sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inep vai recorrer de decisão que pede reabertura de inscrições do Enem 2009



O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) vai recorrer da decisão da Justiça Federal que pede reabertura de inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009. Segundo o órgão responsável pela aplicação do exame, um novo período de inscrições afetaria o cronograma da prova.


Por meio de nota da assessoria de imprensa, o Inep afirma ter tomado conhecimento da liminar via fax. "As inscrições transcorreram normalmente, não havendo registro de problemas relativos à exigência do CPF. Foram mais de 4,5 milhões de inscritos. A medida liminar foi proferida sem que o instituto ou o Ministério da Educação fossem ouvidos", diz o documento.

Pela sentença da Justiça, o Inep deveria reabrir imediatamente o prazo de inscrição até as 23h59 do dia 28 de agosto. O não cumprimento da determinação implicaria multa diária de R$ 10 mil.

A decisão ocorreu a partir de uma ação civil pública protocolada pela procuradora Márcia Morgado Miranda, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, que pedia que não fosse obrigatório informar o número do CPF na inscrição ao exame, documento que nem todos os jovens possuem.

A solicitação foi atendida no dia 17 pelo juiz Bruno Otoro Nery, da 6ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro. "Tendo em vista que os participantes do Enem encontram-se na faixa etária média compreendida entre 15 e 17 anos, na qual não é exigido seu cadastro no Ministério da Fazenda, a título de CPF, mas apenas lhe é facultado o ingresso em tal cadastro, a ausência de tal inscrição não pode gerar sanções àquele indivíduo (...)", afirma o magistrado.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Garrincha é estrela de livro sobre futebol publicado no Chile


Escritor e ex-jogador de futebol chileno Reinaldo Edmundo Marchant afirma que recebeu uma flechada poética quando viu o ex-ponta jogar no seu país

GLOBOESPORTE.COM


"El Ángel de las Piernas Torcidas", ou "O Anjo das Pernas Tortas", é o nome do livro do escritor e ex-jogador de futebol chileno Reinaldo Edmundo Marchant lançado nesta terça-feira em Santiago, no qual Garrincha (1933-1983) é a estrela em meio a diversas histórias dos gramados (veja no vídeo ao lado, imagens do filme "Garrincha, a Alegria do Povo"). O título da publicação evoca um dos apelidos dados ao eterno craque do Botafogo e astro das Copas do Mundo de 1958 e 1962, ambas conquistadas pelo Brasil, e que, para o autor, foi a personificação de uma enorme mudança para o futebol.



Segundo Marchant, antes de Mané Garrincha - cujo nome de batismo era Manuel Francisco dos Santos - pisar em um campo de futebol, o esporte era um espetáculo que carecia de gênios, pois não existia quem empreendesse movimentos bruscos, saltos, ameaças e movimentos imperceptíveis com o corpo.



"Pela poesia que desenhou no gramado", o livro é dedicado a Garrincha, embora também ofereça outras histórias do futebol. Já na introdução de "El Ángel de las Piernas Torcidas", o ex-jogador da seleção argentina e atual diretor-geral do Real Madrid, Jorge Valdano, escreve que Garrincha jogava "como Cantinflas falava", em alusão ao famoso ator e humorista mexicano.



- Um homem livre, um estilo poético, uma máquina de ameaçar com suas pernas tortas que não se sabia para onde iriam arrancar, até suas ideias geniais e divertidas que deixavam sempre uma vítima no caminho - sentenciou.



Nascido em 1958, Marchant foi ponta-direita profissional - assim como Garrincha - dos clubes chilenos Palestino e Deportivo Aviación, este último já extinto. Como escritor, ele publica agora sua quarta obra relacionada com o futebol. No novo livro, as diversas histórias levam a uma conversa entre Pelé e Maradona em um distante aeroporto japonês na qual finalmente Mané é lembrado com devoção pelos dois craques.



Marchant lembra que, ainda criança, viu o Botafogo de Garrincha no Chile e sentiu "uma flechada poética" ao ver suas evoluções e ao apreciar como, a cada vez que Mané pegava na bola, o público ficava de pé para desfrutar de seu jogo imprevisível e maravilhoso.



- Então entendi que a essência deste esporte residia na felicidade que o público queria buscar, e Garrincha foi o jogador que mais alegria deu ao povo em toda a história - concluiu o autor.



No Brasil, em 1995, o escritor Ruy Castro lançou o livro "Estrela Solitária: um brasileiro chamado Garrincha", que teve uma série de problemas na Justiça, por contestações das herdeiras do craque do Botafogo e da seleção brasileira. Atualmente o livro está liberado para venda.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Literatura Comentada: Amor (Conto de Clarice Lispector)


Não se trata apenas de uma escritora preocupada em retratar a alma feminina: Clarice Lispector lança o olhar sensível, minimalista da mulher para as profundezas da essência humana.



Amor

Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação.

Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranqüilamente, sua mão pequena e forte, sua corrente de vida.

Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa hora da tarde as árvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se. No entanto sentia-se mais sólida do que nunca, seu corpo engrossara um pouco e era de se ver o modo como cortava blusas para os meninos, a grande tesoura dando estalidos na fazenda. Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo, seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem.

No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha — com persistência, continuidade, alegria. O que sucedera a Ana antes de ter o lar estava para sempre fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. Criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. Assim ela o quisera e o escolhera.

Sua precaução reduzia-se a tomar cuidado na hora perigosa da tarde, quando a casa estava vazia sem precisar mais dela, o sol alto, cada membro da família distribuído nas suas funções. Olhando os móveis limpos, seu coração se apertava um pouco em espanto. Mas na sua vida não havia lugar para que sentisse ternura pelo seu espanto — ela o abafava com a mesma habilidade que as lides em casa lhe haviam transmitido. Saía então para fazer compras ou levar objetos para consertar, cuidando do lar e da família à revelia deles. Quando voltasse era o fim da tarde e as crianças vindas do colégio exigiam-na. Assim chegaria a noite, com sua tranqüila vibração. De manhã acordaria aureolada pelos calmos deveres. Encontrava os móveis de novo empoeirados e sujos, como se voltassem arrependidos. Quanto a ela mesma, fazia obscuramente parte das raízes negras e suaves do mundo. E alimentava anonimamente a vida. Estava bom assim. Assim ela o quisera e escolhera.

O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Logo um vento mais úmido soprava anunciando, mais que o fim da tarde, o fim da hora instável. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu a seu rosto um ar de mulher.

O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.

A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.

O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranqüila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.

Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada — o bonde deu uma arrancada súbita jogando-a desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão — Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava — o bonde estacou, os passageiros olharam assustados.

Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgia-lhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os fios da rede. O cego interrompera a mastigação e avançava as mãos inseguras, tentando inutilmente pegar o que acontecia. O embrulho dos ovos foi jogado fora da rede e, entre os sorrisos dos passageiros e o sinal do condutor, o bonde deu a nova arrancada de partida.

Poucos instantes depois já não a olhavam mais. O bonde se sacudia nos trilhos e o cego mascando goma ficara atrás para sempre. Mas o mal estava feito.

A rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando a tricotara. A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor. O mal estava feito. Por quê? Teria esquecido de que havia cegos? A piedade a sufocava, Ana respirava pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível... O mundo se tornara de novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas da rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona da escuridão — e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir. Perceber uma ausência de lei foi tão súbito que Ana se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram.

O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas. Na Rua Voluntários da Pátria parecia prestes a rebentar uma revolução, as grades dos esgotos estavam secas, o ar empoeirado. Um cego mascando chicles mergulhara o mundo em escura sofreguidão. Em cada pessoa forte havia a ausência de piedade pelo cego e as pessoas assustavam-na com o vigor que possuíam. Junto dela havia uma senhora de azul, com um rosto. Desviou o olhar, depressa. Na calçada, uma mulher deu um empurrão no filho! Dois namorados entrelaçavam os dedos sorrindo... E o cego? Ana caíra numa bondade extremamente dolorosa.

Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite - tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso. E através da piedade aparecia a Ana uma vida cheia de náusea doce, até a boca.

Só então percebeu que há muito passara do seu ponto de descida. Na fraqueza em que estava, tudo a atingia com um susto; desceu do bonde com pernas débeis, olhou em torno de si, segurando a rede suja de ovo. Por um momento não conseguia orientar-se. Parecia ter saltado no meio da noite.

Era uma rua comprida, com muros altos, amarelos. Seu coração batia de medo, ela procurava inutilmente reconhecer os arredores, enquanto a vida que descobrira continuava a pulsar e um vento mais morno e mais misterioso rodeava-lhe o rosto. Ficou parada olhando o muro. Enfim pôde localizar-se. Andando um pouco mais ao longo de uma sebe, atravessou os portões do Jardim Botânico.

Andava pesadamente pela alameda central, entre os coqueiros. Não havia ninguém no Jardim. Depositou os embrulhos na terra, sentou-se no banco de um atalho e ali ficou muito tempo.

A vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava sua respiração. Ela adormecia dentro de si.

De longe via a aléia onde a tarde era clara e redonda. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho.

Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o Jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande demais.

Um movimento leve e íntimo a sobressaltou — voltou-se rápida. Nada parecia se ter movido. Mas na aléia central estava imóvel um poderoso gato. Seus pêlos eram macios. Em novo andar silencioso, desapareceu.

Inquieta, olhou em torno. Os ramos se balançavam, as sombras vacilavam no chão. Um pardal ciscava na terra. E de repente, com mal-estar, pareceu-lhe ter caído numa emboscada. Fazia-se no Jardim um trabalho secreto do qual ela começava a se aperceber.

Nas árvores as frutas eram pretas, doces como mel. Havia no chão caroços secos cheios de circunvoluções, como pequenos cérebros apodrecidos. O banco estava manchado de sucos roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha. A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos.

Ao mesmo tempo que imaginário — era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudas, o abraço era macio, colado. Como a repulsa que precedesse uma entrega — era fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante.

As árvores estavam carregadas, o mundo era tão rico que apodrecia. Quando Ana pensou que havia crianças e homens grandes com fome, a náusea subiu-lhe à garganta, como se ela estivesse grávida e abandonada. A moral do Jardim era outra. Agora que o cego a guiara até ele, estremecia nos primeiros passos de um mundo faiscante, sombrio, onde vitórias-régias boiavam monstruosas. As pequenas flores espalhadas na relva não lhe pareciam amarelas ou rosadas, mas cor de mau ouro e escarlates. A decomposição era profunda, perfumada... Mas todas as pesadas coisas, ela via com a cabeça rodeada por um enxame de insetos enviados pela vida mais fina do mundo. A brisa se insinuava entre as flores. Ana mais adivinhava que sentia o seu cheiro adocicado... O Jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.

Era quase noite agora e tudo parecia cheio, pesado, um esquilo voou na sombra. Sob os pés a terra estava fofa, Ana aspirava-a com delícia. Era fascinante, e ela sentia nojo.

Mas quando se lembrou das crianças, diante das quais se tornara culpada, ergueu-se com uma exclamação de dor. Agarrou o embrulho, avançou pelo atalho obscuro, atingiu a alameda. Quase corria — e via o Jardim em torno de si, com sua impersonalidade soberba. Sacudiu os portões fechados, sacudia-os segurando a madeira áspera. O vigia apareceu espantado de não a ter visto.

Enquanto não chegou à porta do edifício, parecia à beira de um desastre. Correu com a rede até o elevador, sua alma batia-lhe no peito — o que sucedia? A piedade pelo cego era tão violenta como uma ânsia, mas o mundo lhe parecia seu, sujo, perecível, seu. Abriu a porta de casa. A sala era grande, quadrada, as maçanetas brilhavam limpas, os vidros da janela brilhavam, a lâmpada brilhava — que nova terra era essa? E por um instante a vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver. O menino que se aproximou correndo era um ser de pernas compridas e rosto igual ao seu, que corria e a abraçava. Apertou-o com força, com espanto. Protegia-se tremula. Porque a vida era periclitante. Ela amava o mundo, amava o que fora criado — amava com nojo. Do mesmo modo como sempre fora fascinada pelas ostras, com aquele vago sentimento de asco que a aproximação da verdade lhe provocava, avisando-a. Abraçou o filho, quase a ponto de machucá-lo. Como se soubesse de um mal — o cego ou o belo Jardim Botânico? — agarrava-se a ele, a quem queria acima de tudo. Fora atingida pelo demônio da fé. A vida é horrível, disse-lhe baixo, faminta. O que faria se seguisse o chamado do cego? Iria sozinha... Havia lugares pobres e ricos que precisavam dela. Ela precisava deles... Tenho medo, disse. Sentia as costelas delicadas da criança entre os braços, ouviu o seu choro assustado. Mamãe, chamou o menino. Afastou-o, olhou aquele rosto, seu coração crispou-se. Não deixe mamãe te esquecer, disse-lhe. A criança mal sentiu o abraço se afrouxar, escapou e correu até a porta do quarto, de onde olhou-a mais segura. Era o pior olhar que jamais recebera. Q sangue subiu-lhe ao rosto, esquentando-o.

Deixou-se cair numa cadeira com os dedos ainda presos na rede. De que tinha vergonha?

Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam-se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver.

Já não sabia se estava do lado do cego ou das espessas plantas. O homem pouco a pouco se distanciara e em tortura ela parecia ter passado para o lados que lhe haviam ferido os olhos. O Jardim Botânico, tranqüilo e alto, lhe revelava. Com horror descobria que pertencia à parte forte do mundo — e que nome se deveria dar a sua misericórdia violenta? Seria obrigada a beijar um leproso, pois nunca seria apenas sua irmã. Um cego me levou ao pior de mim mesma, pensou espantada. Sentia-se banida porque nenhum pobre beberia água nas suas mãos ardentes. Ah! era mais fácil ser um santo que uma pessoa! Por Deus, pois não fora verdadeira a piedade que sondara no seu coração as águas mais profundas? Mas era uma piedade de leão.

