda em seu livro o absurdo de um deus que na Bíblia aparece mais cruel e caprichoso que o pior dos homens. Claro que ele escolhe para a obra as passagens mais inexplicáveis e obscuras do Antigo Testamento, nas quais aparece a figura do deus terrível do Sinai, do deus que pede sangue para ser vingado e obedecido cegamente.
A Bíblia é uma história de um povo em busca de seu destino, no qual se misturam mitos, metáforas e fatos históricos. É o espelho da Humanidade com suas baixezas e seus esplendores. O melhor e o pior de deus e da história $ão concentrados nesse livro, que poderia ser a imagem plástica da complexidade do ser humano. Existe na Bíblia o Pentateuco, com um deus ciumento que expulsa Adão e Eva do Paraíso; o que confunde caprichosa e gratuitamente as línguas daqueles que constroem a Torre de Babel; ou manda matar os habitantes de cidades inteiras. Existe o livro do Eclesiastes, contra a vaidade humana, que poderia ter sido escrito pelo pessimista Saramago; ou o Cântico dos Cânticos, com sua força erótica, um canto à beleza do corpo humano e à sua sexualidade. Um livro libertador.
O autor de “Caim” escolheu os textos mais duros e polêmicos. É que Saramago não concebe uma literatura desencarnada, incapaz de provocar não apenas polêmica como também desgosto. Muitos, não apenas judeus, poderão se sentir negativamente surpreendidos com a forma com que o escritor trata a Bíblia e a seu deus.
Saramago não escreveu apenas novelas. Sempre esteve e, aos 87 anos, continua a estar presente na História a cada vez que se trata de defender a dignidade do homem, sua liberdade sacrossanta, seu direito de crer ou não crer. E ele tem razão em mostrar que na Bíblia existe também esse deus cruel e exterminador que tão bem descreve Caim. Esse foi o deus escolhido por ele para ser desmascarado em seu novo livro. Tem todo o direito. A literatura não admite censuras. Os cristãos poderão dizer que na Bíblia, escrita há mil anos, existe também o deus do profeta Isaías, mais preocupado com o homem do que uma mãe. Porém é ao deus cruel que Saramago pede explicações, um deus que, segundo ele, não pode existir porque não seria deus.
Em meu livro “José Saramago: O amor possível” (Manati), uma longa conversa com o escritor meses antes de seu Prêmio Nobel, ele já havia antecipado seu ceticismo sobre a existência de deus que, em “Caim”, se faz ainda mais patente. Disse: “Do meu ponto de vista há apenas um lugar onde existe deus, ou o diabo, ou o bem e o mal, que é na minha cabeça. Fora da minha cabeça, fora da cabeça do homem não há nada”. O homem e apenas o homem é, definitivamente, o deus de Saramago — o homem vítima dos poderes tirânicos, o homem humilhado pela religião, o homem escravo de seus mitos, começando pelo mito de Caim e Abel que Saramago converte num jogo literário.
O escritor resume muito bem em “Caim”, na página 87, o que para ele é este conflito entre deus e o homem: “A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele”.
Para Saramago, deus não é mais que um pretexto para que as religiões possam melhor escravizar a consciência humana. Com “Caim”, ele trata de deitar, literariamente, sobre o tapete do mundo, esta crua realidade. Ao mesmo tempo, e apesar de seu ateísmo, devemos a ele uma das definições mais poéticas da divindade: “Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio”, afirmou ele em certa ocasião. Afinal, deus não é para ele tão indiferente como possa parecer. “Caim”, definitivamente, é também um grito contra todos os deuses falsos e ditadores criados para amordaçar o homem, impedindo-o de viver, em total liberdade, sua vida e seu destino.
JUAN ARIAS é jornalista e escritor, autor de “José Saramago — O amor possível” (Manati), “A Bíblia e seus segredos” e “Jesus, esse grande desconhecido” (Objetiva)
*Extraído de Prosa & Verso (Globo.com)
Livro lista curiosidades por trás da obra de Chico Buarque
'Histórias de canções' traz letras do compositor comentadas.
Segundo o autor Wagner Homem, publicação não é estudo aprofundado.
Do G1
Curador do site oficial de Chico Buarque, o administrador de empresas Wagner Homem tem, entre outras atribuições, ler mensagens enviadas ao cantor e compositor. Muitas delas são escritas pelos fãs, ávidos por saber como ele cria suas canções. A partir daí, Homem decidiu reunir curiosidades sobre o repertório do artista no livro "Histórias de canções - Chico Buarque" (Leya, 356 páginas, R$ 44,90).
O lançamento, que dá início às atividades da editora portuguesa Leya no Brasil, não pretende ser um estudo sócio-político ou aprofundado sobre Chico, como explica o próprio autor.
"Não me meto a analisar ou interpretar as letras de Chico Buarque. Simplesmente conto histórias e 'causos'. É um livro popular, para quem gosta de histórias e de MPB", diz Homem.
