O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2010, identificou que alguns candidatos pagaram a taxa de inscrição por meio de guias de recolhimento da União (GRUs) geradas fora do sistema do Ministério da Educação (MEC). Por esse motivo, há inscrições que permanecem pendentes porque a taxa consta como não paga.
Os estudantes nesta situação – e tenham efetuado o pagamento até a data limite de 23 julho – devem enviar os comprovantes ao Inep até as 18h sexta-feira (6). O documento pode ser enviado por meio de fax pelo telefone (61) 2022-3300 ou pelo site do Inep na seção Fale Conosco.
O Inep não soube informar o número de candidatos com o pagamento da taxa pendente, mas o participante pode consultar sua situação pelo site do Enem no endereço www.enem.inep.gov.br, a partir do número de inscrição.
Fonte: Uol
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Quem pagou taxa do Enem fora do sistema do MEC deve enviar comprovante ao Inep
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Lista de Livros para o ENEM Parte 1: do Quinhentismo ao Pré-Modernismo
Calma! Não se trata de uma lista de leituras obrigatórias. Como já foi dito aqui no blog, vale a pena investir na leitura de textos literários como diferencial na preparação para o ENEM. Então segue aqui uma lista de SUGESTÕES para os vestibulandos em geral que pretendem fazer a prova do MEC. Escolha alguns deles (ao menos um livro por período); vai fazer a diferença!
Atenção: A lista abaixo é apenas uma seleção de livros sugeridos pelo prof. Edir. Não há leituras obrigatórias no ENEM!
Leituras Sugeridas para o ENEM:
1. Classicismo / Quinhentismo
● Sonetos de Camões
● A Carta de Caminha
2. Barroco
● Poemas de Gregório de Matos
3. Arcadismo
● Marília de Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga)
4. Romantismo
4.1 Primeira Geração
● Poemas de Gonçalves Dias
- Canção do Exílio
- I-Juca-Pirama
- Leito de folhas verdes
- Marabá
4.2 Segunda Geração
● Poemas de Álvares de Azevedo
- Soneto (Pálida à luz da lâmpada sombria)
- Se eu morresse amanhã
- Namoro a Cavalo
- É Ela, é Ela, é Ela, é Ela
● Poemas de Casimiro de Abreu
- Meus oito anos
- A Valsa
4.3 Terceira Geração
● Poemas de Castro Alves
- O Navio Negreiro
- O Adeus de Teresa
4.4 Romance Urbano
● A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo)
● Lucíola (José de Alencar)
4.5 Romance Indianista
● Iracema (José de Alencar)
4.6 Romance Regional
● Inocência (Visconde de Taunay)
4.6 Romance de Transição
● Memórias de um Sargento de Milícias (Manoel Antônio de Almeida)
5. Realismo
● O Primo Basílio (Eça de Queirós)
● Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
● Dom Casmurro (Machado de Assis)
● Contos de Machado de Assis
- Missa do Galo
- O Espelho
- A Cartomante
6. Naturalismo
● O Cortiço (Aluísio Azevedo)
7. Parnasianismo
● Poemas de Olavo Bilac
- Soneto XIII de “A Via Láctea”
- Profissão de Fé
- Satânia
- Inania Verba
● Poema de Alberto Oliveira
- O Vaso Grego
8. Simbolismo
● Poema de Cruz e Souza
- Cárcere das Almas
●Poema de Alphonsus de Guimaraens
- Ismália
9. Pré-Modernismo
● Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)
● Contos de Monteiro Lobato
- Negrinha
- Velha Praga
● Poemas de Augusto dos Anjos
- Versos Íntimos
- Psicologia de um Vencido
Fique ligado na Parte 2: Literatura do Modernismo de 22 aos dias de hoje!
Postarei em breve.
Literatura no ENEM: o que estudar?
A progressiva adesão das universidades federais ao ENEM acarreta alterações na forma com que os vestibulandos conduzem sua preparação para o acesso ao Ensino Superior. No caso da disciplina de Literatura, a mudança é radical: saem de cena as listas de leituras obrigatórias deixando uma interrogação para muitos estudantes: QUE CONTEÚDO ESTUDAR PARA O ENEM?
A prova do MEC se caracteriza por valorizar a capacidade de leitura e compreensão de textos e seu processamento crítico por parte do aluno. Não se avalia nesse exame memorização de autores e obras e o conhecimento específico sobre uma dezena de livros com seus respectivos enredos e personagens, mas um conhecimento global da Literatura, o que significa uma valorização de conhecimentos como:
- Linguagem Literária: Diferenciar o texto literário do texto não-literário e conhecer os recursos estilísticos utilizados pela literatura (o universo da conotação e das figuras de linguagem). Saber identificar as peculiaridades dos gêneros literários (Narrativo, Lírico e Dramático), além de conceitos como Metalinguagem e Intertextualidade também é essencial.