Humilhada, sabia que o cego preferiria um amor mais pobre. E, estremecendo, também sabia por quê. A vida do Jardim Botânico chamava-a como um lobisomem é chamado pelo luar. Oh! mas ela amava o cego! pensou com os olhos molhados. No entanto não era com este sentimento que se iria a uma igreja. Estou com medo, disse sozinha na sala. Levantou-se e foi para a cozinha ajudar a empregada a preparar o jantar.

Mas a vida arrepiava-a, como um frio. Ouvia o sino da escola, longe e constante. O pequeno horror da poeira ligando em fios a parte inferior do fogão, onde descobriu a pequena aranha. Carregando a jarra para mudar a água - havia o horror da flor se entregando lânguida e asquerosa às suas mãos. O mesmo trabalho secreto se fazia ali na cozinha. Perto da lata de lixo, esmagou com o pé a formiga. O pequeno assassinato da formiga. O mínimo corpo tremia. As gotas d'água caíam na água parada do tanque. Os besouros de verão. O horror dos besouros inexpressivos. Ao redor havia uma vida silenciosa, lenta, insistente. Horror, horror. Andava de um lado para outro na cozinha, cortando os bifes, mexendo o creme. Em torno da cabeça, em ronda, em torno da luz, os mosquitos de uma noite cálida. Uma noite em que a piedade era tão crua como o amor ruim. Entre os dois seios escorria o suor. A fé a quebrantava, o calor do forno ardia nos seus olhos.

Depois o marido veio, vieram os irmãos e suas mulheres, vieram os filhos dos irmãos.

Jantaram com as janelas todas abertas, no nono andar. Um avião estremecia, ameaçando no calor do céu. Apesar de ter usado poucos ovos, o jantar estava bom. Também suas crianças ficaram acordadas, brincando no tapete com as outras. Era verão, seria inútil obrigá-las a dormir. Ana estava um pouco pálida e ria suavemente com os outros. Depois do jantar, enfim, a primeira brisa mais fresca entrou pelas janelas. Eles rodeavam a mesa, a família. Cansados do dia, felizes em não discordar, tão dispostos a não ver defeitos. Riam-se de tudo, com o coração bom e humano. As crianças cresciam admiravelmente em torno deles. E como a uma borboleta, Ana prendeu o instante entre os dedos antes que ele nunca mais fosse seu.

Depois, quando todos foram embora e as crianças já estavam deitadas, ela era uma mulher bruta que olhava pela janela. A cidade estava adormecida e quente. O que o cego desencadeara caberia nos seus dias? Quantos anos levaria até envelhecer de novo? Qualquer movimento seu e pisaria numa das crianças. Mas com uma maldade de amante, parecia aceitar que da flor saísse o mosquito, que as vitórias-régias boiassem no escuro do lago. O cego pendia entre os frutos do Jardim Botânico.

Se fora um estouro do fogão, o fogo já teria pegado em toda a casa! pensou correndo para a cozinha e deparando com o seu marido diante do café derramado.

— O que foi?! gritou vibrando toda.

Ele se assustou com o medo da mulher. E de repente riu entendendo:

— Não foi nada, disse, sou um desajeitado. Ele parecia cansado, com olheiras.

Mas diante do estranho rosto de Ana, espiou-a com maior atenção. Depois atraiu-a a si, em rápido afago.

— Não quero que lhe aconteça nada, nunca! disse ela.

— Deixe que pelo menos me aconteça o fogão dar um estouro, respondeu ele sorrindo.

Ela continuou sem força nos seus braços. Hoje de tarde alguma coisa tranqüila se rebentara, e na casa toda havia um tom humorístico, triste. É hora de dormir, disse ele, é tarde. Num gesto que não era seu, mas que pareceu natural, segurou a mão da mulher, levando-a consigo sem olhar para trás, afastando-a do perigo de viver.

Acabara-se a vertigem de bondade.

E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia.

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Análise do Conto

Amor é um conto exemplar da ficção clariceana, revelador de seu estilo vigoroso e surpreendente. A estória, relativamente simples, indica que o efeito do conto não está em sua dimensão fabular.

Vejamos de forma sintética o enredo: Ana, uma dona-de-casa volta para casa após as compras para o jantar da família. Sentada em um bonde, depara-se com um cego mascando “chicles”, o que a deixa profundamente desconcertada. Subitamente, a personagem desliga-se da realidade em completa desorientação, perde a parada do bonde e caminha a esmo até se ver em meio ao cenário selvagem do Jardim Botânico. Passa, então a uma intensa percepção dos detalhes, contemplando em êxtase um novo universo repleto de significados sobre a vida (e a morte) e o amor (e a dor). Súbito, voltando à realidade objetiva, Ana volta ansiosa para casa, como se buscasse a restituição do equilíbrio perdido.

A condução da trama é reveladora de características peculiares da narrativa clariceana. Affonso Romano de Sant’Anna observa nos contos da autora a característica epifânica, no sentido de se trazer ao leitor uma “súbita revelação da verdade”. Isso aconteceria, segundo o crítico, em uma estrutura definida em quatro momentos: a) a personagem é disposta numa situação bastante cotidiana; b) há a preparação de um incidente que vai iluminar a vida da personagem; c) ocorre o incidente que vai iluminar a vida da personagem; d) desfecho em que se mostra ou se considera a situação da personagem após o evento ou incidente.

Contemplando-se os momentos aludidos acima temos:

a) Ana está retornando para casa após as compras para o jantar:

“Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação.”

O conto se inicia sem a marcação de um novo parágrafo, indicando uma realidade já em andamento, da qual teremos um recorte, um fragmento, como o “momento privilegiado” aludido por Massaud Moisés.

b) a espiral narrativa da trama conduz a uma perspectiva de mudança:

“Logo um vento úmido soprava anunciando, mais que o fim da tarde, o fim da hora instável”

c) O conflito é desencadeado pelo aparecimento súbito de um personagem:

“Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranqüila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.”

d) O desfecho aponta para o restabelecimento do equilíbrio aparente em que se encontrava a personagem no início da trama:

“Acabara-se a vertigem de bondade. E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia.”

Da observância desses momentos, caracterizando-se um processo típico da narrativa clariceana, e da perspectiva intimista, desencadeadora de uma profunda reflexão existencial, pode-se constatar aquilo que Hohlfeldt designou como “aura”, a “atmosfera que envolve a narrativa, tornando-a quase inconfundível”. Nesse sentido, estaríamos diante de um conto de atmosfera.
O conceito, porém, é impreciso, e o próprio Hohlfeldt aponta para o fato de que o “conto de atmosfera” pode-se confundir com o conto psicológico, pois, “estrutura-se geralmente em torno de personagens e através de sua psicologia desenvolve-se”.

