terça-feira, 22 de março de 2016

ALUNOS AUTONOMIA: TESTES SOBRE ROMANTISMO

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TESTES DE FIXAÇÃO – ROMANTISMO                                                                                      PROF. EDIR

TEXTO
Canção do Exílio

Gonçalves Dias

01     Minha terra tem palmeiras,
02     Onde canta o sabiá;
03     As aves, que aqui gorjeiam,
04     Não gorjeiam como lá.

05     Nosso céu tem mais estrelas,
06     Nossas várzeas têm mais flores,
07     Nossos bosques têm mais vida,
08     Nossa vida mais amores.

09     Em cismar, sozinho, à noite,
10     Mais prazer encontro eu lá;
11     Minha terra tem palmeiras,
12     Onde canta o sabiá.

13     Minha terra tem primores,
14     Que tais não encontro eu cá;
15     Em cismar – sozinho, à noite -
16     Mais prazer encontro eu lá;
17     Minha terra tem palmeiras,
18     Onde canta o sabiá.

19     Não permita Deus que eu morra,
20     Sem que eu volte para lá;
21     Sem que desfrute os primores
22     Que não encontro por cá;
23     Sem qu’inda aviste as palmeiras,
24     Onde canta o sabiá.

CADERNOS DE POESIA BRASILEIRA. ROMANTISMO. São Paulo: Instituto Cultural Itaú (ICI), 1995. p. 12.

1-       (Educampo - UFSC-SC - Adaptada) Analise as assertivas abaixo:


01. O poema de Gonçalves Dias aborda a saudade revelada por alguém que está distante da sua terra natal.

02. Em “As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá.”, a palavra “como” está comparando o trinado de diferentes aves num mesmo lugar.

04. “aqui” tem como referência “minha terra” e “lá” tem como referência o lugar onde se encontra o poeta.

08. a palavra “tais” (verso 14) refere-se a “primores” (verso 13), podendo ser substituída pela palavra “semelhantes”, sem que o significado do verso seja alterado.

16. tudo que se refere a “cá” ou “aqui” é mais elogiado do que as coisas que são descritas como sendo de “lá”.

32. os pronomes possessivos em “Minha terra” (verso 01) e “Nossos bosques” (verso 07) apontam para a mesma localização geográfica, a terra de exílio.

Somatório=

2-       (PUC-RS)  O sentimentalismo amoroso, que surgiu como __________ nacionalismo indianista, permite a associação com a __________ geração do Romantismo brasileiro, a que se vinculam poetas como _________ e Fagundes Varela.

a) afirmação do - segunda - Álvares de Azevedo   
b) negação do - terceira - Castro Alves   
c) rejeição ao - segunda - Casimiro de Abreu   
d) antecipação do - terceira - Castro Alves   
e) confirmação do - primeira - Álvares de Azevedo   


O “Adeus” de Teresa

                A vez primeira que eu fitei Teresa,
                Como as plantas que arrasta a correnteza,
                A valsa nos levou nos giros seus...
                E amamos juntos... E depois na sala
                “Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala...
               
                E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”
               
                Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
                E da alcova saía um cavaleiro
                Inda beijando uma mulher sem véus...
                Era eu... Era a pálida Teresa!
                “Adeus” lhe disse conservando-a presa...
               
                E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”
               
                Passaram tempos... séc’los de delírio
                Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
                ... Mas um dia volvi aos lares meus.
                Partindo eu disse – “Voltarei!... descansa!...”
                Ela, chorando mais que uma criança,
               
                Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”
               
                Quando voltei... era o palácio em festa!...
                E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
                Preenchiam de amor o azul dos céus.
                Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
                Foi a última vez que eu vi Teresa!...
               
                E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

(CASTRO ALVES, Antonio Frederico. Espumas flutuantes. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. p. 51.)


3-       (UEL-PR) Sobre características do estilo de Castro Alves presentes no poema, considere as afirmativas a seguir.

I. Presença de uma visão erotizada do amor e da mulher.
II. Ausência do tom inflamado presente nos poemas sobre os escravos.
III. Confirma sua inserção na segunda geração do Romantismo.
IV. Revela influência do sentimentalismo amoroso adulto.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.   
b) Somente as afirmativas II e III são corretas.   
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.   
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.   
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.   
  
4-       Observe atentamente a descrição da protagonista do Romance “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães, publicado em 1875

"A tez é como o marfim do teclado, alva que não deslumbra, embaçada por uma nuança delicada, que não sabereis dizer se é leve palidez ou cor-de-rosa desmaiada. [...] Na fronte calma e lisa como o mármore polido, a luz do ocaso esbatia um róseo e suave reflexo; di-la-íeis misteriosa lâmpada de alabastro guardando no seio diáfano o fogo celeste da inspiração."
       