O livro traz 26 capítulos recheados com saborosos textos sobre as principais músicas do compositor, entre 1964 e 2008. Parcerias, letras, músicos, censura... Nada parece ter ficado de fora. Nem mesmo o que poderia ter desagradado ao próprio Chico, como quando insinuou, de forma irônica, que teria mais respeito por ratos do que por mulheres.
"Achei mesmo que Chico fosse vetar. Porque existe essa mística toda entre ele, as mulheres, a alma feminina etc. Mas ele não disse nada", revelou Wagner.
A seguir, leia trechos da entrevista que o autor concedeu, por telefone, ao G1.
G1 — Quando aconteceu seu primeiro encontro com Chico Buarque?
Wagner Homem — Profissionalmente, em 1989. Estava trabalhando na pesquisa de um livro chamado “Chico Buarque – Letra e música” (Cia. das Letras). Anos depois, em 1998, propus ao Chico fazer um site oficial, do qual sou o curador. Mas, muito antes isso, por volta de 1982, já havia tido um contato rápido com ele. Chico estava lançando um livro chamado “A bordo do Rui Barbosa”, que trazia um poema seu, escrito nos anos 60, ilustrado por Vallandro Keating. Na ocasião da publicação, fizeram um lançamento no Café Piu Piu, no Bixiga, bairro paulistano. Formou-se uma fila enorme. Lembro-me que, quando cheguei próximo à mesa, só vi a mão do Chico. Mais nada (risos).
G1 — Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Homem — Depois de alguns anos administrando o site, pude perceber o quanto as pessoas procuram por estas essas pequenas histórias e curiosidades. Recebia muitas perguntas por e-mail, mais de cem por dia. Uma loucura. E nem todas podem ser respondidas. Aliás, a maior parte dos artistas não gosta de explicar a própria obra. Acontece que algumas dessas composições têm uma história, surgiram a partir de determinada circunstância. O livro é exatamente sobre isso. Mas não me meto a analisar ou interpretar as letras de Chico Buarque. Simplesmente conto histórias e "causos", para usar aquela conhecida expressão caipira. É um livro popular mesmo, não é dirigido a estudiosos. É para quem gosta de histórias e de MPB. Produzimos, inclusive, um hot site, em que adiantamos algumas destas histórias (www.historiasdecancoes.com.br).
G1 — Chico acompanhou o processo de criação de "Histórias de canções"?
Homem — Quando propus o livro, ele estava escrevendo “Leite derramado”. Me avisou que não poderia me ajudar naquele momento, porque precisava de tempo para se dedicar ao romance. Mesmo assim, comecei e escrever. Quando "Leite derramado" entrou na fase de finalização, ele pôde ler o meu livro. Chico leu tudo. Fez algumas poucas observações, das quais já nem me lembro, até corrigiu erros de digitação, mas nenhuma objeção. A não ser pela primeira capa do livro, que ele não gostou (risos).
G1 — Teve receio de que alguma história não pudesse ser publicada?
Homem — Para falar a verdade, sim (risos). É sobre a música "Ode aos ratos" [composta em parceria com Edu Lobo e gravada em "Cambaio", de 2001, e "Carioca", de 2006]. Na época em que estava compondo, Chico ligou o Paulo Vanzolini que, além de compositor, é zoólogo. Queria saber como os ratos vivem. Afinal, estava escrevendo uma homenagem a eles. Então, Paulo disse: “Ah, Chico, você mente tanto à respeito de mulher, por que você não faz o mesmo com relação aos ratos”? Chico respondeu: “É que tenho o maior respeito pelos ratos" (risos). Quem me contou isso foi a cantora Mônica Salmaso, em um show em São Paulo. Achei mesmo que Chico fosse vetar. Porque existe essa mística toda entre ele, as mulheres, a alma feminina etc. Mas não disse nada (risos).
G1 — Boa parte do livro se concentra no período em que o Brasil foi governado pelos militares. Você acha que a censura aguçou a criatividade do Chico?
Homem — Acho que não. Censura não faz bem a ninguém, é sempre um horror. Claro que você acaba desenvolvendo uma técnica, como diz Caetano Veloso, que te faz utilizar as frestas. Você aprende a dizer as coisas nas entrelinhas. Mas isso não é bom, não piora nem melhora a obra de um artista. Teria sido muito melhor sem a censura, porque a coisa teria corrido mais solta. E isso é seguramente melhor. A criação não teria nenhum tipo de interferência.
G1 — Existe alguma história que você tenha achado mais curiosa?
Homem — Algumas, mas me chama muita atenção a relação entre Chico e Tom Jobim. Tom palpitava muito nas letras, era muito teimoso, o que eu acho até que acabou sendo bom pro Chico. Ele ainda era muito jovem, enquanto Tom já era um senhor, tinha mais experiência com música. Logo na primeira parceria, já apareceu um pepino. Chico escreveu a letra para “Retrato em branco e preto”. Chico fez uma pequena alteração nos versos "Pra lhe dizer que isso é pecado / Eu trago o peito tão marcado". Trocou "peito tão marcado" por “peito carregado”. Tom topou, mas, por telefone, desistiu. “Pode significar que o cara está encatarrado” (risos).