Nesse diapasão, é possível vislumbrar diversos caracteres do conto psicológico na narrativa em tela. Em Amor, como já dissemos, não há propriamente um enredo, a importância da dimensão fabular é mínima diante da autonomia que ganha a personagem em seu universo interior. O monólogo interior é o que nos permite conceber a personagem diante do mundo e diante de si mesma. Os ambientes também se constituem de forma acessória, pois, conforme assevera Assis Brasil, “tudo o que interessa ao escritor é fixar o interior da personagem”. No conto em estudo, já assinalamos a sensação de desorientação da protagonista e cumpre aqui destacar a forma como a realidade objetiva é apreendida por Ana:

“Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o Jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande demais.”

Todo o ambiente estará imiscuído às profundas inquietações da protagonista, desfigurando-se como espaço físico e constituindo-se como espaço psicológico. Nesse sentido, Vicente Ataíde, citado por Hohlfeldt aponta para a “ruptura entre a ordem interna e externa, com o desmoronamento da primeira”, constituindo-se o “estranhamento”.

Qual seria, afinal a marca mais definitiva do conto Amor? O universo interior da personagem, como no conto psicológico, ou o estilo singular de Clarice Lispector a constituir uma “aura” particular, apontando para o conto de atmosfera?

Diante do impasse, consideramos que, ainda que impreciso, o conceito de conto de atmosfera parece quadrar melhor com a singularidade da escrita clariceana. O caráter de super-realidade de que se reveste a história é reforçado pelo estilo inconfundível, manifestado no que Álvaro Lins designou como “audaciosa combinação de vocábulos, pelo jogo imprevisto entre certas palavras com o fim de revelar imagens altamente novas, inesperadas e belas.”:

"Nas árvores as frutas eram pretas, doces como mel. Havia no chão caroços secos cheios de circunvoluções, como pequenos cérebros apodrecidos. O banco estava manchado de sucos roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha. A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos."

Assim, tal qual ocorre com as personagens clariceanas, acontece com o leitor: súbito, abrem-se as possibilidades de uma compreensão mais profunda, ao mesmo tempo delicada e violenta de nossa existência.

Miguel Mato, poeta galego: “Queren reducirnos a unha minoría para exterminarnos”


"Eu non vou permitir que veña ninguén de non sei onde decidir que idioma teño que falar no meu país. Ante isto xustifico e proclamo a defensa activa, levada ao extremo, se for necesario".

*Extraído do portal Galicia Hoje

"Nacín na Ponteceso, un día de abril de mediados do século pasado, na casa da miña avoa Teresa Mosqueira. O cuarto ten unha fiestra francesa cara ó xardín onde nos anos seguintes medrou unha nogueira e o pozo coa follaxe e as sebes, sempre cheas de paxaros; hai logo outra fiestra aberta cara ó solpor, desde a que se albisca o Monte Branco e desde a que moitas noites podemos escoitar o bruar do mar na Barra. A miña avoa materna era mestra e, unha vez xubilada, mataba a súa vocación pedagóxica ensinándome a ler en francés e a debuxar. Nunha daquelas tardes de lectura ollamos nos piñeiros próximos ao xardín un ouriol e outra vez un enorme miñato erguer o voo, con maxestade. Aínda non cumprira ben os catro anos cando a miña tía Teresita me ensinou a recitar un poema de Pondal, e velaí estou no retrato, erguido sobre unha táboa, o alcalde a termar de min, e eu tratando de semellar un rapsoda convincente con aquel Meniña, rapaza nova/ ou Rosa de Corcoesto. Pondal foi daquela o meu primeiro contacto coa literatura. Despois, recordo unha novela de J. Verne, Un inverno nos xeos e, aos once anos, Wuthering Heights. Fun á escola na Ponteceso e botei por libre os primeiros anos do bacharelato.

Meu pai, veterinario o mesmo do que o meu avó e meu tío Manuel, entrou a traballar nunha multinacional belga, nos primeiros anos da explotación gandeira e avícola en granxas, e marchamos a vivir na Coruña, onde rematei o bacharelato no Colexio Academia Galicia. Máis tarde viñeron os estudos de Filoloxía e os primeiros poemas e escritos. O paso a Compostela, nos dous últimos anos de carreira, permitíronme coñecer a F. Salina e X. R. Pena, cos que publiquei os primeiros poemas na antoloxía Alén (Follas Novas, 1977), e participamos no ambiente universitario e cultural daquel momento. Rematada a carreira, dous anos despois comecei a traballar como profesor de Língua Galega e Literatura en Sarria, e despois regresei á Coruña para impartir aulas, primeiro, no Instituto de Zalaeta, e máis tarde, no Rafael Dieste, onde sigo na actualidade. Na Coruña coñecín os compañeiros cos que publiquei as antoloxías De Amor e Desamor. O coñecemento de cada un deles ten a súa propia e pequena historia. Con todos me une unha amizade irrenunciábel e necesaria, despois de vinte e cinco anos. Logo viñeron outras publicacións e colaboracións en xornadas de literatura, principalmente coa Asociación Socio-Pedagóxica, ao longo dos anos noventa de xeito especial. As aulas e as colaboracións de tipo pedagóxico leváronme en boa parte cara ó cultivo do ensaio e dos traballos curriculares, e deste xeito saíron traballos sobre diferentes autores: Cabanillas, Pondal, Fole, Manuel María e Manuel Antonio, entre outros. Porén, acaso me afastaron por demasiado tempo da escrita creativa. Nos últimos tempos, a publicación dun libro de poemas, O Whiskey na barrica e dun fato de relatos, Xope de Lilaina, endereitou de novo os meus pasos cara a ela. Por veces penso que sempre estou a escriber poesía, non importa o que faga. Un poema, un relato, un fragmento calquera, a fantasía de cazador, a lembranza da luz da miña infancia, son, no fondo, poemas que toman diferentes molduras, caretas ou vestes. Acaso un mesmo poema, o que un pensaría ou soñaría definitivo. E podería recordar, con Pondal: ‘todo me trae pungentes memoranzas". É a biografía de Miguel Mato Fondo escrita por el mesmo.


Miguel, ti es un galego de esencia e presenza. As cousas arestora van por un camiño certamente erróneo. Supoñer a Galicia un país-nación bilingüe no sentido que a dominación castelán quere é algo sen sentido, aínda que cultural e lingüisticamente poderiamos ser así e tal cal, cousa que eu dubido pola diglosia non inventiva, senón á luz falante. Non é científico –lingüisticamente falando esta controversia-, o monolingüismo e a forma máis habitual da fala con distintas e diferentes interferencias do idioma invasor, que non é outro que o castelán. Non hai odio, senón, contradictio, nos termos; porén, si existe unha forma de autonegación, do autodesprezo, ti teralo comprobado e fundamentado para alá de ti mesmo, ou cecais estou trabucado, Miguel?

Na sociedade galega actual hai moita xente que vive allea ao idioma e á cultura expresada a través do noso idioma. Sen que isto mudara, podemos observar unha clara animadversión cara ao que podemos chamar "ideoloxía galega". Supoño que isto obedece a razóns diferentes e complexas, con raigañas moi fondas. Para maior abondamento, unha parte da clase política está perfectamente identificada con esa liña de alleamento, subordinados a unha concepción centralista do estado, rampante e mesmo agresiva. Mais creo que é no fondo da conciencia social dos propios galegos onde fica o problema. Burguesía e clases populares, absolutamente entregadas a un consumismo groseiro, cunha absoluta ausencia de conciencia social, cultural e ecolóxica.