        Recentemente, uma série de TV intitulada “O Sexo e as Nêga” (2014)  causou polêmica no Brasil. Veja o comentário crítico abaixo:

“Mulheres negras não aparecem no nosso cinema nem na nossa tevê. Se houvesse bastante representação das mulheres negras na TV, no cinema, em toda a mídia, talvez a minissérie passasse em branco. Como não há, Sexo e as Negas vem fazer companhia a uma velha tradição racista que ou estereotipa as negras (e os negros também), ou simplesmente as apaga, como se não existissem. Uma coisa é certa: você nunca vai ouvir falar de uma série chamada Sexo e as Brancas.”
(Lola Aronovich – Disponível em:. http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2014/09/globo-nao-somos-tuas-nega.html. Acesso em 20 de setembro de 2014)
       
Com base nos textos acima, comparando-se os romances do século XIX à teledramaturgia do século XXI conclui-se que:

a)       Ao longo dos séculos, a representação do negro na ficção brasileira não sofreu nenhum tipo de transformação.
b)       A representação do negro na ficção brasileira, proibida durante o século XIX, passou a ser uma forma de romper preconceitos no século XXI.
c)       A população negra somente conquistou seu protagonismo na arte através dos meios de comunicação de massa, como a televisão.
d)       “A Escrava Isaura” representava de forma mais verossímil a população negra do Brasil do que as personagens da série contemporânea.
e)       Ao longo dos séculos, a representação do negro na ficção brasileira é um tabu, o que demonstra a persistência do preconceito racial no país.

5-       (PUC-RJ) Os textos 1 e 2 abaixo representam, respectivamente, dois dos mais significativos estilos de época da literatura brasileira: o Romantismo e o Modernismo. A partir desta constatação, responda ao questionamento abaixo:


Texto 1:
           Já era tarde. Augusto amava deveras, e pela primeira vez em sua vida; e o amor, mais forte que seu espírito, exercia nele um poder absoluto e invencível. Ora, não há idéias mais livres que as do preso; e, pois, o nosso encarcerado estudante soltou as velas da barquinha de sua alma, que voou, atrevida, por esse mar imenso da imaginação; então começou a criar mil sublimes quadros e em todos eles lá aparecia a encantadora Moreninha, toda cheia de encantos e graças. Viu-a, com seu vestido branco, esperando-o em cima do rochedo, viu-a chorar, por ver que ele não chegava, e suas lágrimas queimavam-lhe o coração.
(Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha. São Paulo: Ática, 1997, p. 125. )

Texto 2:

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p. 19.)

Em ambos os textos, percebe-se a utilização de uma mesma temática mas com tratamentos distintos. Explique, com suas próprias palavras, a concepção de amor presente nos textos de Joaquim Manuel de Macedo e de Carlos Drummond de Andrade.








GABARITO:
1-       09 (01+08)
2-       C
3-       A
4-       E

5-       A concepção de amor no texto 1 indica idealização do sentimento amoroso e da mulher amada; valorização da fantasia e da imaginação; caracterização do poder absoluto do amor sobre as personagens. O tema é tratado no texto 2 a partir de um tom crítico e irônico, apontando o desencanto e o desencontro entre as personagens. Lili, a "que não amava ninguém", é a única do grupo que ironicamente encontrou um par. Diferente dos outros que cumpriram um destino solitário ou trágico, ela se casou com J. Pinto Fernandes, uma personagem fora da quadrilha.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Livros UFSC 2017

Salve, pessoal! A lista de livros UFSC 2017 pode sair a qualquer momento.

Assim que for divulgada, vamos começar a publicar resumos, comentários e testes por aqui.

Abração!

sexta-feira, 11 de março de 2016

LIVROS VESTIBULAR FUVEST 2017

A Fuvest divulgou as obras que serão exigidas nos próximos três vestibulares. Confira!