G1 — Existe algum traço em comum que você tenha percebido no processo de criação de Chico em todos esses anos?
Homem — Não saberia dizer. O que eu sei é que, de uns tempos para cá, compor tem sido uma atividade muito solitária para ele. Talvez essa seja uma característica presente em todas as fases da carreira de Chico Buarque. Acho que essa é uma característica.
G1 — Por que você acha que Chico compõe cada vez com menos frequência?
Homem — Acho que o tempo fez com que Chico se tornasse um artista mais exigente consigo mesmo. Ele se recusa a se repetir e, talvez por isso, o processo vá ficando mais demorado mesmo. Mas ele continua criando. Vem alternando a música com a literatura. Em algumas entrevistas ele afirma que convive com o medo de que, um dia, a fonte de criatividade seque. Discordo. Acho que fica mais refinada.
Fuvest divulga fórmula que substitui uso do Enem no programa de bonificação do vestibular 2010

A USP (Universidade de São Paulo) definiu como será feito o cálculo dos bônus para substituir o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009 na bonificação do Inclusp (Programa de Inclusão Social da USP). Em vez de considerar o exame, a universidade irá utilizar a primeira fase do vestibular: os candidatos terão que fazer mais de 22 pontos na prova para receber 1,8% de bonificação.
A pontuação pode chegar a até 6% pontos a mais nas 1ª e 2ª fases do processo seletivo. A informação foi divulgada pelo site da USP nesta sexta-feira (16).
O novo cálculo foi idealizado depois que os organizadores da Fuvest decidiram não utilizar a pontuação do Enem 2009 no vestibular 2010. Para candidatos não-optantes pelo bônus, valerá só a nota do vestibular; antes, o Enem valia 20% do total de pontos na 1ª fase.
Fórmula
A fórmula utilizada para o cálculo será a seguinte:
Bônus Fuvest (%) = 1,8 + [4,2 x (NF-22)]/50
Na qual NF é a nota da prova da primeira fase, que contém 90 questões. Se o candidato acertar só até 21 perguntas, não ganhará nenhum ponto de bonificação. Acima de 22, os candidatos recebem 1,8% de bônus, podendo chegar até 6% para aqueles que acertarem 72 ou mais questões.
Além do bônus baseado na nota da 1ª fase, o Inclusp dá 3% a mais para estudantes oriundos de escolas públicas e até 3% de bonificação para quem faz a prova do Pasusp.
Calendário
O calendário e as demais regras do edital do vestibular 2010 continuam válidos. Ao todo, 128.144 candidatos são esperados no processo seletivo. que seleciona ingressantes para a USP, para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa e para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Estão em disputa 10.797 vagas.
Fuvest 2010: Manual do Candidato (arquivo em .pdf)
Fuvest 2010: Manual do Candidato da Academia do Barro Branco (arquivo em .pdf)
Veja as datas das provas e divulgação de listas.
16/11/2009 - divulgação dos locais de prova da primeira fase.
22/11/2009 - 1ª fase da Fuvest, com 90 testes de múltipla escolha. O vestibulando terá cinco horas para resolver as questões.
14/12/2009 - lista de aprovados na primeira fase.
3/1/2010 - 2ª fase da Fuvest, prova dissertativa de português (dez questões) e redação. Atenção: os candidatos convocados para a segunda fase deverão entregar, no primeiro dia de exame, uma foto 3x4, recente. O tempo de prova é de quatro horas.
4/1/2010 - 2ª fase da Fuvest, com prova dissertativa (20 questões) das disciplinas história, geografia, matemática, física, química, biologia e inglês. Cada questão poderá abranger conhecimentos de mais de uma disciplina. O candidato tem quatro horas para acabar a prova.
5/1/2010 - 2ª fase da Fuvest, com 12 questões de duas ou três disciplinas específicas (seis ou quatro de cada), de acordo com a carreira escolhida. A duração do exame é de quatro horas.
Na segunda fase, todo o candidato responderá a um total de 42 questões e elaborará uma Redação, independentemente da carreira escolhida (exceção para os candidatos inscritos nas duas carreiras da Polícia Militar).
Mudanças na Fuvest 2010
No novo formato, a Fuvest 2010 manterá a primeira fase com 90 questões - mas as provas da segunda fase foram alteradas.
A primeira fase também passou a ser eliminatória - ou seja, a nota não conta mais no final do processo seletivo para classificar os estudantes. Apenas elimina quem não tiver desempenho suficiente para chegar à etapa final.
A segunda fase do vestibular vai avaliar todas as matérias do ensino médio. Até a Fuvest 2009, só disciplinas relacionadas ao curso pretendido eram alvo de exames.
Outras informações podem ser obtidas no site da USP.