A poesía pola que ti camiñas vai consonte coa autoafirmación do idioma no sentimento nacional?

Escriber poesía non é en si mesmo algo que teña que ver co sentimento nacional nun sentido político. Está relacionada máis de preto cun sentido cultural ,emotivo ou estético. Non acredito na función social e política da literatura como instrumento de cambio. Isto levounos a ler de xeito incompleto unha poeta como Rosalía, da que, desde certas posicións da crítica, se silenciou todo o que non concordaba cunha leitura social da súa obra. Non deberiamos esquecer que poetas como Pondal ou Cunqueiro foron criticados por non teren escrito unha obra de intención social, e están activos aínda críticos iluminados, con vocación de comisarios políticos, que non perden ocasión de mostrar o seu desprezo por estes poetas de enorme talla estética e literaria. E todo isto aconteceu no eido cultural do nacionalismo. A liña cultural do nacionalismo ao longo das últimas décadas foi, neste sentido, sectárea e excluinte. De todos os xeitos, eu creo que na miña obra, como na obra doutros poetas, e penso nos meus compañeiros de xeración, hai un país ao fondo, cultural, emocional, de experiencia vivida e sentido estético, e ese país ten un nome. E isto vese, por exemplo, en moitos poemas de X. Seoane, Fernán Vello ou Pepe A. Cáccamo. Respecto do idioma, a miña elección foi histórica e política, mais tamén estética e sentimental. Todo forma parte do mesmo. E desde iso que chamas "sentimento nacional" (galego) eu tamén penso no mundo. Permíteme recordar que na nosa tradición cultural hai unha fonda e marabillosa identificación, ou aproximación, entre o "galego" e o "universal". O actual conselleiro de cultura non debería ignoralo. Digo isto polas súas declaracións, tan mediocres e orfas de sentido histórico e intelectual. Aínda que ben pensado, quen dixo que un conselleiro ou un ministro de cultura deban reflexionar sobre a cultura?

Vida e idioma; idioma e vida... Son dúas razóns que non se xustapoñen?

Cunqueiro daba grazas por ter nacido nun país chamado Galiza e aprender palabras como rula ou bidueira. Eu nacín no país brañento que se estende entre Bergantiños e a Costa da Morte, no esteiro do Anllóns. Aprendín a dicir "tarai", "treita", "becacina" e "arume", e os sabores das peras urracas e da robaliza pescada por min mesmo; o silencio dos bosques no inverno e a música do mar de Valarés; a foliada da romaría de San Fins do Castro e a fonética do galego bergantiñán; aprendín a interpretar o silabario dourado das milleiras, no outono, e o renxer das trabes da miña casa nas noites de vendaval. E todo isto é vida e idioma, forman parte do que un é, como as lecturas, as conversas ou a conciencia política.

No ensino temos moitos problemas para explicarmos en galego como unha formulación de cultura... Ti lévalo ben, Miguel?

Eu dou clases de galego e de literatura galega e universal (en galego, tamén). O problema xa comeza aquí, nas propias aulas de lingua e literatura, así que pensemos o que é para os colegas que imparten as súas materias en galego. E hai que ver como entrou o goberno actual nas disposicións contra o noso idioma. Pensemos que un grupo minoritario, bandeirola de enganche da extrema dereita, foi quen de influír na Xunta actual para comezar a planificar políticas de persecución do noso idioma. Pois, como o vou levar? Creo que imos ter que petar na mesa e non dar nin un paso atrás. Os talibáns de Galicia Bilingüe e a activista Rosa Díez, foron recrutando falanxistas por toda a península para que viñeran a Galiza, manifestárense contra o galego. Isto resulta alucinante. Na medida das miñas posibilidades, eu non vou permitir que veña ninguén de non sei onde decidir que idioma teño que falar no meu país. Ante isto xustifico e proclamo a defensa activa, levada ao extremo, se for necesario. Se vai haber máis manifestacións da extrema dereita no noso país, teñan ou non permiso legal, que o terán, claro, estes sempre o teñen, cumprirá tomar medidas. Eles serán os únicos responsábeis do que aconteza.

Coa derrogación do Decreto, imos á defunción e polo tanto a definitiva morte do galego, ou resistiremos?

Resistiremos. E quero pensar que venceremos. Todo depende de nós mesmos, do que queiramos ser, o que, tratándose do pobo galego, non xera moita confianza, non creas. O noso idioma é irrenunciable, sexa cal for a nosa idea política. A ver se esta xente o comprende dunha vez. Non estamos contra nada, simplemente queremos defender o noso e ofrecerllelo aos demais como algo marabilloso. Falar galego é o noso xeito de entender o mundo e presentármonos ante os demais como xente, pobo, cultura. Por que queren impedilo? A que se debe esa actitude contra o noso idioma, que non dubidamos en definir como xenófoba? Queren reducirnos a unha minoría para exterminarnos. E isto xa o vimos noutros lugares do mundo. Deberían ollar no máis fondo deles e botar fóra os seus prexuízos doentes. Recordas o verso de Lino Braxe, "onde non hai amor, habita un nazi"?

Como profesor de Lingua e Literatura da nación galega, se me permites a expresión, estás satisfeito do teu traballo e súa correspondencia polo alumnado?

Estou no tramo final da miña carreira docente. Se ollo cara a atrás, creo que non cheguei a ser o bo profesor que quería. De todos os xeitos estou seguro de que os meus alumnos me fixeron mellor, coa súa xenerosidade e comprensión. A preocupación sobre o emprego do idioma galego entre a mocidade sempre estivo presente e foi motivo de incertezas e de desesperanzas, o que acontece é que os froitos non son inmediatos.

Intúes elementos perversos de aniquilación do galego máis alá do idioma e significantes da cultura?

Desde o propio estado central ,desde logo. E non esquezamos que os políticos dos partidos centrais na Galiza obedecen á voz do seu amo. Están absolutamente subordinados ás directrices que veñen dos seus superiores. Non hai máis. Creo que non teñen outro proxecto para Galiza, e no seu desexo de confundir a opinión pública utilizan o concepto do "soberanismo" como o andacio que cómpre perseguir, para impedir ou abortar calquera outro discurso diferente ao deles. Non se trata apenas de aniquilar un idioma, senón unha cultura. Logo están os outros, que mencionei antes. Son a punta do iceberg.

Falar en enxalzar a Galicia como unha festa ou romaría non é algo que despois de todo pretenden uns máis ca outros?

Lembro Arredor de sí (Otero Pedrayo), aquela novela tan reveladora, onde unha personaxe dicía que Galiza xamais chegaría a nada, todo o máis, a certo desenvolvemento turístico nalgúns lugares determinados. Ler esas páxinas sería moi interesante. Creo que na nosa terra sabemos pouco de conceptos de moderno desenvolvemento, relacionados coa ecoloxía e sostibilidade. Toda idea de progreso semella ficar entregada á especulación do solo e das enchentas. Resúltame groseiro e excesivo.