- Períodos Literários: As famosas "Escolas Literárias" ganham mais importância. Conhecer as características essenciais de períodos literários do Quinhentismo ao Modernismo e saber relacioná-las ao seu contexto histórico (como as relações entre Arcadismo e Ciclo-do-ouro, por exemplo). Além disso, é importante o vestibulando saber identificar padrões estéticos em comum entre Literatura e outras artes (como reconhecer semelhanças entre um texto de Gregório de Matos e uma pintura de Caravaggio - ambas manifestações do barroco).
Mas atenção: o fato de não haver uma lista de obras literárias exigidas para leitura não deve nos enganar! Se para as provas tradicionais de Literatura os conhecimentos sobre determinados livros podiam ser obtidos, muitas vezes, em bons resumos, no ENEM o sucesso está diretamente associado à capacidade de leitura de textos complexos. Uma prova cansativa, com uma maratona de testes acaba por valorizar, naturalmente, o candidato habituado a ler. E esse hábito de leitura não pode estar restrito ao textos informativos (jornais e revistas em geral). Somente a leitura do texto literário se constitui como preparação completa para uma leitura mais densa e perspicaz.
A prova do ENEM pode parecer bem maior e mais difícil para quem lê apenas algumas dezenas de páginas de Veja e Superinteressante se compararmos esse candidato àquele que lê centenas de páginas de narrativas literárias. Por isso, em breve postarei uma lista de sugestões de leitura para os meus alunos e leitores aqui do blog. Aguarde.
Fuvest divulga manual do candidato para o vestibular 2011
Fonte: UOL
Em São Paulo A Fuvest, que seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo) e para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, publicou nesta segunda-feira (1º) o manual do candidato para o processo seletivo 2011; confira:
Veja aqui o manual do candidato da Fuvest 2011
As inscrições vão de 27 de agosto a 10 de setembro, pela internet. A taxa é de R$ 100 e deverá ser paga até 13 de setembro. O estudante deverá efetuar a inscrição com seu próprio número de CPF e documentos de identidade.
A partir do dia 29 de setembro o candidato poderá consultar o número de inscrição no concurso. Com este número será possível verificar os locais de prova da primeira e da segunda fase. A ficha de inscrição, que deve ser apresentada nos dias do exame, também poderá ser impressa a partir desta data.
As provas específicas serão realizadas de 10 a 15 de outubro. A primeira fase será aplicada no dia 28 de novembro. O exame terá 90 questões de múltipla escolha das seguintes disciplinas: português, matemática, história, física, geografia, química, biologia, inglês e algumas questões interdisciplinares. O candidato terá cinco horas para responder as questões.
A segunda fase ocorre nos dias 9, 10 e 11 de janeiro. Serão três provas analítico-expositivas. A primeira, comum a todos os cursos, terá 10 questões, de igual valor, de interpretação de textos, gramática, literatura e uma redação.
A segunda prova, também comum a todos os cursos é constituída de 20 perguntas sobre matemática, história, física, geografia, química, biologia, inglês e algumas questões interdisciplinares. A terceira prova terá 12 questões, de igual valor, de duas ou três disciplinas, dependendo da carreira escolhida pelo vestibulando.
A divulgação da primeira chamada está prevista para 9 de fevereiro. A matrícula será realizada nos dias 14 e 15 do mesmo mês. No dia 19 de fevereiro será divulgada a segunda chamada, com matrícula no dia 21.
A manifestação de interesse pelas vagas não preenchidas deverá ser realizada nos dias 24 e 25 de fevereiro, das 9h às 16h, nos postos de manifestação de interesse (que podem ser consultados no manual, na seção de matrículas). Confira as datas das próximas chamadas:
•07/03 - Divulgação da terceira chamada;
•11/03 - matrícula da terceira chamada;
•16/03 - divulgação da quarta chamada;
•17/03 - matrícula da quarta chamada;
•21/03 - divulgação da quinta chamada;
•22/03 - matrícula da quinta chamada.
Outras informações podem ser obtidas pelo site do vestibular ou no manual do candidato.