Vestibular 2017:
  • Iracema - José de Alencar;
  • Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis;
  • O cortiço - Aluísio Azevedo;
  • A cidade e as serras - Eça de Queirós;
  • Capitães da Areia - Jorge Amado;
  • Vidas secas - Graciliano Ramos;
  • Claro enigma -  Carlos Drummond de Andrade;
  • Sagarana - João Guimarães Rosa;
  • Mayombe - Pepetela
Vestibular 2018
  • Iracema - José de Alencar;
  • Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis;
  • O cortiço - Aluísio Azevedo;
  • A cidade e as serras - Eça de Queirós;
  • Minha vida de menina - Helena Morley;
  • Vidas secas - Graciliano Ramos;
  • Claro enigma -  Carlos Drummond de Andrade;
  • Sagarana - João Guimarães Rosa;
  • Mayombe - Pepetela
Já no processo seletivo de 2019, a Fuvest mudou a obra de Eça de Queirós: sai "A cidade e as serras" e entra "A relíquia". Os demais livros são mantidos. Confira a lista completa:
  • Iracema - José de Alencar;
  • Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis;
  • O cortiço - Aluísio Azevedo;
  • A relíquia - Eça de Queirós;
  • Minha vida de menina - Helena Morley;
  • Vidas secas - Graciliano Ramos;
  • Claro enigma -  Carlos Drummond de Andrade;
  • Sagarana - João Guimarães Rosa;
  • Mayombe - Pepetela

LIVROS VESTIBULAR UFPR 2016/2017

Na última quinta-feira foi divulgada a lista das obras literárias para o vestibular UFPR 2016/2017
Confira:
• A Última Quimera, de Ana Miranda
• Clara dos Anjos, de Lima Barreto
• Claro Enigma, de  Carlos Drummond de Andrade
• Eles Não Usam Black-Tie, de  Gianfrancesco Guarnieri
• Fogo Morto, de  José Lins do Rego
• Lavoura Arcaica,d e Raduan Nassar
• Os Dois ou o Inglês Maquinista, de Luís Carlos Martins Pena
• Sermão de Santo Antônio [aos peixes], de Antônio Vieira
• Últimos Cantos, de Gonçalves Dias
• Várias Histórias, de Machado de Assis
 São três novidades no programa de leituras: Clara dos Anjos, Sermão de Santo Antônio e Últimos Cantos.
Abaixo, as obras disponíveis em domínio público para download:
Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Os Dois ou o Inglês Maquinista, de Luís Carlos Martins Pena
Sermão de Santo Antônio [aos peixes], de Antônio Vieira
Últimos Cantos, de Gonçalves Dias
Várias Histórias, de Machado de Assis

sexta-feira, 4 de março de 2016

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Resumos UFSC 2016: Análise de Poesia Marginal - Fogo-Fátuo




Fogo-Fátuo

ela é uma mina versátil
o seu mal é ser muito volúvel
apesar do seu jeito volátil
nosso caso anda meio insolúvel

se ela veste seu manto diáfano
sai de noite e só volta de dia
eu escuto os cantores de ébano
e espero ela chegar da orgia

ela pensa que eu sou fogo-fátuo
que me esquenta em banho-maria
se estouro sou pior que o átomo
ainda afogo essa nega na pia.
                                            
                                               (Chacal)

Apesar da linguagem coloquial (gírias como “mina” e “nega”) e do caráter confessional (o poema soa como um ‘desabafo’ do eu-lírico), abordando uma relação passional conflituosa, o poema se caracteriza pelo apuro formal, o que não é comum nos textos marginais. Observe que são três estrofes de quatro versos cada, com métrica eneassílaba, ou seja, de nove sílabas poéticas (lembre-se de que na escansão só contamos até a última sílaba tônica):

E / la / é / u / ma / mi / na / ver / sá / til


o / seu / mal / é / ser / mui / to / vo / lú / vel

Do aspecto formal destacamos ainda a presença de rimas soantes (volátil / versátil; volúvel / insolúvel; dia / orgia / maria / pia) e toantes* (fÁtuo / Átomo).
A forma contida, calculada, contrasta com o temperamento passional do eu-lírico, que, diante do comportamento “volátil” (instável) da mulher “versátil” (ao que tudo indica, infiel), revela sua melancolia (espera ela chegar da orgia escutando os cantores de ébano, ou seja os negros do jazz) e a possibilidade de uma reação explosiva (“sou pior que o átomo”/ “ainda afogo essa nega na pia”). Tal explosão, no entanto, parece algo passageiro, como sugere o título, “Fogo-Fátuo”, que remete ao fenômeno químico da rápida combustão de organismos em decomposição.

Obs: O poema, de temática passional, está contido na primeira parte do livro "Poesia Marginal", intitulada "Sentir é muito lento"

Intertextualidade:
a) O poema dialoga com as ciências da natureza:
- Fogo-fátuo;
- Volatilidade, entropia;
- Átomo, fissão nuclear;
b) A sugestão de um crime passional faz lembrar o desfecho do conto “A Cartomante”, também exigido no vestibular da UFSC, em que Vilela mata o casal adúltero. 







GOSTOU DA ANÁLISE? ELA ESTÁ NO MEU LIVRO DE RESUMOS UFSC 2016. ENCOMENDE JÁ O SEU pelo email ediralonso@hotmail.com 







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