Es poeta ou cazador de poemas no exilio interior?

Son cazador, mais de escopeta, non de ordenador ou estilográfica. Resulta interesante o que dis do exilio interior. A creación poética, en si mesma, nace do exilio interior do poeta. Logo está a actitude do poeta ante o mundo, digamos, o estatus político e social, económico ou cultural. No meu caso, hai un exilio interior como ser dentro da miña complexidade e logo estou eu mesmo ante o mundo. E tamén aquí hai algo que me desacouga fondamente. Non só polo que está a acontecer no meu país e no mundo, descorazonador, senón porque o propio feito da miña obra ten moito que ver con iso. Claro que te sentes para alén do mundo e mesmo alleo a el, moitas veces. Esa distancia ,de todos os xeitos, como che dicía, está na propia creación poética.

De corazón ou de oficio?

Gha Gha Gha Gha! "Son cazador de corazón e quixera selo de oficio", así comeza aquela obra de Castroviejo, eh? Si, tanto na escrita como na cinexética, son cazador de corazón e aínda o quixera ser de oficio. Por outra banda, creo que son esencialmente poeta, en calquera xénero. A miña escrita sempre é poética. Non se trata de xéneros literarios, senón da algo máis fondo, o estilo, iso que en definitiva é o que nos dá un sentido ao que facemos e nos distingue.

Unha República Galega Socialista e independente sería a nosa solución, Miguel?

Eu non podo entender unha Galiza allea ao mundo. Son nacionalista e entendo que o meu país forma parte dun mundo no que procuramos o equilibrio e a xustiza. Non aturaría outro xeito de entender o nacionalismo. Acaso xa non tería sentido o termo. O soño dunha Galiza libre e socialista, igualitaria, vai parello co soño dun mundo igual. Non é, evidentemente, o mundo actual. Poderiamos soñar unha Galiza dese xeito nun mundo como o actual, desequilibrado, atroz, profundamente inxusto? De ningún xeito. Entendo, ao facerme esta pregunta, que vas por ese lado. Unha república galega, independente e socialista, nun mundo independente e socialista, solidario e culto. Boa partitura. O problema é a súa interpretación.U-la orquestra? E que Von Karajan ía dirixila?

De crer nalgo, en que podería crer o poeta Miguel Mato Fondo?

Eu non che son nada descrido. Máis ben todo o contrario. Iluso un pouco en exceso. Cos anos virei un tanto pesimista, certo. Mais, ao longo desta entrevista, como un pequeno perdido nun bosque, fun deixando pedriñas no camiño, sinais das cousas nas que creo. E logo está a xente coa que compartes a vida. Se cadra todo se reduce a iso.

Un poema tamén é un relatorio da vida que non vivimos e arelamos vivir?

Non o sei. Un poema é a necesidade de que sexa. Algo aproximado ao acontecemento da aurora de Borges. Acontece e alguén sábeo. Acaso os poemas acontezan para seren tamén soño, mágoa ou iluminación do que temos vivido.

Crer e ser, Miguel, en que camiños andamos?

Crer e ser "é" o camiño que andamos, e onde, ás veces, nos perdemos.

Terzo en cambio. A Galicia ou Galiza política. Nun Estado federal as cousas non irían moito mellor?

É algo do que moito teño ouvido e nada entendido. Non sei que entender cando me falan de Estado federal. Como se organizaría? Non o imaxino tendo como protagonistas políticos os partidos actuais. Para o meu entender, terían que desaparecer. Por outra banda, ese Estado federal do que tanto se ten falado, sería outra cousa do que unha superación do actual estado das autonomías, convenientemente controlado?

A monarquía non é unha "antigalla" e un desideratum?

Non me estraña a fascinación pola monarquía que hai na sociedade. Para esta xente, os membros da realeza son a estilización das personaxes dos programas rosa. Aseados, mellor vestidos, maquillados. Os seus soños non chegan para alén do papel couché. E a Monarquía non creo que sexa outra cousa. Mais do que algo antigo e obsoleto, semella un circo de leóns desdentados.

Que libro de poemas aínda non escribiches que che gustaría

escribir e despois publicar?


Os poemas que estou a crear son os máis deles bastante pesimistas. Necesito estar a ese lado para coñecer o que hai agora mesmo dentro de min. Tamén unha memoria que se vai esborrallando e que precisa do poema para recuperala. Eses son os dous espazos nos que me movo agora mesmo na escrita poética.

Cales son os teus soños políticos, o teu camiño para andar...?

Non o sei. Estou nun momento moi crítico con todo, e as perspectivas que aparezan polo horizonte están ocultas pola néboa. No que atinxe á política galega, estou absolutamente descorazonado e sinto unha fonda decepción. E nada me consola.

Agardas outra vida nunha solución pateísta soñada...?

Non, que va. A miña desaparición biolóxica non é nada. Mais para nós, os humanos, a morte non é a penas algo biolóxico. Cando morra, deixarei un oco nalgunhas persoas. Noutras, será unha presenza de néboa que se irá esvaendo pouco a pouco. O que me gustaria é deixar un poema que alguén lera e encontrara algunha emoción particular nel. Iso sería o que me levaría para outra vida.

Cal é para ti, Miguel, a relación entre o amor e a desesperanza, entre a vida e a posibilidade ou inutilidade común da morte?

Síntome absolutamente incapaz de falar sobre este tema. Eu creo que a morte, coa traxedia e o sentimento de perda e ausencia que leva consigo, é algo que forma parte da vida.

Se cadra resulta necesaria para darlle sentido. A primeira vez que sentin próxima a morte foi co pasamento dos meus avós. Foi algo natural, claro, mais penso que foi como se un bosque fora perdendo as súas árbores máis vellas. Co paso do tempo ves morrer xente querida, familia e amigos, e vas perdendo referencias. Esa é a sensación que teño coa morte.

O prazer da troca



catracalivre.folha.uol.com.br


Com auxílio da Internet, sites buscam incentivar a troca de livros estimulando e valorizando a diversidade na leitura
Há muito se discute o valor de um livro. Se esse se estende para além do conteúdo, sendo transformado em troféu colocado na estante. O motivo pelo qual alguns de nós o consideramos um bem material, ainda é objeto de estudo. Talvez, porque dispensamos uma quantia significativa para a compra, ou colocamos em nossa intenção a vontade de lê-lo outra vez.

A troca de livros vem sendo, frequentemente, pensada e estimulada por empresas e sites de pessoas entusiastas da ideia. Criado em 2005, o portal Estante Virtual criou, há dois meses, o Programa Nacional de Troca de Livros, que busca democratizar a leitura através do incentivo da integração de sebos ao portal e na adesão ao programa. Hoje, são 130 sebos no Brasil, que fazem parte do programa. Em São Paulo, esse número baixa para 50, mas para André Garcia, idealizador do site, já é um número significativo. “A troca de livros sempre existiu, mas lançamos uma nova condição aos leitores; o crédito virtual”, comenta.