Veja quais são os livros do vestibular 2011:
Auto da barca do inferno - Gil Vicente;
Memórias de um sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida;
Iracema - José de Alencar;
Dom Casmurro - Machado de Assis;
O Cortiço - Aluísio Azevedo;
A cidade e as serras - Eça de Queirós;
Vidas secas - Graciliano Ramos;
Capitães da areia - Jorge Amado;
Antologia poética (com base na 2ª ed. aumentada) - Vinícius de Moraes.
Leituras Obrigatórias UFSM 2011
Segue a lista de livros para o novo vestibular da UFSM:
Prova Seletiva 1, referente aos conteúdos da 1a série do Ensino Médio
- A poesia de Gregório de Matos Guerra.
- O Uraguai de Basílio da Gama – Cantos I, II e III.
- Marília de Dirceu de Thomás Antônio Gonzaga.
Prova Seletiva 2, referente aos conteúdos da 2a série do Ensino Médio
- Grandes Poemas do Romantismo Brasileiro – Nova Fronteira
- Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antônio de Almeida.
- O cortiço de Aluísio de Azevedo.
- Contos de Machado de Assis - Ed. L&PM.
Prova Seletiva 3, referente aos conteúdos da 3a série do Ensino Médio
- Libertinagem e Estrela da Manhã de Manuel Bandeira.
- A rosa do povo de Carlos Drummond de Andrade.
- Antologia Poética de Vinícius de Moraes – Companhia das Letras.
- Primeiras estórias de Guimarães Rosa.
- Laços de família de Clarice Lispector.
- O Continente (vol. 1) de Érico Veríssimo.
- O matador de Patrícia Melo.
- Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato.
Novos resumos serão postados aqui no blog em breve. Fique ligado!
UFSM abre inscrições para o vestibular 2011 nesta segunda
A UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no Rio Grande do Sul, abre nesta segunda-feira (2) o período de inscrições para o processo seletivo 2011 (seriado e único) e para o Peies (Programa de Ingresso ao Ensino Superior) 2010.
As inscrições podem ser efetuadas pela internet, até o dia 10 de setembro. O valor da taxa de inscrição é R$ 75 para o vestibular único e R$ 35 para o seriado e o Peies.
O candidato poderá solicitar isenção de taxa até o dia 6 de agosto. Para concorrer ao beneficio é preciso estar inscrito no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) e ser membro de família de baixa renda. O resultado dos pedidos de isenção será divulgado em 12 de agosto.
A partir deste ano, a seleção da UFSM será dividida em Processo Seletivo Seriado e Processo Seletivo Único. O Peies terá sua última edição em 2011. Confira aqui a nova estrutura do vestibular.
As provas do Peies 2010 serão realizadas no dia 12 de dezembro, no período da tarde. O exame para o processo único e seriado será realizado de 05 a 07 de janeiro de 2011. A nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010 vai representar 20% da nota do candidato no processo único.
Outras informações podem ser obtidas no site da universidade ou pelo telefone (55) 3220 8170.
INSCRIÇÃO VESTIBULAR UFSM 2011
EDITALVESTIBULAR UFSM 2011
LEITURAS OBRIGATÓRIAS UFSM 2011
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Leva-se mais tempo para ler em e-readers do que em livros impressos
Um novo estudo está aquecendo ainda mais a discussão entre os defensores dos livros impressos e os adeptos dos e-books.
Segundo recente pesquisa de usabilidade do Nielsen Norman Group, leva-se mais tempo para ler livros em um Kindle 2 ou IPad do que um livro impresso. O estudo descobriu que a velocidade de leitura diminuiu 6,2% em um ipad e 10,7% em um Kindle em comparação a livros impressos. Um total de 24 participantes receberam contos de Ernest Hemingway e tiveram 17 minutos para ler em versão impressa e em iPads, Kindles e compuztadores.
Após a leitura, os participantes preencheram um breve questionário de compreensão, para provar que haviam de fato lido os textos e entendido as histórias. Eles classificaram também sua satisfação com cada dispositivo: o Ipad, Kindle e livro impresso receberam uma média de 5,8, 5,7 e 5,6 pontos numa escala de 7, respectivamente, enquanto o PC recebeu uma pontuação média de apenas 3,6.
Apesar das conclusões, o Nielsen Norman Group admitiu que as diferenças na velocidade de leitura entre os dois dispositivos não eram “estatisticamente significativas devido à variabilidade bastante elevada” – em outras palavras, o estudo não prova que seja mais rápido ler em um Ipad do que em um Kindle. Mas os pontos de satisfação podem ser decisivos nos próximos lançamentos de e-readers e tablets.