Para fazer parte do programa, o leitor deverá se dirigir aos sebos participantes e oferecer livros seminovos (exemplares conservados e com potencial de venda). O livreiro avaliará e entregará um vale-compras, que poderá ser usado no mesmo local da venda do livro (o crédito será 25% do preço de mercado), ou o crédito virtual (20% do preço de mercado). Nesse caso, os créditos valerão para aquisição de livros na Estante Virtual, nos acervos de mais de 400 sebos de todo o Brasil que aceitam o Pagamento Digital. Segundo Garcia, o crédito virtual é como se fosse uma conta corrente virtual, transação toda feita por e-mail.

Desde a década de 90, a característica do sebo vem se transformando. O fluxo de livros recém-lançados aparece em estantes dos sebos. Alguns deles, já fecham acordo com editoras para a venda em atacado.

Apelidado de “Google” dos Sebos, o portal Estante Virtual conta com 1,5 mil e livreiros cadastrados, cerca de 4,5 milhões de obras online e 20 milhões de livros offline (acervo físico de todos os sebos participantes). Dos títulos presentes, dois milhões deles custam até R$ 12. Três milhões de livros chegam a até R$ 20, no portal. Forma-se, portanto, uma grande rede de comercialização e incentivo à formação de sebo, oferecendo um programa de cadastro simplificado e envia kits do Sebrae, aos pequenos livreiros, com auxílio na abertura de novos estabelecimentos. “Nossa missão é tirar a imagem de um lugar que tenha apenas a finalidade de encontrar livros antigos e fora de catálogo”, finaliza.

Sites que promovem a troca na Web

Portal de Troca de Livros

Book Mooch

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Guia de Estudo: Vanguardas Européias e Modernismo

Federal de Santa Catarina abre inscrições para isenção de taxa do vestibular 2010


A UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) começa a receber pela internet a partir desta segunda-feira (17) as inscrições para os pedidos de isenção total ou parcial (50%) de taxa do vestibular 2010. O prazo para obter o benefício termina em 14 de setembro.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O SITE DA UFSC

O benefício será dado para candidatos que comprovarem não ter condições para o pagamento da taxa. Professores da rede pública de ensino de Santa Catarina sem nível superior também têm isenção. A relação das isenções deferidas será divulgada em 6 de outubro.

Os interessados devem enviar os documentos solicitados para a Coperve/UFSC até 15 de setembro, pelos Correios ou postos de recebimento nas cidades de Florianópolis, Araranguá, Blumenau, Camboriú, Canoinhas, Chapecó, Criciúma, Curitibanos, Itajaí, Joaçaba, Joinville, Lages e Tubarão. Veja a lista de documentos para o requerimento de isenção e os locais para a entrega da documentação.


Vestibular 2010
O concurso será realizado nos dias 6, 7 e 8 de dezembro de 2009. Serão oferecidas 5.721 vagas para 76 cursos, que serão oferecidos em Florianópolis e nos novos campi de Joinville, Curitibanos e Araranguá. As inscrições ocorrem de 15 de setembro a 14 de outubro, somente via internet.


Veja o edital do vestibular 2010 da UFSC

Nesse vestibular, serão oferecidos pela primeira vez os cursos de fonoaudiologia e engenharia eletrônica (em Florianópolis), engenharia da mobilidade (Joinville), ciências rurais (Curitibanos) e tecnologia da informação (diurno e noturno, em Araranguá).

Outras sete novas graduações estão em avaliação pela Câmara de Ensino da UFSC e poderão ainda ser contempladas no vestibular 2010: engenharia de energia (em Araranguá); geologia, antropologia, arquivologia, ciências rurais (bacharelado e licenciatura) e ciências biológicas licenciatura noturno (no campus de Florianópolis). A expectativa é de que até o dia 15 de setembro se tenha uma definição com relação a estes novos cursos.


Provas
Nos dois primeiros dias, o candidato responde a questões objetivas. Redação e questões discursivas ficam concentradas no terceiro dia do concurso.

O número de questões discursivas passa de três para seis. Ele deverá obter pelo menos três pontos no conjunto das discursivas (no vestibular 2009 a exigência era não zerar nestas questões, que têm peso de 2,5 pontos cada).

Na redação, o critério da pontuação foi alterado para 15, e a exigência de nota mínima passa para 6. No vestibular 2009, a regra era obtenção de nota mínima 4 em uma escala zero a 10. Também foi alterado o número de questões da prova de Língua Portuguesa de 10 para 12, e de Língua Estrangeira de 10 para 8.

As provas começarão às 14h, com entrada a partir de 13h e fechamento dos portões às 13h45min.

Veja o que será cobrado nos exames:

Prova 1 (Dia 6/12/2009 - 14h às 18h):

Língua Portuguesa e Literatura Brasileira (12 questões de proposições múltiplas e/ou abertas);
Língua Estrangeira: Alemão, Espanhol, Francês, Inglês ou Italiano (08 questões de proposições múltiplas e/ou abertas);
Matemática (10 questões de proposições múltiplas e/ou abertas);
Biologia (10 questões de proposições múltiplas e/ou abertas).

Prova 2 (Dia 7/12/2009 - 14h às 18h):

História (10 questões de proposições múltiplas e/ou abertas);
Geografia (10 questões de proposições múltiplas e/ou abertas);
Física (10 questões de proposições múltiplas e/ou abertas);
Química (10 questões de proposições múltiplas e/ou abertas).

Prova 3 (Dia 8/12/2009 - 14h às 18h):

Redação;
6 questões discursivas.


Enem 2009
A UFSC vai adotar a nota da prova objetiva do Enem 2009 (Exame Nacional do Ensino Médio) como percentual de 20% no vestibular 2010. Para utilizar o Enem, o candidato deverá fazer esta opção no formulário de inscrição.

De acordo com a Coperve/UFSC, organizadora do processo seletivo, caso a composição com o conceito do Novo Enem prejudique o candidato, prevalece a nota do vestibular.

O Enem 2009 será usado também na classificação para vagas remanescentes. Isso significa que se sobrarem vagas os candidatos serão avaliados somente a partir de sua colocação no novo exame.


Ações Afirmativas
O vestibular da UFSC também levará em conta o Programa de Ações Afirmativas, que estabelece 20% das vagas de cada curso para candidatos que tenham cursado integralmente o ensino fundamental e médio em instituições públicas de ensino.

Além disso, 10% serão destinadas para candidatos autodeclarados negros, que tenham também cursado integralmente o ensino fundamental e médio em instituições públicas de ensino. Sete vagas serão destinadas para candidatos autodeclarados indígenas.

UFF começa a receber inscrições para o vestibular 2010


A UFF (Universidade Federal Fluminense) começa a receber as inscrições para o vestibular 2010 partir das 12h desta segunda-feira (17). Os interessados podem ser inscrever exclusivamente pela internet. O prazo se encerra às 12h do dia 17 de setembro de 2009. A taxa de inscrição é de R$ 97.


Clique aqui para conferir o edital da UFF 2010

Para 2010, a universidade vai oferecer 6.829 vagas - 1.271 a mais que no ano passado. As vagas estão distribuídas entre os cursos de administração pública, ciências contábeis, física bacharelado e matemática bacharelado em Volta Redonda; ciências econômicas, ciências sociais e geografia licenciatura e/ou bacharelado em Campos dos Goytacazes; biomedicina e fonoaudiologia, em Nova Friburgo e Pedagogia, em Santo Antônio de Pádua.


Enem na 1ª fase
É indispensável apresentar o número de inscrição no Enem 2009, uma vez que a nota do Exame Nacional do Ensino Médio comporá a primeira fase em conjunto com uma prova de 60 questões múltipla escolha elaborada pela UFF. A primeira fase será realizada no dia 15 de novembro.

A segunda fase está programada para 20 de dezembro. Nessa etapa, os vestibulandos fazem uma redação e duas provas de conhecimentos específicos com questões discursivas. Os candidatos terão 4h30 para realizar o teste.

Os resultados da primeira etapa serão divulgados no dia 16 de dezembro de 2009 e os da segunda, no dia 13 de janeiro de 2010. Segundo a UFF, o resultado final será divulgado no dia 29 de janeiro de 2010.

Nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2010, os aprovados deverão efetuar suas matrículas.


Bônus
Para ter direito a 10% de bônus na nota, o candidato deverá concluir em 2009 todo o ensino médio em escola pública estadual ou municipal de qualquer unidade da federação e não possuir formação superior.

O candidato oriundo da rede pública que obtiver média igual ou superior a 70% nas questões objetivas do Enem 2009 terá, este ano, um incentivo a mais de 5%, totalizando 15% de bônus na média final.

Os candidatos aos cursos de licenciatura noturna em matemática (Niterói), física e química e de licenciatura em pedagogia que são professores da rede pública de ensino de todo o país deverão indicar no requerimento de inscrição sua intenção de concorrer à reserva de 20% das vagas do curso pretendido.

domingo, 16 de agosto de 2009

Moacyr Scliar reúne crônicas ficcionais em coletânea


da Folha de S.Paulo

Crônicas ou contos? A dúvida perseguiu por algum tempo o escritor Moacyr Scliar, 72, mas nunca o incomodou muito. Ele afinal resolveu eliminar qualquer incerteza e definiu com clareza o gênero que pratica há 16 anos no caderno Cotidiano, da Folha: trata-se de crônicas ficcionais.

"Não são contos no sentido comum, nem crônicas. São ficções desencadeadas por notícias do cotidiano", diz. Uma seleção de 54 textos desse gênero agora é reunida em "Histórias que os Jornais Não Contam" (Agir), que está chegando às livrarias. São artigos publicados entre 2004 e 2009.

Suas colunas semanais são publicadas desde 1993 e "não falharam nenhuma vez", salienta. No início, o escritor, que é membro da Academia Brasileira de Letras, selecionava os temas a partir de casos policiais.

Depois, pediu para ampliar as referências a outras áreas. Mais tarde, incorporou as notícias veiculadas também na Folha Online, um terreno fértil para os assuntos curiosos e inusitados que abastecem seus artigos.

Por exemplo: "Pesquisadores da Universidade da Califórnia tornaram possível a invisibilidade". História: depois de resistir ao papel de cobaia, um servente baixinho e humilde de um laboratório de pesquisa, apelidado de Anãozinho, se vinga dos colegas roubando a fórmula da invisibilidade e partindo para as melhores aventuras ao usufruir a invenção.

Os motes são os mais diversos. Um japonês faz campanha para que seja legalizado o casamento com personagens de desenho animado. Nos EUA, virou moda dar festas quando os casais se separam. Cientistas da Nova Zelândia e do Japão criaram uma cebola "antilágrimas". Um rapaz tentou vender sua alma em um site de leilões na China. Um britânico descobriu que sua namorada tinha um amante graças às indiscrições de seu papagaio.

Processo de criação

Scliar diz que o processo de criação das crônicas é exatamente o mesmo que utiliza para seus romances ou contos. "É frequente eu começar a escrever sem esperança. Então, no processo de elaboração, acaba surgindo uma história."


Ele lembra que as notícias de jornal são matéria-prima de vários autores. Um dos mais notórios é Dalton Trevisan, que coleciona recortes para transformar em contos. "Atrás de cada notícia existe uma história esperando para se contada", afirma Scliar.

Ele diz que se surpreende especialmente com a forma como seus textos são utilizados nas escolas. "Existe esse aspecto educacional. Acabei de ser abordado por um professor no Piauí. Disse que pedia a seus alunos que fizessem as próprias versões baseadas nas notícias que eu utilizava para minhas histórias."

Produzir com tamanha regularidade não é problema para Scliar, que não gosta de ser chamado de prolífico. Este é o 88º livro da sua carreira.

HISTÓRIAS QUE OS JORNAIS NÃO CONTAM
Autor: Moacyr Scliar
Editora: Agir
Quanto: R$ 34,90 (184 págs.)

Collor será "imortal"


Parece piada, mas não é: deopis do Sarney na ABL, agora é a vez do Collor dar uma de intelectual das letras...
Impeachment neles!

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Apesar de nunca ter publicado um único livro, ex-presidente será eleito para ocupar cadeira na Academia Alagoana de Letras

Autor de um único livro, que ainda nem foi publicado, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) será o próximo ocupante de uma cadeira na Academia Alagoana de Letras e entrará para o grupo de imortais, ao lado de historiadores e literários.

Famoso por seus discursos áridos no plenário do Senado, o ex-presidente da República tem o apoio de praticamente todos os integrantes da entidade e tornou-se candidato único à sucessão da cadeira 20, que era ocupada pelo falecido poeta e defensor da cultura alagoana Ib Gatto.

A eleição de Collor deve acontecer no próximo dia 20. Para justificar a escolha, que deve ser feita por unanimidade, os integrantes da academia ressaltam o talento como orador e a atuação do parlamentar à frente do grupo de comunicação Arnon de Mello, que Collor herdou do pai.

Para tornar-se candidato, o ex-presidente apresentou à entidade uma coletânea dos seus discursos e artigos sobre os mais variados temas. Também mostrou um esboço do livro que escreve há anos sobre sua versão do impeachment. O livro, intitulado A crônica de um golpe, está em fase final de produção.

Em plenário, o senador já anunciou que pretende lançá-lo em breve. “A história dos homens se escreve com palavras vitoriosas, e se agora posso relembrar aqueles momentos com o distanciamento do tempo, é porque a vitória, no final, seria minha”, diz um trecho do primeiro capítulo.

A Academia Alagoana de Letras é atualmente presidida pelo médico Milton Ênio, defensor declarado da escolha do senador para o grupo de imortais. Ênio é amigo da família Collor há quase 30 anos. Outro entusiasta da eleição de Collor é o ex-secretário de Saúde José Medeiros. “Ele apresentou tudo que era preciso. Achávamos que poderia haver outros candidatos, mas ninguém se inscreveu”, comenta.

(Correio Braziliense)