Fonte: Mashable
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Salman Rushdie lançará 'Luka e o Fogo da Vida' na Flip
Fonte: Agência EstadoCom lançamento mundial na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), dia 6, Luka e o Fogo da Vida, do escritor indiano Salman Rushdie, tem algo de Harry Potter - e todos os ingredientes para conquistar seus leitores. Em entrevista por telefone, de Londres, Rushdie revela, inclusive, que já trabalha numa adaptação desse seu novo livro para o cinema, assistido pelo cineasta inglês Alan Parker ("Evita"). Inicialmente, pensou em Terry Gilliam para dirigir "Haroun e o Mar de Histórias", mas ele estava envolvido com outros projetos. Publicado em 1990, Haroun é o livro do qual saíram os protagonistas de Luka, outra fábula no melhor estilo de Italo Calvino.
"Luka e o Fogo da Vida" narra a história de um garoto de 12 anos, filho de um contador de histórias, Rashid Khalifa. Certo dia, por amaldiçoar um circo que maltrata animais, provocando involuntariamente um incêndio, Luka vê seu pai enfeitiçado pelo perverso treinador que usa o chicote contra os indefesos bichos do circo. Recolhido a um sono profundo que pode levar Rashid à morte, ele só será resgatado se o filho roubar o fogo da vida na Montanha do Conhecimento. Parece um videogame. E é quase um. Rushdie dedica o livro ao filho Milan, que tem quase a mesma idade de Luka.
Se você pensou numa parábola sobre o irracionalismo do mundo contemporâneo, em busca de um novo Prometeu que lhe devolva a luz, pensou certo. Rushdie anda desencantado. Há 20 anos seu pescoço está por um fio por causa de fanáticos que insistem em ler seu "Versos Satânicos" como uma obra blasfema contra o Islã. Ele ainda corre riscos, a despeito do acordo firmado entre Irã e Inglaterra para suspender a fatwa - condenação à morte - contra Rushdie, acusado de apostasia em 1988 por causa do livro.
Rushdie, que todo dia 14 de fevereiro recebe uma carta de radicais, avisando que o país não esqueceu a fatwa decretada pelo aiatolá Khomeini (1900- 1989), não parece tão paranoico como há duas décadas, embora não ignore a advertência. Tem, inclusive, um livro pronto para ser publicado sobre essa experiência de viver perseguido. Ele alega que o escreveu para contestar a história "falsa" que seu guarda-costas Ron Evans tentou publicar e foi interditada judicialmente há dois anos pela Corte Suprema de Londres. Evans teria argumentado em seu livro proibido que Rushdie tem instinto suicida e tirou dividendos financeiros da ameaça de morte.
Mas o escritor deixou de mexer com religião e, hoje, só fala por metáforas - à maneira do português José Saramago (1922-2010). Ou melhor, do cubano de origem italiana Italo Calvino (1923-1985), modelo confesso tanto de "Haroun e o Mar de Histórias" (1990) como de "Luka e o Fogo da Vida", que vem lançar na Flip. Ele já esteve na festa há cinco anos. Sua mesa, nesta oitava edição, foi uma das primeiras a ter lotação esgotada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A literatura clássica como base para roteiros de cinema e TV
Aula do escritor Walcyr Carrasco aos alunos da PUC-Rio
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Brasileiro vê bom motorista como babaca, diz Da Matta
Recentemente, estudos feitos no Rio Grande do Sul constataram uma contradição percebida facilmente por quem circula por ruas, avenidas e estradas. Para os motoristas gaúchos, os responsáveis pelo trânsito violento e incivilizado são sempre os outros”. Agora, uma pesquisa na Grande Vitória, no Espírito Santo, além de confirmar o padrão de comportamento detectado no Estado, ajuda a interpretar as causas desta visão distorcida da realidade.
– Os outros são invisíveis no Brasil. Você não é treinado em casa nem nas escolas para ver o outro como colega, como um sujeito que tem os mesmos direitos de usufruir o espaço de todos. Para nós, é o contrário: o espaço de todos pertence a quem ocupar este espaço primeiro, com mais agressividade – analisa o antropólogo Roberto Da Matta, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e consultor da pesquisa.
A reportagem e a entrevista é de Carlos Etchichury e publicada pelo jornal Zero Hora, 28-07-2010.
O trabalho, em fase de conclusão, será transformado no livro Fé em Deus e Pé na Tábua – Como e Por que Você Enlouquece Dirigindo no Brasil. Autor de clássicos das ciências sociais como Carnavais, Malandros e Heróis, Da Matta sustenta que o trânsito reproduz valores de uma sociedade moderna, mas atrelada ao passado. Trata-se do espelho de um país que se tornou republicano sem abandonar a aristocracia.
– Nós não olhamos para o lado, a não ser quando somos obrigados a olhar. E olhamos para o lado com má vontade, exatamente como acontece com o motorista quando para no sinal, que tem um cara na sua frente que tá te atrapalhando. E um cara atrás de você que também atrapalha – complementa o antropólogo.
Eis a entrevista.
Nos últimos seis meses, foram divulgadas duas pesquisas sobre o comportamento do motorista no trânsito em Porto Alegre e no Estado. Em síntese, elas dizem o seguinte: o problema são os outros porque eu dirijo bem. Por que o motorista tem uma visão distorcida da realidade?
Os resultados encontrados em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul são praticamente idênticos aos identificados na Grande Vitória. Todo mundo é cidadão, todo mundo tem direitos, mas respeitando a igualdade do outro. E é exatamente o que caracteriza o trânsito. Por quê? Porque pessoas que estão submetidas às regras das vias públicas brasileiras e do espaço público brasileiro, em geral, não aprenderam a ser igualitárias. A igualdade para nós é menos importante do que a liberdade.
Por que o Brasil moderno reproduz relações aristocráticas e atrasadas?
Você não mata o menino que existiu dentro de você. Você não mata os antigos hábitos. Você transforma os antigos hábitos, fazendo com que eles dialoguem com hábitos novos, com novas necessidades coletivas. Para mudar o nosso comportamento, nós temos de nos mobilizar, a gente tem de fazer um agenciamento de dentro para fora.
Até que ponto as relações no trânsito reproduzem as relações humanas de um modo geral?
Elas reproduzem as relações humanas com as quais nós fomos socializados. Dentro de casa, cada um tem seu espaço na socialização brasileira. Fomos criados em ambientes que comportam hierarquias bem definidas: arrumadeira, passadeira, lavadeira. São os últimos ecos de escravidão e de clientelismo que permeiam a sociedade brasileira. Esse quadro cognitivo, emocional, está nas nossas cabeças. Quando você vai para o trânsito, você tem uma situação desagradabilíssima: obedecer no Brasil é um sintoma de inferioridade. É um aspecto que a pesquisa identificou. Quem obedece, quem segue lei no Brasil, é babaca, idiota.
Numa das pesquisas realizadas no Estado, 69% dos entrevistados dizem que não cometem imprudências ao volante.
Gargalhada). Maravilha. O estilo de dirigir brasileiro é agressivo. Fomos criados com uma visão da casa como inimiga da rua. É como se o mundo da rua não fosse regrado pelas mesmas regras de casa, que é a regra do acolhimento.
O título do livro Fé em Deus e Pé na Tábua sugere que o senhor tenha encontrado elementos religiosos no comportamento dos motoristas. É isso?
Com certeza. Noventa e nove por cento dos brasileiros acreditam que têm uma outra vida. Então, se você acredita que este mundo não é o único mundo possível, se há um outro mundo, você pode ir para um mundo melhor.
A impunidade, ou a sensação de impunidade, contribui para que esta visão aristocrática no trânsito se perpetue?
Quando a gente discute a questão da igualdade, a gente o faz de maneira retórica. Há uma elasticidade grande na cultura brasileira, que tem uma inércia. Você freia, mas o peso da tradição continua. Você tem de preparar a sociedade para as mudanças, o que nós não fazemos no Brasil. A Lei Seca, por exemplo. É maravilhosa porque atingiu o comportamento da classe média.
A classe média tem um papel reprodutor de valores e costumes?
Exatamente. A classe média é o espelho tanto da elite, que tá lá em cima, quanto dos muito pobres. É o miolo. A Lei Seca provocou uma visão ambígua, e paradoxal, na classe média.
Na pesquisa que o senhor assessorou, além de traçar um diagnóstico, também aponta caminhos e alternativas?
A alternativa é essa: nós temos de falar mais em igualdade, ensinar mais igualdade. É um negócio chatíssimo. O nosso lema é: “os incomodados que se mudem”. E não é verdade.
Uma pesquisa realizada na Grande Vitória produz resultados estruturais capaz de se tornar referência para todos os Estados do Brasil?
Como toda pesquisa empírica, você trabalha com tipos. Você trabalha com uma mentalidade, com um tipo, com uma mentalidade, um modelo de motorista. O comportamento que você encontra em Vitória é semelhante ao encontrado no Sul do Brasil, como apontam as pesquisas de que você me fala.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - http://www.ihu.unisinos.br/
